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Friday

Anti-Clockwise - Entrevista

1 – Houve algumas mudanças de formação nos últimos tempos, o vosso novo guitarrista é o Tó Pica (31, ex-Sacred Sin), como é que ele aparece nos Anti-Clockwise e o que é que trouxe de novo à banda?
R: Quando participámos no disco de covers dos Delfins (Delfins Not Dead) e como a gravação ia ser directa (ao vivo) resolvemos convidar o Pica como segunda guitarra para não estarmos a fazer overdubs. Gostamos da experiência e convidamo-lo a entrar para os Anti-Clockwise. Em relação à composição das músicas não alterou muito em relação aos álbuns anteriores, trouxe foi mais elaboração no trabalho das guitarras e agora ao vivo já podemos ser mais fiéis ao que está gravado.

2 – Este novo trabalho, “No one to follow” foi gravado nos estúdios Crossover com o José Sarrufo. Porque a escolha deste estúdio e do Sarrufo?
R: Já conhecemos o estúdio e o Sarrufo há muito tempo e sempre gostámos do trabalho feito. Sem desprimor para com o estúdio onde gravámos os dois álbuns anteriores, achamos que estava na altura de subir mais um degrau na qualidade de gravação para este novo álbum.

3 – Este é o primeiro lançamento dos Anti-Clockwise que não tem edição de autor, desta feita surge uma editora, a Som Livre, mas pelo que me parece apenas fizeram um licenciamento, não é assim? Pretendem com isto controlar muito mais as coisas relativas à banda?
R: Sim, fizemos só o licenciamento para podermos continuar a sermos nós quem detém os direitos. O CD foi entregue à Som Livre tal qual como está, masterização final, capas e vídeos. O que a Som Livre nos dá é uma maior exposição com a distribuição e a promoção que era o que nos fazia mais falta.

4 – Fala-me um pouco das letras deste disco e dos assuntos abordados nas mesmas. E já agora, o que significa o título do disco “No one to follow”?
R: O título pode aplicar-se aos Anti-Clockwise porque não seguimos nenhum estilo, tendência ou moda que esteja a dar no momento. Por muito presunçoso que possa parecer, já chegámos a aquele ponto em que podemos dizer que tocamos a nossa música em vez de dizer que tocamos punk, hardcore, screamo, metalcore ou o que seja que esteja na moda.

As letras são sobre tudo aquilo que me apeteça falar. Não escolho temas “cliché”. Qualquer coisa serve para a minha mente perversa delicodoce vomitar uma obra de arte. Quando sai, sai das entranhas. Tanto pode ser uma imagem numa revista, um filme, uma discussão, um acontecimento cómico/trágico. Mas é sempre de um ponto de vista muito pessoal e raramente são generalistas por isso, muitas vezes, ninguém percebe nada do que estou a dizer.

01: Last Train To My Mind - É sobre as voltas que o meu cérebro às vezes tem de dar para eu sair de uma situação complicada e não ser obrigado a partir tudo à minha volta que é o que normalmente me apetece fazer. O título foi escolhido depois da letra estar feita e foi o melhor que arranjei para as pessoas se perguntarem “o que é que este gajo quer dizer com esta merda?”

02: Slap Your Face - É sobre quem tem e quem não tem força para recomeçar do zero depois de ter perdido tudo. Serve para qualquer tipo de situação.

03: No Feelings Day - Esta é sobre apatia. Às vezes acontece-me e o mundo podia desabar à minha volta que eu não me iria preocupar muito.

04: Beauty Paranoia - É sobre o culto da beleza e juventude eterna que se cultiva hoje em dia com a agressividade e a estupidez que se conhece.

05: Fashion Up The Ass - O mesmo assunto que a anterior só que tem um titulo anal.

06: Put Your Mask On - Sobre aparências, o medo de assumir e ser diferente e querer ser algo que não se é.

07: Cocksucking (Your Way To The Top) - Tal e qual o que o titulo diz: Chegar ao topo através da bela da brochada.

08: Stay Cool, Stay Beautiful - Um manifesto contra os medíocres que estão sempre a culpar terceiros dos seus insucessos e se sentem incomodados com o sucesso dos outros.

09: You Got Me So (Knocked Out) - Esta é pessoal e a pessoa em questão sabe que é sobre ela.

10: Mental Diarrhoea - Quando o cérebro começa a descarregar informação e não tem tempo para a filtrar começam a sair pela boca barbaridades descomunais. Isso acontece normalmente quando se discute e os ânimos se exaltam.

5 – Como é que tem sido a aceitação ao disco, tanto a nível de imprensa como de público?
R: O disco saiu há pouco tempo mas até agora a aceitação tem sido boa. Mas nós temos consciência que temos aqui um bom disco com 10 boas músicas e não um disco com uma grande música para passar nas rádios e outras 9 só para encher. Não existe um consenso em relação à melhor música do álbum o que para nós é motivo de orgulho, mas isso também já acontecia com o anterior.

6 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido algumas oportunidades de apresentar esta nova edição? Como é que têm corrido esses concertos?
R: O facto de a edição do CD ter sido alterada várias vezes, baralhou um bocado a nossa agenda porque tivemos que alterar muitas datas. Assim, desde que o CD saiu para a rua (12 de Fevereiro), temos estado a promove-lo nas rádios e imprensa escrita e só em Março é que recomeçamos a promove-lo ao vivo pois temos sempre dado alguns concertos aqui e ali, sem contar com as nossas idas regulares a Espanha o que já se tornou um hábito. A agenda está a ser preenchida aos poucos e podem consultá-la no nosso site www.anti-clockwise.net ou no MySpace www.myspace.com/bandanticlockwise. O primeiro concerto foi dia 10 de Março no Satori em Loulé, seguiu-se o Lótus Bar em Cascais no dia 25 de Março e dia 7 de Abril fomos até Coimbra tocar com os ingleses Tokyo Dragons. Em Maio não vamos tocar ao vivo porque o Pica tem já à bastante tempo uma tendinite num pulso e vai aproveitar este mês para fazer fisioterapia. Vamos recomeçar em Junho com concertos no Porto, Moita, Brenha, Barreiro, Lisboa e outros que estão a ser tratados. Estamos também a planear uma tour para a Europa para Outubro/Novembro com concertos em Espanha, Holanda, UK e talvez Escandinávia.
Por norma os nossos concertos correm sempre bem. Damos 150% e acabamos sempre de rastos.

7 – O som dos Anti-Clockwise é simples e directo mas com algumas audições atentas notam-se influências diversas que vão desde o Punk de 77 ao Hard Rock mais tradicional, passando por algum Metal. De onde provêm as inspirações para a sonoridade da banda?
R: Apesar de eu hoje em dia ouvir muita coisa, as minhas referências sempre foram o Punk de 77. O JB era mais virado para o Hard Rock e para o Metal assim como o Pica e o Hugo sempre gostou mais de Pop Rock mas quando formámos os Anti-Clockwise não dissemos “vamos formar uma banda punk” ou “metal” ou vamos tocar como esta banda ou como aquela… apenas resolvemos ir tocar juntos. O resto saiu com naturalidade. Cada um tem os seus gostos, as suas referências etc. A única coisa que decidimos é que a nossa música teria uma bateria, um baixo e guitarras fortes.

8 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
R: Continuar com as acções de promoção, tocar o máximo possível e tentar licenciar o disco noutros países.

9 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk, Hard ‘N’ Heavy, etc., no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
R: Sinceramente as novas bandas e tendências não me despertam nenhum interesse. Só ouço clássicos. E há sempre bandas antigas por descobrir. A música agora é demasiado tratada em estúdio o que faz com que soem todas ao mesmo. Os plug Ins tiraram a alma à música.

10 – Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
R: Se ao fim de 10 anos, sem apoios, ainda estamos aqui é porque sempre acreditámos e tivemos prazer no que fazemos. Enquanto for assim cá continuaremos.

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Anti-Clockwise: www.anti-clockwise.net
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Entrevistador: RDS
Entrevistado: Pedro Coelho (voz e guitarra)

Saturday

Gl*xo Babies – Dreams Interrupted: The Bewilderbeat Years 1978-1980 (2006) – Cherry Red

Esta é mais uma daquelas bandas perdidas no tempo das quais eu nunca tinha ouvido falar. E ainda bem que temos a Cherry Red (aqui com um licenciamento da Heartbeat Records) a fazer estas re-edições e compilações de material antigo, senão muitas preciosidades ficariam irremediavelmente perdidas para sempre. Como é o caso destes Gl*xo Babies. Segundo o que estive a ler na press-release e o que estive a ouvir neste CD, esta é uma daquelas bandas que aparece, causa algum furor com a sua originalidade a vários níveis e, depois desaparece quase sem alguém dar conta, tornando-se assim objecto de culto. Os Gl*xo Babies criaram alguma polémica devido ao seu nome, pois se removerem o asterisco e o substituírem por um “a”, têm o nome de uma multinacional de produtos farmacêuticos. Na altura a referida companhia proibiu a banda de usar o nome. A sua primeira “Peel session” é relembrada pelo aviso que antecedeu o programa: “Glaxo Chemicals would like it to be known that…”. A companhia pôs um detective privado no caso, mas acabou por não dar em nada. Alguns tempos depois da banda se separar o detective volta a aparecer em casa do guitarrista. Surge então mais um aviso, desta vez: “The various ex-members of the band would like it to be known that they have nothing to do with any multi-national pharmaceutical corporation bearing the name…”. Além desta houve muitas mais situações que ficaram para a história, tal como o tema “Christine Keeler” ter sido banido pela Radio One por ser “sensitivo politicamente”, as suas selvagens actuações em que se tocava guitarra com um vibrador ou o vocalista se cortava com vidro, mas não me vou alargar muito mais, podem pesquisar na Internet e vão encontrar muito material, verdadeiro e falso.A banda não durou muito tempo, cerca de 3 anos, mas foram relativamente produtivos em termos de gravações, mas poucas foram as vezes que tocaram fora de Bristol e, depois de se separarem, os membros seguiram tocando em nomes como The Pop Group, The Transmitters, Maximum Joy, Smith & Mighty e Tricky, entre outros.Quanto à música propriamente dita, o trabalho dos Gl*xo Babies divide-se em duas fases distintas: uma desde finais de 1977 até o verão de 1979, em que lançaram um 12”, um 7”, um tema numa compilação (a título póstumo) e uma Peel session; a outra desde aí até o verão de 1980, em que gravaram um single, um EP, um LP e outra Peel session. Na primeira fase temos o Avant-Punk ou Post-Punk como lhe queiram chamar, enquanto que na segunda enveredaram por uma vertente mais Funky e Jazzística muito experimental. O incrível é que em ambas as fases fizeram material de relevo, não podendo aqui destacar nenhuma das duas, mas sim o todo. Encontra-se aqui grande parte do material gravado da banda, em cerca de 75 minutos de música, e pela primeira vez em CD. O livrete está muito bem feito, com muitas fotografias da altura, assim como um extenso e interessantíssimo texto escrito pelo próprio Rob Chapman, vocalista da banda.Resumindo numa palavra: Indispensável! RDS
100%
Heartbeat Records: www.heartbeat-production.co.uk

D.O.A. – Bloodied But Unbowed: The Damage To Date 1978-83 (2006) - Sudden Death

Mais uma compilação dos míticos D.O.A. Esta reúne alguns temas dos 5 primeiros anos de vida desta instituição do Punk vindo do Canadá, perfeitamente remisturadas e remasterizadas. São ao todo 19 temas que incluem clássicos como “The Prisoner”, “Slumlord”, “World War 3”, “Fucked Up Ronnie”, “Woke Up Screaming” ou a versão de “Fuck You” (se não me engano o original é dos também Canadianos Subhumans; os Headbangers devem conhecer o tema pela versão Thrashada dos norteamericanos Overkill), entre outros. Quem já conhece os D.O.A. já sabe o que esperar, ou seja, mais do mesmo, Punk Rock duro, cru, tradicional e sempre cheio de atitude, por vezes com uma aproximação mais Hardcore de inícios dos 80. Um retrato fiel dos primórdios da banda e uma perfeita aquisição para todos os fãs da banda e qualquer apreciador de Punk de finais dos 70 / inícios dos 80. RDS
90%
Sudden Death Records: www.suddendeath.com

Friday

Anti-Clockwise – No One To Follow (2006) – Som Livre

Este novo trabalho dos Anti-Clockwise é o primeiro a ser lançado por uma editora (Som Livre) e não em edição de autor. São 10 novos temas que perfazem 31 minutos de duração, na mesma linha de sempre, mas aqui muito mais refinado, consequência de uma maior maturidade e experiência. A gravação e mistura foram feitas nos estúdios Crossover pelo José Sarrufo dos 31 e, aliás, essa não é a única ligação a essa banda de Hardcore de Linda-A-Velha, pois o novo guitarrista dos Anti-Clockwise é Tó Pica (31, ex-Sacred Sin). O som está mais cheio e mais potente que nos discos anteriores, com guitarras bem Hard Rock (em alguns casos quase “metaleiras”), muita atitude Punk 77 quase niilista, como se quer no Rock ‘N’ Roll diga-se já, e alguma melodia e refrões cantaroláveis.É difícil destacar faixas mas gosto do tema de apresentação “Beauty paranoia”, dos solos em “Fashion up the ass” e “You got me so (knocked out)”, os inícios de “Cocksucking (Your way to the top)” e “Mental diarrhoea” (bem rápido e com alguns riffs mais metaleiros) fazem lembrar os velhinhos Budgie. Influências e comparações plausíveis a nomes como AC/DC, Rose Tattoo, Motorhead, Sex Pistols, Radio Birdman, Therapy?, Zeke, The Hellacopters, The Wildhearts, The Vibrators, The Saints, e outros que tal começados por “The”.Além do CD temos como bónus um DVD com 4 videoclips (3 temas do anterior “If you want it… come and get it” de 2003 e 1 deste novo álbum). O DVD poderia ter mais uns extras, mas mesmo assim é um bom acompanhamento ao CD e um incentivo para se não se fazer o download na internet e comprar o disco e apoiar a música moderna Portuguesa (M.M.P., ainda alguém se lembra desta sigla? E do que é/era o Underground?).Os Anti-Clockwise não trazem nada de novo ou original, não vão ser a nova moda que todas as rádios vão querer rodar e todas as revistas vão querer entrevistar, não vão salvar o Rock ’N’ Roll nem em Portugal nem noutra parte do mundo, mas que “No one to follow” é um disco de Hard / Punk / Rock ‘N’ Roll do caralho com muitos tomates, lá isso é! RDS
80%
Anti-Clockwise: www.anti-clockwise.net

Thursday

Leftöver Crack & Citizen Fish – Deadline (2007) – Fat Wreck Chords

Este é um split CD entre os Britânicos Citizen Fish e os Norteamericanos Leftöver Crack. As duas bandas já se tinham juntado para um split 7” há bem pouco tempo, ao qual segue este CD longa duração (a versão em LP sai via Alternative Tentacles). Três dos quatro elementos de Citizen Fish fazem também parte de Subhumans e apresentam-nos aqui 7 temas de Ska / Punk, entre os quais 5 novos, uma versão de “Clear channel (fuck off!)” dos Leftöver Crack e outra de “Money” dos Choking Victim (antiga banda dos membros de L.C.). Não sou grande fã deste estilo de Skacore mas os Citizen Fish fazem-no bem, com um som bem cru e com raízes bem Punk (afinal de contas os tipos são veteranos da cena Anarcho Punk Britânica!), e a pronúncia Britânica soa bem no estilo. Aliás, pensem nos já referidos Subhumans e adicionem-lhes uma boa dose de Ska e um ambiente mais festivo e dançável. Este é o “lado” que mais me agrada do split. A seguir os Novaiorquinos Leftöver Crack apresentam 8 temas, entre os quais uma intro, 5 originais, uma versão de “The super-market song” dos Citizen Fish e outra dos Subhumans, “Reason for existence”. A música dos L.C. é uma fusão heterogénea (até demais para o seu próprio bem) de Punk, Ska, Crust, Hardcore e até algum Thrash / Death Metal. É esta mistura que me deixa confuso na banda. Temos a sensação de estar a ouvir, não uma, mas várias bandas diferentes ou, pelo menos, projectos paralelos com os mesmos músicos. No entanto, estes temas do split até estão bem potentes. Para os fãs de Citizen Fish, Leftöver Crack e Ska / Punk mais crú. RDS
85% (C.F.) / 70% (L.C.)
Fat Wreck Chords: www.fatwreck.de / www.fatwreck.com
Citizen Fish: www.citizenfish.com
Leftöver Crack: www.leftovercrack.org

Monday

The Dangerfields – Born To Rock (2005) - Rock 'N' Roll Records

No outro dia ao navegar pela internet à procura de novas bandas, encontrei o website deste trio Irlandês e fiquei curioso acerca da banda. Enviei um e-mail e agora tenho em mãos o CD dos tipos. E ainda bem que lhes escrevi! Que grande petardo de Rock ‘N’ Roll! O que aqui temos é um Rock ‘N’ Roll de influências Punk Rock e algum Crossover dos 80s bem rápido e pesado. As guitarras baseiam-se em riffs mais roqueiros mas aqui e ali pontuam alguns mais Metal e/ou Hardcore, os solos são fabulosos e sempre a abrir, a fazer lembrar até um pouco o Heavy / Thrash da década de 80; a secção rítmica é rápida e sólida e a voz é crua o suficiente para o género mas sem ter aquele travo de rouquidão tipo motard quarentão. Numa primeira audição o que vem à cabeça é mesmo Zeke ou Pufball mas por aqui encontram-se influências de AC/DC (“Rock Club” parece mesmo uma versão dos ditos Australianos, sendo este o único tema midtempo), Motörhead, Misfits ou até mesmo o Crossover dos Suicidal Tendencies dos primórdios. A produção é excelente e o disco ficou com um som pesadíssimo e bem limpo, conseguindo-se ouvir tudo o que se passa nas 15 malhas que compõem o disco. Para "apimentar" a coisa ainda mais, uma capa bem Rock 'N' Roll (vejam aqui ao lado). Segundo parece, o senhor Bruce Dickinson dos Iron Maiden também é fã dos tipos. São apenas 26.35 minutos, mas bem intensos e ao chegar ao fim dos 15 temas apenas queremos é voltar a carregar no botão play e ouvir tudo de novo, com o som da aparelhagem bem alto e com as mãos a fazer os malditos cornos \m/. Rock On! RDS
95%
The Dangerfields: www.thedangerfields.com

Sunday

Alex Ogg – No More Heroes: A Complete History Of UK Punk From 1976 To 1980 (2006) – Cherry Red

Mais um livro que me chega às mãos pela Cherry Red Books. Quando vi o título deste, fiquei logo em pulgas para o começar a desfolhar. Nas 736 páginas que compõem o livro encontramos nomes sonantes como Sex Pistols (pois claro, iam faltar?), Adam And The Ants, Angelic Upstarts, Buzzcocks, Clash (com umas boas páginas para ler só por conta destes senhores!), Cock Sparrer, Damned, Generation X, Rezillos, Sham 69, Siouxsie And The Banshees, Stiff Little Fingers, UK Subs, Vibrators, Wire, X-Ray Spex, etc, lado a lado com bandas não tão conhecidas como Disturbed, Chaos, Glaxo Babies, Raped, Subway Sect, etc, e até mesmo várias bandas que nem sequer chegaram a gravar em estúdio. Temos um índice para nos guiarmos (que podia estar mais detalhado em termos de bandas e não só por letras). Uma introdução pelo autor e duas por músicos, David Marx dos The Aggravators e Captain Sensible dos The Damned. No fim do livro temos ainda alguns títulos do catálogo da Anagram / Cherry Red como re-edições e colectâneas póstumas das bandas aqui retratadas, caso se queira comprar a “banda-sonora” para acompanhar a leitura do livro, além de outros títulos interessantes da Cherry Red Books. Um pouco de publicidade no fim do livro não lhes faz mal, he, he!Há coisas boas a apontar e coisas más. Comecemos pelas boas: isto é um completíssimo compêndio do Punk Britânico de 1976 a 1980; as biografias estão bem redigidas, completas e incluem algumas histórias engraçadas e outras mais sérias contadas pelos próprios protagonistas. As discografias das bandas são detalhadas e incluem não só os discos oficiais mas também colectâneas póstumas e em alguns casos discos piratas.As más são poucas: não há fotografias de todas as bandas e as que há são a branco e preto (a cores era um bocadito mais caro o livro, também podemos compreender isso!), mas algumas até nunca foram editadas antes e ganha-se nesse sentido; e ainda podia ter flyers, cartazes de concertos da altura, etc. para tornar isto bem mais completo e interessante.Um aspecto negativo a salientar é que este livro é mais uma espécie de dicionário ou enciclopédia exaustiva e um pouco chata de ler do que propriamente um livro sobre música, que devia ser mais divertido de ler, e em especial este tipo de música. Mas é essa mesma a intenção do livro, ser um compêndio exaustivo do Punk Britânico da segunda metade da década de 70. Mas de qualquer maneira há aqui muita coisa interessante para ler, coisas que não sabíamos das bandas, passamos a conhecer outras bandas mais Underground, rimos com algumas anedotas e situações caricatas da altura e no fim do livro ficamos com um doutoramento em “Punkologia Britânica I”. RDS
90%
Cherry Red Books: www.cherryred.co.uk

Strike Anywhere – Dead FM (2006) – Fat Wreck Chords

Aí está finalmente o terceiro álbum para este Norteamericanos Strike Anywhere, após 3 anos à espera do sucessor de “Exit English” de 2003. Eu não gostava muito deste tipo de material até ouvir um 7” destes tipos que até me agradou. Tem melodia qb mas é rápido e potente, com uns riffs bem Hardcore e a voz não é assim tão melosa como a de outras bandas do género, tem aquele som arranhado que lhe dá um nível mais Punk old-school. Depois disso não é que tenha perdido o rasto à banda, até soube das edições dos 2 álbuns anteriores mas nunca lhes dei a devida atenção. Este novo trabalho chegou-me às mãos via Fat Wreck Chords e gostei muito do material que aqui está. Continua naquela linha de Hardcore melódico com certas influências Punk Rock e a tal voz arranhada. É mais do mesmo mas é mais do bom, por isso não nos podemos queixar! Muito pelo contrário! As letras continuam muito políticas e socialmente conscientes, mantendo esta banda um pouco à margem do actual panorama Punk Rock / Hardcore melódico que se apoia mais no estilo e no ser mais cool que o vizinho. Aqui o espírito Punk Rock e do Hardcore de início dos 80s está bem vivo e de boa saúde! Entre os 14 temas que compõem estes 31min10seg podemos salientar o meu favorito “Speak to our empty pockets”, além de “How to pray”, “Two thousand voices”, “Hollywood cemetery”, “Dead hours” ou “Iron trees”.Quem já conhece a banda tem aqui mais um bom album com o som de sempre mas aprimorado. Para quem não conhece, se gostam de Hardcore melódico com muita atitude old-school, experimentem que não vão ficar desiludidos. RDS
90%
Fat Wreck Chords: www.fatwreck.com / www.fatwreck.de
Strike Anywhere: www.strikeanywhere.org

The Exploited – Live In Japan & Argentina (2006) – Cherry Red

A Cherry Red acaba de editar mais um DVD dos The Exploited, após ter editado “Rock & Roll Outlaws plus Sexual Favours” e “Live At Palm Cove & 83-87”. Este aqui inclui duas filmagens ao vivo, uma no Japão em Junho de 1991 no Club Citta em Kawasaki, e outra na Argentina em Março de 1993 em Buenos Aires. Este DVD irá certamente fazer a delícia não só de Punks mas também de fans de Hardcore e Metal, em especial os apreciadores do crossover punk/metal/hardcore da primeira metade da década de 90. A imagem, longe de ser perfeita, é superior à de muitas das recuperações de bootlegs ou gravações de video perdidas no tempo. O som esse é potente quanto baste para nos fazer pensar que estamos lá a assistir “in loco” às actuações. O concerto do Japão é sensivelmente melhor, tanto na imagem, como no som, como na própria actuação, mas o da Argentina não lhe fica muito atrás. Muita energia, muito poder, grandes actuações bem suadas, tanto no palco como na plateia. Só é pena não ter uns extras tipo entrevistas da época ou qualquer coisa do género, o que lhe daria outro colorido.Eu serei um pouco suspeito ao estar a recomendar vivamente este DVD, porque de todo o cenário Punk, esta é uma das minhas bandas favoritas. Mas não sou só eu que penso desta maneira, porque os Exploited são uma das bandas mais reverenciadas da segunda onda de Punk oriundo das ilhas britânicas e já lá vão quase 3 décadas de muito Punk e não parecem querer parar. É pena as duas actuações juntas perfazerem apenas cerca de 77 minutos de duração, mas também, com esta intensidade, quem é que aguenta muito mais?! No todo, é um DVD altamente recomendável a Punks, Headbangers e pessoal do Hardcore / Crossover mais “old school”. RDS
95%
Cherry Red Films: www.cherryred.co.uk
The Exploited: www.the-exploited.net

V/A – Ataque Frontal 2CD (2006) – Impulso Atlântico

Há já algum tempo que não se editavam este tipo de compilações em Portugal. Este não é uma colecção dos novos lançamentos de uma editora (o chamado sampler das editoras) mas sim uma coisa geral, com várias bandas do Underground nacional, umas mais conhecidas e outras nem tanto. A ideia é mesmo essa, retratar o panorama nacional actual. Aqui o subtítulo é mesmo “Underground Português do século XXI”. Só é pena ser mais direccionado para o Punk e Hardcore e descurou-se o Metal, o Gótico e outro tipo de sonoridades mais alternativas, senão ficávamos aqui com um documento precioso do panorama Underground dos primeiros anos deste novo século. O subtítulo indica uma generalidade que aqui não existe, e este até deveria ser qualquer coisa do género “Punk / Hardcore Português do século XXI”. Mas se calhar era essa a intenção da compilação, abordar esses mesmos géneros musicais (e seus sub-géneros) e não outros. Talvez uma outra compilação (Parte 2) venha complementar esta. Fica a sugestão!Concentrando-nos apenas então no cenário Punk / Hardcore, é assim que vamos analisar estas duas rodelas prateadas. Por aqui encontramos bandas mais conhecidas (e algumas até míticas) como Mata Ratos, Alien Squad, Simbiose, Subcaos, Peste & Sida, Tara Perdida, etc, entre outras mais recentes e menos conhecidas como Barafunda Total, Defying Control, The Hellspiders, etc. Nas sonoridades vamos desde o Punk 77 ao Hardcore, do Skacore ao Metalcore, do Emocore ao Sleazy Rock’N’Roll, do Punk melódico ao Crust, há um pouco de tudo. Ao todo são 50 bandas / temas distribuídas por dois discos com 67’36’’ e 70’56’’ respectivamente, ou seja, mais de 2h18m no geral. Não destaco nenhuma banda / tema, pois isso seria injusto para os outros grupos, e neste tipo de colectânea, isso nem interessa e cada um escolhe as suas favoritas lá em casa. Eu cá tenho as minhas escolhas pessoais, que ficam para mim, mas também dou o devido valor aos restantes.O som tem algumas variações de tema para tema, mas isso já vem das gravações individuais de cada banda, e de qualquer maneira, a masterização está bem feita e esses pormenor foi minimizado na medida do possível. E as diferenças entre banda / tema também faz parte deste género de edição e até lhe dá uma certa piada. A capa é um bocado simples mas cumpre a sua função. Também não é preciso uma obra de arte vanguardista, o que interessa mesmo é a música, mas uma capazita mais trabalhada dava outra apresentação imediata. Mas o maior problema do livrete é mesmo o não haver propriamente um! Isto é, apenas tem a capa e uma contracapa com uma mensagem de Paulo Lemos da Impulso Atlântico (desde já as minhas felicitações pela iniciativa!). Isto ficava muito mais completo e interessante com um livrete com umas informações das bandas, fotos, moradas, discografia, etc. Mas isso ficou no website da compilação abaixo mencionado. Mas claro, isso faria o disco ficar mais caro e no Underground o pessoal não se pode esticar muito nessa área; e até porque o Underground nacional já não é o que era há uns anos atrás! Não há muita gente a apoiar, seja a comprar disco / demos, seja a assistir aos concertos, etc. Mas vou deixar esses desabafos para outro texto que não este!Com uma capa melhor, o tal livrete completo e um leque de sonoridades mais gerais, que ficava aqui uma bela peça de colecção, isso é certo! De qualquer maneira a iniciativa é de aplaudir e eu não me queixo nada, muito pelo contrário, isto está muito bom assim mesmo, e devia haver mais edições do género.Indispensável para o pessoal do Punk / Hardcore no geral (não só em Portugal) e apoiantes do Underground nacional e MMP (Música Moderna Portuguesa, ainda alguém se lembra desta sigla?!).Mais uma vez: INDISPENSÁVEL! RDS
90%
Impulso Atlântico: www.impulsoatlantico.com
Ataque Frontal (Compilação): www.ataquefrontal.punkpt.com