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Saturday
Murdering Tripping Blues – Knocking At The Backdoor Music (2008) – Raging Planet
Este é o disco de estreia de Murdering Tripping Blues, um power trio composto por Henry Leone Johnson, Johnny Dynamite e Mallory Left Eye. 10 temas fazem a fusão de um Rock ‘N’ Roll bem “old school” com Blues Rock e algum Punk. É bem “trashy”, “lo-fi” e algo psicadélico por vezes, mas sempre sem perder a força necessária para agradar a fãs de uma linha mais limpa. Do Chuck Berry à Blues Spencer Explosion, dos Kyuss aos Queens Of The Stone Age, dos Stooges aos MC5, dos (International) Noise Conspiracy aos Fu Manchu, do R.L. Burnside ao Johnny Cash, as influências da banda abrangem um pouco de tudo. Algumas participações apimentam a coisa ainda mais: o coro do trio de DJs “The Vanity Sessions”, a cantora / actriz Patrícia Andrade, The Infernal Secret Choir e ainda Luís Lamelas e Fernando Matias dos [F.e.v.e.r.]. Quem disse que já não se faz bom Rock ‘n’ Roll? Muito melhor do que algum do material revivalista que tem inundado as rádios e tabelas de vendas por esse mundo fora nos últimos anos. Aqui o espírito soa legítimo, nada de saltar para a carruagem da moda e ver no que dá. Recomendo vivamente! 85% http://www.myspace.com/murderingtrippingblues / http://www.ragingplanet.web.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal
RDS
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Blues Rock,
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Psychedelic Rock,
Punk 'N' Roll,
Rock 'N' Roll,
Trash
Assacínicos – …Foi Tudo Por Tua Culpa (2008) – Edição de Autor / Clube Anos 70 À Tarde
Ahhh! Ainda me lembro do 1º disco destes alienados da realidade, “Ninguém Sabe Mas Tenho Medo…” (Rastilho, 2004). “Oh! Ainda se faz deste tipo de material em Portugal? Fantástico!”. Assacínicos? O nome já prometia! A fusão de géneros, as letras, a vocalização, o cheiro de mofo a trazer à memória o Underground nacional dos 90s, estava tudo no ponto. Rock alternativo, Dark, Punk, Hardcore, Metal, uns toques de Rock Industrial e uma loucura fora do normal fazem o todo. Este novo “…Foi Tudo Por Tua Culpa” segue a mesma linha. Faz-me recuar no tempo, numa época em que o Underground nacional era ainda rico em propostas aliciantes. Juntem no mesmo caldeirão Mão Morta, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Mata Ratos, Censurados, Peste & Sida, Mler Ife Dada, É M’as Foice, Bizarra Locomotiva, Nihil Aut Mors, Culto Da Ira, Ocaso Épico, Belle Chase Hotel, Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre, Kradiolina Nicotine, Ecos da Cave, … ufa! E nomes fora do panorama nacional? The Birthday Party é certo; e já agora um pouco de Nick Cave e os seus Bad Seeds; Bauhaus, talvez; Tom Waits, pois claro; e adiciono ainda o trio maldito de “femmes fatales” formado por Diamada Galás, Lydia Lunch e Nina Hagen. Einsturzende Neubauten; não me perguntem porquê mas tinha de incluir este nome nesta crítica. Vá-se lá saber porquê! Uma viagem sem retorno é o que se promete na audição desta maldita rodela cinzenta. Nunca mais serão os mesmos. Isso é certo. Não são vocês que não o vão conseguir largar, é ele que não vos vai largar. Larga-me se faz favor! Mas será que eu quero mesmo? Ele passa-me por cima, cilindra-me, sem dó nem piedade, e no fim, com o ventre aberto, as vísceras espalhadas pelo chão, num estado catatónico, mesmo assim, o meu braço direito eleva-se, o dedo indicador a tentar chegar mais uma vez ao botão play. Aaarrgghh! 95% www.myspace.com/assacinicos / http://www.assacinicos.blogspot.com/
RDS
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Tuesday
Mata Ratos - Entrevista 2008
1 – Descreve os processos de composição e gravação deste novo disco “Novos Hinos Para A Mocidade Portuguesa”.
A composição em Mata-Ratos é um processo fluído ou melhor, caótico. Os temas e as letras vão aparecendo á medida que a nossa inspiração ou estado de embriaguez o permitam. Nunca escrevo uma letra a pensar em determinada música ou a banda nunca compõe uma música a pensar numa letra que já esteja escrita. Há uma série de letras previamente escritas e quando surge uma nova música verifico se alguma do repositório se pode encaixar. Acontece é a música e a letra música se alterarem em função uma da outra. Nunca permanecem com a sua estrutura inicial, como um mau vinho vão sendo “marteladas”. A excepção a este método de composição foi o tema “Trilogia Portuguesa” pois partiu de um desejo comum de todos os elementos em fazer um tema com uma cariz mais tradicional. Escrevi a letra e a música foi feita pelo Tiago a pensar na mesma. A intenção era algo como uma marcha popular mas estranhamente acabou por soar a Tuna o que significa que não temos a mínima ideia do que é fazer música tradicional portuguesa...
2 – O disco foi gravado e produzido pelo Makoto Yagyu (If Lucy Fell) nos Black Sheep Studios. Como é que foi trabalhar com alguém mais novo e que tem outro tipo de background musical?
A relação com o Makoto foi boa e o facto de ter outro tipo de background musical constituiu uma mais valia para nós. Deu sugestões que contribuíram positivamente para o disco ficar mais “sumarento”. Na produção somos umas nódoas e necessitamos de ser bem encaminhados. De resto ficamos a dever-lhe uma garrafa de bom whisky que algum dia teremos que pagar...
3 – Este disco saiu muito mais Hardcore que os trabalhos anteriores, e com uns riffs de guitarra até mais “pesados”, embora mantendo aqueles sing-a-longs característicos da banda. Isto foi propositado ou o “input” dos membros mais recentes tem algo a ver com isto?
O Arlock Dias (Tiago) é neste momento o compositor principal dos Mata-Ratos e é um apreciador de metal e sonoridades mais pesadas, a produção do Makoto também contribuiu para esse resultado. Mas é sempre uma surpresa com as coisas resultam em estúdio. Quanto estamos na sala de ensaio as condições acústicas deixam algo a desejar e a coisa acaba por soar a punk “rafeiro”...
4 – “Novos Hinos Para A Mocidade Portuguesa” contém alguns temas mais atípicos, ou talvez não, ao som Mata Ratos, tais como “Uma Trilogia Portuguesa”, “Carreira De Sucesso” / “Os Pratos Da Balança (ambos com uma orientação mais Rock ‘n’ Roll que o habitual), “Entrecosto Emocional”, o solo Rock / Blues em “Outra Rodada”, a introdução linha Zeca Afonso (a nível musical) em “Inocente O Doente” (tema recuperado da demo de 88) ou a introdução “Learn Portuguese With António”. Como surgem estes temas ou experiências?
Não somos Talibans do punk. Será sempre para nós aquilo que quisermos. Escutamos música bastante diversificada o que acaba por nos influenciar e as propostas “bizarras” vão surgindo naturalmente. É algo que nos obriga a combater a inércia e o comodismo de recorrer ás formulas feitas e andar sempre a bater na mesma tecla. Não condenamos a prática mas não é a nossa cena. Também não esquecemos a nossa herança e os temas antigos estarão sempre presentes no nosso set porque nos dão gozo em tocar e a outros em escutar. Na medida em que a nossa competência técnica o vai permitindo, vamo-nos aventurando ao ataque a novas sonoridades. Daqui a trinta anos, se ainda por cá estivermos, se a figadeira, os pulmões ou os neurónios o permitirem, deveremos estar a fazer música erudita ou embrenhados num experimentalismo folk-nacionalista electro-acústico de vanguarda.
5 – Neste disco contam com a participação especial de Jorge Bruto dos Capitão Fantasma. Como é que surge esta colaboração? São fãs dos Capitão Fantasma, outra banda que, apesar de algo irregular em edições e actuações ao vivo, ao contrário de Mata Ratos, se mantém activa ainda hoje?
Já conheço o Jorge desde o inicio dos anos 80 e sempre tivemos uma boa relação. Enquanto compositor da letra achei que a voz dele se enquadrava que nem ginjas e a temática também não anda longe do universo explorado pelos Capitão Fantasma. Ele aceitou o convite e ainda bem. Quanto a ser fã nem por isso, não sou dado a fanatismos, mas respeito muito a obra e percurso dos C.F. Mas admiro sobretudo o Jorge como pessoa.
6 – Todo o artwork do disco é da autoria do Alexandre Bacala. Porque a opção pelo seu trabalho? Agrada-vos o resultado final?
O Bacala é um cromo das artes, um verdadeiro espirito renascentista. Já foi membro dos Mata-Ratos como baixista e baterista. Foi também um dos principais compositores de Mata-Ratos após a saída do Pedro Coelho. A maioria dos temas do “És um Homem ou És um Rato?” são fruto da sua inspiração. Como artista gráfico é também muito versátil. Foi ele que se ofereceu para trabalhar a arte neste CD e nos nem hesitamos em aceitar a sua oferta. 5 Estrelas.
7 – No cenário Punk e Hardcore as letras são tão ou mais importantes que a música. Que assuntos são retratados nas letras deste disco?
Para além das habituais odes etílicas e reflexões em torno dos viciosos hábitos e costumes nacionais que tudo entravam, abordam-se temas como a ineficaz justiça, o impotente sistema de saudade, o ridículo sistema educativo, o lixo televisivo e a psicose sexual como metáfora alimentar, por exemplo.
8 – Os vossos trabalhos têm sido lançados quase ao ritmo de um por editora. É assim tão difícil manter a banda numa única editora? Como é a vossa relação com a actual, a Rastilho Records, que também lançou o disco ao vivo “Festa Tribal” em 2005?
Difícil é que as editoras se mantenham em actividade ou que não tenham receio dos Mata-Ratos ou de editar a nossa música. Não somos muito “press friendly.” Também não nos agrada nem nos podemos dar ao luxo de ter amarras e sinceramente creio que as editoras são uma espécie em vias de extinção, que provavelmente com o tempo serão substituídas por outro tipo industria como os operadores de telemóveis. A relação com a Rastilho é boa e consideramos esta editora como um referencial a ter em conta e a louvar em termos de promoção e divulgação das bandas que edita, coisa rara entre as editoras com as quais os Mata-Ratos já trabalharam. A atestar isso está o facto de este não ser o primeiro disco dos Mata-Ratos a sair pela Rastilho.
9 – A banda tem passado por diversas mudanças de formação durante todos estes ano e, inclusive, neste momento tem músicos que vivem em diferentes locais do país. Como é que lidam com este tipo de situação, mudanças de formação e a actual separação geográfica dos músicos?
Sempre foi complicado mas isso é também um factor de motivação, nunca saber o dia de amanhã...Convivemos com a situação, para o bem e para o mal, só lamentos a nossa produção musical não ser o dobro ou o triplo do que actualmente conseguimos.
10 – Ao longo destes anos a banda tem feito fãs entre o público de diversas proveniências (Punk, Hardcore, Metal, etc), partilhando inclusive palco com bandas das mais variadas vertentes musicais. Vocês não são uma banda que, tal como muitas outras puristas do cenário Punk (e noutros cenários também é o mesmo), mantêm uma mente fechada e que só toca com bandas do mesmo género. Trata-se de uma questão de mentalidade, mente aberta, união, ou apenas querem é tocar, seja lá onde for?
É um pouco de tudo aquilo que referes, mente aberta, união e tocar seja lá onde for e com quem for desde que seja em eventos não políticos. Agrada-nos tocar com bandas que não se sintam incomodadas em tocar com Mata-Ratos. Não somos puristas e consideramos que reclamar alguma pureza musical no punk é ridículo, quando nasceu estava já a beber em outros géneros e estilos anteriores, mostrou-se sempre aberto á mudança, á hibridez musical. O purista é revivalista, a nossa cena é outra. Nada de pureza, muita sujidade.
11 – Por falar em tocar ao vivo, como é que têm corrido os concertos de suporte a este disco?
Correm bem, mas não serei a melhor pessoa para avaliar a situação, tem sido escassos, não por falta de convites – ficamos surpresos com a quantidade de propostas para tocar após o lançamento dos “Novos Hinos” - mas porque de momento estamos com problemas pessoais que nos impedem de levar um pouco de caos a quem dele tanto necessita. Mas a situação está em vias de resolução e em breve a demência estará novamente na estrada.
12 – A banda tem diverso material editado, tais como splits, 7”s, demos, tributos, e outros, que são extremamente difíceis de adquirir pelo público. Até mesmo alguns álbuns já estão esgotados ou são dificílimos de encontrar. Sei que é algo difícil, por questões de direitos de autor e registos fonográficos, mas já pensaram em reeditar algum desse material? Algo do género de um “Xu-Pa-Ki 1982-1997” parte II.
Sinceramente não sentimos essa necessidade. Apesar de o público não conseguir adquirir pode sempre fazer download da internet. Há sempre um ou outro blog que vai postando a nossa obra. Não combatemos, agradecemos. Preferimos perder tempo a lançar novo material. O facto de a obra estar espalhada por uma mão cheia de editoras também não facilita a realização de um projecto desse tipo. Poderíamos sempre gravar de novo os temas mas não nos vejo a embarcar nessa aventura. Gravar ao vivo ou editar um DVD parece-me mais provável acontecer.
13 – Como é que vês a cena Punk / Hardcore / Metal nacional actualmente? Que bandas, editoras, promotores, revistas, etc, te chamam a atenção?
Ando muito desligado e já á algum tempo que deixei de ir a concertos. Limito-me praticamente as bandas que tocam com Mata-Ratos e aos concertos das outras bandas dos actuais Mata-Ratos. Parece-me ter havido um amadurecimento, bandas tecnicamente mais competentes, sobretudo no universo do Metal em que bandas como Web, Painstruck, Wako ou Holocausto Canibal causam-me admiração. Do Punk agradam-me bandas como Fora de Serviço, Anti-Clockwise, Hellspiders, Pestox e Eskizofrenicos. A minha banda portuguesa de eleição são os Bunny Ranch. Das editoras a Rastilho parece-me estar bem. Não conheço o trabalho de outras. Quanto a promotores continuo a preferir auto didactas amantes de música que se aventuram para a levar ao vivo a lugares onde sem eles ela nunca chegaria. A HellXis de Lisboa, a Cooperativa de Otários do Porto, O Rodas do Portorio, o Rocha Produções de Mangualde ou a Spear Agency de Cascais, entre outros, parecem-me estar a fazer um bom trabalho em tornar a passagem por Portugal uma etapa regular do circuito europeu de música underground.
14 – Já agora, a pergunta de cariz político. Directo e simples: como vês a situação do país hoje em dia (emergências hospitalares a serem fechadas, baixas recusadas a doentes extremos, investimento em estádios de futebol novos e caríssimos, o estado do serviço de educação escolar, a contínua e inabalável crença em Fátima, a típica mentalidade Portuguesa, etc)?
Como o comum “zé da esquina” que sou, vejo sempre o quadro pintado em tons de cinzento escuro a mandar para o encardido. Não prevejo mudanças positivas se não houver uma revolução de mentalidades. Algo que só será sensível após algumas gerações mas que tarda a começar. Portugal está demasiado amarado ao seu passado, de uma forma algo doentia. Muita gente continua presa a visões messiânicas de que Portugal tem um papel especial a desempenhar no mundo e ficam á espera que um gajo de colants que desaparecer em Alcácer Quibir volte para salvar a malta ou que venha o Quinto Império que nos afirmará perante o resto do mundo. Portugal tem um papel a desempenhar no mundo como qualquer outro país, não é mais nem menos do que os outros. Portugal não tem nada de especial. Há que esquecer toda essa trampa e as visões saudosistas, começar a trabalhar BEM e deixar de lado as lamurias. É bom ser português. Ponto final, agora ao trabalho. Convém também que os políticos passem a ser punidos pelas péssimas opções que tomam em nome do povo português. Pelo que vemos, são é paradoxalmente recompensados com louvores, reformas e benesses que não lembram ao diabo ou ao menino Jesus. E nós a vê-los passar. Esta mentalidade é que tem que mudar. Temos que ser todos socialmente mais responsáveis. Esperanças? Nem por isso.
15 – E em relação ao resto do mundo? A “polícia do mundo” USA e o Bush; o Iraque; o Hugo Chavez e a Venezuela e a sua actual ligação a Portugal; a União Europeia, etc.
O mundo caminha para o abismo o que até me parece um bom desfecho para a humanidade. Afinal não é o homem o animal mais estúpido do planeta? Já extingui-mos quase todas as outras espécies animais e vegetais, por isso que a espécie humana morra depressa. Não vai deixar saudades.
16 – Que discos tens ouvidos ultimamente que recomendes? E filmes? E livros?
Estou a viver um período da vida sobrecarregado (trabalho, aulas, banda, família) e quando chego a casa não oiço música, limito-me a cair e dormir com a boca para o lado a soltar baba. Só no carro escuto música que passa muito pelos anos 60 e 70. Especialmente Soul e Rhythm and Blues. Tudo o que venha da Stax/Volt já faz o meu dia feliz. Algum Funk e Boogaloo também entram bem. Os primeiros discos dos Beach Boys, “Surfin Safari” e “Surfin USA”, quando ainda faziam música Surf com classe, também estão no meu top de escutas. De música portuguesa rodam Taxi, o álbum “Forte e Feio” dos NZZN, uma compilação de singles dos UHF, As “Trips a Moda do Porto” dos Trabalhadores do Comércio, uma compilação de singles da Adelaide Ferreira. O mais pesado de momento será o CD “Run for Cover” dos Pro-Pain e o Live in a World Full of Hate” dos Sick of It All. De punk uma compilação dos Operation Ivy, de metal um álbum de Blitzkrieg, não me recordo agora qual. Tenho também escutado música tradicional/popular de cariz rural. Também roda a compilação “Easy Tempo Vol.2. The Psycho Beat” com temas de bandas sonoras de filmes italianos dos anos 70, o “Live At The Club A GoGo” dos The Animals, compilações “manhosas” de Suzi Quatro e Sweet; o “Ready an’ Willing” dos Whitesnake, o “Attack of the Killer B’s” dos Anthrax, e diversas compilações da “Funky 16 Corners Radio”, blog excepcional de música funk e soul. A maioria da música que escuto no carro são no suporte CDR com músicas sacadas na net, sobretudo em blogs de música. Continuo a comprar CDs e vinil regularmente de diferentes géneros e estilos musicais.
Filmes não tenho visto grande coisa nos últimos meses, nem vídeos ou DVD’s. Os últimos que me recordo de ver foram “The Beach Boys. The Lost Concert”, um concerto ao vivo nos anos 60 quando eles estavam no seu melhor e “Respect Yourself. The Stax Records Story” um documentário sobre a editora e os seus músicos. A televisão provoca-me um efeito soporífero pelo que pouco a vejo, sobretudo limito-me aos noticiários e documentários.
Quanto a livros ando a ler e recomendo “The Study of Ethnomusicology. Thirty-one Issues and Concepts” de Bruno Nettl, “Vozes do Povo. A Folclorização em Portugal” organizado por Salwa Castelo-Branco e Jorge Freitas Branco, “ “Babylon’s Burning. From Punk to Grunge” de Clinton Heylin, “Ilmatar’s Inspirations. Nationalism, Globalization, and the changing soundscapes of Finnish Folk Music” de Tina Ramnarine e “Memórias do Rock Português” de Aristides Duarte.
17 – Que projectos têm para o futuro próximo?
Já estamos a trabalhar num novo disco, incluirá uma série de temas antigos de Mata-Ratos que nunca tiveram a oportunidade de um registo em estúdio e um par de novos temas. Há planos para um DVD.
18 – Tens agora espaço para deixar uma última mensagem aos leitores do Fénix.
Que o gosto pela música nunca vos abandone. E que a cerveja nunca se acabe, claro.
Questões: RDS
Respostas: Miguel (Voz)
A composição em Mata-Ratos é um processo fluído ou melhor, caótico. Os temas e as letras vão aparecendo á medida que a nossa inspiração ou estado de embriaguez o permitam. Nunca escrevo uma letra a pensar em determinada música ou a banda nunca compõe uma música a pensar numa letra que já esteja escrita. Há uma série de letras previamente escritas e quando surge uma nova música verifico se alguma do repositório se pode encaixar. Acontece é a música e a letra música se alterarem em função uma da outra. Nunca permanecem com a sua estrutura inicial, como um mau vinho vão sendo “marteladas”. A excepção a este método de composição foi o tema “Trilogia Portuguesa” pois partiu de um desejo comum de todos os elementos em fazer um tema com uma cariz mais tradicional. Escrevi a letra e a música foi feita pelo Tiago a pensar na mesma. A intenção era algo como uma marcha popular mas estranhamente acabou por soar a Tuna o que significa que não temos a mínima ideia do que é fazer música tradicional portuguesa...
2 – O disco foi gravado e produzido pelo Makoto Yagyu (If Lucy Fell) nos Black Sheep Studios. Como é que foi trabalhar com alguém mais novo e que tem outro tipo de background musical?
A relação com o Makoto foi boa e o facto de ter outro tipo de background musical constituiu uma mais valia para nós. Deu sugestões que contribuíram positivamente para o disco ficar mais “sumarento”. Na produção somos umas nódoas e necessitamos de ser bem encaminhados. De resto ficamos a dever-lhe uma garrafa de bom whisky que algum dia teremos que pagar...
3 – Este disco saiu muito mais Hardcore que os trabalhos anteriores, e com uns riffs de guitarra até mais “pesados”, embora mantendo aqueles sing-a-longs característicos da banda. Isto foi propositado ou o “input” dos membros mais recentes tem algo a ver com isto?
O Arlock Dias (Tiago) é neste momento o compositor principal dos Mata-Ratos e é um apreciador de metal e sonoridades mais pesadas, a produção do Makoto também contribuiu para esse resultado. Mas é sempre uma surpresa com as coisas resultam em estúdio. Quanto estamos na sala de ensaio as condições acústicas deixam algo a desejar e a coisa acaba por soar a punk “rafeiro”...
4 – “Novos Hinos Para A Mocidade Portuguesa” contém alguns temas mais atípicos, ou talvez não, ao som Mata Ratos, tais como “Uma Trilogia Portuguesa”, “Carreira De Sucesso” / “Os Pratos Da Balança (ambos com uma orientação mais Rock ‘n’ Roll que o habitual), “Entrecosto Emocional”, o solo Rock / Blues em “Outra Rodada”, a introdução linha Zeca Afonso (a nível musical) em “Inocente O Doente” (tema recuperado da demo de 88) ou a introdução “Learn Portuguese With António”. Como surgem estes temas ou experiências?
Não somos Talibans do punk. Será sempre para nós aquilo que quisermos. Escutamos música bastante diversificada o que acaba por nos influenciar e as propostas “bizarras” vão surgindo naturalmente. É algo que nos obriga a combater a inércia e o comodismo de recorrer ás formulas feitas e andar sempre a bater na mesma tecla. Não condenamos a prática mas não é a nossa cena. Também não esquecemos a nossa herança e os temas antigos estarão sempre presentes no nosso set porque nos dão gozo em tocar e a outros em escutar. Na medida em que a nossa competência técnica o vai permitindo, vamo-nos aventurando ao ataque a novas sonoridades. Daqui a trinta anos, se ainda por cá estivermos, se a figadeira, os pulmões ou os neurónios o permitirem, deveremos estar a fazer música erudita ou embrenhados num experimentalismo folk-nacionalista electro-acústico de vanguarda.
5 – Neste disco contam com a participação especial de Jorge Bruto dos Capitão Fantasma. Como é que surge esta colaboração? São fãs dos Capitão Fantasma, outra banda que, apesar de algo irregular em edições e actuações ao vivo, ao contrário de Mata Ratos, se mantém activa ainda hoje?Já conheço o Jorge desde o inicio dos anos 80 e sempre tivemos uma boa relação. Enquanto compositor da letra achei que a voz dele se enquadrava que nem ginjas e a temática também não anda longe do universo explorado pelos Capitão Fantasma. Ele aceitou o convite e ainda bem. Quanto a ser fã nem por isso, não sou dado a fanatismos, mas respeito muito a obra e percurso dos C.F. Mas admiro sobretudo o Jorge como pessoa.
6 – Todo o artwork do disco é da autoria do Alexandre Bacala. Porque a opção pelo seu trabalho? Agrada-vos o resultado final?
O Bacala é um cromo das artes, um verdadeiro espirito renascentista. Já foi membro dos Mata-Ratos como baixista e baterista. Foi também um dos principais compositores de Mata-Ratos após a saída do Pedro Coelho. A maioria dos temas do “És um Homem ou És um Rato?” são fruto da sua inspiração. Como artista gráfico é também muito versátil. Foi ele que se ofereceu para trabalhar a arte neste CD e nos nem hesitamos em aceitar a sua oferta. 5 Estrelas.
7 – No cenário Punk e Hardcore as letras são tão ou mais importantes que a música. Que assuntos são retratados nas letras deste disco?
Para além das habituais odes etílicas e reflexões em torno dos viciosos hábitos e costumes nacionais que tudo entravam, abordam-se temas como a ineficaz justiça, o impotente sistema de saudade, o ridículo sistema educativo, o lixo televisivo e a psicose sexual como metáfora alimentar, por exemplo.
8 – Os vossos trabalhos têm sido lançados quase ao ritmo de um por editora. É assim tão difícil manter a banda numa única editora? Como é a vossa relação com a actual, a Rastilho Records, que também lançou o disco ao vivo “Festa Tribal” em 2005?
Difícil é que as editoras se mantenham em actividade ou que não tenham receio dos Mata-Ratos ou de editar a nossa música. Não somos muito “press friendly.” Também não nos agrada nem nos podemos dar ao luxo de ter amarras e sinceramente creio que as editoras são uma espécie em vias de extinção, que provavelmente com o tempo serão substituídas por outro tipo industria como os operadores de telemóveis. A relação com a Rastilho é boa e consideramos esta editora como um referencial a ter em conta e a louvar em termos de promoção e divulgação das bandas que edita, coisa rara entre as editoras com as quais os Mata-Ratos já trabalharam. A atestar isso está o facto de este não ser o primeiro disco dos Mata-Ratos a sair pela Rastilho.
9 – A banda tem passado por diversas mudanças de formação durante todos estes ano e, inclusive, neste momento tem músicos que vivem em diferentes locais do país. Como é que lidam com este tipo de situação, mudanças de formação e a actual separação geográfica dos músicos?Sempre foi complicado mas isso é também um factor de motivação, nunca saber o dia de amanhã...Convivemos com a situação, para o bem e para o mal, só lamentos a nossa produção musical não ser o dobro ou o triplo do que actualmente conseguimos.
10 – Ao longo destes anos a banda tem feito fãs entre o público de diversas proveniências (Punk, Hardcore, Metal, etc), partilhando inclusive palco com bandas das mais variadas vertentes musicais. Vocês não são uma banda que, tal como muitas outras puristas do cenário Punk (e noutros cenários também é o mesmo), mantêm uma mente fechada e que só toca com bandas do mesmo género. Trata-se de uma questão de mentalidade, mente aberta, união, ou apenas querem é tocar, seja lá onde for?
É um pouco de tudo aquilo que referes, mente aberta, união e tocar seja lá onde for e com quem for desde que seja em eventos não políticos. Agrada-nos tocar com bandas que não se sintam incomodadas em tocar com Mata-Ratos. Não somos puristas e consideramos que reclamar alguma pureza musical no punk é ridículo, quando nasceu estava já a beber em outros géneros e estilos anteriores, mostrou-se sempre aberto á mudança, á hibridez musical. O purista é revivalista, a nossa cena é outra. Nada de pureza, muita sujidade.
11 – Por falar em tocar ao vivo, como é que têm corrido os concertos de suporte a este disco?
Correm bem, mas não serei a melhor pessoa para avaliar a situação, tem sido escassos, não por falta de convites – ficamos surpresos com a quantidade de propostas para tocar após o lançamento dos “Novos Hinos” - mas porque de momento estamos com problemas pessoais que nos impedem de levar um pouco de caos a quem dele tanto necessita. Mas a situação está em vias de resolução e em breve a demência estará novamente na estrada.
12 – A banda tem diverso material editado, tais como splits, 7”s, demos, tributos, e outros, que são extremamente difíceis de adquirir pelo público. Até mesmo alguns álbuns já estão esgotados ou são dificílimos de encontrar. Sei que é algo difícil, por questões de direitos de autor e registos fonográficos, mas já pensaram em reeditar algum desse material? Algo do género de um “Xu-Pa-Ki 1982-1997” parte II.
Sinceramente não sentimos essa necessidade. Apesar de o público não conseguir adquirir pode sempre fazer download da internet. Há sempre um ou outro blog que vai postando a nossa obra. Não combatemos, agradecemos. Preferimos perder tempo a lançar novo material. O facto de a obra estar espalhada por uma mão cheia de editoras também não facilita a realização de um projecto desse tipo. Poderíamos sempre gravar de novo os temas mas não nos vejo a embarcar nessa aventura. Gravar ao vivo ou editar um DVD parece-me mais provável acontecer.
13 – Como é que vês a cena Punk / Hardcore / Metal nacional actualmente? Que bandas, editoras, promotores, revistas, etc, te chamam a atenção?
Ando muito desligado e já á algum tempo que deixei de ir a concertos. Limito-me praticamente as bandas que tocam com Mata-Ratos e aos concertos das outras bandas dos actuais Mata-Ratos. Parece-me ter havido um amadurecimento, bandas tecnicamente mais competentes, sobretudo no universo do Metal em que bandas como Web, Painstruck, Wako ou Holocausto Canibal causam-me admiração. Do Punk agradam-me bandas como Fora de Serviço, Anti-Clockwise, Hellspiders, Pestox e Eskizofrenicos. A minha banda portuguesa de eleição são os Bunny Ranch. Das editoras a Rastilho parece-me estar bem. Não conheço o trabalho de outras. Quanto a promotores continuo a preferir auto didactas amantes de música que se aventuram para a levar ao vivo a lugares onde sem eles ela nunca chegaria. A HellXis de Lisboa, a Cooperativa de Otários do Porto, O Rodas do Portorio, o Rocha Produções de Mangualde ou a Spear Agency de Cascais, entre outros, parecem-me estar a fazer um bom trabalho em tornar a passagem por Portugal uma etapa regular do circuito europeu de música underground.
14 – Já agora, a pergunta de cariz político. Directo e simples: como vês a situação do país hoje em dia (emergências hospitalares a serem fechadas, baixas recusadas a doentes extremos, investimento em estádios de futebol novos e caríssimos, o estado do serviço de educação escolar, a contínua e inabalável crença em Fátima, a típica mentalidade Portuguesa, etc)?
Como o comum “zé da esquina” que sou, vejo sempre o quadro pintado em tons de cinzento escuro a mandar para o encardido. Não prevejo mudanças positivas se não houver uma revolução de mentalidades. Algo que só será sensível após algumas gerações mas que tarda a começar. Portugal está demasiado amarado ao seu passado, de uma forma algo doentia. Muita gente continua presa a visões messiânicas de que Portugal tem um papel especial a desempenhar no mundo e ficam á espera que um gajo de colants que desaparecer em Alcácer Quibir volte para salvar a malta ou que venha o Quinto Império que nos afirmará perante o resto do mundo. Portugal tem um papel a desempenhar no mundo como qualquer outro país, não é mais nem menos do que os outros. Portugal não tem nada de especial. Há que esquecer toda essa trampa e as visões saudosistas, começar a trabalhar BEM e deixar de lado as lamurias. É bom ser português. Ponto final, agora ao trabalho. Convém também que os políticos passem a ser punidos pelas péssimas opções que tomam em nome do povo português. Pelo que vemos, são é paradoxalmente recompensados com louvores, reformas e benesses que não lembram ao diabo ou ao menino Jesus. E nós a vê-los passar. Esta mentalidade é que tem que mudar. Temos que ser todos socialmente mais responsáveis. Esperanças? Nem por isso.
15 – E em relação ao resto do mundo? A “polícia do mundo” USA e o Bush; o Iraque; o Hugo Chavez e a Venezuela e a sua actual ligação a Portugal; a União Europeia, etc.
O mundo caminha para o abismo o que até me parece um bom desfecho para a humanidade. Afinal não é o homem o animal mais estúpido do planeta? Já extingui-mos quase todas as outras espécies animais e vegetais, por isso que a espécie humana morra depressa. Não vai deixar saudades.
16 – Que discos tens ouvidos ultimamente que recomendes? E filmes? E livros?
Estou a viver um período da vida sobrecarregado (trabalho, aulas, banda, família) e quando chego a casa não oiço música, limito-me a cair e dormir com a boca para o lado a soltar baba. Só no carro escuto música que passa muito pelos anos 60 e 70. Especialmente Soul e Rhythm and Blues. Tudo o que venha da Stax/Volt já faz o meu dia feliz. Algum Funk e Boogaloo também entram bem. Os primeiros discos dos Beach Boys, “Surfin Safari” e “Surfin USA”, quando ainda faziam música Surf com classe, também estão no meu top de escutas. De música portuguesa rodam Taxi, o álbum “Forte e Feio” dos NZZN, uma compilação de singles dos UHF, As “Trips a Moda do Porto” dos Trabalhadores do Comércio, uma compilação de singles da Adelaide Ferreira. O mais pesado de momento será o CD “Run for Cover” dos Pro-Pain e o Live in a World Full of Hate” dos Sick of It All. De punk uma compilação dos Operation Ivy, de metal um álbum de Blitzkrieg, não me recordo agora qual. Tenho também escutado música tradicional/popular de cariz rural. Também roda a compilação “Easy Tempo Vol.2. The Psycho Beat” com temas de bandas sonoras de filmes italianos dos anos 70, o “Live At The Club A GoGo” dos The Animals, compilações “manhosas” de Suzi Quatro e Sweet; o “Ready an’ Willing” dos Whitesnake, o “Attack of the Killer B’s” dos Anthrax, e diversas compilações da “Funky 16 Corners Radio”, blog excepcional de música funk e soul. A maioria da música que escuto no carro são no suporte CDR com músicas sacadas na net, sobretudo em blogs de música. Continuo a comprar CDs e vinil regularmente de diferentes géneros e estilos musicais.
Filmes não tenho visto grande coisa nos últimos meses, nem vídeos ou DVD’s. Os últimos que me recordo de ver foram “The Beach Boys. The Lost Concert”, um concerto ao vivo nos anos 60 quando eles estavam no seu melhor e “Respect Yourself. The Stax Records Story” um documentário sobre a editora e os seus músicos. A televisão provoca-me um efeito soporífero pelo que pouco a vejo, sobretudo limito-me aos noticiários e documentários.
Quanto a livros ando a ler e recomendo “The Study of Ethnomusicology. Thirty-one Issues and Concepts” de Bruno Nettl, “Vozes do Povo. A Folclorização em Portugal” organizado por Salwa Castelo-Branco e Jorge Freitas Branco, “ “Babylon’s Burning. From Punk to Grunge” de Clinton Heylin, “Ilmatar’s Inspirations. Nationalism, Globalization, and the changing soundscapes of Finnish Folk Music” de Tina Ramnarine e “Memórias do Rock Português” de Aristides Duarte.
17 – Que projectos têm para o futuro próximo?
Já estamos a trabalhar num novo disco, incluirá uma série de temas antigos de Mata-Ratos que nunca tiveram a oportunidade de um registo em estúdio e um par de novos temas. Há planos para um DVD.
18 – Tens agora espaço para deixar uma última mensagem aos leitores do Fénix.
Que o gosto pela música nunca vos abandone. E que a cerveja nunca se acabe, claro.
Questões: RDS
Respostas: Miguel (Voz)
Mata Ratos: http://www.myspace.com/mataratos1982
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Saturday
Checksound #3 - Maio 2008
Já está disponível o #3 da Checksound, referente ao mês de Maio de 2008. Além das já habituais fotoreportagens, inclui também críticas aos novos trabalhos de: Riding Pânico, We Are The Damned, Ufomammut, Incrave, The Peacocks, Siena Root, Deadline, Thee Merry Widows, P.Paul Fenech, Phanatos, Dead To This World, Astrolites, The Buckshots, Nosey Joe & The Pool Kings, Destinity, Fires Of Babylon, Panchrysia, Mourning Beloveth, Soilent Green, Dornenreich, At The Soundawn, ... todos estes disponíveis anteriormente na Fénix, além de muitas outras de outros colaboradores.
O download é gratuito e pode ser feito em: http://www.checksound.eu/
We Are The Damned – The Shape Of Hell To Come (2008) – Raging Planet Records
We Are The Damned inclui no line-up 4 (ex)elementos de bandas como From Now On, Painstruck, Devil In Me, Twentyinchburial e BlackSunrise. “The Shape Of Hell To Come” (quantas variações deste título já vimos?) é o disco de estreia produzido, misturado e masterizado pelo Dinamarquês Palle Schultz. Na nota de imprensa refere-se “são a personificação e o exemplo de música pesada sem compromissos nem clichés, um género desvalorizado em Portugal desde sempre”; “não cedendo a moralismos musicais a líricos”; “vontade inabalável e honesta de triunfar”; “fazendo dos WATD uma banda única em Portugal”; “premiado com um grammy… Palle Schultz”. O típico exagero de nota de imprensa. Não estou com isto já a dizer que a banda, ou o disco em revisão, são maus. Já lá vamos. Apenas estou a salientar o exagero a as frases chavão com que as bandas são apresentadas. Não é uma banda única. Clichés tem muitos. Demais até. Que sejam honestos naquilo que fazem e que tenham de triunfar, não ponho em causa. E em relação a “música pesada sem compromissos nem clichés, um género desvalorizado em Portugal desde sempre”, isso é perfeitamente discutível. É até pretensioso da parte da banda apresentar-se como o único caso do género em Portugal. Mais uma vez, exageros de nota de imprensa.
Agora, quanto à banda e ao disco propriamente ditos. 12 temas originais e uma versão de “Parasite” dos Kiss, fazem estes 55 minutos. Mescla de Thrash, Death, Hardcore, Punk, Sludge, Stoner e Hard Rock, entre outros subgéneros da música pesada. A excessiva fusão de géneros e a heterogeneidade apresentada em “The Shape Of Hell To Come” são demais para o seu próprio bem. Durante quase 1 hora de música podemos discernir influências tão diversas como Converge, Venom, Poison The Well, Arch Enemy, Misfits, Motorhead, Refused, Satyricon, Mastodon, Black Sabbath, Botch, Raised Fist ou High On Fire, entre muitos outros. A diversidade nos backgrounds dos elementos da banda, acredito.
Não é um mau disco, pelo contrário, tem até bastantes pontos positivos mas, como já referi, a sua heterogeneidade e o facto de ser algo derivativo não abonam em seu favor. Mesmo assim, muito acima daquilo que todos os dias vem de fora e de tudo aquilo que enche as famigeradas tabelas de venda. Prefiro 10 vezes esta proposta dos WATD do que toda a tabela de vendas Portuguesa. 65% www.myspace.com/wearethedamned / http://www.ragingplanet.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal
RDS
Agora, quanto à banda e ao disco propriamente ditos. 12 temas originais e uma versão de “Parasite” dos Kiss, fazem estes 55 minutos. Mescla de Thrash, Death, Hardcore, Punk, Sludge, Stoner e Hard Rock, entre outros subgéneros da música pesada. A excessiva fusão de géneros e a heterogeneidade apresentada em “The Shape Of Hell To Come” são demais para o seu próprio bem. Durante quase 1 hora de música podemos discernir influências tão diversas como Converge, Venom, Poison The Well, Arch Enemy, Misfits, Motorhead, Refused, Satyricon, Mastodon, Black Sabbath, Botch, Raised Fist ou High On Fire, entre muitos outros. A diversidade nos backgrounds dos elementos da banda, acredito.
Não é um mau disco, pelo contrário, tem até bastantes pontos positivos mas, como já referi, a sua heterogeneidade e o facto de ser algo derivativo não abonam em seu favor. Mesmo assim, muito acima daquilo que todos os dias vem de fora e de tudo aquilo que enche as famigeradas tabelas de venda. Prefiro 10 vezes esta proposta dos WATD do que toda a tabela de vendas Portuguesa. 65% www.myspace.com/wearethedamned / http://www.ragingplanet.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal
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Riding Pânico – Lady Cobra (2008) – Raging Planet Records
Depois de um EP (um nome pomposo para uma demo dizem eles), surge o disco de estreia deste sexteto. O disco foi produzido pelo baixista da banda, Makoto Yagyu (também membro de If Lucy Fell), nos Black Sheep Studios em Mem Martins. A mistura por Chris Common (These Arms Are Snakes / Minus The Bear) e a masterização por Ed Brooks (Pearl Jam / REM / Mark Lanegan) foram feitas em Seattle. Como convidados especiais temos Eduardo Raon (harpa, Hypnotica) e Daniela Rodrigues (violoncelo). Três guitarras, baixo, bateria e teclados fazem estes 9 temas instrumentais de Rock. É apenas isso: Rock. Podem atribuir-lhe inúmeros prefixos ou sufixos: pós, ambiental, psicadélico, hipnótico, melódico, emocional, experimental, progressivo, instrumental, … É tudo isso. E muito mais. É o planeta Rock circundado por todos esses satélites naturais. Ocasionalmente passam perto alguns cometas e poeiras cósmicas. Isis, Godspeed You! Black Emperor, Ulver, Pelican, Mogwai, Sigur Rós, Tool, são alguns dos óbvios nomes de referência. Pode ser um disco difícil para quem não tem por eleição a música instrumental. Mas também pode ser um desafio. Com resultados finais gratificantes, acreditem. 85% www.myspace.com/ridingpanico / http://www.ragingplanet.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal
RDS
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Flagellum Dei - Entrevista
1 – Fala-me um pouco da história dos Flagellum Dei desde a sua concepção até à data.
Sepulchral Winds: Antes de mais quero agradecer à Fénix pelo apoio e interesse em Flagellum dei. Ok, vou deixar aqui a nossa bio para que tu e os nossos fãs possam ficar a conhecer um pouco melhor FD.
Bem, Flagellum dei nasceu no fim do ano de 1998 por Nefastus (vocals) e eu, naquela altura com o nome D.Sabaoth (guitars) e logo no início 1999 juntaram-se ao círculo Vulturius (bass) e Byleth (drums).
Depois de dois anos em ensaios exaustivos, e alguns concertos, foi então que no ano de 2000 cometemos o primeiro pecado ao lançar a primeira promo-tape intitulada “Thy PLague…” e consequentemente, seguiram-se algumas devastações ao vivo…
No ano de 2001 Empress (guitarrs) juntou-se a FD e foi por essa mesma altura que Byleth decidiu sair…sendo substituído logo de seguida por Kako Daemon. Dando assim continuação à marcha de destruição… (Como vez, os problemas de line-up surgem desde muito cedo e estão longe de acabar…) Bom, no decorrer do mesmo ano o segundo pecado foi cometido, ”Victory of Tyranny” é o seu título, desta feita em formato demo-CDr. Passado pouco tempo também Empress saiu.
Durante o ano de 2003 FD entrou em dois discos, um split cd com Lux Ferre e Sterkvind intitulado: “Kult of the Black Flame”, que saiu pela War Prod. Entrámos também numa compilação de bandas Portuguesas denominada: ”Lusitânia Dark Horde” que saiu por outra editora portuguesa chamada Nightmare prod. Poucos meses depois também Vulturius saiu, ele que só viria a ser substituído uns tempos mais tarde…
No fim de 2003 juntou-se a FD mais um membro, Adon Chrisaor (Guitarrs), ele que sem dúvida foi um dos melhores guitarristas na cena Black Metal Undergrund Portuguesa…e crucial no caminho para o primeiro álbum intitulado: “Tormentor Of the False Creator…” que chegou no ano de 2004 pela editora espanhola Bloody Prod. Seguido também de algumas versões em cassete tais como: Incoffin prod. (Thailand) -Alastorex rec (Brasil). Também no mesmo ano foi registada a maior perda… Nefastus, por razões pessoais também deixou a banda, criando um vazio que custou muito a superar, mas como tudo nesta vida miserável tivemos de ultrapassar isso substituindo-o pelo antigo Baterista Byleth.
No fim de 2004, foi finalmente preenchido por Vagantis (Bass) o vazio deixado por Vulturius.
No princípio do ano de 2005 foi feita mais uma alteração, eu (Sepulchral winds) passei para a voz, substituindo assim Byleth na sua última curta passagem por FD. Logo percebi que o meu papel na banda passaria a ser outro e então que decidi alterar o meu nome anteriormente conhecido por D. Sabaoth.
No decorrer do mesmo ano saiu “Victory of a Tyrant Agression” uma reedição da Victory of Tyranny incluindo 6 temas ao vivo em Barroselas em 2003.
No ano de 2006 decidimos chamar mais um Guitarrista, M.v.K foi o escolhido mas como já é costume ele acabou por sair ao fim de alguns messes…
Finalmente no ano de 2007, depois de um ano e meio sem dar um único concerto, e tendo ficado apenas com três na banda (o que para mim é o que está a resultar em pleno) ficámos concentrados apenas e exclusivamente no próximo álbum. Este foi finalmente gravado em Setembro/Outubro de 2007 intitulando-se “Under The Might…”este também saiu pela mesma editora que editou o “Tormentor…of the False Creator”.
As alterações de line-up continuaram… dois meses mais tarde, a última saída foi a de Kako Daemon (Drums) que por razões pessoais decidiu deixar FD. Mas como já é um costume fomos à procura de mais um Guerreiro para o substituir. Sculkrusher (drumer), também membro de outras Bandas como: Panzer Frost e Motorpenis, concordou em juntar forças para levar para a frente esta banda que de momento tem como objectivo gravar o terceiro disco de originais e se tudo correr bem para o ano que vem já haverá novidades…ate lá só há uma coisa a fazer, muito trabalho.
2 – Desde o disco anterior até à edição deste novo houve algumas mudanças de formação. Fala-me um pouco destas atribulações no seio dos Flagellum Dei.
Sepulchral Winds: Bom, não foi só desde o disco anterior, como vês em cima há alterações de line-up desde o princípio da banda. São este tipo de situações que nos levaram a tal atraso entre o “Tormentor…of the false creator” e o novo “Under the Might…”. São três anos sem novos trabalhos e poucos concertos (o que não é bom para nenhuma banda) e como consequência vem a instabilidade e falta de coesão, como se vinha a demonstrar nos últimos concertos da banda. Bom, mas mesmo com tantas saídas e substituições de membros conseguimos sempre manter um line up, o que foi muito importante para nós, mas sem dúvida que com a actual formação estamos a conseguir uma coesão que à muito não sentíamos, o que é excelente e motivador para o futuro dos Flagellum dei.
3 – Descreve os processos de composição e gravação deste novo disco “Under The Might…”.
Sepulchral Winds: Bem, a composição dos novos temas foi um pouco demorada, visto que passámos muito tempo modificar os temas até serem gravados pois queríamos que fosse algo mais diversificado a nível musical e não com uma estrutura sempre igual, não! Desta vez quisemos fazer algo melhor e com mais qualidade (pelo menos na nossa perspectiva está bem melhor). Também a nível de gravação foi muito bom para nós, uma vez que nunca tínhamos gravado nada naquelas condições… mas no final ficámos satisfeitos com o resultado, embora a nível de arranjos pudesse ter ficado um pouco melhor. Penso que valeu bem pelo esforço e mediante as condições monetárias que possuímos não se podia esperar muito melhor… É sem duvida um disco com outra qualidade que até à altura nunca tínhamos feito e penso que a aceitação esta a ser positiva.
4 – Sobre que assuntos incidem as letras contidas neste disco?
Sepulchral Winds: A nível de letras é simples, falam basicamente em anti-cristianismo, blasfémia, ocultismo, morte, etc. são estes os temas que utilizamos. Pelo menos até agora são…
5 – Quais são as vossas influências musicais, assim como outro tipo de influências externas à música?
Sepulchral Winds: Bom, Os Flagellum dei, foram desde o princípio influenciados muito pelo estilo nórdico de BM. Essa é uma verdade e não adianta fugir disso, há que aceitá-lo. Foi com bandas como: Bathory, Mayhem, Dark Throne, entre outras… que FD assentou a sua estrutura musical e lírica, dando também um toque pessoal que é fundamental e dando também personalidade à banda.
Não quero com isto dizer que vamos estar eternamente agarrados a estas influências, muito pelo contrário… estamos cada vez mais a tentar por isso de parte e tentar dá um toque cada vez mais personalizado a FD, alias, penso que com este novo disco já se vai começando a notar isso…
Quanto a outras influências fora da música, peso que partilhamos os mesmos ideais. Por isso, não acrescentarei muito mais.
6 – A banda edita novamente pela Espanhola Bloody Productions. Como é que surgiu o contacto com a Bloody Prod, em primeiro lugar, e como é a vossa relação com eles?
Sepulchra Winds: Nós conhecemos o Dani da Bloody prod. Em 2000, ainda na altura da promo tape “Thy Plague…” num concerto em Braga, foi desde então que mantivemos relação.
No entanto gravámos a demo “Victory of tyranny” e foi a partir dessa altura que se acentuou mais a nossa relação.
Começámos a trocar correspondência durante algum tempo e daí veio o convite para o lançamento do primeiro álbum. Para nós foi muito bom visto que não foram muitas as bandas que tiveram oportunidade de lançar o primeiro disco por uma editora estrangeira… bom, a relação manteve-se até agora, embora a Bloody Prod seja pequena e sem muitos recursos para suportar as bandas, fizeram o melhor que puderam para que este álbum saiu novamente pela Bloody.
Se a Bloody mantiver o trabalho que tem vindo a fazer com FD, não teremos quaisquer problemas em voltar a trabalhar com eles. Acho que fizeram e estão a fazer um bom trabalho.
7 – Como é que estamos de concertos de promoção ao disco? E em relação a outro tipo de promoção, tais como entrevistas, rodagem em programas de rádios, etc?
Sepulchral Winds: Bom. Foram só dois os concertos desde a concepção do novo álbum. O primeiro com Corpus Christii e o outro com Enthroned (este já com o novo baterista). Vamos também participar no Extreme Metal Fest na Covilhã dia 22 Março e também na Marinha Grande (Leiria) dia 19 de Abril Com Panzer Frost e Infernum( ambos PT). Estamos à espera de mais propostas e depois logo se vê mediante as condições. Quanto a zines e revistas, o Dani da Bloody prod. Esta a tratar disso, embora nós tenhamos de procurar por nós próprios alguma promoção…como é óbvio. Também vamos respondendo a algumas Entrevistas, mas nada de muito abusivo…Quanto a programas de rádio. Bom, isso é outra coisa…a seu tempo, sim. Porque não? Até ao momento a única ligação que temos com rádios é somente para anunciar concertos e lançamentos… nada de mais.
8 – Como vês a evolução da cena Underground nacional desde que nela entraste até hoje? Que bandas, editoras, promotores de concertos, revistas e outros da cena musical podes realçar?
Sepulchral Winds: Bem, a cena actualmente não tem nada a ver com à 6 / 7 anos atrás. Perdeu-se muito a coesão que existia nessa altura, e então com o aparecimento da net, pior… agora é que o pessoal não sai mesmo de casa…
Antigamente as bandas ainda conviviam e partilhavam ideias umas com as outras (Bebedeiras Colectivas…há há), agora isso só acontece quando há concertos ou algo do género, era outro espírito sem dúvida.
Também com a nova geração já instalada…. É bom sinal! É sinal que o Black Metal veio para ficar. Sinceramente é bom ver novos grupos de pessoas a com vontade de fazer algo nesse campo, um pouco à sua maneira mas pronto… (Putos…). Não esquecer que também nós o fomos, em tempos…e acredita que já vi muita coisa ridícula desde que ando no Metal…Bom, mas tudo tem de começar por um princípio.
Que assim seja. Que apareça muitas mais bandas, de BM principalmente. Portugal ainda tem muito para dar a nível de Black Metal.
Bom, como o apoio a FD tem sido quase nulo… tenho poucos nomes a salientar… posso dizer que algumas bandas que nós tínhamos em consideração estão de fora dos nossos olhares, por isso aqui vai uma ou duas: Celtic Dance pelo apoio brutal que nos têm dado ao longo dos tempos (Idealismos à parte), N.H. de Corpus Christii e da Nightmare prod., o Dani Da Bloody prod. Rui da War Prod., Blaspher dos alchoholocaust e Infernum, os irmãos Veiga do Steel Warriors Rebellion( Barroselas metal fest) Entre outras… desculpem se me esqueci de alguém.
9 – Tens agora espaço para deixar uma última mensagem aos leitores da Fénix.
Sepulchral Winds: Bom, não há muito mais para dizer. Quero apenas deixar aqui uma palavra de agradecimento para todos os que nos têm apoiado ao longo dos tempos e que não deixem de acreditar no BM, pelo menos da nossa parte vamos tentar dar sempre o melhor.
Obrigado mais uma vez à Fénix pelo apoio.
A CHAMA DE FLAGELLUM DEI ACIMA DE QUALQUER DEUS…
www.myspace.com/flagellumdei / http://www.bloodyprod.com/
Questões: RDS
Respostas: Sepulchral Winds
Sepulchral Winds: Antes de mais quero agradecer à Fénix pelo apoio e interesse em Flagellum dei. Ok, vou deixar aqui a nossa bio para que tu e os nossos fãs possam ficar a conhecer um pouco melhor FD.
Bem, Flagellum dei nasceu no fim do ano de 1998 por Nefastus (vocals) e eu, naquela altura com o nome D.Sabaoth (guitars) e logo no início 1999 juntaram-se ao círculo Vulturius (bass) e Byleth (drums).
Depois de dois anos em ensaios exaustivos, e alguns concertos, foi então que no ano de 2000 cometemos o primeiro pecado ao lançar a primeira promo-tape intitulada “Thy PLague…” e consequentemente, seguiram-se algumas devastações ao vivo…
No ano de 2001 Empress (guitarrs) juntou-se a FD e foi por essa mesma altura que Byleth decidiu sair…sendo substituído logo de seguida por Kako Daemon. Dando assim continuação à marcha de destruição… (Como vez, os problemas de line-up surgem desde muito cedo e estão longe de acabar…) Bom, no decorrer do mesmo ano o segundo pecado foi cometido, ”Victory of Tyranny” é o seu título, desta feita em formato demo-CDr. Passado pouco tempo também Empress saiu.
Durante o ano de 2003 FD entrou em dois discos, um split cd com Lux Ferre e Sterkvind intitulado: “Kult of the Black Flame”, que saiu pela War Prod. Entrámos também numa compilação de bandas Portuguesas denominada: ”Lusitânia Dark Horde” que saiu por outra editora portuguesa chamada Nightmare prod. Poucos meses depois também Vulturius saiu, ele que só viria a ser substituído uns tempos mais tarde…
No fim de 2003 juntou-se a FD mais um membro, Adon Chrisaor (Guitarrs), ele que sem dúvida foi um dos melhores guitarristas na cena Black Metal Undergrund Portuguesa…e crucial no caminho para o primeiro álbum intitulado: “Tormentor Of the False Creator…” que chegou no ano de 2004 pela editora espanhola Bloody Prod. Seguido também de algumas versões em cassete tais como: Incoffin prod. (Thailand) -Alastorex rec (Brasil). Também no mesmo ano foi registada a maior perda… Nefastus, por razões pessoais também deixou a banda, criando um vazio que custou muito a superar, mas como tudo nesta vida miserável tivemos de ultrapassar isso substituindo-o pelo antigo Baterista Byleth.
No fim de 2004, foi finalmente preenchido por Vagantis (Bass) o vazio deixado por Vulturius.
No princípio do ano de 2005 foi feita mais uma alteração, eu (Sepulchral winds) passei para a voz, substituindo assim Byleth na sua última curta passagem por FD. Logo percebi que o meu papel na banda passaria a ser outro e então que decidi alterar o meu nome anteriormente conhecido por D. Sabaoth.
No decorrer do mesmo ano saiu “Victory of a Tyrant Agression” uma reedição da Victory of Tyranny incluindo 6 temas ao vivo em Barroselas em 2003.
No ano de 2006 decidimos chamar mais um Guitarrista, M.v.K foi o escolhido mas como já é costume ele acabou por sair ao fim de alguns messes…
Finalmente no ano de 2007, depois de um ano e meio sem dar um único concerto, e tendo ficado apenas com três na banda (o que para mim é o que está a resultar em pleno) ficámos concentrados apenas e exclusivamente no próximo álbum. Este foi finalmente gravado em Setembro/Outubro de 2007 intitulando-se “Under The Might…”este também saiu pela mesma editora que editou o “Tormentor…of the False Creator”.
As alterações de line-up continuaram… dois meses mais tarde, a última saída foi a de Kako Daemon (Drums) que por razões pessoais decidiu deixar FD. Mas como já é um costume fomos à procura de mais um Guerreiro para o substituir. Sculkrusher (drumer), também membro de outras Bandas como: Panzer Frost e Motorpenis, concordou em juntar forças para levar para a frente esta banda que de momento tem como objectivo gravar o terceiro disco de originais e se tudo correr bem para o ano que vem já haverá novidades…ate lá só há uma coisa a fazer, muito trabalho.
2 – Desde o disco anterior até à edição deste novo houve algumas mudanças de formação. Fala-me um pouco destas atribulações no seio dos Flagellum Dei.
Sepulchral Winds: Bom, não foi só desde o disco anterior, como vês em cima há alterações de line-up desde o princípio da banda. São este tipo de situações que nos levaram a tal atraso entre o “Tormentor…of the false creator” e o novo “Under the Might…”. São três anos sem novos trabalhos e poucos concertos (o que não é bom para nenhuma banda) e como consequência vem a instabilidade e falta de coesão, como se vinha a demonstrar nos últimos concertos da banda. Bom, mas mesmo com tantas saídas e substituições de membros conseguimos sempre manter um line up, o que foi muito importante para nós, mas sem dúvida que com a actual formação estamos a conseguir uma coesão que à muito não sentíamos, o que é excelente e motivador para o futuro dos Flagellum dei.
3 – Descreve os processos de composição e gravação deste novo disco “Under The Might…”.Sepulchral Winds: Bem, a composição dos novos temas foi um pouco demorada, visto que passámos muito tempo modificar os temas até serem gravados pois queríamos que fosse algo mais diversificado a nível musical e não com uma estrutura sempre igual, não! Desta vez quisemos fazer algo melhor e com mais qualidade (pelo menos na nossa perspectiva está bem melhor). Também a nível de gravação foi muito bom para nós, uma vez que nunca tínhamos gravado nada naquelas condições… mas no final ficámos satisfeitos com o resultado, embora a nível de arranjos pudesse ter ficado um pouco melhor. Penso que valeu bem pelo esforço e mediante as condições monetárias que possuímos não se podia esperar muito melhor… É sem duvida um disco com outra qualidade que até à altura nunca tínhamos feito e penso que a aceitação esta a ser positiva.
4 – Sobre que assuntos incidem as letras contidas neste disco?
Sepulchral Winds: A nível de letras é simples, falam basicamente em anti-cristianismo, blasfémia, ocultismo, morte, etc. são estes os temas que utilizamos. Pelo menos até agora são…
5 – Quais são as vossas influências musicais, assim como outro tipo de influências externas à música?
Sepulchral Winds: Bom, Os Flagellum dei, foram desde o princípio influenciados muito pelo estilo nórdico de BM. Essa é uma verdade e não adianta fugir disso, há que aceitá-lo. Foi com bandas como: Bathory, Mayhem, Dark Throne, entre outras… que FD assentou a sua estrutura musical e lírica, dando também um toque pessoal que é fundamental e dando também personalidade à banda.
Não quero com isto dizer que vamos estar eternamente agarrados a estas influências, muito pelo contrário… estamos cada vez mais a tentar por isso de parte e tentar dá um toque cada vez mais personalizado a FD, alias, penso que com este novo disco já se vai começando a notar isso…
Quanto a outras influências fora da música, peso que partilhamos os mesmos ideais. Por isso, não acrescentarei muito mais.
6 – A banda edita novamente pela Espanhola Bloody Productions. Como é que surgiu o contacto com a Bloody Prod, em primeiro lugar, e como é a vossa relação com eles?
Sepulchra Winds: Nós conhecemos o Dani da Bloody prod. Em 2000, ainda na altura da promo tape “Thy Plague…” num concerto em Braga, foi desde então que mantivemos relação.
No entanto gravámos a demo “Victory of tyranny” e foi a partir dessa altura que se acentuou mais a nossa relação.
Começámos a trocar correspondência durante algum tempo e daí veio o convite para o lançamento do primeiro álbum. Para nós foi muito bom visto que não foram muitas as bandas que tiveram oportunidade de lançar o primeiro disco por uma editora estrangeira… bom, a relação manteve-se até agora, embora a Bloody Prod seja pequena e sem muitos recursos para suportar as bandas, fizeram o melhor que puderam para que este álbum saiu novamente pela Bloody.
Se a Bloody mantiver o trabalho que tem vindo a fazer com FD, não teremos quaisquer problemas em voltar a trabalhar com eles. Acho que fizeram e estão a fazer um bom trabalho.
7 – Como é que estamos de concertos de promoção ao disco? E em relação a outro tipo de promoção, tais como entrevistas, rodagem em programas de rádios, etc?
Sepulchral Winds: Bom. Foram só dois os concertos desde a concepção do novo álbum. O primeiro com Corpus Christii e o outro com Enthroned (este já com o novo baterista). Vamos também participar no Extreme Metal Fest na Covilhã dia 22 Março e também na Marinha Grande (Leiria) dia 19 de Abril Com Panzer Frost e Infernum( ambos PT). Estamos à espera de mais propostas e depois logo se vê mediante as condições. Quanto a zines e revistas, o Dani da Bloody prod. Esta a tratar disso, embora nós tenhamos de procurar por nós próprios alguma promoção…como é óbvio. Também vamos respondendo a algumas Entrevistas, mas nada de muito abusivo…Quanto a programas de rádio. Bom, isso é outra coisa…a seu tempo, sim. Porque não? Até ao momento a única ligação que temos com rádios é somente para anunciar concertos e lançamentos… nada de mais.
8 – Como vês a evolução da cena Underground nacional desde que nela entraste até hoje? Que bandas, editoras, promotores de concertos, revistas e outros da cena musical podes realçar?
Sepulchral Winds: Bem, a cena actualmente não tem nada a ver com à 6 / 7 anos atrás. Perdeu-se muito a coesão que existia nessa altura, e então com o aparecimento da net, pior… agora é que o pessoal não sai mesmo de casa…
Antigamente as bandas ainda conviviam e partilhavam ideias umas com as outras (Bebedeiras Colectivas…há há), agora isso só acontece quando há concertos ou algo do género, era outro espírito sem dúvida.
Também com a nova geração já instalada…. É bom sinal! É sinal que o Black Metal veio para ficar. Sinceramente é bom ver novos grupos de pessoas a com vontade de fazer algo nesse campo, um pouco à sua maneira mas pronto… (Putos…). Não esquecer que também nós o fomos, em tempos…e acredita que já vi muita coisa ridícula desde que ando no Metal…Bom, mas tudo tem de começar por um princípio.
Que assim seja. Que apareça muitas mais bandas, de BM principalmente. Portugal ainda tem muito para dar a nível de Black Metal.
Bom, como o apoio a FD tem sido quase nulo… tenho poucos nomes a salientar… posso dizer que algumas bandas que nós tínhamos em consideração estão de fora dos nossos olhares, por isso aqui vai uma ou duas: Celtic Dance pelo apoio brutal que nos têm dado ao longo dos tempos (Idealismos à parte), N.H. de Corpus Christii e da Nightmare prod., o Dani Da Bloody prod. Rui da War Prod., Blaspher dos alchoholocaust e Infernum, os irmãos Veiga do Steel Warriors Rebellion( Barroselas metal fest) Entre outras… desculpem se me esqueci de alguém.
9 – Tens agora espaço para deixar uma última mensagem aos leitores da Fénix.
Sepulchral Winds: Bom, não há muito mais para dizer. Quero apenas deixar aqui uma palavra de agradecimento para todos os que nos têm apoiado ao longo dos tempos e que não deixem de acreditar no BM, pelo menos da nossa parte vamos tentar dar sempre o melhor.
Obrigado mais uma vez à Fénix pelo apoio.
A CHAMA DE FLAGELLUM DEI ACIMA DE QUALQUER DEUS…
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Respostas: Sepulchral Winds
Monday
Kneeldown – Volcano (2008) – Edição de Autor
Kneeldown é um trio oriundo de Ponte de Sor. Este é o seu segundo EP, após “06:51 AM” de 2003. Ao todo são 30 minutos distribuídos por 5 temas. Fusão Thrash e Hardcore de influências tão diversas como Pantera, Meshuggah, 2 Ton Predator, Rage Against The Machine, Morgoth, Grip Inc., Metallica ou ainda de bandas Lusas como Ramp, Painstruck, Strain, Goblin, Anger, Squad, aliada a melodias e ambientes oriundos do Rock alternativo de nomes como Tool, Alice In Chains, Godsmack ou Muse.
Um trabalho elaborado de composição, ideias fantásticas bem encaixadas, riffs e melodias de guitarra fabulosos, secção rítmica forte e competente. O peso do Thrash intercala-se com secções mais ambientais, tudo condimentado com um forte groove de descendência Hardcore. A isto alia-se uma capa e apresentação geral fantásticas.
Quando li que este EP de apresentação tinha sido gravado no local de ensaio, pensei logo “ok, mais uma demo gravada directamente para um gravador caseiro, com uma porcaria de som”. Estava bem enganado. Já ouvi gravações profissionais com um som bem execrável. Esta gravação caseira, longe de ser perfeita, serve bem os seus propósitos promocionais. Tem um peso e crueza necessários ao estilo, mas mantendo um som bem nítido. A masterização ficou a cargo de Nexion K, (guitarrista de Reaktor).
Hoje em dia as bandas Lusas estão muito melhores do que há uns anos atrás e têm vindo a ser editados alguns registos dignos de realce. Este “Volcano” faz parte dessa lista de lançamentos. Onde é que param as editoras? À procura da next big thing? De música tipo pastilha elástica que cola e sabe bem, mas que passado pouco tempo perde o sabor e a elasticidade? Bah! DIY forever! Cabe a nós, público, apoiar este tipo de bandas como os Kneeldown. Aconselho vivamente este volcão pleno de poder! 80% http://www.kneeldown.net/ / http://shop.kneeldown.net/ / www.myspace.com/kneeldown
RDS
Um trabalho elaborado de composição, ideias fantásticas bem encaixadas, riffs e melodias de guitarra fabulosos, secção rítmica forte e competente. O peso do Thrash intercala-se com secções mais ambientais, tudo condimentado com um forte groove de descendência Hardcore. A isto alia-se uma capa e apresentação geral fantásticas.
Quando li que este EP de apresentação tinha sido gravado no local de ensaio, pensei logo “ok, mais uma demo gravada directamente para um gravador caseiro, com uma porcaria de som”. Estava bem enganado. Já ouvi gravações profissionais com um som bem execrável. Esta gravação caseira, longe de ser perfeita, serve bem os seus propósitos promocionais. Tem um peso e crueza necessários ao estilo, mas mantendo um som bem nítido. A masterização ficou a cargo de Nexion K, (guitarrista de Reaktor).
Hoje em dia as bandas Lusas estão muito melhores do que há uns anos atrás e têm vindo a ser editados alguns registos dignos de realce. Este “Volcano” faz parte dessa lista de lançamentos. Onde é que param as editoras? À procura da next big thing? De música tipo pastilha elástica que cola e sabe bem, mas que passado pouco tempo perde o sabor e a elasticidade? Bah! DIY forever! Cabe a nós, público, apoiar este tipo de bandas como os Kneeldown. Aconselho vivamente este volcão pleno de poder! 80% http://www.kneeldown.net/ / http://shop.kneeldown.net/ / www.myspace.com/kneeldown
RDS
Herege Warfare Productions
A Herege Warfare Productions, que até 2006 se chamava Hell War Productions, é maioritariamente uma tape label com espaço ainda para algumas fanzines, merchandising (patchs, pins, …) e o ocasional vinil. Black, Death, Thrash e Speed da velha escola, de inspirações 80s, atitude DIY e espírito Undeground são as características e áreas de trabalho. Para mais informaçõesm, podem baixar o primeiro número da Herege Warfare Prod Newsletter nesta localização: http://www.mediafire.com/?ou21jmjtjsc
Das várias edições que fazem parte do seu catálogo, tenho 9 para apresentar. Por ordem alfabética:
Das várias edições que fazem parte do seu catálogo, tenho 9 para apresentar. Por ordem alfabética:
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Crystalline Darkness “Melancólica Nostalgia” (Tape 2008): Edição conjunta com a Antihumanism Label da Bélgica. Banda Lusa. Black Metal execrável, de garagem, com toques Doom e Ambiental. Som de gravação péssimo que provoca dor nos ouvidos e dor de cabeça. Material demasiado monótono. Dispenso. 10%
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Evoked Curse “Merciless Revenge” (Tape 2006): Trio Finlandês. Demo de 2006. Black Metal com toques Thrash / Speed. Inspirações oitentistas. Gostei do som. Fez-me lembrar as bandas do género do Underground Europeu de meados da década de 90. Inclui versão de “Hitler The Messiah” dos Húngaros Angel Reaper. Infelizmente não tenho acesso às letras, e digo isto porque o título da faixa atrás não me inspira muita confiança. Espero não estar a divulgar uma dessas execráveis bandas de NSBM. A dúvida nisto leva-me a deixar a pontuação em aberto. ??%
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Flagelador “A Noite Do Ceifador” (Tape 2008): Trio Brasileiro. Edição em K7 do já existente disco em formatos CD e LP. Intro + 8 temas + 2 bónus para a tape (uma versão de “Evil Has No Boundaries” de Slayer e um tema da demo de 2002). Thrash / Speed oitentista com som cru, agressivo, forte. Vocalizações em português. Não gosto do sotaque e pronúncia Brasileiros, mas aqui soa muito bem. Inspirações Venom, Slayer (inícios), Motörhead, Discharge, Iron Maiden (inícios), WASP, Agent Steel, Abattoir, Exciter, Anvil, Raven, Destruction, Kreator, Sodom. Gostei muito. 85%
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Front Beast “Black Spells Of The Damned” (Tape 2007): Edição em K7 do disco. Inclui tema bónus, exclusivo para esta edição. One man band. Alemanha. Mais Black Metal lo-fi, sujo, cru. Alguns toques Thrash. Gravação caseira detestável que em nada ajuda. Até tem algumas ideias porreiras, mas não chegam para fazer o todo. 20%
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Havok “The Ostentation Of The Eternal Chaos” (Tape 2007): Brasil. Death / Grind. Deicide, Vital Remains, Vomit Remnants, Cannibal Corpse e Vomitory são nomes a apontar como influências. Som bem Undergorund, sujo, gutural, gore, pesadão. Gostei do que ouvi. No entanto, não sei porque é que as bandas mais Underground inclinam sempre para o lado mais “evil” da coisa. Umas letras mais Gore e menos “evil” davam mais uns pontinhos extra. Assim vou ter de reduzir a pontuação. 65%
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Inferium “Demo 2008” (Tape 08): Trio Lusitano. Demo editada em conjunto com a Antihumanism Label. Caixa de ritmos na máxima rotação, sem descanso. Black Metal cru, frio, caótico. Inspiração Nórdica. Nunca entendi este tipo de caos sonoro disfarçado de trve ou cvlt. Torna-se demasiado monótono ao fim de algum tempo. Felizmente só são 4 temas (+ intro, interlúdio e outro). Mesmo assim é muito. A melhor faixa é o interlúdio. Dispenso. 15%
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Odium Perpetuum / D.O.R. “United In Hate & Pain” (Tape 2006): Split com duas one-man-band Lusas de Black Metal. As one man bands fazem-me logo franzir o sobrolho. Sujo, crú, maléfico, de inspiração Nórdica. Trve ou Cvlt ou como lhe queiram chamar. Eu já não sou grande apreciador de Black Metal, e então quando é assim tão mau, pior. E as gravações caseiras nojentas ainda pior. Lixo sonoro disfarçado de música e com os rótulos trve ou underground a servirem de desculpa. 5%
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V/A “Os Seis Caminhos Para A Verdade” (Tape 2006): Split tape com 6 bandas de Black Metal Luso. Irae – som execrável, tanto musical como de gravação. Lixo puro! Satanize – Não tão mau como os anteriores. A maldita caixa de ritmo ataca de novo. Dispenso. Black Howling – voltamos ao som execrável. O som magoa nos ouvidos. Fora! Cripta Oculta – Apesar do som de baixa qualidade, chama a atenção. Mas só mesmo ouvindo mais material da banda para formar uma ideia concreta. Mons Veneris – Mais Black de garagem. Som nojento. Próximo. Vermen – Outra igual às anteriores e a tantas outras. O som péssimo também não ajuda muito. No geral: execrável. 1%
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Xerión “Na Búsqueda Do Primixenio” (Tape 2008): Black Metal da Galiza. Edição conjunta com a Antihumanism Label. 5 temas (2 de estúdio, 2 ao vivo e uma versão dos Primigenium). Mais Black Metal de inspiração Nórdica. Este já me chamou a atenção. Nota-se algum trabalho de composição. Algumas boas ideias, bons riffs, secção rítmica forte, excelentes músicos em termos técnicos. Não é bem o meu estilo, mas admito que está bem feito. Os temas ao vivo, gravados na Covilhã em 2007, é que estão com um som de merda e estragam o conjunto. 60% http://www.otronodexerion.com/
Comentários por: RDS
Herege Warfare Productions: hellwarprod@gmail.com
Comentários por: RDS
Herege Warfare Productions: hellwarprod@gmail.com
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Black Metal,
Demo,
Portugal,
Speed Metal,
Tape,
Thrash Metal
M-PeX – Phado (2007) – Thisco / Fonoteca Municipal
M-PeX é Marco Miranda. Marco Miranda é M-PeX. “Phado” é a sua estreia de longa duração. Nove temas preenchem esta rodela cinzenta. Mas apenas cinzento é o suporte físico pois o conteúdo é colorido. Ou talvez nem tanto. Reencarna-se em “Phado” uma alma Lusa negra, depressiva, sonhadora, outonal, ora quente ora fria, plena de Saudade. “Phado” faz uma fusão do tradicional, do Fado, do som característico da guitarra Portuguesa e das tradições Lusas com o moderno, urbano, frio, distante, através da electrónica, seja ela de carácter ambiental, experimental ou ainda dos domínios do drum’n’bass. Alguns temas, como “The Cloud’s Whispering Song” ou “Phadistikal” soam muito Pop, algo brejeiros até, mas temas como “Phado Menor”, “Hydheia”, “Melodias De Saudade” ou “Balada Do Tejo” valem a pena a viagem a que Marco nos convida neste “Phado” que é bem seu, mas que tem muito do nosso (e dele). Para colocar ao lado de discos de Dwelling, In Tempus, Gnomon, Mandrágora ou Samuel Jerónimo. Altamente recomendável. 90% www.myspace.com/mpex / http://www.thisco.net/ / http://fonoteca.cm-lisboa.pt/
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Gnomon – Gnomon (EP 2006) – Edição de Autor
Gnomon é a palavra universal para o ponteiro do relógio do sol. Gnomon é também um septeto de carácter instrumental oriundo de Joane, Norte De Portugal. Este é o seu trabalho de apresentação, homónimo, datado de 2006 e alinhado em 3 fantásticas composições (uma delas dividida em 4 actos), em pouco mais de 21 minutos. Fusão de progressivo, Jazz, Folk e Celta, a música dos Gnomon vai beber a fontes tão diversas como Rão Kyao, Júlio Pereira, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Petrus Castrus, Banda Do Casaco ou Filarmónica Fraude. Ainda bem que muitas bandas e projectos deste género estão a surgir um pouco por todo o país. Cria-se, nestes projectos, uma ponte entre a tradição musical, a poesia, as paisagens, a história, a alma Lusa e o moderno, urbano, progressista. Projectos como Gnomon, assim como Dwelling, Mandragora, M-PeX, In Tempus, Thragedium, Moonspell e outros tantos, insistem em manter vivas as tradições Lusas, de uma maneira ou doutra, cada um à sua maneira, conferindo-lhe nouvas roupagens, mais modernas, para assim a manter fresca e saudável. Altamente recomendável. 90% www.myspace.com/gnomongnomon
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Demo,
Folk,
Jazz Rock,
Portugal,
Progressive,
World Music
Flagellum Dei – Under The Mighty... (2007) – Bloody Productions
Não sou grande apreciador de Black Metal, principalmente deste tipo de vertente mais crua, “evil” e Underground, mas toda a banda nacional é bemvinda no Fénix. É precisamente nessa perspectiva, de leigo na matéria, que vou escrever esta crítica. Nunca tinha ouvido a banda antes e, ao que parece, este é já o segundo disco de originais, além de algumas demos e eps. “Under The Mighty...” foi editado pela Espanhola Bloody Productions no final de 2007 e contém 7 temas de Black Metal de inspiração nórdica, crú, agressivo, selvagem, frio. Secção rítmica poderosa e agressiva, riffs old-school dos 80s, uma voz demoníaca e ambientes negros e gélidos fazem parte do som dos Flagellum Dei. A influência Thrash Metal old-school dos 80s (linha Germânica) agrada-me imenso, assim como alguma melodia que faz a sua aparição de vez em quando e algumas passagens mais Dirty ’n’ Sleazy Rock ’n’ Roll / Crust (Motörhead, Discharge ou Extreme Noise Terror a surgirem como possíveis influências). A produção está soberba, tendo ficado o disco com um som potente e nítido, mas crú o suficiente como se quer no género. Influência directa de nomes como Hellhammer, Venom, Mayhem, Darkthrone, Dark Funeral, Bathory (vertente Black), Destruction (antigo), Sodom (antigo), Motörhead, etc, o som dos Flagellum Dei de original tem pouco, mas não fica atrás de muitas bandas do género que pululam por essa Europa fora, muito pelo contrário. Há muito tempo que não ouvía um disco do género que me despertasse algum interesse. Faz-me lembrar o clássico disco de estreia dos Decayed, “The Conjuration Of The Southern Circle”. Para quem não morre de amores pelo género, este disco não vos vai fazer mudar de ideias, mas para quem gosta, uma escolha mais que acertada. 75% www.myspace.com/flagellumdei / http://www.bloodyprod.com/
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Skewer – Whatever (Demo 2007) – Edição de Autor
“Whatever” é o segundo registo de demonstração dos Portugueses Skewer. Seis temas em pouco mais de 18 minutos compõem este novo trabalho. A linha musical? Uma cópia descarada dos primórdios dos Nirvana. “Bleach”, “Incesticide” e algumas coisas, poucas, de “Nevermind”. “Stayed”, “Slunk You Know Me” e “Fake Me” levam essa onda muito ”Bleach” e “Incesticide”. As guitarras, os ritmos, a voz, tudo faz lembrar a extinta banda de Seattle. Mas com menos de metade da qualidade. “Wash You Away” e “Save Me From Myself” seguem a mesma linha mas têm um som de gravação diferente das restantes faixas, estão mais baixas, e soam a gravações de ensaios. “Cyborg Insurrection” é um instrumental simplicíssimo, desinteressante, frouxo, resultado de uma qualquer jam session, parecendo ter sido composto, ensaiado e gravado em apenas uma tarde de gozo. Tem uns toques de Sonic Youth dos inícios. Mas isso também não chega para os safar. A capa linha Korn também não ajuda nada. Ainda tentei ouvir a primeira Demo, mas essa é ainda pior, uma gravaçaõ de um ensaio. Está disponível para downlaod gratuito no myspace da banda, caso se queiram aventurar. Para os interessados, a Demo (ou EP como é apresentado pela banda, pois parece que hoje em dia ninguém grava Demos mas sim EPs), está disponível através dos contactos da banda e da Belivie / Virgin (França). Eu dispenso. Prefiro ir desenpoeirar os meus discos de Nirvana e seus contemporâneos de Seattle. 10% http://skewer.com.sapo.pt/ / http://www.myspace.com/skewerband / http://www.virginmega.fr/musique/album/ske...91198,page1.htm
RDS
RDS
Friday
Motornoise – Motornoise (2007) – Invasion Rock / Let’s Go To War / Lost Underground
Há já algum tempo que ouvia falar destes Motornoise mas, infelizmente, nunca tinha ouvido nada deles. Chega-me agora às mãos a sua estreia homónima. A edição é uma colaboração das lojas Invasion Rock e Lost Underground com a editora Let’s Go To War. A banda é constituída pelo Frágil (voz, ex-Renegados de Boliqueime, Speedtrack), Guerra (guitarra, ex-Renegados de Boliqueime, Speeedtrack), Gustavo (bateria, ex-Genocide, Stealing Orchestra, Sikhara, etc), Óscar (baixo, ex-Cagalhões, Cães Vadios, Speedtrack) (Óscar abandonou a banda recentemente e é o Mula dos Deskarga Etílika que está com a banda no momento) e Pupa (saxofone, Here B Dragons). São 12 temas num total de 36m02s de uma particular fusão de Punk Rock, Crust, Hard Rock, Rock’N’Roll e algum Metal. As influências são tão diversas como Motörhead, The Vibrators, The Clash, Ramones, Discharge ou, a nível nacional, nomes como Mata Ratos, Trinta & Um, Simbiose, Anti-Clockwise, Censurados, Gazua, Xutos & Pontapés, Corrosão Caótica ou Acromaníacos. Os Motornoise têm a particularidade de incluir, além do habitual trio Rock guitarra / baixo / bateria, um saxofone que lhes dá um certo ar far-out e alucinado. Grandes riffs de guitarra, secção rítmica potente, ritmos imaginativos, voz crua bem Punk / Rock old school. O disco não maça porque tem uma duração adequada ao estilo e, além disso, os temas balançam entre o Hardcore mais agressivo e o típico tema Hard / Rock ‘n’ Roll, entre o Crust fodidão e o Punk 77, não deixando o ouvinte ficar muito tempo a ouvir a mesma linha. Mas não é por isso que o disco soa heterogéneo, muito pelo contrário, soa bem homogéneo e consistente. Peca apenas pelo livrete algo simplista mas, é claro, estamos a falar de uma edição DIY. A capa está simples mas é eficaz. Fecha-se o disco com uma versão de “Alternar” dos míticos Punks Brasileiros Cólera. Uma boa aposta a adicionar à já longa lista de excelentes discos saídos do Underground nacional nos últimos tempos. 85% www.myspace.com/motornoise
RDS
Chamber Spins 3 – S/T (Demo 2007) – Edição de Autor
Demo de estreia dos Portugueses CS3. Inclui 4 temas de fusão Thrash com Hardcore e algum Rap old-school e Funk Rock à mistura. Por uma estranha coincidência o CD atinge os 13m13s de duração (há supersticiosos por aí?). As influências são tão díspares como Faith No More, Metallica, Living Colour, Suicidal Tendencies, Infectious Grooves, N.W.A., Cypress Hill, Helmet, Dub War, Biohazard, At The Drive-In, Refused ou o material da banda sonora de “Judgement Night”. Há aqui algumas ideias boas e o resultado final agrada-me, não soando tão “xunga” como poderia parecer à primeira. É bem potente, agressivo, tem muito groove e alguma melodia. Nota-se alguma falta de experiência musical mas isso vai ao sítio com o tempo. A garra e a atitude certa estão lá. Além disso, a crueza própria de uma banda jovem, ainda em fase inicial de garagem, dá um certo carisma à gravação. Aguarda-se novo trabalho com material superior e com uma gravação mais profissional. Capacidades para isso estão já demonstradas nesta demonstração! 70% www.myspace.com/chamberspins3music
RDS
Tuesday
Dinosaur + Powersource
Uma mensagem do caro amigo Dico:
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Caros amigos,
Informo-os de que na minha página MySpace, localizada em http://www.myspace.com/dico_metal_incandescente, encontram para download gratuito alguns registos que gravei com os Dinosaur e Powersource, que incluem fotos e artigos de imprensa. Estão igualmente disponíveis outros trabalhos em que participei.
Um abraço,
DicoDinosaur
Informo-os de que na minha página MySpace, localizada em http://www.myspace.com/dico_metal_incandescente, encontram para download gratuito alguns registos que gravei com os Dinosaur e Powersource, que incluem fotos e artigos de imprensa. Estão igualmente disponíveis outros trabalhos em que participei.
Um abraço,
DicoDinosaur
Wednesday
Anti-Demos-Cracia - 18 anos depois!
18 anos depois, a Anti-Demos-Cracia (1990-1994) está de volta às edições.
Fevereiro (já disponível): Título Póstumo ao vivo no Porto em 1988.
Março: dois concertos dos Título Póstumo em Coimbra, registados também no ano de 1988.
Abril: está agendada uma compilação com projectos Portugueses.
Fevereiro (já disponível): Título Póstumo ao vivo no Porto em 1988.
Março: dois concertos dos Título Póstumo em Coimbra, registados também no ano de 1988.
Abril: está agendada uma compilação com projectos Portugueses.
E mais há-de vir...
Informações e downloads gratuitos de novidades e material raro: http://antidemoscracia.blogspot.com/ http://www.myspace.com/antidemoscracia
Labels:
Avantgarde,
Electro,
Experimental,
Free,
Industrial,
Portugal
Monday
V/A - "Círculo De Fogo #4 Melomania" (2008)
V/A - "CÍRCULO DE FOGO #4 MELOMANIA"
download + info @ http://www.circulodefogo.com/
download + info @ http://www.circulodefogo.com/
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data de edição: 04/02/2008
[metal rock punk hardcore gothic prog]
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Visitem http://www.circulodefogo.com/ e façam o download (gratuito & autorizado) da e-compilação "CÍRCULO DE FOGO #4 MELOMANIA". Contém 18 bandas portuguesas, direccionadas para as várias tribos do metal, do rock, do punk, do hardcore, do gótico e do progressivo: Anti-Clockwise, [Before The Rain], DawnRider, ForGodsFake, Guernica Havoc, Holocausto Canibal, In Solitude, Malevolence, Profusions, Rebellion, Reptile, Simbiose, Teia, The AllStar Project, Thee Orakle, The No-Counts Doctrine Of Mayhem, The Sorcerer, WinterMoon.
Outras e-compilações disponíveis @ http://www.circulodefogo.com/:
"CÍRCULO DE FOGO #1 ATAQUE": Angriff, Assacínicos, AtlantheA, Azagatel, Barafunda Total, Decreto 77, Dr. Salazar, EnChanTya, Ho-Chi-Minh, Hyubris, Mindfeeder, Process Of Guilt, Raw Decimating Brutality, Sanctus Nosferatu, Tantra, The Ransack, TwentyInchBurial, Web.
"CÍRCULO DE FOGO #2 RITUAL": Alkateya, Bizarra Locomotiva, Colisão Frontal, Decayed, Defying Control, [F.E.V.E.R.], Filii Nigrantium Infernalium, Mata-Ratos, Men Eater, Obscenus, Prophecy Of Death, Shadowsphere, Tara Perdida, The SymphOnyx, Timeless, Underneath, Urban Tales, We Were Wolves.
"CÍRCULO DE FOGO #3 PULSAR": Assemblent, BlackSunRise, Bulldozer, BudHi, Drakkar, Dr. Zilch, Ethereal, Forgotten Suns, Millennium, Morbid Death, Namek, Painted Black, Prison Flag, Skypho, The Fire, Theriomorphic, Vittrah, WitchBreed.
Square – Squared (Demo) (2006) – Edição de Autor
Demo de 4 temas dos Portugueses Square. 90s Thrash / Death com alguns toques de Metal Industrial e Hardcore é o que nos é apresentado. As vocalizações em Português em “Dead Inside” fazem-me lembrar o Rui Sidónio de Bizarra Locomotiva. Dá-lhe um toque algures entre o Metal Industrial da já referida banda e um Hardcore mais metalizado. Já em “Droids” é fácil de descortinar alguma influência Sepultura fase Chaos/Roots, Fear Factory ou Fudge Tunnel. Em ”Not Fall Down” nota-se uma certa aproximação ao Death técnico de uns Cynic ou uns Atheist. ”The Party Is Now” volta a fazer a fusão Thrash, Death técnico e algum Metal Industrial, com influência Sepultura, Fear Factory ou Alchemist à cabeça. Não sei porquê mas os Square fazem-me lembrar muito mais bandas Portuguesas como Strain, Afterdeath, Vertebra, Kormoss, Squad, Demon Dagger ou Shiver do que bandas internacionais mais influentes. Ainda necessita de alguns ajustes aqui e ali mas, pela amostra, uma boa aposta para 2008. 65% www.myspace.com/sqre
RDS
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Demo,
Industrial Metal,
Portugal,
Thrash Metal
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