Monday

Empyrium – A Retrospective… (2006) – Prophecy

Após uma demo e 4 álbuns aí está a retrospectiva dos Empyrium ou, como queiram, do projecto a solo do Alemão Ulf Theodor Schwadorf. Será que apenas com 4 discos e 8 anos de história se pode falar numa retrospectiva deste género? No caso dos Empyrium pode e deve. Quando uma banda passa por mutações, como neste caso, uma das duas, ou anda ali perdida de álbum para álbum e não consegue chegar a atingir um público-alvo, ou então aquilo que faz é de tanta relevância que lhe permite atingir diversos tipos de público e até atingir um certo estatuto de culto. Esta última hipótese é mais ou menos o que aconteceu com os Empyrium. Isto apenas para justificar a edição de um disco deste género após tão curta carreira.Desde a estreia “A wintersunset…” (1996) ou o seguinte “Songs of moors & misty fields” (1997), ambos numa linha mais Dark Metal, passando pelos dois seguintes “Where at night the wood grouse plays” (1999) e “Weiland” (2002), mais Dark Folk, a música de Empyrium é cheia de emoções bem negras, frias, distantes e melancólicas, apoiadas por sonoridades tradicionais de orientação nórdica, passagens acústicas, algum Dark Metal (início de carreira) e Doom. Há aqui até algumas sonoridades que bem poderiam ser escritas por um Português, tal é a ligação que se pode fazer às típicas emoções melancólicas, de solidão e “saudade” do nosso país. Ao ouvir a música dos Empyrium parece-nos que estamos perdidos numa qualquer floresta de um país nórdico em comunhão com a Mãe Natureza num qualquer ritual pagão.Além de 10 temas dos 4 álbuns, devidamente remasterizados, também temos aqui dois temas novos (“Der Weiher”, “Am wolkenstieg”) e uma nova versão para “The franconian woods in winter’s silence” (o original é da estreia “A wintersunset…”). O disco vem num formato digibook a dourado com 60 páginas com a biografia completa.A par com esta colectânea vai também ser editada uma caixa especial com todos os discos (demo incluída) do projecto, e ainda re-edições de todos os álbuns em formato digibook limitadas a 500 cópias.Indispensável para os fãs de Empyrium, Dark Folk, música apoiada em ancestrais tradições europeias e qualquer apreciador de boa música que disso se preze. RDS
98%

The Dangerfields – Born To Rock (2005) - Rock 'N' Roll Records

No outro dia ao navegar pela internet à procura de novas bandas, encontrei o website deste trio Irlandês e fiquei curioso acerca da banda. Enviei um e-mail e agora tenho em mãos o CD dos tipos. E ainda bem que lhes escrevi! Que grande petardo de Rock ‘N’ Roll! O que aqui temos é um Rock ‘N’ Roll de influências Punk Rock e algum Crossover dos 80s bem rápido e pesado. As guitarras baseiam-se em riffs mais roqueiros mas aqui e ali pontuam alguns mais Metal e/ou Hardcore, os solos são fabulosos e sempre a abrir, a fazer lembrar até um pouco o Heavy / Thrash da década de 80; a secção rítmica é rápida e sólida e a voz é crua o suficiente para o género mas sem ter aquele travo de rouquidão tipo motard quarentão. Numa primeira audição o que vem à cabeça é mesmo Zeke ou Pufball mas por aqui encontram-se influências de AC/DC (“Rock Club” parece mesmo uma versão dos ditos Australianos, sendo este o único tema midtempo), Motörhead, Misfits ou até mesmo o Crossover dos Suicidal Tendencies dos primórdios. A produção é excelente e o disco ficou com um som pesadíssimo e bem limpo, conseguindo-se ouvir tudo o que se passa nas 15 malhas que compõem o disco. Para "apimentar" a coisa ainda mais, uma capa bem Rock 'N' Roll (vejam aqui ao lado). Segundo parece, o senhor Bruce Dickinson dos Iron Maiden também é fã dos tipos. São apenas 26.35 minutos, mas bem intensos e ao chegar ao fim dos 15 temas apenas queremos é voltar a carregar no botão play e ouvir tudo de novo, com o som da aparelhagem bem alto e com as mãos a fazer os malditos cornos \m/. Rock On! RDS
95%
The Dangerfields: www.thedangerfields.com

Beyond Twilight – Section X (2005) / For The Love Of Art And The Making (2006) – Nightmare Records



Beyond Twilight é uma banda vinda da Escandinávia que inclui músicos de diversas nacionalidades. Os álbuns aqui em destaque são o segundo e o terceiro, respectivamente. Os dois álbuns são ligeiramente diferentes entre si, tendo até vocalistas diferentes (já o 1º álbum “The Devil’s Hall Of Fame” de 2001 tinha outro vocalista, nesse caso o grande Jorn Lande). No “Section X” temos um álbum “normal”, com temas individuais, ultrapassando a maioria os 6 minutos de duração. Temos aqui material muito cinemático e orquestral com coros, passagens muito pomposas e toques progressivos aliados ao Heavy / Power da banda. Imaginem no mesmo caldeirão Danny Elfman, Notre Dame, King Diamond, Balance Of Power, Mundanus Imperium e Ark. Todos os temas são fabulosos e o álbum tem que ser ouvido de início ao fim para se assimilar como um todo, mas mesmo assim destaco temas como “The Path Of Darkness”, “Shadow Self“ ou “The Dark Side”. Este álbum é extremamente aconselhado aos apreciadores de Heavy Metal bem pomposo e orquestral e de Metal Progressivo.O 3º álbum “For The Love Of Art And Making” é diferente, trata-se de uma obra conceptual, ao jeito de ópera rock, estando o CD dividido em 43 faixas, mas tratando-se de apenas um tema do início ao fim, estando todas as faixas interligadas, num total de cerca de 38 minutos. Aqui a música continua bem teatral e pomposa, tem boas ideias aqui e ali, mas no geral é um pouco cansativo, pois não há uma linha condutora, há imensas mudanças de sonoridade, ritmo e melodia, que não encaixam bem, parecendo o disco uma manta de retalhos. Se se limitassem a pegar nas boas ideias que aqui estão e construíssem canções, até teríamos um bom álbum com boas malhas. Não que o álbum esteja mau, mas o resultado final se calhar ficou um bocado aquém das expectativas que uma ideia destas poderia fazer supor. Apenas para quem gosta deste tipo de desafios sonoros e não se fica pelo habitual formato de canção. RDS
85% / 70%
Nightmare Records: www.nightmare-records.com
Beyond Twilight: www.beyondtwilight.com
Silent Planet Promotions: www.silentplanetpromotions.com

Re-edições da Link Records (2006) - Anagram / Cherry Red

A Anagram Records (sub-divisão da Cherry Red Records) tem vindo a re-editar vários discos de Psychobilly já fora de circulação na sua série “Psychobilly Collectors Series”. Grande parte dessas re-edições são lançamentos da extinta Link Records que já estavam perdidos no tempo, muitos deles até que nunca viram a luz do dia em CD. Os fãs de Psychobilly têm aqui a sua oportunidade de adquirir essas pérolas em CD e com faixas bónus. Nesta crítica vou retratar 6 desses discos, seguindo a ordem de edição. A primeira banda é Radiacs com o seu único álbum de estúdio “Hellraiser” (75%) originalmente editado em 1989 (além de outro ao vivo). Nada de extraordinário, mais virado para o Rockabilly, com temas mais midtempo e apenas um par deles mais uptempo. Além do álbum temos como bónus a faixa “Heart Attack”, originalmente incluída na colectânea da Link “Katz Keep Rockin”, e que por acaso é o tema mais uptempo e mais fixe deste CD.Seguem-se os Sugar Puff Demons com o seu primeiro e único álbum “Falling From Grace” (90%) de 1989. Aqui já falamos de temas mais uptempo, mais rápidos e enérgicos e o próprio imaginário lírico e visual já é mais “maléfico” e virado para o Horror Rock, denominando eles próprios a sua música de Deathabilly e proferindo comentários como “Nós somos para o Psychobilly o que os Slayer são para o Thrash Metal”. Este já é mais do meu agrado! A única falha é não haver temas bónus, apenas o álbum original. De qualquer modo um grande álbum para os amantes de Psychobilly ou Horror Punk.Os Stage Frite têm em “Island Of Lost Souls” (80%) a sua estreia e único álbum, lançado em 1989. Mais um registo de Psychobilly uptempo / midtempo com o imaginário típico do estilo, nada de extraordinário mas bem feito. Gosto mais deste que do disco dos Radiacs. Aqui além dos 12 temas originais encontramos 6 temas bónus, sendo 2 temas de compilações e 4 demos.Sem para, mais uma banda, mais um disco. São os Rantanplan (sim, o nome vem desse mesmo cão!), a única banda aqui incluída não Britânica, mas sim Germânica. Os Rantanplan apresentam o seu único disco “Two Worlds At Once” (77%) datado de 1990. O estilo vai na linha dos Radiacs, ou seja, mais virado para o clássico Rockabilly que propriamente o desenfreado e maléfico Psychobilly, mas o estilo diferencia um bocado, visto serem de diferentes origens, sendo aqui um pouco “sing-a-long”. Um tema bónus “Bikini Girls With Machine Guns” (versão dos The Cramps) é adicionado ao alinhamento original.Voltamos ao Reino Unido para falar dos extintos (tal como as outras bandas nesta crítica) The Tailgators e a sua estreia homónima de 1990 (para não variar nesta crítica, é o único álbum da banda). Os Tailgators que andavam de Lambrettas e Vespas e que gravaram este disco em 5 dias, gastando mais dinheiro em álcool do que o que se gastou propriamente na gravação do disco. “The Tailgators” (77%) apresenta-nos 14 temas de Psychobilly midtempo com certos toques psicadélicos e com líricas sobre monstros, assassinos em série e até como ensinar o cão a “rockar”! Tudo isto como muita diversão e álcool à mistura. Dois dos temas são versões muito peculiares de “Should I Stay Or Should I Go” (é preciso dizer de quem é?!) e de “Tainted Love” (sim, esse mesmo tema, aqui mais uma versão, mas a melhor que já ouvi até hoje!). Além dos temas do disco temos como bónus um tema de estúdio e 5 ao vivo.Para fechar a crítica; este CD não se trata de uma re-edição mas sim de uma compilação com algumas faixas destas bandas. É uma espécie de sampler para apresentar estas re-edições e trata-se de “Long Lost Psychobilly Vol.1” (80%). São 18 temas para 9 bandas (Batfinks, Radiacs, Sugar Puff Demons, Stage Frite, The Termites, Tailgators, Rantanplan, Scared Stiff, Frantic Flintstones). Se quiserem ouvir o material da “Psychobilly Collectors Series” antes de comprar qualquer disco, então comprem esta colectânea para abrir o apetite.Todos os álbuns contêm notas editoriais muito interessantes escritas por Alan Wilson (The Sharks, Deathrow Fanzine) ou por Simon Nott (Big Cheese Magazine). No geral estas re-edições são muito boas, com bom som, boa apresentação, com faixas bónus interessantes e uma mais valia para os amantes de Psychobilly, que têm aqui a oportunidade de adquirir pedaços importantes da história do género musical da sua preferência. RDS
85%

Anagram / Cherry Red: www.cherryred.co.uk

Akira Kajiyama + Joe Lynn Turner - Entrevista


1 - How did you come up with this idea of an album between you and Akira Kajiyama? You already knew him before from several projects, including the Japanese Rainbow tribute album, some of your solo records and even the Japanese tour of HTP but, how did you came up with this new idea?
Basically, we came up with the idea because of the connections you stated in your question. In addition to that, the record company thought it would be a good idea.

2 - In the press-release it is mentioned that you recorded the vocals and he recorded all the instruments. Does he really play all the instruments: guitar, bass, drums and keyboards? Didn't you have any guest musicians in the recording process?
Absolutely no guests per se but Toshio Egawa played keyboards and is credited on the liner notes to the CD. That is one aspect that makes this CD so brilliant is that Akira not only produced it but played so many instruments. He is truly a major talent.

3 - This new record "Fire Without Flame" has lots of different songs, it has some fast songs, mid-tempos, AOR ballads, bluesy rockers, etc. It just came out like this or did you really wanted to write such an heterogeneous record?
We did not set out to make it this way. The songs reflect styles that are influences that we both have. It's better to showcase a bit of diversity that to be one dimensional.

4 - You also have a new label for this record, AOR Heaven. How did you got in touch with them and why did you chose them to release this album?
Akira and Yamaha sought out AOR Heaven. They knew I was on Frontiers as a solo artist in Europe and I know they did not want a conflict of interest and I respect that. We are very pleased that AOR Heaven has released this record in Europe... I am especially happy to see Akira get some deserving attention from the European fans and media. He deserves it.

5 - Where did you recorded the album and who produced it?
We both produced our parts separately but exchanged files back and forth. Technology enables us to do this that it is like being in the same studio. Gary Tole and I produced the vocal tracks. Akira did all the rest.

6 - What kind of subjects did you used for the lyrics in this record?
Reincarnation, romance, lack of romance, broken hearts, personal transformation, rock and roll wildness, ripping it up, interpersonal and even some political subject matter (i.e. "Slow Burn").

7 - Do you plan to play this songs live of with Akira or is it just a studio project?
Certainly, it would be great to expose the European and other continents to the talent that Akira has and the synergy we have together onstage. However, there are no definite tour plans in the works as of the date of this interview. If the right situation were to come about where it would make good business sense for us to do some shows outside of Japan, we would probably entertain the idea. When we set out to do this record we did not set out with it in mind as being ONLY a studio project, if that is what you mean.

8 - In the past year I've been asking to a lot of musicians and bands what do they think about the internet piracy, the albums being available months before the release date, etc. I'm curious with your response to this because your career is over 3 decades now and you saw a little bit of everything in the music industry, it is always changing so, what do you think about all this internet file sharing, downloading, mp3?
It was bound to happen with technology. There really is no stopping it without severe invasion of freedoms. Regulating can only do so much. Boots and pirating will exist no matter what changes are brought about in technology. Hey... there was just as much of this going on back when we had analog and tapes.

9 - What are your plans for the future? Solo records, collaborations like this one, playing live, DVD?
This summer, I am heading to Japan for a very special show with the New Japan Philharmonic. I have a few USA shows planned, one is a major radio festival in Tucson, Arizona with Alice Cooper and others.I just finished filming a major TV commercial here in the USA. I contributed a song to Howard Lease's (Heart) new record in the works.And, yes, I do hope to start writing and recording another solo CD fairly soon.

10 - Do you want to leave a final message to your fans?
I want to say thank you to them all from the depths of my heart and soul. It is their loyalty that keeps me going. I love them all and thanks for their support.


Entrevistador: RDS
Entrevistado: Joe Lynn Turner – Vocals
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AOR Heaven: www.aorheaven.com

Akira Kajiyama + Joe Lynn Turner – Fire Without Flame (2006) – AOR Heaven

Quanto a Joe Lynn Turner penso que não é preciso referir muito. Se estão a ler esta crítica é porque o nome vos chamou a atenção. Basta apenas dizer que foi vocalista de nomes como Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen ou Hughes Turner Project (HTP), além de já ter lançado vários álbuns a nome próprio. Akira Kajiyama é um guitarrista Japonês que fez parte de uma banda chamada Precious na segunda metade da década de 80. Em 1998, juntamente com Yukio Morikawa (ex-vocalista de Anthem) gravou um álbum de tributo a Rainbow intitulado “Niji Densetsu (Legend Of Rainbow)”, onde Joe Lynn Turner foi convidado especial. A partir daí as colaborações entre ambos começaram a surgir. Esta é mais uma, um álbum no qual JLT gravou nas vozes e Kajiyama gravou todos os instrumentos.No total são 11 temas de Hard Rock por vezes com um toque de Blues, outras vezes mais AOR, outras vezes um pouco mais pesado, há um pouco de tudo. “One Day Away” é muito linha AOR; “Fire Without Flame” tem um riff de entrada muito AC/DC (faz lembrar “Highway To Hell”); “Carnival Of Souls” é mais rápido e faz lembrar Rainbow, tanto na voz como na parte instrumental, há também as habituais baladas como “Heart Against Heart” ou “Bad Feeling” (toque Blues), “End Of the Line”, “Looking For Trouble” e “Down And Dirty” voltam aos temas rápidos, grandes temas de Hard Rock a abrir. A fechar está “Slow Burn” a lembrar muito “Burn” dos Deep Purple”.Aconselhado aos fãs de Hard Rock linha 80s, Rainbow, Deep Purple e Joe Lynn Turner a solo. RDS
85%
AOR Heaven: www.aorheaven.com
GerMusica: www.germusica.com

Agent Cooper – Beginner's Mind (2005) – Zero Sum / Progrock Records

Para quem pensa que o Rock Progressivo é uma seca e a maioria das bandas não tem a “força” de uma banda de Rock no verdadeiro sentido da palavra, esta é uma boa opção. Os Agent Cooper são, acima de tudo, uma banda de Rock / Hard Rock aos quais aliam as tendências progressivas. A banda gravou a sua estreia homónima em 1999 mas só agora é que editam o novo trabalho. Há aqui de tudo um pouco, desde Progressivo a sinfónico, Rock, Hard Rock de tendências 80 e AOR e até algumas passagens mais Funky, Bluesy ou jazzísticas a adornar. Excelentes ideias bem executadas, riffs de guitarra fortes mas sem chegar a ser Heavy Metal (o que pode assustar muita gente do Progressivo), secção rítmica competente, teclados bem encaixados, alguns apontamentos electrónicos e excelente voz. Não é um álbum que vai revolucionar o mundo das sonoridades Progressivas ou Hard Rock, mas é um álbum muito acima da média do que se faz hoje em dia no género. Se gostam de bandas com música mais “complicada” e trabalhada mas que tem verdadeiras guitarras e atitude Rock, tais como Tool, Porcupine Tree, Ark, etc, então experimentem os Agent Cooper. RDS
85%
Progrock Records: www.progrockrecords.com
Agent Cooper: www.agentcooper.com

Sunday

Alex Ogg – No More Heroes: A Complete History Of UK Punk From 1976 To 1980 (2006) – Cherry Red

Mais um livro que me chega às mãos pela Cherry Red Books. Quando vi o título deste, fiquei logo em pulgas para o começar a desfolhar. Nas 736 páginas que compõem o livro encontramos nomes sonantes como Sex Pistols (pois claro, iam faltar?), Adam And The Ants, Angelic Upstarts, Buzzcocks, Clash (com umas boas páginas para ler só por conta destes senhores!), Cock Sparrer, Damned, Generation X, Rezillos, Sham 69, Siouxsie And The Banshees, Stiff Little Fingers, UK Subs, Vibrators, Wire, X-Ray Spex, etc, lado a lado com bandas não tão conhecidas como Disturbed, Chaos, Glaxo Babies, Raped, Subway Sect, etc, e até mesmo várias bandas que nem sequer chegaram a gravar em estúdio. Temos um índice para nos guiarmos (que podia estar mais detalhado em termos de bandas e não só por letras). Uma introdução pelo autor e duas por músicos, David Marx dos The Aggravators e Captain Sensible dos The Damned. No fim do livro temos ainda alguns títulos do catálogo da Anagram / Cherry Red como re-edições e colectâneas póstumas das bandas aqui retratadas, caso se queira comprar a “banda-sonora” para acompanhar a leitura do livro, além de outros títulos interessantes da Cherry Red Books. Um pouco de publicidade no fim do livro não lhes faz mal, he, he!Há coisas boas a apontar e coisas más. Comecemos pelas boas: isto é um completíssimo compêndio do Punk Britânico de 1976 a 1980; as biografias estão bem redigidas, completas e incluem algumas histórias engraçadas e outras mais sérias contadas pelos próprios protagonistas. As discografias das bandas são detalhadas e incluem não só os discos oficiais mas também colectâneas póstumas e em alguns casos discos piratas.As más são poucas: não há fotografias de todas as bandas e as que há são a branco e preto (a cores era um bocadito mais caro o livro, também podemos compreender isso!), mas algumas até nunca foram editadas antes e ganha-se nesse sentido; e ainda podia ter flyers, cartazes de concertos da altura, etc. para tornar isto bem mais completo e interessante.Um aspecto negativo a salientar é que este livro é mais uma espécie de dicionário ou enciclopédia exaustiva e um pouco chata de ler do que propriamente um livro sobre música, que devia ser mais divertido de ler, e em especial este tipo de música. Mas é essa mesma a intenção do livro, ser um compêndio exaustivo do Punk Britânico da segunda metade da década de 70. Mas de qualquer maneira há aqui muita coisa interessante para ler, coisas que não sabíamos das bandas, passamos a conhecer outras bandas mais Underground, rimos com algumas anedotas e situações caricatas da altura e no fim do livro ficamos com um doutoramento em “Punkologia Britânica I”. RDS
90%
Cherry Red Books: www.cherryred.co.uk

Strike Anywhere – Dead FM (2006) – Fat Wreck Chords

Aí está finalmente o terceiro álbum para este Norteamericanos Strike Anywhere, após 3 anos à espera do sucessor de “Exit English” de 2003. Eu não gostava muito deste tipo de material até ouvir um 7” destes tipos que até me agradou. Tem melodia qb mas é rápido e potente, com uns riffs bem Hardcore e a voz não é assim tão melosa como a de outras bandas do género, tem aquele som arranhado que lhe dá um nível mais Punk old-school. Depois disso não é que tenha perdido o rasto à banda, até soube das edições dos 2 álbuns anteriores mas nunca lhes dei a devida atenção. Este novo trabalho chegou-me às mãos via Fat Wreck Chords e gostei muito do material que aqui está. Continua naquela linha de Hardcore melódico com certas influências Punk Rock e a tal voz arranhada. É mais do mesmo mas é mais do bom, por isso não nos podemos queixar! Muito pelo contrário! As letras continuam muito políticas e socialmente conscientes, mantendo esta banda um pouco à margem do actual panorama Punk Rock / Hardcore melódico que se apoia mais no estilo e no ser mais cool que o vizinho. Aqui o espírito Punk Rock e do Hardcore de início dos 80s está bem vivo e de boa saúde! Entre os 14 temas que compõem estes 31min10seg podemos salientar o meu favorito “Speak to our empty pockets”, além de “How to pray”, “Two thousand voices”, “Hollywood cemetery”, “Dead hours” ou “Iron trees”.Quem já conhece a banda tem aqui mais um bom album com o som de sempre mas aprimorado. Para quem não conhece, se gostam de Hardcore melódico com muita atitude old-school, experimentem que não vão ficar desiludidos. RDS
90%
Fat Wreck Chords: www.fatwreck.com / www.fatwreck.de
Strike Anywhere: www.strikeanywhere.org

The Exploited – Live In Japan & Argentina (2006) – Cherry Red

A Cherry Red acaba de editar mais um DVD dos The Exploited, após ter editado “Rock & Roll Outlaws plus Sexual Favours” e “Live At Palm Cove & 83-87”. Este aqui inclui duas filmagens ao vivo, uma no Japão em Junho de 1991 no Club Citta em Kawasaki, e outra na Argentina em Março de 1993 em Buenos Aires. Este DVD irá certamente fazer a delícia não só de Punks mas também de fans de Hardcore e Metal, em especial os apreciadores do crossover punk/metal/hardcore da primeira metade da década de 90. A imagem, longe de ser perfeita, é superior à de muitas das recuperações de bootlegs ou gravações de video perdidas no tempo. O som esse é potente quanto baste para nos fazer pensar que estamos lá a assistir “in loco” às actuações. O concerto do Japão é sensivelmente melhor, tanto na imagem, como no som, como na própria actuação, mas o da Argentina não lhe fica muito atrás. Muita energia, muito poder, grandes actuações bem suadas, tanto no palco como na plateia. Só é pena não ter uns extras tipo entrevistas da época ou qualquer coisa do género, o que lhe daria outro colorido.Eu serei um pouco suspeito ao estar a recomendar vivamente este DVD, porque de todo o cenário Punk, esta é uma das minhas bandas favoritas. Mas não sou só eu que penso desta maneira, porque os Exploited são uma das bandas mais reverenciadas da segunda onda de Punk oriundo das ilhas britânicas e já lá vão quase 3 décadas de muito Punk e não parecem querer parar. É pena as duas actuações juntas perfazerem apenas cerca de 77 minutos de duração, mas também, com esta intensidade, quem é que aguenta muito mais?! No todo, é um DVD altamente recomendável a Punks, Headbangers e pessoal do Hardcore / Crossover mais “old school”. RDS
95%
Cherry Red Films: www.cherryred.co.uk
The Exploited: www.the-exploited.net

Aeternus – Hexaeon (2006) – Dark Essence / Karisma Records

No activo desde 1993, estes Noruegueses Aeternus já lançaram 4 álbuns através da Hammerheart Records e outro através da Nocturnal Art Productions. Este é o 6º trabalho e o primeiro através da Dark Essence Records. O som continua no mesmo estilo de sempre, mas com uma pequena diferença: muito melhor! Dark Metal bem intenso, pesado e com uma certa orientação épica. “Hexaeon” é o álbum mais variado de sempre da banda, com ritmos variando dos mais rápidos aos mais lentos, com passagens com mais groove e outras com certa inclinação Viking Metal, sempre com um peso indiscutível mas com algumas passagens mais ambientais e épicas para variar um pouco e não cansar muito o ouvinte de tanto peso. O que se ouve nestes 9 temas (em cerca de 34 minutos) não é nada de novo ou original, mas o que é que isso interessa quando um Dark Metal desta qualidade e intensidade nos agarra desde o início do álbum até ao fim? RDS
90%

[F.E.V.E.R.] - Entrevista

1 – Ultimamente têm havido algumas mudanças na formação nos [F.e.v.e.r.]. O que é que tem acontecido desde o último trabalho até hoje nesse sentido?
O nosso ex-baterista - Sérgio Pencarinha - decidiu, por motivos pessoais e profissionais, não assumir mais compromissos com a música e abandonou o projecto. Durante esse processo aproveitámos para compôr o álbum “4st_Fourst” e encontrámos um substituto para o mesmo lugar, Pedro Cardoso (ex-Carbon H e ex-Gazua).
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2 – Antes de passar ao novo EP, fala-me um pouco da edição anterior, o disco de remisturas “Electronics”. Como é que surgiu essa ideia e como é que escolheram as pessoas que colaboraram nesse registo?
Tinhamos acabado de perder o baterista e achámos que as máquinas poderiam voltar a ter o protagonismo que tiveram no início da nossa formação. Dado que tínhamos contacto pessoal priviligiado com essas pessoas e sempre ponderámos a hipótese de um disco de remisturas, acabámos por aproveitar essa pausa forçada para o lançar. São sobretudo convidados que estão, de alguma maneira, relacionados connosco e por quem sentimos apreço. Entretanto, a altura de começar a devolver esses favores chegou e já estamos a trabalhar em deconstruções para algumas dessas pessoas.
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3 – Este novo trabalho é apenas um EP de transição entre o último trabalho e o próximo. Já é habitual na banda este tipo de edições. O que temos aqui é apenas um tema e depois várias versões (ou remisturas) do mesmo e um vídeo. Porque uma edição deste género e não qualquer coisa com mais material novo?
Não se trata de um EP mas sim de um single. Foi uma canção que gravámos ainda antes da chegada do novo baterista e que cedo se decidiu que seria a primeira amostra do álbum que aí vem, “4st_Fourst”. Como lançar um single de antecipação com duas ou três faixas nos parece uma coisa pouco generosa, quisemos desdobrar a música e dar-lhe várias faces, de diversas formas. O suporte multimédia tem, em si mesmo, imenso potencial e sempre achámos boa ideia tirar proveito disso. Acrescentámos um vídeo, samples avulsos, maravilhosos toques de telemóvel em MIDI e anotações para a interpretação da música por dois violinos e um violoncelo.
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4 – Como é que surgem os Corvos e o Martin Rev nesta gravação?
Para falar verdade, o que nós queríamos mesmo era uma colaboração com o Eurico A. Cebolo que, infelizmente, não chegou a ser levada adiante. Tivémos de nos contentar com 50% dos Suicide e com uns tipos que tocam uns instrumentos esquisitos. Para falar realmente verdade, da última vez que o Martin veio a Portugal, claro que o fomos ver. Falámos com ele, apresentámos-lhe o nosso trabalho e perguntámos se estaria interessado em remisturar uma música nossa. Aceitou. Com os Corvos o processo foi similar. E também aceitaram.
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5 – O tema que aqui apresentam (“Bipolar [-]”) irá figurar no próximo CD (embora numa versão diferente), e é um tema mais melódico e com um refrão muito “catchy”, quase Pop. É esta uma previsão daquilo que é o estilo dos [F.e.v.e.r.] hoje em dia e do que se irá ouvir no disco de estreia?
A versão (“Bipolar [+]”), que vai figurar no álbum, deve-se ao facto de contar já com a participação do actual baterista, sendo mais orgânica, por oposição à versão anterior gravada com bateria programada. Previsão do que será o disco de estreia? Sem dúvida. Quanto ao futuro, logo se verá...
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6 – Como já referi, no CD também temos a hipótese de visualizar o videclip do tema título. Quem é que foi o responsável pelo vídeo, qual é o conceito do mesmo e o que pensas do resultado final?
Foram o António Campelo e o Mário Jorge que aceitaram produzir-nos um vídeo, enquanto realizador e animador, respectivamente. Chamaram alguns dos seus alunos para estagiar no estúdio de animação onde trabalham e apresentaram-nos uma mini-obra-prima a preto e branco que ganhou os prémios de Melhor Filme de Animação e Melhor Produção Nacional do Festival Black & White 2006. O vídeo retrata a condição bipolar em que cada um de nós, forçadamente, se encontra. O facto de termos de ser pessoas diferentes perante circunstâncias diferentes.
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7 – Também temos aqui uma faixa com samples do tema-título. Qual a ideia por detrás desta faixa?
Quisemos não esgotar a ideia da desmultiplicação da música apenas no single em si. A inclusão de samples apela a que outros possam também experimentar e remisturar a música à sua maneira.
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8 – Desde que se formaram que têm lançado EP’s, um disco de remisturas, fizeram colaborações em discos de tributo, etc. Para quando o disco de longa duração?
Tudo aconteceu de forma espontânea. Apenas fomos trabalhando de forma ponderada com os meios e possibilidades que tínhamos, tentando aprender com isso. De qualquer maneira, nunca esteve nos nossos planos a urgência de um longa-duração imediato. Sempre achámos que quando chegasse a altura o faríamos. Quando nos achámos preparados para fazer o disco que queríamos, fizémo-lo. Existiram diversos factores para isso ter acontecido, a evolução da banda e os vários contratempos com que nos deparámos. O álbum sairá em Abril pela RagingPlanet e chama-se, como já referimos, “4st_Fourst”.
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9 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades? Como é que têm corrido esses concertos?
Não tocamos ao vivo desde 2004, também devido à saída do primeiro baterista. Entretanto, começámos a compôr o “4st_Fourst”, estivemos em gravação para o mesmo e para o CD Single “Bipolar [-]”, gravámos dois temas para tributos (Mão Morta – RagingPlanet Records e The Cure – Equinoxe Records), masterizámos o nosso disco de remisturas... Enfim, estivemos mais envolvidos na produção da banda em estúdio. Neste momento já estamos em ensaios e contamos apresentar o nosso novo trabalho, ao vivo, no fim de Abril.
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10 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
Precisamente na sequência da pergunta anterior: concertos, concertos, concertos!
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11 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk / Hardcore, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
A era digital abriu bastante as possibilidades para as bandas poderem trabalhar pelos seus próprios meios e de forma completamente independente. O poder das editoras está em causa e é bom saber que o processo criativo está hoje mais nas mãos de quem cria do que antes. A cena está imparável! Há coisas novas a surgir a uma velocidade e quantidade nunca antes vistas e precisamente por isso é que têm aparecido coisas muito boas recentemente. Uma das que mais nos entusiasma é a Thisco – era totalmente impensável há quinze anos atrás termos uma associação de músicos funcional e de qualidade dedicada à electrónica experimental a proporcionar-nos bons discos quase mês após mês. A acompanhar de muito perto toda esta evolução, temos também gente como o Daniel Makosch a fazer surgir selos como a Raging Planet, onde os músicos são respeitados e apoiados. Quanto a discos fétiche recentes, escolhemos, da Raging Planet, o “Hellstone” dos Men Eater e da Thisco, a “Rima” do Samuel Jerónimo.
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12– Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Também vocês são um exemplo de como a cena está diferente. É bom saber que também andam por aqui a tentar fazer disto uma coisa cada vez melhor. Agradecemos a entrevista e o interesse – a gente vê-se por aí! Entretanto, não se esqueçam de ir espreitando o www.myspace.com/feveronline! \m/
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Entrevistador: RDS
Entrevistados: Fernando Matias (vocals); João Queirós (guitar / keyboards); Luís Lamelas (guitar).
Raging Planet Records: http://www.ragingplanet.web.pt/

João Manuel Aristides Duarte – Memórias Do Rock Português (2ª ed.) (2006) – Edição De Autor

O Aristides Duarte é natural da aldeia de Soito (concelho do Sabugal) e desde cedo se interessou pelo Rock feito em Portugal. Hoje em dia é responsável por um blogspot muito interessante que funciona como um “museu” do Rock Português, e que foi através do qual conheci o trabalho deste senhor (o link está em baixo, vale a pena visitar!). Em tempos foi colaborador do semanário Nova Guarda, onde escrevia algumas crónicas sobre o Rock Português (e não só) e este livro reúne essas mesmas crónicas junto com mais algum material de interesse.Analisando o livro através do seu índice temos o prefácio que foi escrito por António Manuel Ribeiro dos UHF, seguido dos agradecimentos do autor e nota à segunda edição. Depois temos uma breve história do Rock em Portugal desde os tempos do “yé yé”, passando pela década de 70, o “boom” do Rock Português nos 80, os anos 90 e o século XXI. São textos muito resumidos mas com o essencial e que podem dar uma perspectiva geral a quem não está por dentro do assunto. Depois passamos às biografias propriamente ditas, as quais estão ordenadas por ordem alfabética, estão resumidas mas com o essencial e mais importante para cada banda. Segue-se uma curiosidade, uma crónica sobre a revista “Rock Em Portugal”, a única revista no nosso país a dedicar-se ao fenómeno em questão, antes do “boom” dos 80 acontecer e uma reportagem de um concerto dos Hosanna no Sabugal retirado da mesma. Uma reportagem sobre um concerto de Sérgio Godinho com os Clã (na altura do “Afinidades”) na Guarda escrito pelo próprio Aristides Duarte na altura. Ambas as reportagens ficam um pouco deslocadas em relação ao resto, não se percebendo bem qual o critério de escolha para estas e não outras. Mas de qualquer maneira ficam como curiosidade. A seguir vêm 3 páginas muito mal gastas e que eu aconselho a passar à frente. Uma entrevista com os Clockwork Boys e o JC Serra (dos extintos Aqui D’El Rock). À partida poderá parecer interessante o facto da entrevista ser feita também ao JC Serra, mas aqui não vão encontrar nada de interessante, as respostas são dos mais absurdo e até “brejeiro” que se possa imaginar. Adiante. Segue-se uma lista dos melhores dos anos de 1999 a 2003. Por um lado, estas listas são subjectivas, por outro, porquê os melhores destes anos e não dos antecedentes? Seria mais completo ter, tendo em conta o conteúdo geral deste livro, os melhores das diversas décadas. Mas de qualquer maneira fica um pequeno guia para aqueles que andam um pouco à deriva na música moderna Portuguesa dos últimos anos. Segue mais uma curiosidade, a letra de “Rockolagem” de João Moutinho, uma letra que se refere a diversas bandas ou temas dos anos 80. Engraçado mas uma mera curiosidade, não mais. O livro continua com algumas fotos de concertos, capas de discos e memorabilia. Até há aqui fotos interessantes mas isto está algo aleatório, sem ordem certa e/ou escolha prévia, parece que era o que havia e meteu-se no livro para encher. Seguem as novidades nesta 2ª edição (revista e aumentada), novas biografias que não figuravam na edição original e que completam um pouco mais o livro. Mais fotos de concertos, memorabilia e capas de discos. O mesmo reparo que fiz em cima. Um posfácio. Remata-se o livro com a discografia básica do Rock Português. Mais uma vez, este tipo de listas são subjectivas e outra pessoa faria uma diferente. Mas esta já é geral e como disse antes, serve como uma referência para quem anda a tentar começar nisto da música moderna Portuguesa, melhor até que as listas anteriores. Além destas novas adições, o resto do livro foi revisto e corrigido. Bibliografia e índice fecham.Há já bastante tempo que uma edição deste género se justificava. É claro que há pontos negativos e outros positivos, mas o resultado final pende a balança para o lado do positivo. Pontos positivos são: vir colmatar uma falha existente no cenário musical nacional, um Livro sobre o Rock feito em Portugal desde os primórdios; a breve história musical que já referi; biografias resumidas mas essenciais; usa-se linguagem simples que qualquer pessoa pode entender sem dificuldade; variedade de estilos musicais (“yé yé”, Rock, Hard Rock, Heavy Metal, Punk, Progressivo, etc). Pontos negativos: alguma desordem e aleatoriedade nas imagens anexas (fora das próprias biografias, i.e.); a constante referência aos concertos e diversos acontecimentos que tiveram lugar no Soito / Sabugal / Guarda, isto quer-se mais geral; falta de imensas bandas que são importantes (também não cabem cá todas!).Vale a pena comprar? Sem dúvida alguma! Por alguma razão a 1º edição esgotou tão rapidamente (bom, também é uma edição de autor, com baixa tiragem, mas mesmo assim!). Apesar de algumas falhas e aspectos negativos, este livro é essencial na biblioteca de qualquer amante do Rock (Português e em geral), musicólogos, fãs, músicos, etc. O livro ideal para oferecer ao irmão mais velho, ao primo que teve um programa de rádio em tempos idos, ao pai que viveu os tempos dos “yé yé” ou da década de 70, ao filho que já está grande e começa a demonstrar algum interesse pela música, etc. Eu já tenho o meu exemplar (da 1ª e da 2ª edição) e já sei a quem vou oferecer um exemplar nestas férias de Natal / fim de ano.O meu obrigado ao senhor Aristides pela iniciativa, pela teimosia na manutenção do blogspot, e pela oferta desta 2ª edição.Indispensável! RDS
80%
Blogspot Rock Português: http://rockemportugal.blogspot.com
E-mail (Para comprar o livro): akapunkrural@gmail.com

V/A – Ataque Frontal 2CD (2006) – Impulso Atlântico

Há já algum tempo que não se editavam este tipo de compilações em Portugal. Este não é uma colecção dos novos lançamentos de uma editora (o chamado sampler das editoras) mas sim uma coisa geral, com várias bandas do Underground nacional, umas mais conhecidas e outras nem tanto. A ideia é mesmo essa, retratar o panorama nacional actual. Aqui o subtítulo é mesmo “Underground Português do século XXI”. Só é pena ser mais direccionado para o Punk e Hardcore e descurou-se o Metal, o Gótico e outro tipo de sonoridades mais alternativas, senão ficávamos aqui com um documento precioso do panorama Underground dos primeiros anos deste novo século. O subtítulo indica uma generalidade que aqui não existe, e este até deveria ser qualquer coisa do género “Punk / Hardcore Português do século XXI”. Mas se calhar era essa a intenção da compilação, abordar esses mesmos géneros musicais (e seus sub-géneros) e não outros. Talvez uma outra compilação (Parte 2) venha complementar esta. Fica a sugestão!Concentrando-nos apenas então no cenário Punk / Hardcore, é assim que vamos analisar estas duas rodelas prateadas. Por aqui encontramos bandas mais conhecidas (e algumas até míticas) como Mata Ratos, Alien Squad, Simbiose, Subcaos, Peste & Sida, Tara Perdida, etc, entre outras mais recentes e menos conhecidas como Barafunda Total, Defying Control, The Hellspiders, etc. Nas sonoridades vamos desde o Punk 77 ao Hardcore, do Skacore ao Metalcore, do Emocore ao Sleazy Rock’N’Roll, do Punk melódico ao Crust, há um pouco de tudo. Ao todo são 50 bandas / temas distribuídas por dois discos com 67’36’’ e 70’56’’ respectivamente, ou seja, mais de 2h18m no geral. Não destaco nenhuma banda / tema, pois isso seria injusto para os outros grupos, e neste tipo de colectânea, isso nem interessa e cada um escolhe as suas favoritas lá em casa. Eu cá tenho as minhas escolhas pessoais, que ficam para mim, mas também dou o devido valor aos restantes.O som tem algumas variações de tema para tema, mas isso já vem das gravações individuais de cada banda, e de qualquer maneira, a masterização está bem feita e esses pormenor foi minimizado na medida do possível. E as diferenças entre banda / tema também faz parte deste género de edição e até lhe dá uma certa piada. A capa é um bocado simples mas cumpre a sua função. Também não é preciso uma obra de arte vanguardista, o que interessa mesmo é a música, mas uma capazita mais trabalhada dava outra apresentação imediata. Mas o maior problema do livrete é mesmo o não haver propriamente um! Isto é, apenas tem a capa e uma contracapa com uma mensagem de Paulo Lemos da Impulso Atlântico (desde já as minhas felicitações pela iniciativa!). Isto ficava muito mais completo e interessante com um livrete com umas informações das bandas, fotos, moradas, discografia, etc. Mas isso ficou no website da compilação abaixo mencionado. Mas claro, isso faria o disco ficar mais caro e no Underground o pessoal não se pode esticar muito nessa área; e até porque o Underground nacional já não é o que era há uns anos atrás! Não há muita gente a apoiar, seja a comprar disco / demos, seja a assistir aos concertos, etc. Mas vou deixar esses desabafos para outro texto que não este!Com uma capa melhor, o tal livrete completo e um leque de sonoridades mais gerais, que ficava aqui uma bela peça de colecção, isso é certo! De qualquer maneira a iniciativa é de aplaudir e eu não me queixo nada, muito pelo contrário, isto está muito bom assim mesmo, e devia haver mais edições do género.Indispensável para o pessoal do Punk / Hardcore no geral (não só em Portugal) e apoiantes do Underground nacional e MMP (Música Moderna Portuguesa, ainda alguém se lembra desta sigla?!).Mais uma vez: INDISPENSÁVEL! RDS
90%
Impulso Atlântico: www.impulsoatlantico.com
Ataque Frontal (Compilação): www.ataquefrontal.punkpt.com

The Chelsea Smiles – Thirty Six Hours Later (2006) – People Like You

Os The Chelsea Smiles são relativamente novos, e esta é a sua estreia em disco mas, o vocalista / guitarrista Todd Youth já tem alguma rodagem nisto do Rock ’N’ Roll. Fez a sua estreia com a tenra idade de 15 anos quando foi tocar guitarra nos Murphy’s Law, numa digressão de abertura para o Beastie Boys em estádios e grandes locais de espectáculos. Segue-se a sua mudança para os D-Generation com os quais faz uma digressão a abrir para os Green Day. Entretanto forma estes The Chelsea Smiles com o intuito de tocar Rock ‘N’ Roll bem enérgico. No estúdio tentaram gravar os temas da maneira mais simples e directa, para manter a energia e espírito bem vincados, sem muitas mexidas no pro-tools como é habitual hoje em dia. Daí vem o título do álbum, “36 horas depois”, pois o álbum foi gravado e misturado em apenas 36 horas!Os 12 temas que compõem este CD misturam o Punk Rock da velha escola de nomes como The Stooges, Ramones ou The Clash com os refrões e melodias do Glam Rock dos Kiss ou New York Dolls. São 12 temas, na sua maioria, uptempo, mas com muita melodia e riffs e solos de guitarra bem sacados; uma secção rítmica bem oleada; voz não muito rouca nem muito melódica, na medida certa. 12 temas que nos fazem bater o pé e abanar a cabeça sem parar, desde o início até ao fim do disco.Mais uma banda de Rock ‘N’ Roll com som retro, é verdade, mas que denota muita atitude e gozo pelo que estão a fazer, uma banda que supera em larga escala as bandas do género que vemos hoje em dia na TV e ouvimos na rádio e que os “media” nos querem empurrar pela garganta abaixo como “puro” Rock ‘N’ Roll. RDS
80%
People Like You Records: www.peoplelikeyourecords.com
The Chelsea Smiles: www.myspace.com/thechelseasmiles

Einstürzende Neubauten – Listen With Pain: 20 Years Of Einstürzende Neubauten (2006) – Cherry Red

Este DVD é uma autêntica pérola para os apreciadores deste colectivo germânico que, juntamente com os Can e os Kraftwerk, está entre os nomes mais importantes da música Alemã do final do século XX. O que aqui se encontra é um documentário que comemora os 20 anos (foi em 2000) desta instituição teutónica e que foi filmado pelos fãs de longa data Christian Beetz e Birgit Herdilitchke. Podemos ver imagens do “processo de composição”, em estúdio, excertos ao vivo e de clips desde o início de carreira até ao ano 2000 em que gravaram “Silence Is Sexy”, incluindo entrevistas com Blixa Bargeld, Alexander Hacke, Stevo (da editora Some Bizarre), o amigo / colaborador / fã de longa data Nick Cave, entre outros, sobre as influências, relações interpessoais, abusos de drogas, contratos, etc. Temos ao todo cerca de 1 hora de documentário e 37 minutos de extras em estúdio em 2000, na gravação do álbum já atrás referido. A mim soube-me a pouco e deixou-me a salivar por material ao vivo e clips dos quais aqui apenas se encontram excertos.Uma peça essencial para os apreciadores da banda Alemã e da cena Industrial em geral. RDS
90%
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk
Einstürzende Neubauten: www.neubauten.org

Mael Mórdha – Gealtacht Mael Mordha (2007) – Grau

“Gealtacht Mael Mordha” (100%) é um colosso de cerca de 45 minutos de Gaelic Doom Metal gravado pelos Irlandeses Mael Mórdha. É um disco bem pesado, épico, melódico e intenso. Os temas são longos mas não se tornam aborrecidos, pois têm diversas mudanças de ritmos e melodias, alguns apontamentos acústicos e instrumentos de origem Folk, mantendo o ouvinte sempre atento com diversos pormenores que enriquecem a música. Algumas bandas de referência poderão ser Bathory (no seu lado mais épico), Candlemass, Doomsword, Primordial, Anathema (antigo) e até alguma NWOBHM. Em termos líricos, este é um disco conceptual, assim como o era o anterior “Cluain Tarbh” (baseado na Batalha de Clontarf em 1014 d.c.), mas aqui lida-se com os pensamentos do Rei Mael Mórdha antes e durante essa mesma batalha, até ao momento da sua morte. O título do disco traduz-se mesmo por “a loucura de Mael Mórdha”. A introduzir o disco, logo à primeira vista sem sequer ter retirado ainda o CD da caixa, temos a fabulosa capa (ver ao lado). Segundo parece os músicos também vestem fatos do século IX e usam pinturas faciais de guerra de tonalidades azuis, para complementar todo o imaginário da banda. Isto também deve ser extremamente interessante ao vivo! Um disco obrigatório para os amantes de um Metal mais épico (musicalmente) e com raízes históricas e/ou de fantasia épica (nas letras)! RDS
100%

Conflict – Live In London / Live In England (2DVD/2DVD 2006) – Mortarhate / Cherry Red

Estes DVDs marcam as duas primeiras edições neste formato pelas mãos da Mortarhate Records dos Conflict. E quem melhor para começar do que os próprios? O primeiro, como o título indica, contém gravações ao vivo na sua cidade natal, Londres. São dois DVDs repletos de gravações ao vivo desde 1986 até 2005, além de excertos de clips do vídeo-album “There’s no power without control”. No segundo item temos mais dois DVDs com os Conflict por essa Inglaterra fora, com gravações desde 1984 até 2004.A ideia é boa, juntar diversas gravações de vários períodos da banda, mas isso aqui não está muito bem conseguido. Todas as gravações são feitas com câmara de mão e temos, portanto, imagem e som não muito bons, e por vezes até detestável e inaudível. Então as gravações da década de 80 são as piores. Além disso há alguma discrepância entre as datas e locais que vemos nos vídeos e as que estão impressas na caixa. Outra coisa que não gostei muito foi a dos excertos do vídeo-album atrás referido, 3 temas que estão cortados pelo meio; pelo menos que deixassem essas 3 faixas completas.Se a ideia era juntar algumas gravações antigas, mesmo que amadoras como estas são, então um DVD apenas com as melhores cenas era capaz de dar e sobrar, enchendo assim as medidas dos fãs com material antigo e não disponível previamente. Juntava-se umas entrevistas antigas e actuais, com algumas intervenções mais politizadas para ficar bem mais interessante e, porque não, o já referido vídeo-album na íntegra (fazia-se então um duplo DVD). Desta maneira que foi feito é demasiado material que nem mesmo os fãs mais acérrimos vão conseguir digerir na totalidade. São 4 horas de vídeo amador em cada item, 8 horas no total se adquirirem os dois! De qualquer maneira, há aqui algumas raridades preciosas que valem por ter sido recuperadas em DVD, mas volto a repetir, são 8 horas de muito mau som e imagem. Tendo em conta as excelentes re-edições que a Mortarhate tem vindo a fazer das suas edições (não só dos Conflict mas de outras bandas), esperava-se coisa melhor. RDS
60%
Mortarhate Records: www.mortarhate.com
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk
Conflict: www.conflict-uk.com

Green Machine - Entrevista

1 – Green Machine é uma banda relativamente nova e de certa maneira desconhecida para o público em geral. Podes fazer um breve relato dos momentos mais importantes do percurso da banda desde o início até à edição deste novo trabalho “Themes for the hidebounds”?
A banda já existia em 1999 com uma formação um bocado desleixada, a coisa começou a ser mais séria em 2005 com a entrada de 2 novos elementos para a banda, o Pedro Oliveira e Ângelo Sousa, para a bateria e baixo respectivamente, a partir daí temos encarado as coisas com mais profissionalismo e dedicação, até que resolvemos gravar o disco Themes for the hidebounds e desde aí temos tocado muito que é esse o nosso grande objectivo.

2 – Para os ouvidos mais desatentos os Green Machine talvez sejam uma banda que envereda por um estilo retro que hoje em dia está muito em voga mas, para quem tenha algum conhecimento da história do Rock no geral apercebe-se de que os Green Machine são uma banda mais inspirada nas linhas mais tradicionais e Underground do Garage Rock, lo-fi, Punk e até por algum Blues. De onde provêm as inspirações para a sonoridade da banda?
Nós acabamos por ser a nossa própria inspiração! O nosso som acaba por ser o reflexo de tudo o que ouvimos, e posso dizer que são coisas bem diferentes umas das outras. Temos grande influência da música negra. Eu gosto de definir como Rock n Roll outros gostam mais de Garage, até há quem diga que e Blues/Soul Power. Eu concordo com todos os pontos de vista.


3 – Fala-me um pouco das letras deste disco e dos assuntos abordados nas mesmas. E já agora, que obsessão foi essa com o Screaming J. Hawkins?
As letras acabam sempre por falar dos relacionamentos mais ou menos falhados do João que é o vocalista, ele gosta de falar de coisas pessoais, pelo menos foi essa a temática deste disco, do próximo não sabemos. O Screaming J. Hawkins é uma maneira de escapar aos problemas, não há nada que ele não nos faça esquecer.


4 – No disco encontram-se diversos músicos convidados. Como é que estes surgiram e de que maneira é que o seu contributo traz algo de novo ás músicas em que participam?
Os convidados do disco são principalmente amigos de longa data que foram aparecendo no estúdio e nós arranjávamos sempre qualquer coisa para eles fazerem! E claro depois o resultado final acabou por ser do nosso agrado. São pessoas que de uma ou outra maneira acabaram sempre por marcar a nossa vida pessoal e musical que acabaram por meter um pouquinho da sua identidade no disco!

5 – Como é que tem sido a aceitação ao EP, tanto a nível de imprensa como de público?
Tem sido muito variável, mas acima de tudo estamos satisfeitos com o resultado final do disco!

6 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades de apresentar esta nova edição? Como é que têm corrido esses concertos?
Os concertos tem corrido lindamente, salvo 1 excepção têm estado sempre cheios o que até para nós é algo estranho. Não estávamos à espera de criar tanta curiosidade nas pessoas. Mas ainda bem que assim é, estamos satisfeitos por isso!

7 – Este EP tem edição de autor, ou se quisermos dar uma roupagem mais vanguardista à coisa, é uma edição DIY. Porquê esta opção?
Não havia editoras interessadas na proposta dos Green Machine?Nem sequer tentamos nenhuma para dizer a verdade. Queríamos que o primeiro registo mais sério fosse editado por nós para podermos ter mais controle sobre a maneira de como queríamos fazer as coisas. O próximo ainda não sabemos como vai ser.

8 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo? Para quando o disco de longa duração de estreia?
Proximamente os nossos objectivos são tocar, é aí que a banda se sente melhor. Temos também uma edição de um vinil a meias com uma banda brasileira (AUTORAMAS) pela editora GROOVIE RECORDS que sai em Abril, e contamos que em Setembro possa sair um novo disco, mas sem grandes comprometimentos. Queremos que todo o processo seja descontraído.

9 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
Acho que as bandas portuguesas se estão a afirmar cada vez mais, entre 2000 e 2005 a coisa andou um bocadito fraca, mas penso que agora está no bom caminho. Temos muitas bandas portuguesas que gostamos, os Dead Combo, os Bunnyranch, os Act ups e muitas outras, somos grandes consumidores de música portuguesa também.

10 – Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Gostaria apenas de dizer às pessoas para continuarem a aparecer aos concertos que são sempre bem-vindas. Obrigado pela entrevista.


Entrevistador: RDS
Entrevistado: Pedro Oliveira - Bateria

Green Machine: www.myspace.com/greenmachinesucks

Cattle Decapitation – Karma Bloody Karma (2006) – Metal Blade Records

Aqui está o novo álbum destes vegetarianos do Grind / Death. “Karma Bloody Karma” é o seguimento natural de “Humanure” de 2004 mas com uma tendência experimental mais acentuada. Além da base Grindcore da música dos Norte-americanos temos as já habituais aproximações ao Death Metal, aparecendo aqui a ali umas passagens que devem mais ao Black Metal mais necro vindo da Noruega que a outro estilo. Há também umas melodias não muito habituais e até passagens ambientais. Uma pequena introdução ambiental não dá a entender o que vem a seguir mas logo somos bombardeados com a brutalidade técnica da banda. As 4 primeiras faixas seguem o estilo habitual de Cattle Decapitation. A faixa “Total Gore?” já começa a introduzir experimentalismos e mais pormenores técnicos. Nas duas seguintes continuam a experimentar. Na nona faixa “Alone At The Landfill” temos a mais experimental e esquisita, misturando Grindcore, Death Metal, Black Metal, brutalidade com melodia nos primeiros 3 minutos e pouco e depois temos quase mais 4 minutos puramente ambientais. Colada à anterior temos o tema título “Karma Bloody Karma” que incorpora a meio uma passagem de puro Black Metal necro ao bom estilo das bandas Norueguesas da década de 90. A seguir mais 1 minuto e meio de material ambiental seguido de brutalidade. Fecha-se o álbum com uma faixa ambiental de pouco mais de 3 minutos, uma espécie de bonança a seguir à tempestade. Nas letras também foram mais além e segundo o próprio vocalista “este será o disco mais niilista, pessimista e cheio de ódio que tenhamos feito em relação às letras”. Este é sem dúvida o álbum mais estranho dos Cattle Decapitation mas de qualquer modo vai agradar aos fãs da banda que já estão habituados a este tipo de experiências por parte da banda.Falta ainda referir que o álbum conta com a participação de Joey Karam (The Locust) e John Wiese (Sunn O))), Bastard Noise) e produção (estranha a escolha, mas irrepreensível, diga-se de passagem) por parte de Billy Anderson (Swans, Mr. Bungle, Melvins, Ratos De Porão). De referir ainda que depois das gravações o baterista Michael Laughlin deixou a banda e foi substituído por J.R. “Kid Gnarly” Daniels dos Unholy Ghost. A capa, mais uma vez, está fabulosa! Para quem tem mente aberta e gosta de bandas que não têm medo de ir mais além e não se restringir aos moldes de um género. RDS
90%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Cattle Decapitation: www.cattledecapitation.com