Thursday

Vomitory – Terrorize Brutalize Sodomize (2007) – Metal Blade Records

Desde há um bom tempo atrás que sigo a carreira destes Suecos. Sempre gostei do death Metal brutal destes tipos, rápido, potente, com laivos de Thrash Metal, a dose certa de blastbeats, sem muitos abusos nesse campo (não sou grande fã de blasbeats, para ser sincero), com ritmos mais orientados para o Thrash dos 80s. Este novo trabalho é o mais brutal, mais rápido e mais potente que a banda já gravou. O disco inicia de forma brutal com “Eternal Trail Of Corpses”, segue “Scavenging The Slaughtered” com mais velocidade e um solo bem “gritado” a lembrar os Slayer dos 80s, pelo meio ainda tempo para abrandar com uma melodia a dar outra dimensão à faixa. O tema-título abranda um pouco a velocidade e aumenta a intensidade, mas só por uns instantes, para depois nos voltar a “massacrar”. Em “The Burning Black” as raízes Thrash old school voltam a vir ao de cimo, assim como em “Defiled And Inferior” que inicia com um blastbeat brutal mas deppois nos dá riffs bem thrashados. Continua na mesma linha em “March Into Oblivion”. “Whispers From The Dead” é mais lenta e tem um ambiente geral muito sinistro com um excelente riff de guitarra a ajudar nesse sentido. Mais uma abertura em blastbeat para depois seguir num ritmo rápido em “Heresy” e “Flesh Passion” (com um riff a meio e um solo “gritado” bem Slayer). Fecha como iniciou, de forma brutal, com “Cremation Ceremony”. 18 anos de Death Metal é muita coisa e estes Vomitory têm sabido manter-se vivos numa cena que foi passando por alguns momentos melhores e outros piores, mutações, modas, declínios, etc. Um álbum a adquirir urgentemente por parte de amantes de Death Metal e de até de Thrash Metal com uma orientação mais rápida e pesada. RDS
90%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Vomitory: www.vomitory.net

Powerwolf – Lupus Dei (2007) – Metal Blade Records

Já tenho em mãos o novo trabalho dos germânicos Powerwolf. Estava ansioso por ouvir este disco pois a banda já me tinha surpreendido com a estreia “Return In Bloodred” de 2005. O novo “Lupus Dei” continua na mesma linha e, ao ouvir “We take it from the living”, sabe-se logo que são os Powerwolf. No entanto, este novo trabalho está mais direccionado para o Heavy Metal mais clássico do que o anterior, com riffs de guitarra mais melódicos, mais coros nos refrões, uma toada mais épica com a maior predominância de órgão, temas mais rápidos e uma ambiência geralmente mais positiva do que a de “Return In Bloodred”, que tinha uma orientação mais obscura e densa. No entanto, as letras continuam a ser obscuras e a buscar influência em temas como o vampirismo, espiritismo e agora, licantropia. Exemplo desta nova orientação são temas como “Prayer in the dark”, “Behind The Leathermask”, “Vampires Don’t Die” ou “Mother Mary Is A Bird Of Prey”. O inicio de “Saturday Satan” faz lembrar “We came to take you souls” do disco anterior, mas depois entra numa linha bem melódica e de Heavy clássico. Em “In Blood We trust” os coros voltam a chamar a atenção, tendo a banda neste caso trabalhado com um grupo coral clássico composto por 30 pessoas, sendo até este um dos temas mais pesados, com uma secção rítmica bem demolidora. “When The Moon Shines Red” é um dos meus favoritos, um tema bem “dark” que poderia estar na estreia de 2005. “Tiger Of Sabrod” é mais lento e mais apoiado no peso, mas sem esquecer a melodia. O álbum fecha com “Lupus Dei” numa toada mais épica, naquele que é sem dúvida um dos melhores temas do disco, e outro dos dois temas com a participação do grupo coral atrás referido. Segundo parece, algumas partes do disco foram até gravadas numa capela do século XII, para manter o “feeling” espiritual e épico dos temas. Grandes riffs, refrões memoráveis, daqueles que ficam na nossa cabeça muito tempo depois de ter ouvido o disco, secção rítmica poderosa, melodia quanto baste. Um grande disco de Heavy Metal do século XXI mas com as devidas influências da década de 80, com letras apoiadas na fantasia e em criaturas míticas, como manda a tradição do género. Aconselhável a todos os apreciadores de Heavy Metal da velha escola mas que gostam de manter uma certa actualidade e renovação no som eterno. RDS
90%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Powerwolf: www.powerwolf.net

Symphorce – Become Death (2007) – Metal Blade Records

Os Germânicos Symphorce estão de volta com seu sexto álbum intitulado “Become Death”. Após um disco morno como foi “Godspeed”, é bom saber que a banda voltou à boa forma com este que é, sem dúvida, o melhor álbum da sua carreira. Este é o trabalho mais heterogéneo que gravaram até hoje mas não parece de todo uma manta de retalhos, mas sim um disco de uma única banda. A identidade Symphorce está aqui patente, mas experimentam em diversos temas novas abordagens à sua fusão de Heavy e Thrash, do lado mais pesado do Metal com o lado mais melódico. Logo à primeira faixa somos confrontados com um dos temas mais pesados que a formação Alemã gravou até hoje, “Darkness fills the sky”, com certos laivos de Nevermore, mas com um refrão forte bem ao estilo de Symphorce, o que volta a acontecer em “Death has come”, mais peso com refrão melódico. Em “Condemned” temos o habitual tema Symphorce mas com alguns samplers electrónicos a adornar e mais uma vez, um memorável refrão, a provar que a banda sabe escrever, acima de tudo, grandes temas daqueles que ficam na nossa cabeça muito depois de ter ouvido o CD. “In the hopes of a dream” e Inside the cast” introduzem uma novidade na sonoridade da banda, uma aproximação ao Metal Gótico de origem Finlandesa, com o segundo tema a aproximar-se perigosamente a The 69 Eyes e com a inclusão de teclados, instrumento pouco habitual na banda. Mais uma vez., experimentaram coisas novas e o resultado final foi mais que satisfatório. Em “No final words to say” temos mais influências góticas, um tema lento, com toques ambientais e bem depressivo, a fazer lembrar em certas partes Type O Negative. “Towards the light” e “Ancient Prophecies” seguem a linha habitual. “Lost but found” volta a dar-nos mais peso, trazendo à tona, mais uma vez, as influências de Nevermore. Fecham o disco com “Lies”, um tema extremamente experimental, com toques de Rock sinfónico e apontamentos electrónicos. Um dos grandes temas do disco.
Este é sem dúvida o álbum mais heterogéneo, mais arrojado, mais negro, e mais experimental que a banda gravou mas a aposta foi ganha, este é também o melhor disco de sempre de Symphorce. Um disco que pode agradar tanto aos fãs do lado mais pesado do Metal como do mais melódico e tradicional. RDS
95%
Metal Blade: www.metalblade.de
Symphorce: www.symphorce.net

Hipnótica - New Communities For Better Days (2007) - Metropolitana / Som Livre

Depois da retrospectiva em CD e livro “Breves histórias sobre o efeito de hipnótica 1994-2004” eis que surge mais um disco de originais para os Hipnótica. “New communities for better days” segue na mesma linha de sempre, aliando o formato clássico do Pop / Rock, guitarra / baixo / bateria, à música de cariz electrónico, com apontamentos Jazz e Trip Hop. Tudo sempre com um grande sentido Pop, tanto na forma de apresentar os temas, no que diz respeito ao formato tradicional de canção Pop, como na própria roupagem a nível instrumental. Há aqui e alí outros instrumentos a complementar a música, tal como piano, saxofone, flauta, harpa, etc, o que dá outra dimensão às faixas em questão. Há também diversos convidados especiais a contribuir com os seus instrumentos, a saber, Riz Maslen (Neotropic), Hidekazu Wakabayashi, Abdul Moimême, Nanar Vorperian e Francisco Rebelo (Cool Hipnoise).
Nunca acompanhei muito de perto a carreira dos Hipnótica, mas conheço-os desde os inícios e já ouví os discos anteriores. Em comparação com esses trabalhos, como já disse antes, o estilo é o mesmo, embora aqui esteja refinado, a experiência conta, mas não só, a originalidade e a vontade de experimentar coisas novas também, e essas também estão aqui presentes.
Apesar das diversas críticas favoráveis na imprensa às suas edições e actuações ao vivo, os Hipnótica têm-se mantido a um nível quase Underground, dir-se-ia quase, de elite, sem conseguir o grande salto para o “mainstream” e para uma maior exposição, tal como outros projectos do género têm. Talvez em Portugal as pessoas não estejam ainda preparadas para um projecto tão artístico como o é Hipnótica, e prefiram continuar a consumir o que a TV e a rádio lhes dá, música de plástico pronta a consumir. Pensar não está nos planos da pessoa comum. É pena, eles é que perdem, e nós que ouvimos Hipnótica, é que ganhamos. RDS
85%

Hipnótica - Entrevista

1 – Os Hipnótica já têm uma vasta discografia mas não se limitam aos discos “normais”, enveredando por vezes por caminhos menos ortodoxos, tal como o espectáculo “short stories about na instant called hipnotic life”, no disco “Reconciliation”, no disco e livro retrospectivos “Breves histórias sobre o efeito de Hipnótica 1994-2004”, algumas bandas sonoras, etc.
Este tipo de liberdade artística e novas experiências é importante no mundo dos Hipnótica? Como é que surgem este tipo de experiências? As ideias vão surgindo e procuram torná-las reais ou vão surgindo as oportunidades externamente à banda?

Procuramos sempre trilhar caminhos que nos dêem prazer, acima de tudo. Por vezes editamos álbuns mais no formato convencional e outras vezes arriscamo-nos por caminhos mais livre, de improvisação e experimentação, o que acabe depois por afectar a sonoridade da banda.
Por vezes esses caminhos são mais premeditados ou surgem por convites externos, outras vezes parte de nós criar espectáculos ou discos mais livres.

2 – O novo álbum, “New communities for better days”, conta com diversas participações especiais. Quem é que colabora no disco, como é que surgiu essa cooperação e o que é que cada músico trouxe de mais valia para o tema em questão?
Temos um núcleo bastante forte e coeso e isso faz com que possamos abrir “as portas de casa” a outros artistas que possam trazer novas ideias e possam também receber algo da experiência que têm connosco. É um ideal comunitário artístico e que se complementa com os designers, fotógrafos e músicos que nos ajudaram a criar este álbum. Com relação aos músicos convidados, temos participações como o Abdul Moimeme e o Francisco Rebelo que já colaboraram connosco no passado e temos também novos reforços: o Hidekazu que é um multi-instrumentista japonês, a Nanar Vorperian que conhecemos no festival do Meco e que posteriormente convidámos e por último a Riz Maslen do projecto Neotropic que conhecemos via Myspace.

3 – Em que assuntos se baseiam as letras deste novo disco?
São temáticas diversas baseadas sobretudo nas relações humanas, em alguns casos numa perspectiva voyeuristica noutros casos numa visão mais pessoal. Narrativa de imagens, de pequenas histórias, de formas particulares de vivência, de sonhos, contos de esperança mas também palavras e poemas de sombra.


4 – Sei que ainda é cedo mas, como é que tem sido a aceitação ao novo disco, tanto a nível de imprensa como de público?
Para já, e em relação aos media a aceitação tem sido fabulosa, tanto em relação ao álbum, quer na imprensa escrita como em algumas rádios. O novo vídeo também está a ter uma óptima receptividade e está com passagem na MTV, SIC Radical

5 – E em relação às actuações ao vivo, estão a surgir muitas oportunidades para apresentar esta nova edição?
Agora estamos a planear uma tour de promoção do álbum e vamos de norte a sul apresentar as musicas do novo álbum. Para já faremos festa uma apresentação do álbum na Escola Restart no Parque das Nações no dia 29.03 pelas 22,30hs

6 – Com o tipo de visão e estética mais artística do que puramente musical que os Hipnótica têm, calculo que as influências externas à banda não provenham apenas da música mas também do cinema, literatura, e outros tipos de arte e/ou entretenimento. Indica as bandas, músicos, filmes, escritores e personalidades que penses que são obrigatórios e que tiveram o seu papel na formação do imaginário Hipnótica.
São tantos que não sabemos por onde começar…..Lisboa, as nossas experiências, os amigos, Win Wenders, Jim Jarmusch, Alice Coltrane, Miles Davis, Tony Allen, Raimond Scott, Prefuse 73, Bukowksi, Keoruac, Boards of Canada, Tim Buckley, Ali Farka Tourê, Nina Simone, Won Kar Wai, Plaid, Post Office, Fellini……..etc etc etc

7 – Vou pedir-te agora que descrevas brevemente (duas ou três linhas) cada uma das faixas de “New communities for better days”:

1 – New communities for better days:
Preparação, zona de descompressão e entrada no álbum

2 – Silver drops from velvet clouds:
Delírios, sonhos, reencontro com fragmentos da nossa infância, da nossa vida

3 – Nico:
Nico VU, uma homenagem a uma mulher fascinante e misteriosa

4 – I’ve just met Joe Luke somewhere in the middle of nowhere:
Uma Estrada desértica, uma encruzilhada, um encontro, uma experiência inesquecível

5 – Snow:
Subida, purificação, libertação de certas âncoras, esperança, luz branca

6 – Transitions:
Um enigma, obstáculos, descoberta de uma saída, corrida desenfreada até à saída

7 – Retina:
No words

8 – One for us:
Reencontro de amigos após uma longa separação

9 – Soap:
Poema de libertação, profecias, dias melhores por vir, a superfície contaminada pelas raízes que se manifestam do fundo

10 – Healing:
Processo de cura

11 – Pool:
Cenário aquático, movimentos livres, mergulhos

12 – Interlude for floating above the pool:
Respiração antes do mergulho

13 – First steps towards a dazzling future:
Passos arriscados em direcção ao futuro deslumbrante e incerto

8 – Como vês a cena musical actual em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse? E fora de Portugal?
Respira saúde e maturidade: Dead Combo, Cool Hipnoise, Micro audio Waves, Bandex, Sam the Kid, Buraka Som Sistema , Tora Tora Big Band, só para nomear alguns. Fora de Portugal, Broken Social Scene, Prefuse 73, Wibutte, SuperSilent, TV on the Radio, Fennesz, Matt Elliot….

9 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
Para já concertos, concertos e concertos…..

10 – Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Para todos os que conheceram o novo álbum porque fizeram download, se gostarem , comprem o original e no fundo colaboram com a continuidade das nossas edições.
-
Entrevistado: João Branco
Entrevistador: RDS
-

Capitão Fantasma – Viva Cadáver (2007) – Raging Planet Records

O segundo disco “Contos do imaginário e do bizarro” foi lançado em 1996 e após algumas actuações ao vivo desaparecem sem deixar rasto. Após 11 anos eis que os grandes Capitão Fantasma voltam à carga com um novo line-up e novo trabalho através de uma nova editora. Será que todos estes anos foram prejudiciais para a banda? Só mesmo para nós que fomos privados do melhor nome de sempre na cena Psychobilly em Portugal. Também não tivemos muitos mais, sejamos sinceros! O referido disco de 1996 é um dos meus preferidos de sempre da música moderna Portuguesa e já perdi a conta às vezes que o ouvi. Por isso mesmo estava com grandes expectativas para ouvir este novo “Viva Cadáver”. Geralmente, quando estas são muito altas, ficamos desiludidos, mesmo que o resultado seja bom, porque esperávamos mais qualquer coisa. Aqui isso não se aplica, as minhas expectativas foram preenchidas e até superadas. A música continua na mesma linha do “Contos…”, assim como as letras, outro dos aspectos que me atraiam na banda, que continuam a retratar histórias negras urbanas sobre psicopatas, sexo, monstros nocturnos, pancadaria num qualquer bar citadino às tantas da manhã, etc. Há ainda o regresso da bela e fatal Cruela em “A flor do mal”. São 10 novos temas, uma intro, um instrumental a fechar, uma regravação de “Os mortos”, original da estreia em LP “Hu uá uá” de 1992, e uma versão do tema da década de 60 “Se eu enlouquecer”, original de Daniel Bacelar. É difícil destacar temas mas gosto particularmente de “Doce morte”, “Faca (a vingança)”, “Sente o medo” e “Tudo à estalada” (grande letra!). O som está cru o suficiente para o estilo mas com poder e nítido, cortesia da própria banda e de Sarrufo (Trinta & Um) e Bravo nos Estúdios Crossover.
“Saiu da terra, voltou a respirar o ar poluído da cidade, para trás deixou um caixão vazio. À sua frente estende-se um novo tempo, o tempo do fantasma. O novo álbum, Viva Cadáver, é Capitão Fantasma no seu melhor, irónico, corrosivo, destinado a viver para sempre… Para toda a eternidade!” (retirado da press-release). RDS
95%
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt
Capitão Fantasma: www.capitaofantasma.com

Monday

Cattle Decapitation - Entrevista

1 – Right after the recording of the album, your drummer Michael Laughlin left the band. What happened? And how did you found the new drummer J.R. “Kid Gnarly” Daniels (Unholy Ghost)?
Mike was just getting tired of touring so much. We were pretty much thinking for a long time about getting someone else cause we could tell he was over the whole constant touring thing, playing for only metalheads so much. JR is just a fill in for this tour. These tours at this time were very important to us so we're glad he's filling in, but after this, that's it.

2 – The album was produced by Billy Anderson, well known for producing bands like Melvins, Mr. Bungle, Swans, Ratos de Porão, etc. He’s not the kind of guy a Grind / Death / extreme metal band would choose to produce their record. How did he end up working with you in this new album?
He was on a small list of people we thought we could work with. We hit him up and he replied right away. He was just extremely into doing our record. Said hed to whatever it takes to make everything work out. We mentioned that he hadn't done too many brutal bands and he just assured us hed do whatever we want. We're very happy with the recording.

3 – The new album is way more experimental than the previous one. We have the usual Grindcore and Death Metal elements but we also have some Black Metal passages and lots of ambient passages. Songs like “Alone at the landfill” or “Total gore?” are not the usual Grind / Death stuff, “Karma Bloody Karma” has a Norwegian necro Black Metal middle section and the closing title “Of human pride & flatulence” is pure ambient stuff. It just came out like this or did you really wanted to try new stuff and experience new sounds?
We wanted to branch out and experiment. Ever since Dave Astor, we've wanted to take our newfound freedom and progress and move forward. We also are very into all sorts of music. I don't know how the black metal element came about really, but I'm definitely into it and think that style has added a very strange dynamic to our music. It seems to fit perfectly for some reason.

4 – In the press-release I read something you said about the lyrics, you said that this album is the most nihilistic, pessimist and full of hate. Can you tell me something about the lyrics?
Yes, they are definitely not the most positive thing in the world. All of them basically blame humanity for the eventual downfall of planet earth. So the lyrics are an extremely pro-environment point of view, almost like that of a deranged and homicidal hippie. I like that.

5 – Do you have a tour prepared to promote the record?
We're right in the middle of a huge one right now. We'll probably be doing Europe soon as well! That's the one I can't wait for. We're also hoping to hit Japan and Australia soon as well.

6 – The album is about to be released soon but probably it is already in the internet. I remember back in the old days I used to do some tape-trading and that way I got to know lots of different bands from all over the world and this internet thing is just an upgrade of that tape-trading. What do you think about all this internet file sharing, downloading, mp3?
The thing I hate about the internet is how kids today all of a sudden can learn anything and everything about an artist and can instantly be experts when it took me fucking years to acquire the knowledge that I have now. As far as downloading, I don't see how people can have the patience for that sort of thing and at the end of the day there is no artwork, no cover, no cool gatefold or anything so fuck it anyways.

7 – You have some special guest appearances in the record, Joey Karam (The Locust) and John Wiese (Sunn O))), Bastard Noise). In which songs do they play and how did they end up cooperating with Cattle Decapitation?
Joey plays keyboards and does dome vocals in the song "Total Gore". We used some keyboard stuff for the song "Of Human Pride & Flatulence" as well. He's a good friend of the band and I had the part of that's some set aside for his vocals, which ended up sounding exactly as I had hoped. John is an old friend of mine and I knew he could belt out some good stuff real quick. We used it for certain segues and the intro.

8 – The frontcover is awesome! It maintains the Cattle Decapitation style but it doesn’t seem as controversial as the previous one. Who made this artwork? What can you say about the controversy around the previous artwork (“Humanure”)?
Same artist as Humanure and To Serve Man, Wes Benscoter. We knew the label wanted a toned down cover but really it came about as a more functional extension of the material within. It reflects the lyrics perfectly. Humanure was Wes' idea, and I definitely am open to his ideas, but it wasn't my idea and it was nice to see my ideas used again on this cover. To Serve Man was also my idea and that was a little toned down to Humanure if you ask me.

9 – By now, everybody knows you’re vegetarian (or vegan?), despite the brutal type of artworks and music. That is more common in the Punk, Hardcore and Crust scenes. What made you choose that way of life?
Everybody has their own reasons. For me its not wanting to take part in the meat industry, and its much better for you anyways.

10 – Do you want to leave a final message?
Check out the new album and we hope to see you guys too this year!!!


Entrevistador: RDS
Entrevistado: Travis Ryan – Vocals


Metal Blade Records: www.metalblade.de

Empyrium – A Retrospective… (2006) – Prophecy

Após uma demo e 4 álbuns aí está a retrospectiva dos Empyrium ou, como queiram, do projecto a solo do Alemão Ulf Theodor Schwadorf. Será que apenas com 4 discos e 8 anos de história se pode falar numa retrospectiva deste género? No caso dos Empyrium pode e deve. Quando uma banda passa por mutações, como neste caso, uma das duas, ou anda ali perdida de álbum para álbum e não consegue chegar a atingir um público-alvo, ou então aquilo que faz é de tanta relevância que lhe permite atingir diversos tipos de público e até atingir um certo estatuto de culto. Esta última hipótese é mais ou menos o que aconteceu com os Empyrium. Isto apenas para justificar a edição de um disco deste género após tão curta carreira.Desde a estreia “A wintersunset…” (1996) ou o seguinte “Songs of moors & misty fields” (1997), ambos numa linha mais Dark Metal, passando pelos dois seguintes “Where at night the wood grouse plays” (1999) e “Weiland” (2002), mais Dark Folk, a música de Empyrium é cheia de emoções bem negras, frias, distantes e melancólicas, apoiadas por sonoridades tradicionais de orientação nórdica, passagens acústicas, algum Dark Metal (início de carreira) e Doom. Há aqui até algumas sonoridades que bem poderiam ser escritas por um Português, tal é a ligação que se pode fazer às típicas emoções melancólicas, de solidão e “saudade” do nosso país. Ao ouvir a música dos Empyrium parece-nos que estamos perdidos numa qualquer floresta de um país nórdico em comunhão com a Mãe Natureza num qualquer ritual pagão.Além de 10 temas dos 4 álbuns, devidamente remasterizados, também temos aqui dois temas novos (“Der Weiher”, “Am wolkenstieg”) e uma nova versão para “The franconian woods in winter’s silence” (o original é da estreia “A wintersunset…”). O disco vem num formato digibook a dourado com 60 páginas com a biografia completa.A par com esta colectânea vai também ser editada uma caixa especial com todos os discos (demo incluída) do projecto, e ainda re-edições de todos os álbuns em formato digibook limitadas a 500 cópias.Indispensável para os fãs de Empyrium, Dark Folk, música apoiada em ancestrais tradições europeias e qualquer apreciador de boa música que disso se preze. RDS
98%

The Dangerfields – Born To Rock (2005) - Rock 'N' Roll Records

No outro dia ao navegar pela internet à procura de novas bandas, encontrei o website deste trio Irlandês e fiquei curioso acerca da banda. Enviei um e-mail e agora tenho em mãos o CD dos tipos. E ainda bem que lhes escrevi! Que grande petardo de Rock ‘N’ Roll! O que aqui temos é um Rock ‘N’ Roll de influências Punk Rock e algum Crossover dos 80s bem rápido e pesado. As guitarras baseiam-se em riffs mais roqueiros mas aqui e ali pontuam alguns mais Metal e/ou Hardcore, os solos são fabulosos e sempre a abrir, a fazer lembrar até um pouco o Heavy / Thrash da década de 80; a secção rítmica é rápida e sólida e a voz é crua o suficiente para o género mas sem ter aquele travo de rouquidão tipo motard quarentão. Numa primeira audição o que vem à cabeça é mesmo Zeke ou Pufball mas por aqui encontram-se influências de AC/DC (“Rock Club” parece mesmo uma versão dos ditos Australianos, sendo este o único tema midtempo), Motörhead, Misfits ou até mesmo o Crossover dos Suicidal Tendencies dos primórdios. A produção é excelente e o disco ficou com um som pesadíssimo e bem limpo, conseguindo-se ouvir tudo o que se passa nas 15 malhas que compõem o disco. Para "apimentar" a coisa ainda mais, uma capa bem Rock 'N' Roll (vejam aqui ao lado). Segundo parece, o senhor Bruce Dickinson dos Iron Maiden também é fã dos tipos. São apenas 26.35 minutos, mas bem intensos e ao chegar ao fim dos 15 temas apenas queremos é voltar a carregar no botão play e ouvir tudo de novo, com o som da aparelhagem bem alto e com as mãos a fazer os malditos cornos \m/. Rock On! RDS
95%
The Dangerfields: www.thedangerfields.com

Beyond Twilight – Section X (2005) / For The Love Of Art And The Making (2006) – Nightmare Records



Beyond Twilight é uma banda vinda da Escandinávia que inclui músicos de diversas nacionalidades. Os álbuns aqui em destaque são o segundo e o terceiro, respectivamente. Os dois álbuns são ligeiramente diferentes entre si, tendo até vocalistas diferentes (já o 1º álbum “The Devil’s Hall Of Fame” de 2001 tinha outro vocalista, nesse caso o grande Jorn Lande). No “Section X” temos um álbum “normal”, com temas individuais, ultrapassando a maioria os 6 minutos de duração. Temos aqui material muito cinemático e orquestral com coros, passagens muito pomposas e toques progressivos aliados ao Heavy / Power da banda. Imaginem no mesmo caldeirão Danny Elfman, Notre Dame, King Diamond, Balance Of Power, Mundanus Imperium e Ark. Todos os temas são fabulosos e o álbum tem que ser ouvido de início ao fim para se assimilar como um todo, mas mesmo assim destaco temas como “The Path Of Darkness”, “Shadow Self“ ou “The Dark Side”. Este álbum é extremamente aconselhado aos apreciadores de Heavy Metal bem pomposo e orquestral e de Metal Progressivo.O 3º álbum “For The Love Of Art And Making” é diferente, trata-se de uma obra conceptual, ao jeito de ópera rock, estando o CD dividido em 43 faixas, mas tratando-se de apenas um tema do início ao fim, estando todas as faixas interligadas, num total de cerca de 38 minutos. Aqui a música continua bem teatral e pomposa, tem boas ideias aqui e ali, mas no geral é um pouco cansativo, pois não há uma linha condutora, há imensas mudanças de sonoridade, ritmo e melodia, que não encaixam bem, parecendo o disco uma manta de retalhos. Se se limitassem a pegar nas boas ideias que aqui estão e construíssem canções, até teríamos um bom álbum com boas malhas. Não que o álbum esteja mau, mas o resultado final se calhar ficou um bocado aquém das expectativas que uma ideia destas poderia fazer supor. Apenas para quem gosta deste tipo de desafios sonoros e não se fica pelo habitual formato de canção. RDS
85% / 70%
Nightmare Records: www.nightmare-records.com
Beyond Twilight: www.beyondtwilight.com
Silent Planet Promotions: www.silentplanetpromotions.com

Re-edições da Link Records (2006) - Anagram / Cherry Red

A Anagram Records (sub-divisão da Cherry Red Records) tem vindo a re-editar vários discos de Psychobilly já fora de circulação na sua série “Psychobilly Collectors Series”. Grande parte dessas re-edições são lançamentos da extinta Link Records que já estavam perdidos no tempo, muitos deles até que nunca viram a luz do dia em CD. Os fãs de Psychobilly têm aqui a sua oportunidade de adquirir essas pérolas em CD e com faixas bónus. Nesta crítica vou retratar 6 desses discos, seguindo a ordem de edição. A primeira banda é Radiacs com o seu único álbum de estúdio “Hellraiser” (75%) originalmente editado em 1989 (além de outro ao vivo). Nada de extraordinário, mais virado para o Rockabilly, com temas mais midtempo e apenas um par deles mais uptempo. Além do álbum temos como bónus a faixa “Heart Attack”, originalmente incluída na colectânea da Link “Katz Keep Rockin”, e que por acaso é o tema mais uptempo e mais fixe deste CD.Seguem-se os Sugar Puff Demons com o seu primeiro e único álbum “Falling From Grace” (90%) de 1989. Aqui já falamos de temas mais uptempo, mais rápidos e enérgicos e o próprio imaginário lírico e visual já é mais “maléfico” e virado para o Horror Rock, denominando eles próprios a sua música de Deathabilly e proferindo comentários como “Nós somos para o Psychobilly o que os Slayer são para o Thrash Metal”. Este já é mais do meu agrado! A única falha é não haver temas bónus, apenas o álbum original. De qualquer modo um grande álbum para os amantes de Psychobilly ou Horror Punk.Os Stage Frite têm em “Island Of Lost Souls” (80%) a sua estreia e único álbum, lançado em 1989. Mais um registo de Psychobilly uptempo / midtempo com o imaginário típico do estilo, nada de extraordinário mas bem feito. Gosto mais deste que do disco dos Radiacs. Aqui além dos 12 temas originais encontramos 6 temas bónus, sendo 2 temas de compilações e 4 demos.Sem para, mais uma banda, mais um disco. São os Rantanplan (sim, o nome vem desse mesmo cão!), a única banda aqui incluída não Britânica, mas sim Germânica. Os Rantanplan apresentam o seu único disco “Two Worlds At Once” (77%) datado de 1990. O estilo vai na linha dos Radiacs, ou seja, mais virado para o clássico Rockabilly que propriamente o desenfreado e maléfico Psychobilly, mas o estilo diferencia um bocado, visto serem de diferentes origens, sendo aqui um pouco “sing-a-long”. Um tema bónus “Bikini Girls With Machine Guns” (versão dos The Cramps) é adicionado ao alinhamento original.Voltamos ao Reino Unido para falar dos extintos (tal como as outras bandas nesta crítica) The Tailgators e a sua estreia homónima de 1990 (para não variar nesta crítica, é o único álbum da banda). Os Tailgators que andavam de Lambrettas e Vespas e que gravaram este disco em 5 dias, gastando mais dinheiro em álcool do que o que se gastou propriamente na gravação do disco. “The Tailgators” (77%) apresenta-nos 14 temas de Psychobilly midtempo com certos toques psicadélicos e com líricas sobre monstros, assassinos em série e até como ensinar o cão a “rockar”! Tudo isto como muita diversão e álcool à mistura. Dois dos temas são versões muito peculiares de “Should I Stay Or Should I Go” (é preciso dizer de quem é?!) e de “Tainted Love” (sim, esse mesmo tema, aqui mais uma versão, mas a melhor que já ouvi até hoje!). Além dos temas do disco temos como bónus um tema de estúdio e 5 ao vivo.Para fechar a crítica; este CD não se trata de uma re-edição mas sim de uma compilação com algumas faixas destas bandas. É uma espécie de sampler para apresentar estas re-edições e trata-se de “Long Lost Psychobilly Vol.1” (80%). São 18 temas para 9 bandas (Batfinks, Radiacs, Sugar Puff Demons, Stage Frite, The Termites, Tailgators, Rantanplan, Scared Stiff, Frantic Flintstones). Se quiserem ouvir o material da “Psychobilly Collectors Series” antes de comprar qualquer disco, então comprem esta colectânea para abrir o apetite.Todos os álbuns contêm notas editoriais muito interessantes escritas por Alan Wilson (The Sharks, Deathrow Fanzine) ou por Simon Nott (Big Cheese Magazine). No geral estas re-edições são muito boas, com bom som, boa apresentação, com faixas bónus interessantes e uma mais valia para os amantes de Psychobilly, que têm aqui a oportunidade de adquirir pedaços importantes da história do género musical da sua preferência. RDS
85%

Anagram / Cherry Red: www.cherryred.co.uk

Akira Kajiyama + Joe Lynn Turner - Entrevista


1 - How did you come up with this idea of an album between you and Akira Kajiyama? You already knew him before from several projects, including the Japanese Rainbow tribute album, some of your solo records and even the Japanese tour of HTP but, how did you came up with this new idea?
Basically, we came up with the idea because of the connections you stated in your question. In addition to that, the record company thought it would be a good idea.

2 - In the press-release it is mentioned that you recorded the vocals and he recorded all the instruments. Does he really play all the instruments: guitar, bass, drums and keyboards? Didn't you have any guest musicians in the recording process?
Absolutely no guests per se but Toshio Egawa played keyboards and is credited on the liner notes to the CD. That is one aspect that makes this CD so brilliant is that Akira not only produced it but played so many instruments. He is truly a major talent.

3 - This new record "Fire Without Flame" has lots of different songs, it has some fast songs, mid-tempos, AOR ballads, bluesy rockers, etc. It just came out like this or did you really wanted to write such an heterogeneous record?
We did not set out to make it this way. The songs reflect styles that are influences that we both have. It's better to showcase a bit of diversity that to be one dimensional.

4 - You also have a new label for this record, AOR Heaven. How did you got in touch with them and why did you chose them to release this album?
Akira and Yamaha sought out AOR Heaven. They knew I was on Frontiers as a solo artist in Europe and I know they did not want a conflict of interest and I respect that. We are very pleased that AOR Heaven has released this record in Europe... I am especially happy to see Akira get some deserving attention from the European fans and media. He deserves it.

5 - Where did you recorded the album and who produced it?
We both produced our parts separately but exchanged files back and forth. Technology enables us to do this that it is like being in the same studio. Gary Tole and I produced the vocal tracks. Akira did all the rest.

6 - What kind of subjects did you used for the lyrics in this record?
Reincarnation, romance, lack of romance, broken hearts, personal transformation, rock and roll wildness, ripping it up, interpersonal and even some political subject matter (i.e. "Slow Burn").

7 - Do you plan to play this songs live of with Akira or is it just a studio project?
Certainly, it would be great to expose the European and other continents to the talent that Akira has and the synergy we have together onstage. However, there are no definite tour plans in the works as of the date of this interview. If the right situation were to come about where it would make good business sense for us to do some shows outside of Japan, we would probably entertain the idea. When we set out to do this record we did not set out with it in mind as being ONLY a studio project, if that is what you mean.

8 - In the past year I've been asking to a lot of musicians and bands what do they think about the internet piracy, the albums being available months before the release date, etc. I'm curious with your response to this because your career is over 3 decades now and you saw a little bit of everything in the music industry, it is always changing so, what do you think about all this internet file sharing, downloading, mp3?
It was bound to happen with technology. There really is no stopping it without severe invasion of freedoms. Regulating can only do so much. Boots and pirating will exist no matter what changes are brought about in technology. Hey... there was just as much of this going on back when we had analog and tapes.

9 - What are your plans for the future? Solo records, collaborations like this one, playing live, DVD?
This summer, I am heading to Japan for a very special show with the New Japan Philharmonic. I have a few USA shows planned, one is a major radio festival in Tucson, Arizona with Alice Cooper and others.I just finished filming a major TV commercial here in the USA. I contributed a song to Howard Lease's (Heart) new record in the works.And, yes, I do hope to start writing and recording another solo CD fairly soon.

10 - Do you want to leave a final message to your fans?
I want to say thank you to them all from the depths of my heart and soul. It is their loyalty that keeps me going. I love them all and thanks for their support.


Entrevistador: RDS
Entrevistado: Joe Lynn Turner – Vocals
-
AOR Heaven: www.aorheaven.com

Akira Kajiyama + Joe Lynn Turner – Fire Without Flame (2006) – AOR Heaven

Quanto a Joe Lynn Turner penso que não é preciso referir muito. Se estão a ler esta crítica é porque o nome vos chamou a atenção. Basta apenas dizer que foi vocalista de nomes como Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen ou Hughes Turner Project (HTP), além de já ter lançado vários álbuns a nome próprio. Akira Kajiyama é um guitarrista Japonês que fez parte de uma banda chamada Precious na segunda metade da década de 80. Em 1998, juntamente com Yukio Morikawa (ex-vocalista de Anthem) gravou um álbum de tributo a Rainbow intitulado “Niji Densetsu (Legend Of Rainbow)”, onde Joe Lynn Turner foi convidado especial. A partir daí as colaborações entre ambos começaram a surgir. Esta é mais uma, um álbum no qual JLT gravou nas vozes e Kajiyama gravou todos os instrumentos.No total são 11 temas de Hard Rock por vezes com um toque de Blues, outras vezes mais AOR, outras vezes um pouco mais pesado, há um pouco de tudo. “One Day Away” é muito linha AOR; “Fire Without Flame” tem um riff de entrada muito AC/DC (faz lembrar “Highway To Hell”); “Carnival Of Souls” é mais rápido e faz lembrar Rainbow, tanto na voz como na parte instrumental, há também as habituais baladas como “Heart Against Heart” ou “Bad Feeling” (toque Blues), “End Of the Line”, “Looking For Trouble” e “Down And Dirty” voltam aos temas rápidos, grandes temas de Hard Rock a abrir. A fechar está “Slow Burn” a lembrar muito “Burn” dos Deep Purple”.Aconselhado aos fãs de Hard Rock linha 80s, Rainbow, Deep Purple e Joe Lynn Turner a solo. RDS
85%
AOR Heaven: www.aorheaven.com
GerMusica: www.germusica.com

Agent Cooper – Beginner's Mind (2005) – Zero Sum / Progrock Records

Para quem pensa que o Rock Progressivo é uma seca e a maioria das bandas não tem a “força” de uma banda de Rock no verdadeiro sentido da palavra, esta é uma boa opção. Os Agent Cooper são, acima de tudo, uma banda de Rock / Hard Rock aos quais aliam as tendências progressivas. A banda gravou a sua estreia homónima em 1999 mas só agora é que editam o novo trabalho. Há aqui de tudo um pouco, desde Progressivo a sinfónico, Rock, Hard Rock de tendências 80 e AOR e até algumas passagens mais Funky, Bluesy ou jazzísticas a adornar. Excelentes ideias bem executadas, riffs de guitarra fortes mas sem chegar a ser Heavy Metal (o que pode assustar muita gente do Progressivo), secção rítmica competente, teclados bem encaixados, alguns apontamentos electrónicos e excelente voz. Não é um álbum que vai revolucionar o mundo das sonoridades Progressivas ou Hard Rock, mas é um álbum muito acima da média do que se faz hoje em dia no género. Se gostam de bandas com música mais “complicada” e trabalhada mas que tem verdadeiras guitarras e atitude Rock, tais como Tool, Porcupine Tree, Ark, etc, então experimentem os Agent Cooper. RDS
85%
Progrock Records: www.progrockrecords.com
Agent Cooper: www.agentcooper.com

Sunday

Alex Ogg – No More Heroes: A Complete History Of UK Punk From 1976 To 1980 (2006) – Cherry Red

Mais um livro que me chega às mãos pela Cherry Red Books. Quando vi o título deste, fiquei logo em pulgas para o começar a desfolhar. Nas 736 páginas que compõem o livro encontramos nomes sonantes como Sex Pistols (pois claro, iam faltar?), Adam And The Ants, Angelic Upstarts, Buzzcocks, Clash (com umas boas páginas para ler só por conta destes senhores!), Cock Sparrer, Damned, Generation X, Rezillos, Sham 69, Siouxsie And The Banshees, Stiff Little Fingers, UK Subs, Vibrators, Wire, X-Ray Spex, etc, lado a lado com bandas não tão conhecidas como Disturbed, Chaos, Glaxo Babies, Raped, Subway Sect, etc, e até mesmo várias bandas que nem sequer chegaram a gravar em estúdio. Temos um índice para nos guiarmos (que podia estar mais detalhado em termos de bandas e não só por letras). Uma introdução pelo autor e duas por músicos, David Marx dos The Aggravators e Captain Sensible dos The Damned. No fim do livro temos ainda alguns títulos do catálogo da Anagram / Cherry Red como re-edições e colectâneas póstumas das bandas aqui retratadas, caso se queira comprar a “banda-sonora” para acompanhar a leitura do livro, além de outros títulos interessantes da Cherry Red Books. Um pouco de publicidade no fim do livro não lhes faz mal, he, he!Há coisas boas a apontar e coisas más. Comecemos pelas boas: isto é um completíssimo compêndio do Punk Britânico de 1976 a 1980; as biografias estão bem redigidas, completas e incluem algumas histórias engraçadas e outras mais sérias contadas pelos próprios protagonistas. As discografias das bandas são detalhadas e incluem não só os discos oficiais mas também colectâneas póstumas e em alguns casos discos piratas.As más são poucas: não há fotografias de todas as bandas e as que há são a branco e preto (a cores era um bocadito mais caro o livro, também podemos compreender isso!), mas algumas até nunca foram editadas antes e ganha-se nesse sentido; e ainda podia ter flyers, cartazes de concertos da altura, etc. para tornar isto bem mais completo e interessante.Um aspecto negativo a salientar é que este livro é mais uma espécie de dicionário ou enciclopédia exaustiva e um pouco chata de ler do que propriamente um livro sobre música, que devia ser mais divertido de ler, e em especial este tipo de música. Mas é essa mesma a intenção do livro, ser um compêndio exaustivo do Punk Britânico da segunda metade da década de 70. Mas de qualquer maneira há aqui muita coisa interessante para ler, coisas que não sabíamos das bandas, passamos a conhecer outras bandas mais Underground, rimos com algumas anedotas e situações caricatas da altura e no fim do livro ficamos com um doutoramento em “Punkologia Britânica I”. RDS
90%
Cherry Red Books: www.cherryred.co.uk

Strike Anywhere – Dead FM (2006) – Fat Wreck Chords

Aí está finalmente o terceiro álbum para este Norteamericanos Strike Anywhere, após 3 anos à espera do sucessor de “Exit English” de 2003. Eu não gostava muito deste tipo de material até ouvir um 7” destes tipos que até me agradou. Tem melodia qb mas é rápido e potente, com uns riffs bem Hardcore e a voz não é assim tão melosa como a de outras bandas do género, tem aquele som arranhado que lhe dá um nível mais Punk old-school. Depois disso não é que tenha perdido o rasto à banda, até soube das edições dos 2 álbuns anteriores mas nunca lhes dei a devida atenção. Este novo trabalho chegou-me às mãos via Fat Wreck Chords e gostei muito do material que aqui está. Continua naquela linha de Hardcore melódico com certas influências Punk Rock e a tal voz arranhada. É mais do mesmo mas é mais do bom, por isso não nos podemos queixar! Muito pelo contrário! As letras continuam muito políticas e socialmente conscientes, mantendo esta banda um pouco à margem do actual panorama Punk Rock / Hardcore melódico que se apoia mais no estilo e no ser mais cool que o vizinho. Aqui o espírito Punk Rock e do Hardcore de início dos 80s está bem vivo e de boa saúde! Entre os 14 temas que compõem estes 31min10seg podemos salientar o meu favorito “Speak to our empty pockets”, além de “How to pray”, “Two thousand voices”, “Hollywood cemetery”, “Dead hours” ou “Iron trees”.Quem já conhece a banda tem aqui mais um bom album com o som de sempre mas aprimorado. Para quem não conhece, se gostam de Hardcore melódico com muita atitude old-school, experimentem que não vão ficar desiludidos. RDS
90%
Fat Wreck Chords: www.fatwreck.com / www.fatwreck.de
Strike Anywhere: www.strikeanywhere.org

The Exploited – Live In Japan & Argentina (2006) – Cherry Red

A Cherry Red acaba de editar mais um DVD dos The Exploited, após ter editado “Rock & Roll Outlaws plus Sexual Favours” e “Live At Palm Cove & 83-87”. Este aqui inclui duas filmagens ao vivo, uma no Japão em Junho de 1991 no Club Citta em Kawasaki, e outra na Argentina em Março de 1993 em Buenos Aires. Este DVD irá certamente fazer a delícia não só de Punks mas também de fans de Hardcore e Metal, em especial os apreciadores do crossover punk/metal/hardcore da primeira metade da década de 90. A imagem, longe de ser perfeita, é superior à de muitas das recuperações de bootlegs ou gravações de video perdidas no tempo. O som esse é potente quanto baste para nos fazer pensar que estamos lá a assistir “in loco” às actuações. O concerto do Japão é sensivelmente melhor, tanto na imagem, como no som, como na própria actuação, mas o da Argentina não lhe fica muito atrás. Muita energia, muito poder, grandes actuações bem suadas, tanto no palco como na plateia. Só é pena não ter uns extras tipo entrevistas da época ou qualquer coisa do género, o que lhe daria outro colorido.Eu serei um pouco suspeito ao estar a recomendar vivamente este DVD, porque de todo o cenário Punk, esta é uma das minhas bandas favoritas. Mas não sou só eu que penso desta maneira, porque os Exploited são uma das bandas mais reverenciadas da segunda onda de Punk oriundo das ilhas britânicas e já lá vão quase 3 décadas de muito Punk e não parecem querer parar. É pena as duas actuações juntas perfazerem apenas cerca de 77 minutos de duração, mas também, com esta intensidade, quem é que aguenta muito mais?! No todo, é um DVD altamente recomendável a Punks, Headbangers e pessoal do Hardcore / Crossover mais “old school”. RDS
95%
Cherry Red Films: www.cherryred.co.uk
The Exploited: www.the-exploited.net

Aeternus – Hexaeon (2006) – Dark Essence / Karisma Records

No activo desde 1993, estes Noruegueses Aeternus já lançaram 4 álbuns através da Hammerheart Records e outro através da Nocturnal Art Productions. Este é o 6º trabalho e o primeiro através da Dark Essence Records. O som continua no mesmo estilo de sempre, mas com uma pequena diferença: muito melhor! Dark Metal bem intenso, pesado e com uma certa orientação épica. “Hexaeon” é o álbum mais variado de sempre da banda, com ritmos variando dos mais rápidos aos mais lentos, com passagens com mais groove e outras com certa inclinação Viking Metal, sempre com um peso indiscutível mas com algumas passagens mais ambientais e épicas para variar um pouco e não cansar muito o ouvinte de tanto peso. O que se ouve nestes 9 temas (em cerca de 34 minutos) não é nada de novo ou original, mas o que é que isso interessa quando um Dark Metal desta qualidade e intensidade nos agarra desde o início do álbum até ao fim? RDS
90%

[F.E.V.E.R.] - Entrevista

1 – Ultimamente têm havido algumas mudanças na formação nos [F.e.v.e.r.]. O que é que tem acontecido desde o último trabalho até hoje nesse sentido?
O nosso ex-baterista - Sérgio Pencarinha - decidiu, por motivos pessoais e profissionais, não assumir mais compromissos com a música e abandonou o projecto. Durante esse processo aproveitámos para compôr o álbum “4st_Fourst” e encontrámos um substituto para o mesmo lugar, Pedro Cardoso (ex-Carbon H e ex-Gazua).
-
2 – Antes de passar ao novo EP, fala-me um pouco da edição anterior, o disco de remisturas “Electronics”. Como é que surgiu essa ideia e como é que escolheram as pessoas que colaboraram nesse registo?
Tinhamos acabado de perder o baterista e achámos que as máquinas poderiam voltar a ter o protagonismo que tiveram no início da nossa formação. Dado que tínhamos contacto pessoal priviligiado com essas pessoas e sempre ponderámos a hipótese de um disco de remisturas, acabámos por aproveitar essa pausa forçada para o lançar. São sobretudo convidados que estão, de alguma maneira, relacionados connosco e por quem sentimos apreço. Entretanto, a altura de começar a devolver esses favores chegou e já estamos a trabalhar em deconstruções para algumas dessas pessoas.
-
3 – Este novo trabalho é apenas um EP de transição entre o último trabalho e o próximo. Já é habitual na banda este tipo de edições. O que temos aqui é apenas um tema e depois várias versões (ou remisturas) do mesmo e um vídeo. Porque uma edição deste género e não qualquer coisa com mais material novo?
Não se trata de um EP mas sim de um single. Foi uma canção que gravámos ainda antes da chegada do novo baterista e que cedo se decidiu que seria a primeira amostra do álbum que aí vem, “4st_Fourst”. Como lançar um single de antecipação com duas ou três faixas nos parece uma coisa pouco generosa, quisemos desdobrar a música e dar-lhe várias faces, de diversas formas. O suporte multimédia tem, em si mesmo, imenso potencial e sempre achámos boa ideia tirar proveito disso. Acrescentámos um vídeo, samples avulsos, maravilhosos toques de telemóvel em MIDI e anotações para a interpretação da música por dois violinos e um violoncelo.
-
4 – Como é que surgem os Corvos e o Martin Rev nesta gravação?
Para falar verdade, o que nós queríamos mesmo era uma colaboração com o Eurico A. Cebolo que, infelizmente, não chegou a ser levada adiante. Tivémos de nos contentar com 50% dos Suicide e com uns tipos que tocam uns instrumentos esquisitos. Para falar realmente verdade, da última vez que o Martin veio a Portugal, claro que o fomos ver. Falámos com ele, apresentámos-lhe o nosso trabalho e perguntámos se estaria interessado em remisturar uma música nossa. Aceitou. Com os Corvos o processo foi similar. E também aceitaram.
-
5 – O tema que aqui apresentam (“Bipolar [-]”) irá figurar no próximo CD (embora numa versão diferente), e é um tema mais melódico e com um refrão muito “catchy”, quase Pop. É esta uma previsão daquilo que é o estilo dos [F.e.v.e.r.] hoje em dia e do que se irá ouvir no disco de estreia?
A versão (“Bipolar [+]”), que vai figurar no álbum, deve-se ao facto de contar já com a participação do actual baterista, sendo mais orgânica, por oposição à versão anterior gravada com bateria programada. Previsão do que será o disco de estreia? Sem dúvida. Quanto ao futuro, logo se verá...
-
6 – Como já referi, no CD também temos a hipótese de visualizar o videclip do tema título. Quem é que foi o responsável pelo vídeo, qual é o conceito do mesmo e o que pensas do resultado final?
Foram o António Campelo e o Mário Jorge que aceitaram produzir-nos um vídeo, enquanto realizador e animador, respectivamente. Chamaram alguns dos seus alunos para estagiar no estúdio de animação onde trabalham e apresentaram-nos uma mini-obra-prima a preto e branco que ganhou os prémios de Melhor Filme de Animação e Melhor Produção Nacional do Festival Black & White 2006. O vídeo retrata a condição bipolar em que cada um de nós, forçadamente, se encontra. O facto de termos de ser pessoas diferentes perante circunstâncias diferentes.
-
7 – Também temos aqui uma faixa com samples do tema-título. Qual a ideia por detrás desta faixa?
Quisemos não esgotar a ideia da desmultiplicação da música apenas no single em si. A inclusão de samples apela a que outros possam também experimentar e remisturar a música à sua maneira.
-
8 – Desde que se formaram que têm lançado EP’s, um disco de remisturas, fizeram colaborações em discos de tributo, etc. Para quando o disco de longa duração?
Tudo aconteceu de forma espontânea. Apenas fomos trabalhando de forma ponderada com os meios e possibilidades que tínhamos, tentando aprender com isso. De qualquer maneira, nunca esteve nos nossos planos a urgência de um longa-duração imediato. Sempre achámos que quando chegasse a altura o faríamos. Quando nos achámos preparados para fazer o disco que queríamos, fizémo-lo. Existiram diversos factores para isso ter acontecido, a evolução da banda e os vários contratempos com que nos deparámos. O álbum sairá em Abril pela RagingPlanet e chama-se, como já referimos, “4st_Fourst”.
-
9 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades? Como é que têm corrido esses concertos?
Não tocamos ao vivo desde 2004, também devido à saída do primeiro baterista. Entretanto, começámos a compôr o “4st_Fourst”, estivemos em gravação para o mesmo e para o CD Single “Bipolar [-]”, gravámos dois temas para tributos (Mão Morta – RagingPlanet Records e The Cure – Equinoxe Records), masterizámos o nosso disco de remisturas... Enfim, estivemos mais envolvidos na produção da banda em estúdio. Neste momento já estamos em ensaios e contamos apresentar o nosso novo trabalho, ao vivo, no fim de Abril.
-
10 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
Precisamente na sequência da pergunta anterior: concertos, concertos, concertos!
-
11 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk / Hardcore, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
A era digital abriu bastante as possibilidades para as bandas poderem trabalhar pelos seus próprios meios e de forma completamente independente. O poder das editoras está em causa e é bom saber que o processo criativo está hoje mais nas mãos de quem cria do que antes. A cena está imparável! Há coisas novas a surgir a uma velocidade e quantidade nunca antes vistas e precisamente por isso é que têm aparecido coisas muito boas recentemente. Uma das que mais nos entusiasma é a Thisco – era totalmente impensável há quinze anos atrás termos uma associação de músicos funcional e de qualidade dedicada à electrónica experimental a proporcionar-nos bons discos quase mês após mês. A acompanhar de muito perto toda esta evolução, temos também gente como o Daniel Makosch a fazer surgir selos como a Raging Planet, onde os músicos são respeitados e apoiados. Quanto a discos fétiche recentes, escolhemos, da Raging Planet, o “Hellstone” dos Men Eater e da Thisco, a “Rima” do Samuel Jerónimo.
-
12– Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Também vocês são um exemplo de como a cena está diferente. É bom saber que também andam por aqui a tentar fazer disto uma coisa cada vez melhor. Agradecemos a entrevista e o interesse – a gente vê-se por aí! Entretanto, não se esqueçam de ir espreitando o www.myspace.com/feveronline! \m/
-
Entrevistador: RDS
Entrevistados: Fernando Matias (vocals); João Queirós (guitar / keyboards); Luís Lamelas (guitar).
Raging Planet Records: http://www.ragingplanet.web.pt/

João Manuel Aristides Duarte – Memórias Do Rock Português (2ª ed.) (2006) – Edição De Autor

O Aristides Duarte é natural da aldeia de Soito (concelho do Sabugal) e desde cedo se interessou pelo Rock feito em Portugal. Hoje em dia é responsável por um blogspot muito interessante que funciona como um “museu” do Rock Português, e que foi através do qual conheci o trabalho deste senhor (o link está em baixo, vale a pena visitar!). Em tempos foi colaborador do semanário Nova Guarda, onde escrevia algumas crónicas sobre o Rock Português (e não só) e este livro reúne essas mesmas crónicas junto com mais algum material de interesse.Analisando o livro através do seu índice temos o prefácio que foi escrito por António Manuel Ribeiro dos UHF, seguido dos agradecimentos do autor e nota à segunda edição. Depois temos uma breve história do Rock em Portugal desde os tempos do “yé yé”, passando pela década de 70, o “boom” do Rock Português nos 80, os anos 90 e o século XXI. São textos muito resumidos mas com o essencial e que podem dar uma perspectiva geral a quem não está por dentro do assunto. Depois passamos às biografias propriamente ditas, as quais estão ordenadas por ordem alfabética, estão resumidas mas com o essencial e mais importante para cada banda. Segue-se uma curiosidade, uma crónica sobre a revista “Rock Em Portugal”, a única revista no nosso país a dedicar-se ao fenómeno em questão, antes do “boom” dos 80 acontecer e uma reportagem de um concerto dos Hosanna no Sabugal retirado da mesma. Uma reportagem sobre um concerto de Sérgio Godinho com os Clã (na altura do “Afinidades”) na Guarda escrito pelo próprio Aristides Duarte na altura. Ambas as reportagens ficam um pouco deslocadas em relação ao resto, não se percebendo bem qual o critério de escolha para estas e não outras. Mas de qualquer maneira ficam como curiosidade. A seguir vêm 3 páginas muito mal gastas e que eu aconselho a passar à frente. Uma entrevista com os Clockwork Boys e o JC Serra (dos extintos Aqui D’El Rock). À partida poderá parecer interessante o facto da entrevista ser feita também ao JC Serra, mas aqui não vão encontrar nada de interessante, as respostas são dos mais absurdo e até “brejeiro” que se possa imaginar. Adiante. Segue-se uma lista dos melhores dos anos de 1999 a 2003. Por um lado, estas listas são subjectivas, por outro, porquê os melhores destes anos e não dos antecedentes? Seria mais completo ter, tendo em conta o conteúdo geral deste livro, os melhores das diversas décadas. Mas de qualquer maneira fica um pequeno guia para aqueles que andam um pouco à deriva na música moderna Portuguesa dos últimos anos. Segue mais uma curiosidade, a letra de “Rockolagem” de João Moutinho, uma letra que se refere a diversas bandas ou temas dos anos 80. Engraçado mas uma mera curiosidade, não mais. O livro continua com algumas fotos de concertos, capas de discos e memorabilia. Até há aqui fotos interessantes mas isto está algo aleatório, sem ordem certa e/ou escolha prévia, parece que era o que havia e meteu-se no livro para encher. Seguem as novidades nesta 2ª edição (revista e aumentada), novas biografias que não figuravam na edição original e que completam um pouco mais o livro. Mais fotos de concertos, memorabilia e capas de discos. O mesmo reparo que fiz em cima. Um posfácio. Remata-se o livro com a discografia básica do Rock Português. Mais uma vez, este tipo de listas são subjectivas e outra pessoa faria uma diferente. Mas esta já é geral e como disse antes, serve como uma referência para quem anda a tentar começar nisto da música moderna Portuguesa, melhor até que as listas anteriores. Além destas novas adições, o resto do livro foi revisto e corrigido. Bibliografia e índice fecham.Há já bastante tempo que uma edição deste género se justificava. É claro que há pontos negativos e outros positivos, mas o resultado final pende a balança para o lado do positivo. Pontos positivos são: vir colmatar uma falha existente no cenário musical nacional, um Livro sobre o Rock feito em Portugal desde os primórdios; a breve história musical que já referi; biografias resumidas mas essenciais; usa-se linguagem simples que qualquer pessoa pode entender sem dificuldade; variedade de estilos musicais (“yé yé”, Rock, Hard Rock, Heavy Metal, Punk, Progressivo, etc). Pontos negativos: alguma desordem e aleatoriedade nas imagens anexas (fora das próprias biografias, i.e.); a constante referência aos concertos e diversos acontecimentos que tiveram lugar no Soito / Sabugal / Guarda, isto quer-se mais geral; falta de imensas bandas que são importantes (também não cabem cá todas!).Vale a pena comprar? Sem dúvida alguma! Por alguma razão a 1º edição esgotou tão rapidamente (bom, também é uma edição de autor, com baixa tiragem, mas mesmo assim!). Apesar de algumas falhas e aspectos negativos, este livro é essencial na biblioteca de qualquer amante do Rock (Português e em geral), musicólogos, fãs, músicos, etc. O livro ideal para oferecer ao irmão mais velho, ao primo que teve um programa de rádio em tempos idos, ao pai que viveu os tempos dos “yé yé” ou da década de 70, ao filho que já está grande e começa a demonstrar algum interesse pela música, etc. Eu já tenho o meu exemplar (da 1ª e da 2ª edição) e já sei a quem vou oferecer um exemplar nestas férias de Natal / fim de ano.O meu obrigado ao senhor Aristides pela iniciativa, pela teimosia na manutenção do blogspot, e pela oferta desta 2ª edição.Indispensável! RDS
80%
Blogspot Rock Português: http://rockemportugal.blogspot.com
E-mail (Para comprar o livro): akapunkrural@gmail.com