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Friday

Qwentin - Entrevista

1 – Qwentin (curta biografia, pontos altos, discografia, etc):
Qwentin é um todo feito de cinco partes. Cinco cabeças que, quando juntas, formam uma só identidade, um contador de histórias chamado Qwentin. Um viajante, um sonhador que acredita que todas as línguas do mundo são perceptíveis se nos predispusermos a compreendê-las. Esse foi um dos princípios basilares da fundação da banda, em 2003, numa garagem no limite urbano do Cartaxo, cidade onde crescemos. O outro princípio foi a questionável necessidade de refrães: "se a vida não tem refrães; se os filmes não têm refrães; por que razão hão-de as músicas ter partes repetidas só para respeitar uma convenção estrutural que não sequer está escrita em lado nenhum?". Foi, então, no início de 2003, que o Qwentin começou a compor temas sem refrães e em diversas línguas. Às composições foi acrescentado outro pormenor de estilo: a inclusão de elementos (narrativos e/ou musicais) que estimulassem a curiosidade do ouvinte, que o intrigassem, e que desafiassem a sua imaginação. E a ausência de uma "mensagem", de uma "lição de moral" a impingir ao ouvinte.
Daí até ao álbum, foi um longo caminho de quatro anos - com passagens pelo Festival Tejo (em 2003, 2004 e 2005), pelo Hard Rock Café Lisboa (2005), pelo Santiago Alquimista (2005) ou pela Day After (2005), entre tantos outros sítios; e duas passagens pelos estúdios Toolateman (Carcavelos), para gravar 2 EP, que viriam a servir de base de trabalho para o álbum "Première!"; e duas trocas de baterista, em 2005 e em 2006; e de muito trabalho criativo, para criar o inatingível "álbum perfeito" para a "estreia perfeita". Em finais de 2006, a banda reuniu-se num estúdio em Braga - e aí, temperados pelo clima invernoso da Cidade dos Arcebispos e acompanhados pelo produtor Daniel Cardoso, concretizámos esta amálgama de ideias em disco.

2 – “Première!” (processos de composição e gravação):
Depende das situações. As músicas surgem de forma muito espontânea e tanto podem nascer de uma "jam", como de um "riff" carismático que alguem trouxe de casa. Depois funciona por camadas. Quando já temos um "mood", pensamos nas linhas de voz. «Será que este "mood" deve ser cantado?» Se sim, «que fonética de que língua assenta aqui bem?» Cada música é um pequeno filme, e isso influencia muito a forma de pensar as diversas partes do tema, que devem ser musicadas conforme o que está a acontecer no «ecrã mental» de Qwentin, e que, em última instância, toma a proporção de um argumento cinematográfico.
A gravação do Premiére foi uma experiência alucinante. Decorreu ao longo de um mês, de forma sequenciada, no estúdio Ultra Sound, em Braga. Braga é uma cidade apaixonante, com pessoas que te acolhem muito bem e te levam para festas... As vozes femininas dos temas "Uomo-Tutto" e "Il Commence Ici" são de pessoas que conhecemos por lá...

3 – Letras (influências, temas, mensagens):
O Qwentin não tem, propriamente, uma mensagem. A última coisa que estas músicas pretendem é dar lições. São, basicamente, histórias, com princípio, meio e fim, que exploram facetas - umas óbvias, outras menos óbvias - da vida quotidiana, frequentemente sob o ponto de vista de um viajante em permanente busca de novas experiências, novas aprendizagens, novas formas de perceber a realidade.
Basicamente, são inspiradas por coisas tão simples (ou complicadas, consoante o ponto de vista) como a vida, o mundo, a verdade, a mentira, as pessoas que conhecemos.
Quer dizer, é possível que as músicas dêem que pensar ao ouvinte; mas não lhe tentam impingir uma lição, um "modo certo de pensar/fazer algo".

4 – Uso de diversas línguas:
Quando já temos um "mood", pensamos nas linhas de voz. «Será que este "mood" deve ser cantado?» Se sim, «que fonética de que língua assenta aqui bem?»
Para mais, o uso de diversas línguas é um reflexo da crescente europeização e globalização. E depois, porque é que se tem de cantar sempre em Inglês?A tendência dos músicos portugueses foi, em grande parte dos casos, tentar uma aproximação musical à cultura anglo-saxónica. O que acontece é que, exceptuando algumas honrosas excepções, os músicos portugueses nunca foram muito bem sucedidos nessa abordagem. É uma questão cultural que extravasa também a barreira linguística. Os americanos têm o Blues e nós o Fado. Não quer dizer que nós por cá não saibamos rockar, simplesmente temos de assumir um ângulo diferente, mais nosso, e partir daí para o mundo.
Tocar música "global", como nós fazemos, não significa cantar na língua mais global de todas (i.e., o Inglês). Significa fazer música cuja potência artística transcenda as barreiras culturais. Como o Blues, por exemplo.

5 – Capa do disco (quem, porquê, significado, …):
A imagem - gentilmente cedida pelo fotógrafo norte-americano Barry Weatherall - é a expressão visual perfeita do título que já tínhamos, há muito, escolhido para o álbum. "Première!" preenchia diversos requisitos: é uma palavra com significado igual em diversas línguas (apesar de ser uma palavra francesa, sem adaptação); está fortemente relacionada com o mundo do espectáculo, como um todo, e com o mundo do cinema, em particular; e significa "estreia", que é aquilo que este álbum é: a estreia de Qwentin numa "longa metragem".
Para além de recorrer (fruto do acaso) ao leque de cores de Qwentin, a imagem transmite a teatralidade do conceito; e aquela tímida mão, que espreita da cortina, recorda aquele «nervoso miudinho» que se sente nos momentos que antecedem uma estreia (ou qualquer outro grande momento de uma vida). É o Qwentin que lá está, a espreitar-nos por detrás da cortina, de cada vez que pisamos um palco...

6 – Rui Duarte (Ramp):
A voz é um instrumento como qualquer outro. Determinadas vozes ficam bem em determinados "moods". O "Mind (the) Thieves" pedia uma voz como a do Rui - um amigo de longa data que sempre nos apoiou. E um grande vocalista de uma grande banda (que inspirou boa parte da nossa aprendizagem musical). O resultado final excedeu as nossas expectativas - o Rui vestiu mesmo a "camisola" de Qwentin.

7 – Projecções vídeo e teatralidades ao vivo:
A apresentação ao vivo é mais de metade da força do Qwentin. O guarda-roupa, a caracterização, a utilização de elementos teatrais (sejam interacções entre os músicos, seja com recurso a actores), a não-comunicação verbal directa com o público (o contacto é puramente físico, através de olhares, de linguagem corporal - a comunicação verbal é feita através de um narrador, uma "voz-off", que intercede em momentos-chave) e o recurso a imagens vídeo (que dão ao público uma ou outra pista para descodificar o "argumento" de cada tema interpretado) fazem do concerto de Qwentin uma poderosa experiência audiovisual, situada bem para lá de um mero espectáculo ao vivo.

8 – Influências musicais e outras:
Os gostos dentro da banda abarcam praticamente todo e qualquer estilo de música alguma vez criado. O Rock/Pop é o estilo de eleição, mas todos gostamos de música, seja qual for o estilo. Por vezes, é na musica mais ensossa do músico mais desinteressante que encontramos um determinado pormenor que nos abre uma série de portas à criatividade.

9 – Filmes recomendados pela banda:
Os melhores filmes, e os que mais influenciam a nossa música, são aqueles que acontecem na vida real. Apesar de tratarmos, nas nossas músicas, de temas como a fantasia e a ficção científica, isso não significa que não tenham um fundo de verdade...

10 – Raging Planet Records:
A ligação com a Raging Planet começou com um convite para integrarmos uma colectânea, com edição prevista para o início de 2008. O Daniel Makosch desafiou-nos a fazer a "cover" de um clássico da música portuguesa - optámos por fazer o "Zuvi Zeva Novi", de Mler Ife Dada.
Entretanto, tínhamos o disco finalizado e pronto a distribuir. Após uma série de reuniões para acertar todos os detalhes importantes, partimos para a edição conjunta - uma parceria que esperamos que se fortaleça e dê muitos frutos para ambas as partes, nos anos vindouros.

11 – Promoção ao disco:
13 Novembro: entrevista no Curto Circuito (Sic Radical);
15 Novembro: concerto no Bar Europa (Lisboa) - apresentação do álbum;
23 Novembro: concerto no Centro Cultural do Cartaxo;
08 Dezembro: concerto no Bar Som Líquido (Tavira), com Guernica Havoc;
09 Dezembro: showcase na Fnac da Guia (AlgarveShopping) - promoção do álbum;
20 Dezembro: concerto na escola Restart (Lisboa);
11 Janeiro: concerto no Centro da Juventude das Caldas da Rainha.

12 – Mensagem final:
O desconhecido começa já ali ao lado, naquela esquina que dobramos todos os dias sem pensar muito nisso.
Recordando "A Ilha", de Aldous Huxley: «"Aqui e neste momento, rapazes", salmodiou o pássaro. "Aqui e neste momento, rapazes."»

E claro... Não acreditem, é tudo verdade.Ass: Qwentin (foi mesmo respondido por todos os membros - Bárány Qwentinsson, Drepopoulos Qwentinsson, Gospodar Qwentinsson, Morloch Qwentinsson, Qweon Qwentinsson)
-
http://www.qwentin.com/ / http://www.ragingplanet.web.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal

Tuesday

RAGING PLANET RECORDS

Qwentin – Première! (2007) – Raging Planet Records
Disco de estreia para os Portugueses Qwentin. Rock enérgico é o que nos apresentam nestes 12 temas (+1 escondido). Qwentin é um contador de histórias que acredita que todas as línguas do mundo podem ser perceptíveis se a isso nos predispusermos. Daí as letras serem apresentadas em diversas línguas como castelhano, português, inglês, italiano, francês, holandês e até esperanto. As 12 faixas são apresentadas como se de filmes, curtas-metragens ou peças teatrais se tratasse (daí o título do álbum). Até os músicos são apresentados como Bárány, Drepopoulos, Gospodar, Morloch e Qweon, todos com o mesmo nome de família “Qwentinsson”. Os próprios créditos do disco estão escritos numa linguagem que me parece fusão de diversas línguas reais e alguma ficção. Em termos musicais não é nada de novo, original ou arrojado. Rock simples, directo, com toques de Metal, Emo, Pop e Ska, mas com algumas boas ideias e interlúdios como “trailer de Aqui” ou “intervalo” a incrementar a teatralidade da sua música. Teatralidade essa que segundo parece, transportam para as suas actuações ao vivo, misto de concerto Rock, drama teatral e projecções de vídeos. Chamou-me a atenção, aguardo pois a oportunidade de constatar isso “in loco”. À primeira audição vêm logo à cabeça nomes como Blasted Mechanism, Abstrakt Circkle, Zen, Mr Bungle, Secret Chiefs 3, Tub Ring, entre outros. Falta ainda referir a participação de Rui Duarte dos Ramp no tema “Mind (The) Thieves”. Esta “estreia” (usando o título do disco) contém algumas boas ideias e um forte potencial, mas um pouco mais de rodagem ao vivo e de garagem irá trazer-nos, com certeza, um segundo disco bem mais interessante. Aguardo ansiosamente. 75% http://www.qwentin.com/

Banshee And Something Else We Can’t Remember – This Place Is A Zoo (2007) – Raging Planet Records
Finalmente o disco de estreia desta banda de Ska-Punk-Core. Após um EP em 2004 e alguns anos de rodagem ao vivo, eis que a banda se encontra na altura certa para a estreia em disco de longa-duração. Hoje em dia é habitual que as bandas gravem logo o disco sem passarem pela fase de maquetes, actuações, amadurecimento a nível musical e composicional, daí muitos dos discos de estreia serem autênticas desgraças. Não foi o que aconteceu a estes Banshee. Por isso mesmo este disco de estreia demonstra uns Banshee que sabem o que estão a fazer com os seus instrumentos, que sabem escrever temas de Punk Rock / Skacore, que denotam trabalho e empenho naquilo que fazem. Ao todo são 10 temas em cerca de 46 minutos (com desnecessário espaço em branco para faixa escondida e brincadeira final) que trazem à memória nomes como Mad Caddies, Sublime, Voodoo Glow Skulls, Less Than Jake, Catch 22 e outros que tais. O disco foi trabalhado num espaço de 2 anos em dois estúdios da área de Lisboa e depois foi colocado nas mãos de Eddie Ashworth (Sublime, Long Beach Dubstars, Pennywise, etc) para as misturas e nas de Jason Livermore e Bill Stevenson (NoFX, Less Than Jake, MxPx, Lagwagon, Good Riddance, Propagandhi, etc) para a masterização. Apesar das descaradas influências e da desnecessária faixa escondida, um excelente álbum de Skacore feito em Portugal. 80% http://www.drunkbuthappy.com/ / www.myspace.com/basewcr

Rizoma – Insistir No Zero (2007) – Raging Planet Records & Babuíno Discos
A banda é composta por 3 ex-Toranja. O disco de estreia deste projecto Rizoma segue uma linha similar à da sua antiga banda, Pop / Rock com o tradicional formato de canção e vocalizações em português. Alguns temas são mais roqueiros como “Mundo Estranho”, “Gritas Contente”, “Amor Obtuso” ou “Clínica Do Senso” (estes dois últimos com um cheiro a Rock Português dos 80s). Há ainda tempo para uma faixa escondida linha rock psicadélico. Algumas ideias são boas, outras são muito lugar-comum e outras não resultam de todo. Um álbum muito heterogéneo que passa do Pop “mainstream” ao Rock 80s, do acústico ao Blues Rock, sempre sem qualquer lógica. Material mais linear e homogéneo, algumas ideias mais fracas deixadas de lado, e os Rizoma podem conseguir um segundo disco bem mais interessante. Para já, um disco mediano, que passará despercebido no meio de tantos outros com material mais apelativo e que desafia os sentidos do ouvinte. 55% www.myspace.com/rizomapt

Críticas por RDS

Friday

American Steel – Destroy Their Future (2007) – Fat Wreck Chords

Nunca tinha ouvido esta banda Norteamericana até agora, altura em que me chegou à caixa de correio este fabuloso “Destroy Their Future”. Trata-se do seu 4º trabalho, o primeiro através de Fat Wreck Chords. Após um hiato de 6 anos, a banda regressa com este novo trabalho, o qual é composto por 12 temas que rondam os 35 minutos. Nota-se que o trabalho de composição é cuidado e há aqui muito boas ideias, bem aproveitadas e executadas, cativantes, com refrões e melodias orelhudos. A banda vai buscar influência a bandas e estilos tão díspares como The Clash, Crass, The Pogues, Pop Punk, Hardcore, Irish Folk, Soul, ou até mesmo o som da mítica editora Motown, entre outros, e isso nota-se perfeitamente na sua música, conseguindo criar estes um som variado mas com um certo grau de homogeneidade, o som American Steel. Recomendo. 85% http://www.americansteel.org/ / http://www.fatwreck.com/ / http://www.fatwreck.de/

Thursday

Gl*xo Babies – The Porlock Factor (2007) – Heartbeat / Cherry Red

Depois do fantástico trabalho desenvolvido em “Dreams Interrupted: The Bewilderbeat Years 1978-1980” a Cherry Red volta a editar um CD em que recupera material dos extintos Glaxo Babies. Desta feita a colectânea foca a sua reunião de meados da década de 80, daí o subtítulo do disco, “Psych Dreams And Other Schemes 1985-1990”. Nesta segunda fase da sua existência a banda dirigiu-se para sonoridades Pop com algum psicadelismo e alguma influência Funk, sempre com aquele travo Britânico e algum experimentalismo à mistura. O material contido neste disco não é tão interessante como o da anterior, e atrás referida, compilação da sua primeira fase, que apenas durou 18 meses mas que rendeu muito em termos musicais. Além disso, como muito do material aqui contido é de maquetes, ensaios, etc, o som não é o melhor, e varia muito da faixa para faixa. De qualquer modo, recuperações deste género são sempre bemvindas, e os fãs da banda, coleccionistas, amantes do Underground britânico ou da Pop mais avantgarde dos 80s, devem experimentar e tirar as suas próprias conclusões. Eu cá fico pela primeira fase da banda. RDS
70%
Cherry Red: http://www.cherryred.co.uk/
Glaxo Babies: www.myspace.com/glaxobabies

Wednesday

Three - Entrevista

- Three (meaning of the name, short bio, discography, highlights, …):

3 is a concept. We live in a 3 dimensional physical space, on the 3rd planet from the sun, experiencing time as past, present and future, in a form that consists of mind, body and soul. 3 is the apex of the triangle, the transcendence of our dualistic “good versus evil” view of life. 3 is evolution. 1(thesis) + 2 (antithesis) = 3 (synthesis).

3 is a band apart: Dark yet uplifting, spiritual without any connection to religion - theirs is a sound that transcends the genre conformity of modern pop culture. Rapid-fire acoustic guitar infused with dynamic percussion, animated drumming and thunderous bass culminate in a listening experience that is at once accessible and unique. Polyrhythms pulse within a symphony of driving guitars and melodic vocal acrobatics. 3 offers musicality without pretension.

3’s DISCOGRAPHY:

“Paint By Number” (2000) is a very melodic and diverse collection of songs. The producer chose to focus more on our pop sensibilities than our progressive ones but the music is still intricate and powerful. This record features the original line up of “3.” Chris Bittner on bass, who went on to co-produce all of Coheed’s records to date, and Josh Eppard who went on to be Coheed’s drummer. This record can be purchased online at http://www.planetnoiserecords.com/

“Half Life” (2002) was an attempt to capture the live energy of the band and add some studio polish. Most of it was recorded live in Kingston, NY. There are several other live tracks from radio and television performances as well. There is a good chunk of improvisation and this was also the funkiest era of the band. I had been touring with George Clinton a lot and it had a big impact on my writing. This record can be purchased online at http://www.planetnoiserecords.com/

“Summer Camp Nightmare” (2003) Our second official studio release, this record put the focus back on our deeper songs. It was a return to our Pink Floyd influences and also an evolutionary leap for the band as we really began to cultivate our own sound out of the myriad of diverse influences. This record has a very vintage sound as we used all old tube gear and removed all computers from the studio because we didn’t like the vibe. This record can be purchased online at http://www.planetnoiserecords.com/

“Wake Pig” (2005) By 2004 I had finally put together my dream line up including key members of the very band who’d influenced 3 in the early days, Peacebomb. The project had come full circle, making a matured return to our progressive roots. With the new team in place we took matters into our own hands, setting up a studio and recording our self produced Metal Blade Records debut. This is the record we’d always wanted to make. This record can be purchased online at http://www.metalblade.com/

“The End Is Begun” (2007) After touring Wake Pig for the last couple years we were good and ready to come home and create a new masterpiece. We had over 30 song ideas to choose from and eventually paired it down to 13. This time around our compositions are a bit less orthodox, there are also more progressive elements. TEIB has a bigger and more classic sound to it. It was mixed by Toby Wright, where as I mixed Wake Pig. This album has the feel of 2 different sides as well. The first half is very different from the last. This plays into the duality that we wanted to portray on this album. This is some of our best work to date. This record can be purchased online at http://www.metalblade.com/

“The End Is Begun” (rehearsing / writing process, recording process, label, …):
In general we were very inspired during the writing process. I think all the touring, all the places we’ve seen and people we’ve met serve to inspire us. I think the biggest challenge was working with a deadline. This one came down to the last minute. As usual they had to drag me out of the studio kicking and screaming. We recorded most of our record at Jerry Marotta’s studio right in our home town of Woodstock, NY. Because of limited resources, (time and money), I had to work on vocals at home while the band was finishing up other tracks at Jerry’s. When I had a large amount of work completed, I would return to the studio to back up all I had done. Well, there was a point where we had about a 2 week hiatus from Jerry’s, so I had built up quite a bit of work that needed to be backed up and transfered in to the main session. When I plugged in the hard drive to do so everything had disappeared. All the vocals I’d recorded, about 5 songs worth in total were missing. We were very close to the deadline so I was pretty much losing my mind. We ended up using a special file recovery program which recovered over 5,000 unnamed audio files from the drive. I spent the next 24 hours sorting through these files to find the vocals I had lost. Fortunately I found them all.

Lyrics (influences, subjects, ideas, messages, …):
Conceptually, much the album deals with the archetypal struggle, that final epic battle that looms upon the human horizon. The twist is that this battle takes place within us. All outer manifestations of it can be traced back to this inner struggle. . “Still I know you must continue, trying to win the war waged within you.” (from “Battle Cry”) Other songs, such as “Live Entertainment” touch on the irony of reality tv’s growing popularity amidst a population of people who avoid being conscious of their own realities. This record is a hybrid of melancholy and hope rising up out of the ashes of our self-destruction / deception. Perhaps the most meaningful song for me is “The Last Day” which reveals a positive spiritual outcome for all our human suffering. “Its the last day of the world, all the stars fired up to unfurl. Gonna meet you in the space within. You and I, we’ll race the light and win.”

Album frontcover / artwork (who, why, meaning, …):
Our cover was designed by Damn Engine. We gave him some ideas and he took it and made it brilliant. He was listening to rough cuts of the record when he designed it, so it just feels right with the music. The cover is made up of two very different elements. A dark foreboding landscape, ravaged by some great war and a young girl holding 3 blue balloons looking out across the scene. I think they both represent important aspects of who we are as a band. Some of the darkest, most aggressive and technical musical moments on this record are balanced with soft and often sweetly simple vocal melodies. This is part of our duality, our paradox. That is what excites me as an artist, dark and light combining to create something new. The girl represents hope; she is the future, the next step in our evolution. Through her we can experience the end as a new beginning. The balloons are souls; she clips their strings and releases them from their earthly bonds.

Live tour to promote the new record:
We’ll be touring with Porcupine Tree and Dream Theater at different times throughout the next year. Its Rock ‘n’ Roll so anything can happen!

Musical (and other) influences:
Musical:
the Beatles, Led Zeppelin, Primus, Pink Floyd, The Police, Genesis, King Crimson, Rush, Metallica, Iron Maiden, Ojos de Brujo, Mahavishnu Orchestra, Radiohead, Stevie Wonder, Ani Difranco, Joni Mitchell, Elvis Costello, Elliot Smith, Imogen Heap, and many, many more...
Other: Rudolph Steiner, David Icke, Zechariah Sitchin, The Master Cleanser, Spacekateers, herbal remedies, Thoth, The Flower of Life and many, many more...

Final Message:
Thanks to you and to your readers! Be well, - Joey Eppard / 3
http://www.theband3.com/
www.myspace.com/3
www.myspace.com/joeyeppard
http://www.metalblade.com/
http://www.planetnoiserecords.com/

RELAPSE RECORDS – Agosto / Setembro / Outubro 2007

Quando vejo um envelope da Relapse ficou logo entusiasmado. Material de qualidade máxima, isso é certo! Este novo pacote promocional traz 4 discos, e que discos, diga-se já! O único senão é mesmo os 4 serem daqueles irritantes promocionais divididos em quase 100 faixas! É extremamente confuso e desencorajador tentar ouvir, criticar e, pior ainda, tentar rodar algum tema na rádio (quando eu o fazia, nos bons velhos tempos) deste tipo de CDs. Para evitar a pirataria na Internet antes do disco ser editado oficialmente. Pois sim! Isto vai lá parar na mesma! Alguém há-de dar a volta a este pequeno contratempo. Há amigos meus que conseguem os discos primeiro que eu, que os recebo directamente da editora para promoção! Bem, polémicas à parte, vamos à revisão destas quatro peças de arte.

Alchemist – Tripsis (2007): Esta sim pode ser apelidada de peça de arte! Os Australianos conseguem neste novo trabalho de estúdio fazer um revisão ao seu passado mais distantes conservando, no entanto, a sua característica inovadora e de experimentação. “Tripsis” traz 9 novos temas de Metal técnico e progressivo com raízes Death Metal e incorporação de elementos que vão desde o Rock psicadélico ao industrial, electrónico, gótico e até mesmo influências de música do médio oriente. Fãs de bandas como Voivod, Godflesh, Opeth, Neurosis ou Orphaned Land irão gostar desta rodela prateada. RDS 90% http://www.alchemist.com.au/ / www.myspace.com/alchemistau

Baroness – Red Album (2007): Os Norteamericanos Baroness têm em “Red Album” o seu primeiro disco de longa duração e primeiro para a Relapse. Nele nos são apresentados 11 temas de fusão Rock, Metal e Hardcore, sempre com uma vertente progressiva e experimental. Prefixos ou sufixos como Post, Psych, Prog ou outros que tais são mais que bem-vindos à designação da música deste quarteto. Pesado mas melódico, denso mas ambiental, este disco aborda as duas facetas, os dois opostos, luz e escuridão. Para fãs das novas propostas mais progressivas da música extrema. Para arquivar ao lado de nomes como Isis, Tool, Opeth, Mastodon, Botch, Pelican, etc. RDS 80% http://www.yourbaroness.com/ / www.myspace.com/yourbaroness

Coliseum – No Salvation (2007): Novo trabalho para os Coliseum, primeiro através da Relapse. À primeira descrição poderá parecer uma banda algo deslocada do resto do catálogo da já mítica editora mas, depois de ouvir um par de temas, chega-se à conclusão de que não destoa assim tanto quanto outras propostas recentes da Relapse. Punk / Hardcore / Crust bem cru, áspero, pesado, rápido, com muita garra e atitude. São 13 malhas em cerca de meia hora que em nada ficam a dever às suas influências mais directas, que passam por Discharge, Motorhead, Black Flag, Poison Idea, Negative Approach, entre outros. RDS 80% http://www.coliseumsoundsystem.com/ / www.myspace.com/coliseum

High On Fire – Death Is This Communion (2007): O tão aguardado novo trabalho dos High On Fire está quase a ser editado. Este é, com certeza, um dos álbuns mais aguardados deste ano da faceta mais extrema da música. E valeu a pena a espera! Quem, como eu, já tinha gostado muito do anterior “Blessed Black Wings”, não vai ficar desiludido com este novo ataque. 11 novos temas com um som cru, directo, intenso, pesado quanto baste, mas com melhor produção do que o anterior, desta feita a cargo do conceituado Jack Endino (Nirvana, Soundgarden). Para quem já conhece, não há muito mais a dizer, apenas que este é o melhor trabalho de sempre da banda, por isso, dia 24 de Setembro, abram os cordões à bolsa. Para quem ainda não conhece, imaginem uma fusão de nomes como Black Sabbath, Sleep, Slayer, Motorhead, Mastodon, Isis, Pentagram e Clutch. RDS 90% http://www.highonfire.net/ / www.myspace.com/highonfireslays

Relapse Records: http://www.relapse.com/ / www.myspace.com/relapserecordseurope

Thursday

Last Winter - Entrevista

- Last Winter (meaning of the name, short bio, discography, highlights, .):
We get that one a lot, which is weird because I read a lot of interviews and there are some bands out there with crazy names and they never get asked that. Well, we all grew up in Florida where it's 90+ degrees about 9-10 months out of the year. The only change in the weather is around Wintertime. It such a small time, but a special one. It just seemed like aperfect fit for what we were trying to do musically.
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- "Under The Silver Of Machines" (rehearsing / writing process, recordingprocess, label, .):
About half of the album is new material. Some of it was taken from a Japanese release through Fabtone records, but there are tracks that no one has ever heard. I'd say our newer tracks show a little more maturity than our past ones. We have developed a writing style that allows us to experiment, but still not stray too far from what we are trying to do. "Under the Silver of Machines" sounded like a great Sci-Fi movie. Haha. We just wanted a title to represent the wonder of space and with all the satellites and machines orbiting us all the time, it just fit. We actually ended up using samples of radio signals broadcasted in the 40's that have made their way back to our satellites. Very cool.

I definitly learned a lot recording the album. I experimented with some very unorthodox techniques, and tried alot of new things. I also had some help from James Wisner... I do a lot of tedious work for him in my spare time, and he was kind enough to let me bring some tracks over once in a while and utilize some of his most valued equipment. He also pointed me in the right direction everytime I lost my mind and my ear. It takes a rare individual to be a producer full time. A psycho you might even say! Love you James.

We are good friends with fellow label mates Hand to Hand. I believe they gave a cd to Lifeforce and we were contacted by them about a year or so ago. Lifeforce was looking to branch out into the "rock" genre and we were going to be their first band. After a couple of months of chatting, we realized this was a great opportunity for us. We knew we would stick out from the rest of the roster like a sore thumb, but it's just the kind of attention we were looking for.
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- Lyrics (influences, subjects, ideas, messages, .):
We always like to write about things people can relate to. Everyday life. Every member of the band contributes to our lyrics. As a result of our sick obsession with space, lines like "M31 will guide me there" make it in to our songs occasionally. Look it up. We all learn something new everyday. The lyrics to "The Violent Things" we're influenced by negative some of the negative (yet necessary to learn from) experiences we've been through during our journey thus far in the music industry.
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- Album frontcover / artwork (who, why, meaning, .):
We went for a darker, industrial feel with the artwork (courtesy JohnRadford) because we thought it went well with our album title. All the album art goes along with that same theme. Spacey/Industrial/Dark. We thought it was a nice balance paired up with the music.
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- Live tour to promote the new record:
We are doing two cd release shows in Orlando, Fl. One on the 24th at Virgin Mega Store and then another one a week later, which should kick-off our tour. We are finalizing the US tour as we speak. A European tour can be expected in the near future as well!
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- Musical (and other) influences:
Our musical influences truly span across the spectrum. All of us are huge fans of all the 80's bands. Of course, we went through the Grunge Era (which some of us still haven't let go.... Fro). I'd say the biggest influences, musically, would have to be Hum, Def Leppard, Smashing Pumpkins, Dredg, and The Used. As far as other influences, I'd say the biggest would have to be Space. Everyone in the band has a fascination with it and we use it as a constant theme in our lyrics. While most bands have arguments about which part goes where in a song, we have arguments as to which constellation we are looking at. Wow! We're really not that cool...
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- Final Message:
Whatever you do, do it twice!
Thanks Fenix!
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Entrevistador: RDS
Entrevistado: Cameron
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Wednesday

[F.e.v.e.r.] - Acerca de "4st_Fourst"

Depois da entrevista a propósito do single "Bipolar" (ver http://fenixwebzine.blogspot.com/2007/04/fever.html), aqui segue um pequeno texto acerca do disco de estreia, em jeito de complemento:

“4st_Fourst” revela um trabalho continuado desde o início da formação dos [f.e.v.e.r.], como um caos em crescendo apenas forçado neste final. A edição é da RagingPlanet, editora que nos acompanha desde os primeiros passos e que nos permite um plano de acção conjunto e coerente, que apoia os nossos propósitos. Relativamente a apresentações ao vivo, esperamos tocar o mais possivel na promoção deste trabalho. Envolvemo-nos facilmente, de forma bastante forte, em tudo o que mexe com a banda e as actuações ao vivo não são excepção. - Luís Lamelas

Mais de [F.e.v.e.r.] em: http://fenixwebzine.blogspot.com/search?q=fever

Sunday

Three – The End Is Begun (2007) – Metal Blade Records

Novo trabalho para esta banda Norteamericana que mudou o seu nome do simples algarismo, 3, para a palavra inglesa que o designa, Three. “The End Is Begun”, o quarto disco da banda de NY, é mais pesado, mais Rock, mais progressivo e mais obscuro no geral que o seu antecessor “Wake Pig”, mas sem perder o carácter introspectivo de sempre. Além das facetas Rock (muito) e Metal (pouco) que serve de base para as suas deambulações, os Three incluem na sua música diversas tonalidades que vão desde o Progressivo ao Rock alternativo da década de 90. Sabores orientais, jazzísticos, funky, acústicos e de bandas-sonoras linha Danny Elfman (ou da sua banda dos 80s Oingo Bongo) emprestam ao prato final um sabor adicional, reservado apenas a gostos mais refinados. No anterior disco havia já alguns temas que me chamavam a atenção, com alguns pormenores que me fascinavam mas, este novo registo inclui muito mais material nessas linhas, quase como se me tivessem lido a mente e tivessem feito um álbum mais a meu gosto. O único senão, pelo menos para algumas pessoas que, como eu, não aguentam durante muito tempo material tão “leve” e introspectivo, é a duração excessiva do disco, cerca de 57 minutos divididos em 13 faixas. Como bónus temos ainda uma versão acústica do tema “Dregs” a fechar o disco (faixa 14). Para fãs de Coheed And Cambria, Porcupine Tree, Tool, Danny Elfman, Oingo Bongo, Arena, Faith No More (na sua faceta mais “leve”), entre outros. Recomendo vivamente! RDS
85%

Monday

Last Winter – Under The Silver Of Machines (2007) – Lifeforce Records

Os Norteamericanos Last Winter são a tentativa da Lifeforce de tornar o seu catálogo mais ecléctico, introduzindo no mesmo sonoridades mais melódicas. Os Last Winter lançam então pela dita editora Alemã o seu segundo disco intitulado “Under The Silver Of Machines”. Doze temas fazem a ligação entre Emo, Rock alternativo e algum Punk Rock melódico, tudo sempre com uma orientação no sentido de canção Pop. Tenho de confessar que não sou grande fã deste tipo de sonoridades, mas aqui a música é até enérgica o suficiente para me agradar, tem boas melodias, e o espírito no geral não é assim tão depressivo como na maioria das bandas do género. Não é disco para eu ouvir todos os dias mas tenho de admitir que está bem feito. Está muito melhor que a maioria dos trabalhos do género que infestam o mercado discográfico hoje em dia. Um pouco mais de “peso” (leia-se Metal e/ou Hardcore) faria com que o meu interesse na banda aumentasse mas, esses são os meus gostos pessoais, e cada um tem os seus! Para fãs do género, uma boa aposta. Para quem não vai muito “à bola” com música de tendências Emo, afastem-se a todo gás! RDS
70%
Lifeforce Records: www.lifeforcerecords.com

Thursday

Video de apresentação de "Maldoror" dos Mão Morta

Cinemuerte – Born From Ashes (2006) – Raging Planet Records

Cinemuerte é um duo que surge das cinzas dos Nua que nem Fénix renascida (tinha mesmo que usar a brincadeira!). Fusão de Rock, Pop, Gótico, Metal e alguma electrónica. Influências, é difícil dizer pois estão bem assimiladas e dissimuladas. São cerca de 49 minutos divididos em 12 temas, entre os quais uma particular versão de “Entre Dos Tierras” dos extintos rockers Espanhóis Heroes Del Silencio. É este o único ponto fraco do disco, pois o tema esta irreconhecível. Claro, as versões têm que ter sempre o cunho da banda que a faz, mas aqui, só mesmo a letra é do original, não se vislumbra nem uma pequena réstia da melodia original. É um tema dos Cinemuerte com a letra do referido tema dos Heroes Del Silencio. Podia ter ficado para outra edição, single, compilação ou até mesmo como faixa escondida. Há ainda uma parte multimédia a mencionar mas apenas tem umas fotografias, podia estar mais completa, as fotos podiam vir no livrete do CD, faltava era um video ou dois. Tirando esta versão e a faixa multimédia, todo o disco está soberbo! Os Cinemuerte abordam a sua música como a arte que é, logo no formato da banda (um duo) isso é notório, também o é nas letras, na apresentação do disco, assim como em todo o conceito e pequenos pormenores que rodeiam a banda no geral. Um disco de músicos / artistas / performers que pode agradar tanto a mentes mais abertas a este tipo de liberdades e conceitos artísticos como também ao comum ouvinte, pois todos os temas têm uma abordagem muito Pop e de formato de canção com melodias e refrões orelhudos. Dá gosto ver que ainda há gente que se preocupa com o lado artístico da música e tenta criar algo de si e não uma mera cópia pálida do que os outros fazem ou fizeram. Uma excelente surpresa e uma pedrada no charco do marasmo musical e cultural do qual padece Portugal actualmente. RDS
90%
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt
Cinemuerte: www.cinemuerte.net / www.myspace.com/cinemuerte

Cinemuerte - Entrevista

1 – O vosso nome é intrigante. O que é que significa “Cinemuerte”?
Cinemuerte dá nome a um festival internacional de cinema de terror. Achámos simplesmente piada ao conceito.

2 – Este é já o vosso álbum de estreia mas a banda é relativamente recente. Podes falar um pouco da história da banda desde o anterior projecto Nua até à data, referindo os pontos mais importantes?
O João e eu reencarnámos neste novo projecto, oriundo de NUA, banda de rock underground dos anos 90. Os NUA deram-nos 9 anos, 9 vidas de loucura, insensatez, desgraça. Os NUA permitiram-nos apreender as “regras do jogo”. Sim, a música é um jogo, como tudo na vida. Quem é nega, é tonto. A banda encerrou-se como tudo encerra em capítulos na vida.

3 – Cinemuerte é um basicamente um duo. Explica-me um pouco este conceito da banda.
Bem, dos NUA, sobrámos nós: as nossas ideias, a nossa vontade, a nossa paixão,....não desistir embora todos queiram-te de joelhos, dobrado, derrotado, humilhado. E nem sabes bem porque estás determinado a sofrer, mas há uma paixão intrínseca que não te larga. Estávamos de facto cientes das nossas capacidades e limitações....mas há que encarar toda a limitação como um desafio, uma oportunidade única para te desafiares, crescer, construir. Saberes até que ponto és capaz.. Requer alguma dose de loucura como referi há pouco. No fundo, se pensássemos muito, o João e eu teríamos talvez ficado pelo caminho, mas acho que essa despreocupação é comum aos dois.... Act! Do not think too much about it! Em relação ao conceito de banda a dois, claro, o trabalho quadriplicou, acrescentando curiosamente em paralelo produtividade. Sabíamos também que havia muito entendimento. Somos open-minded. Gostamos um pouco de tudo. Não somos nada limitados quanto a influências musicais. Se te dissesse que encaro a composição da música como a concepção da nossa personalidade: repara. Se viajares muito, passares pelos países mais comuns como pelos países mais estranhos deste mundo, isso trar-te-á uma riqueza estrondosa que irá definir-te enquanto pessoa. E nesta linha de pensamento, penso que o João e eu trazemos essa riqueza. Ouvimos tudo.

4 – A sonoridade dos Cinemuerte é muito ecléctica tem um pouco de Rock, Pop, Metal, Gótico e até electrónica. De onde provêm as inspirações para a sonoridade da banda?
Tal como te referi na resposta à questão colocada anteriormente, as inspirações vêm de todos os recantos sonoros. Mas devo acrescentar que a sonoridade, muito nasce também dos impactos visuais que vamos absorvendo diariamente, quer num filme, quer num episódio pessoal e que se consegue transmutar em som.

5 – Fala-me um pouco das letras deste disco e dos assuntos abordados nas mesmas.
Este disco irá amadurecer com o próximo. É de uma criança que se depara com um mundo estranhamente normal. Fala de Amor, ódio, o oxigénio que nos alimenta dia após dia. É de uma criança que não percebe. O trabalho foi escrito atendendo aos meus últimos quatro anos de vida.

6 – Como é que surge aqui a versão de “Entre dos tierras” dos Espanhóis Heroes Del Silencio, porque esta banda e porque este tema? É uma versão muito diferente do original, como é que surge esta recriação muito peculiar?
Estávamos no intervalo de um ensaio. Uma qualquer estação de rádio passava o tema. Achámos que uma versão em espanhol, seria um desafio. Geralmente, as pessoas são “chamadas” a versões de bandas anglo-saxónicas. Uma versão se não for um tanto diferente do original, é uma cópia, um plágio. Um desperdício de tempo, e uma facada nas costas de quem estás a querer prestar tributo.

7 – O disco foi gravado com o Armando Teixeira. Porque é o escolheram para esse trabalho e o que é que ele trouxe de mais valia para o disco?
Fizemos pesquisa. Analisámos trabalhos anteriores, e verificámos a compatibilidade entre os dois pontos. Procedemos à intersecção. O Armando Teixeira é um excelente produtor, para além de um excelente músico. De um vasto espírito criativo, conseguimos coordenar a viagem.

8 – A capa do disco é um pouco diferente daquilo que se poderia esperar pela música que vem na rodela prateada. Esperar-se-ia uma capa bem mais sombria, de tons negros e cinzentos. Como surge esta capa toda colorida e de orientação “cartoon”? Quem é que foi responsável pelo aspecto gráfico do disco?
O Pedro Zamith é o autor das ilustrações da capa. Quero frisar que, à excepção da capa que foi concebida propositadamente para este album, se tratam de excertos de quadros gigantes deste artista. Seguimos o seu percurso profissional há algum tempo. Como te dissemos, estamos atentos a tudo, aos referidos impactos visuais que se vão atravessando pelo caminho. Quanto às cores, se as temos, porque não abraçá-las? Num vermelho, tens a intensidade do calor. No azul, tens a frieza da vida. As cores são o nosso retrato.

9 – Como é que tem sido a aceitação ao disco, tanto a nível de imprensa como de público?
Desculpa, mas vou ter de abolir a palavra “aceitação”.... Um disco não nasce para um fim. É simplesmente expressão. Seria cruel quer para nós quer para o público dependermos de um objectivo. Uma criança nasce: é uma expressão da natureza. Apenas isso. Tudo o que daí advém é pura ilusão, maquinação do espírito.

10 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades de apresentar esta nova edição? Como é que têm corrido esses concertos?
Os concertos têm permitido dar vida à expressão. Curiosamente, até à data, os nortenhos são imbatíveis na sua frontalidade, humanidade, entrega. São os mais fiéis. Seguem tudo. Sabem tudo. Estão atentos. Em Lisboa, penso que dada a excessiva oferta de concertos, um concerto é mais um. Um concerto na Capital não toma a preciosidade como noutros cantos do país. Adoro pisar terra virgem. Os concertos têm sido substancialmente surpreendentes nas palavras de quem nos escreve: posso frisar que a abertura para HIM foi um marco. Estava com 42 graus de febre, e delirei em palco. Deliramos com o público espantado. Penso que o que mais caracteriza quem nos vê é o espanto. A abertura para o concerto de Paatos foi igualmente uma conquista de um novo público. De uma forma geral, os concertos quer em ponto grande quer em ponto pequeno, permitiram-nos ganhar uma capacidade de encaixe, adaptabilidade mui sui generis. É fantástico ter a oportunidade de sentir a dualidade.

11 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
O futuro já é presente: começámos a compor aquele que será o próximo capítulo. Temos alguns segredos que pretendemos matar muito em breve pelo que vos peço para nos acompanhar.

12 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
Hum...tenho seguido de perto. O metal começa a ressurgir. Mas o que mais tem sobressaltado à vista, é a conquista do Punk Hardcore que virou moda nas camadas mais jovens. A música sempre teve muito a ver com um estilo, com uma atitude. Aliás é atitude... expressão. Pessoalmente gosto de todos estes géneros. Acho que toda a música é válida desde que sentida.

13 – Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Bem o que quero mesmo é dizer-vos que queremos estar perto de quem nos lê, de quem nos ouve, de quem nos quer. Mas por vivermos debaixo de fogo, precisamos da vossa intervenção. Os Cinemuerte, não somos só nós, a banda. Somos um todo, o emissor e o receptor. Quero que entendam que somos só um. E que a vossa intervenção também nos faz bater o coração. Para palavras mais cruas mas necessárias, precisamos que intervenham junto das organizações, promotores de espectáculo, media, rádios, televisões. Respirarmos é existirmos actuando, e para tal peço-vos que ajam, intervenham para que possamos estar presentes. Exijam. Vivam.
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Entrevistador: RDS
Entrevistada: Sofia Vieira (Voz)
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Cinemuerte: www.cinemuerte.net
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt

Wednesday

Underworld: Entulho Informativo #22 / #23 + Entulho Sonoro #1 / #2 CD

A revista Underworld – Entulho Informativo tem mais dois exemplares na rua, trata-se dos números 22 (Fevereiro 07, só agora é me chegou às mãos mais ainda vem a tempo!) e 23 (Maio 07). Desta feita a revista traz um atractivo, um CD intitulado “Entulho Sonoro”, o qual será agora uma constante, vindo a fazer parte das futuras edições da revista. Quanto aos números que tenho em mãos, e seus respectivos CDs, passo a apresentar o seu conteúdo. No #22 temos Born A Lion, Hills Have Eyes, Tara Perdida, The Evens / Fugazi, Converge, Isis, Opeth, Íon, The Texabilly Rockets, [F.e.v.e.r.], Rose Tattoo, Orange Goblin, The Angelic Process, um artigo / entrevista sobre a editora de livros Saída de Emergência, outro sobre o Necronomicon, além do material habitual numa publicação deste género. No “Entulho Sonoro #1” temos, na grande maioria, bandas Portuguesas e temas inéditos ou “advance” para o próximo trabalho da banda. Alinhamento: Mão Morta (com uma regravação de um tema dos primórdios da mítica banda Bracarense), [F.e.v.e.r.], Ho-Chi-Minh, Jazz Iguanas, Born A Lion, Spincity, MQN, Phazer, The Ladder, Namek, Twentyinchburial, July 13, Albert Fish, Target 35, Equaleft, Cinemuerte, Men Eater, Process Of Guilt, Budhi, Íon, Euthymia & Kenji Siratori.
No novo número #23 temos Capitão Fantasma, Neurosis, Apse, Mad Caddies, The Hidden Hand, Porcupine Tree, Scarve, Celtic Frost, The Real McKenzies, Men Eater, Clutch, Machine Head, uma entrevista com Francisco (Atomic Tattoos), um especial Fantasporto, além das habituais rubricas. No “Entulho Sonoro #2”, mais uma vez privilegia-se a música feita em Portugal, e o alinhamento é o seguinte: Moonspell (com o tema exclusivo para a edição Portuguesa do seu último álbum), Apse, Capitão Fantasma, The Poppers, Murdering Tripping Blues, Moléstia, Wako, Damien’s Trail Of Blood, Blacksunrise, Fiona At Forty, Larkin, Waste Disposal Machine, Kronos, Dr. Salazar, Hyubris, Clockwork Boys, Ervas Daninhas, Barafunda Total, Partisan Kane.
Para passar a receber a Underworld e respectivo CD (limitado a 2000 exemplares) confortavelmente em casa, basta apenas fazer a devida assinatura, pela módica quantia de 5€ (para 4 revistas e 4 CDs!). Para mais informações visitem o website. E venham muito mais edições! RDS

Underworld Magazine: www.underworldmag.org

Sunday

[F.E.V.E.R.] - Entrevista

1 – Ultimamente têm havido algumas mudanças na formação nos [F.e.v.e.r.]. O que é que tem acontecido desde o último trabalho até hoje nesse sentido?
O nosso ex-baterista - Sérgio Pencarinha - decidiu, por motivos pessoais e profissionais, não assumir mais compromissos com a música e abandonou o projecto. Durante esse processo aproveitámos para compôr o álbum “4st_Fourst” e encontrámos um substituto para o mesmo lugar, Pedro Cardoso (ex-Carbon H e ex-Gazua).
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2 – Antes de passar ao novo EP, fala-me um pouco da edição anterior, o disco de remisturas “Electronics”. Como é que surgiu essa ideia e como é que escolheram as pessoas que colaboraram nesse registo?
Tinhamos acabado de perder o baterista e achámos que as máquinas poderiam voltar a ter o protagonismo que tiveram no início da nossa formação. Dado que tínhamos contacto pessoal priviligiado com essas pessoas e sempre ponderámos a hipótese de um disco de remisturas, acabámos por aproveitar essa pausa forçada para o lançar. São sobretudo convidados que estão, de alguma maneira, relacionados connosco e por quem sentimos apreço. Entretanto, a altura de começar a devolver esses favores chegou e já estamos a trabalhar em deconstruções para algumas dessas pessoas.
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3 – Este novo trabalho é apenas um EP de transição entre o último trabalho e o próximo. Já é habitual na banda este tipo de edições. O que temos aqui é apenas um tema e depois várias versões (ou remisturas) do mesmo e um vídeo. Porque uma edição deste género e não qualquer coisa com mais material novo?
Não se trata de um EP mas sim de um single. Foi uma canção que gravámos ainda antes da chegada do novo baterista e que cedo se decidiu que seria a primeira amostra do álbum que aí vem, “4st_Fourst”. Como lançar um single de antecipação com duas ou três faixas nos parece uma coisa pouco generosa, quisemos desdobrar a música e dar-lhe várias faces, de diversas formas. O suporte multimédia tem, em si mesmo, imenso potencial e sempre achámos boa ideia tirar proveito disso. Acrescentámos um vídeo, samples avulsos, maravilhosos toques de telemóvel em MIDI e anotações para a interpretação da música por dois violinos e um violoncelo.
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4 – Como é que surgem os Corvos e o Martin Rev nesta gravação?
Para falar verdade, o que nós queríamos mesmo era uma colaboração com o Eurico A. Cebolo que, infelizmente, não chegou a ser levada adiante. Tivémos de nos contentar com 50% dos Suicide e com uns tipos que tocam uns instrumentos esquisitos. Para falar realmente verdade, da última vez que o Martin veio a Portugal, claro que o fomos ver. Falámos com ele, apresentámos-lhe o nosso trabalho e perguntámos se estaria interessado em remisturar uma música nossa. Aceitou. Com os Corvos o processo foi similar. E também aceitaram.
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5 – O tema que aqui apresentam (“Bipolar [-]”) irá figurar no próximo CD (embora numa versão diferente), e é um tema mais melódico e com um refrão muito “catchy”, quase Pop. É esta uma previsão daquilo que é o estilo dos [F.e.v.e.r.] hoje em dia e do que se irá ouvir no disco de estreia?
A versão (“Bipolar [+]”), que vai figurar no álbum, deve-se ao facto de contar já com a participação do actual baterista, sendo mais orgânica, por oposição à versão anterior gravada com bateria programada. Previsão do que será o disco de estreia? Sem dúvida. Quanto ao futuro, logo se verá...
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6 – Como já referi, no CD também temos a hipótese de visualizar o videclip do tema título. Quem é que foi o responsável pelo vídeo, qual é o conceito do mesmo e o que pensas do resultado final?
Foram o António Campelo e o Mário Jorge que aceitaram produzir-nos um vídeo, enquanto realizador e animador, respectivamente. Chamaram alguns dos seus alunos para estagiar no estúdio de animação onde trabalham e apresentaram-nos uma mini-obra-prima a preto e branco que ganhou os prémios de Melhor Filme de Animação e Melhor Produção Nacional do Festival Black & White 2006. O vídeo retrata a condição bipolar em que cada um de nós, forçadamente, se encontra. O facto de termos de ser pessoas diferentes perante circunstâncias diferentes.
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7 – Também temos aqui uma faixa com samples do tema-título. Qual a ideia por detrás desta faixa?
Quisemos não esgotar a ideia da desmultiplicação da música apenas no single em si. A inclusão de samples apela a que outros possam também experimentar e remisturar a música à sua maneira.
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8 – Desde que se formaram que têm lançado EP’s, um disco de remisturas, fizeram colaborações em discos de tributo, etc. Para quando o disco de longa duração?
Tudo aconteceu de forma espontânea. Apenas fomos trabalhando de forma ponderada com os meios e possibilidades que tínhamos, tentando aprender com isso. De qualquer maneira, nunca esteve nos nossos planos a urgência de um longa-duração imediato. Sempre achámos que quando chegasse a altura o faríamos. Quando nos achámos preparados para fazer o disco que queríamos, fizémo-lo. Existiram diversos factores para isso ter acontecido, a evolução da banda e os vários contratempos com que nos deparámos. O álbum sairá em Abril pela RagingPlanet e chama-se, como já referimos, “4st_Fourst”.
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9 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades? Como é que têm corrido esses concertos?
Não tocamos ao vivo desde 2004, também devido à saída do primeiro baterista. Entretanto, começámos a compôr o “4st_Fourst”, estivemos em gravação para o mesmo e para o CD Single “Bipolar [-]”, gravámos dois temas para tributos (Mão Morta – RagingPlanet Records e The Cure – Equinoxe Records), masterizámos o nosso disco de remisturas... Enfim, estivemos mais envolvidos na produção da banda em estúdio. Neste momento já estamos em ensaios e contamos apresentar o nosso novo trabalho, ao vivo, no fim de Abril.
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10 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
Precisamente na sequência da pergunta anterior: concertos, concertos, concertos!
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11 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk / Hardcore, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
A era digital abriu bastante as possibilidades para as bandas poderem trabalhar pelos seus próprios meios e de forma completamente independente. O poder das editoras está em causa e é bom saber que o processo criativo está hoje mais nas mãos de quem cria do que antes. A cena está imparável! Há coisas novas a surgir a uma velocidade e quantidade nunca antes vistas e precisamente por isso é que têm aparecido coisas muito boas recentemente. Uma das que mais nos entusiasma é a Thisco – era totalmente impensável há quinze anos atrás termos uma associação de músicos funcional e de qualidade dedicada à electrónica experimental a proporcionar-nos bons discos quase mês após mês. A acompanhar de muito perto toda esta evolução, temos também gente como o Daniel Makosch a fazer surgir selos como a Raging Planet, onde os músicos são respeitados e apoiados. Quanto a discos fétiche recentes, escolhemos, da Raging Planet, o “Hellstone” dos Men Eater e da Thisco, a “Rima” do Samuel Jerónimo.
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12– Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Também vocês são um exemplo de como a cena está diferente. É bom saber que também andam por aqui a tentar fazer disto uma coisa cada vez melhor. Agradecemos a entrevista e o interesse – a gente vê-se por aí! Entretanto, não se esqueçam de ir espreitando o www.myspace.com/feveronline! \m/
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Entrevistador: RDS
Entrevistados: Fernando Matias (vocals); João Queirós (guitar / keyboards); Luís Lamelas (guitar).
Raging Planet Records: http://www.ragingplanet.web.pt/