Friday

V/A – Rockin’ At The Take Two Vols. 1&2 (2007) – Anagram / Cherry Red

O Take 2 era um clube no Norte da Inglaterra com algumas noites dedicadas ao Psychobilly, e por lá passaram muitos dos grandes nomes de cena Britânica. Chuck Harvey (The Frantic Flinstones) na altura a trabalhar como A&R na Link Records, ajudou a montar um festival, o qual foi gravado, e algumas dessas gravações foram retratadas no primeiro volume da colectânea. Como a noite correu tão bem, fez-se uma segunda noite, retratada no segundo volume. Agora, e como o título indica, “Rockin’ At The Take 2 – Volumes 1 & 2”, temos disponível esta bela re-edição em CD que reúne os dois volumes. Ao todo temos 30 temas de 13 bandas, a saber: Screaming Dead, Sugar Puff Demons, The Hepileptics, The Tailgators, The Batfinks, Some Kinda Earthquake, The Radiacs, The Frantic Flinstones, The Deltas, Stage Frite, Grovel Hog, The Coffin Nails e Demented Are Go. Mais uma vez, o texto incluído no livrete (escrito por Alan Wilson) podia ser mais extenso e incluir algumas tiradas e / ou histórias relacionadas com os festivais escritas pelos membros das bandas mas, mesmo assim, o que conta é a música, e essa está cá. Mais uma peça da história do Psychobilly. RDS
85%
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk

The Escalators – Live At Le Havre 1983 (2007) – Anagram / Cherry Red Records

O disco em análise neste artigo é “Live At Le Havre 1983” dos The Escalators, banda formada por Nigel Lewis e Mark Robertson, apor a sua saída em 1982 dos The Meteors. No seu pouco tempo de vida gravaram uma série de singles e um único disco, “Moving Staircase”, para depois se transformarem nos The Tall Boys. Aqui não se trata propriamente de uma re-edição, mas passo a explicar de seguida. Por sorte, para os fãs da banda e do Psychobilly / Neo-Rockabilly em geral, algumas das suas gravações ao vivo sobreviveram ao tempo, sendo esse o caso desta gravação no Le Havre em 1983, a qual vê aqui a sua primeira edição oficial. São 16 temas ao vivo com um som típico de bootleg, som cru e “arranhado”, e o livrete apenas contém um curto texto escrito por Alan Wilson, mas este CD tem o seu valor histórico apesar de tudo. Mais Rock ‘N’ Roll tradicional que Rockabilly, toques de Post-Punk e alguma New-Wave. Um dos interessantes ramos da árvore genealógica de The Meteors. RDS
85%
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk

Guanabatz – Get Around (2007) – Anagram / Cherry Red Records

Chegaram-me às mãos mais algumas re-edições da Anagram, parte da sua Psychobilly Collectors Series, os quais vou analisar nos próximos artigos. Este CD é uma re-edição do último álbum de estúdio dos Britânicos Guana Batz, “Get Around”, datado originalmente de 1994. Este disco tem a sua importância por isso mesmo, por marcar o fim dos Guana Batz como banda e, além disso, como estas re-edições têm sempre alguns atractivos extra, neste, além dos 15 temas originais temos ainda direito a 3 bónus gravados ao vivo em Tokyo em 1992 e a um livrete com um texto escrito por Simon Nott da Big Cheese Magazine. Psychobilly / Neo-Rockabilly a na sua maioria midtempo mas com alguns temas mais uptempo. Apesar de este não ser o melhor disco da banda é um óptimo “canto do cisne”. RDS
75%
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk

Saturnia – Muzak (2006) – Elektrohasch Records

Saturnia é um projecto do Português Luís Simões (em tempos fez parte dos Thrashers Shrine, lembram-se? Agora faz parte dos Blasted Mechanism). Confesso que não tenho andado muito atento à carreira deste senhor, nem sabia sequer que este era já o seu 4º trabalho sob esta designação! Lembro-me de ouvir a maquete de estreia e de esta não me ter chamado muito a atenção, pois era um tipo de sonoridade que eu não ouvia muito na altura. Este novo trabalho não foge muito do que ouvi nessa maquete, com a diferença de que já passaram alguns anos e Luís já faz isto com mais facilidade e experiência, e além disso eu já não sou assim tão estranho a este tipo de sonoridades. Temos aqui 10 temas linha Psychedelic / Space Rock de cariz mais ambiental que propriamente Rock, com alguns toques Progressivos e até mesmo influências orientais e de world music no geral, que andam na sua maioria na casa dos 6 / 7 minutos. As influências não são muito notórias mas com algumas audições atentas encontra-se aqui pequenos fragmentos que poderiam estar em discos de Hawkwind, King Crimson, The Doors, Tangerine Dream, Pink Floyd ou até mesmo Ravi Shankar, entre outros. Há aqui duas participações especiais, o ex-Hawkwind Nik Turner toca em “Organza”, enquanto que Daevid Allen presta o seu contributo em “Syrian” com um spokenword. À primeira audição não me chamou muito a atenção mas agora que estou a ouvir com mais atenção, estou a gostar do que está a sair pelas minhas colunas e estou a encontrar sons, melodias, sensações, que me estão a agradar imenso. E a cada nova audição encontro outros pormenores que me chamam a atenção e me fazem voltar atrás para ouvir de novo. Se não gostam deste tipo de sonoridades mantenham-se bem longe, se estão numa onda mais ambiental / psicadélica, este é um álbum a descobrir rapidamente. RDS
85%
Elektrohasch Records: www.elektrohasch.de
Saturnia: www.saturniamusic.com

Phased – Medications (2006) – Elektrohasch Records

Phased é um trio composto por elementos da Suécia, Suiça e Finlândia. Este é o seu novo trabalho intitulado “Medications” (85%) e contém 10 temas de Stoner / Space Rock bem pesados, “doomy” e com toques de psicadelismo, com influências de Black Sabbath, Hawkwind e Kyuss. Começa com dois temas mais lentos, linha Black Sabbath mas com algum psicadelismo. Segue um tema mais rápido “Reminder”, bem Rock ‘N’ Roll, a lembrar os Fu Manchu. “Frozen buds”, um dos meus temas preferidos, continua numa linha uptempo numa espécie de fusão Queens Of The Stone Age e Ramones com Jello Biafra como vocalista convidado, com uma secção bem arrastada a meio da faixa para depois voltar ao ritmo uptempo. Voltamos ao psicadelismo vertente Doom em “The marsh chapel experiment” com voz a lembrar a pronúncia de Serj Tankan dos System Of A Down. Continua na mesma linha em “Sausage tricks”. “Traces” inicia com um grande riff mais roqueiro mas continua em plano Stoner. Em “Back in time” volta a vir à tona a influência mais Rock ‘N Roll com um tema mais acelerado, tendência que segue em “Solitary animal” mas mais a midtempo. Fecha com “Nude interlude from hell” tal como iniciou, Doom / Stoner bem arrastado com notórias influências Black Sabbath mas com tendências mais psicadélicas linha Hawkwind, em cerca de 8 minutos e meio. Não é certamente nada de novo e as repetidas influências atrás mencionadas são mais que evidentes mas este trio multinacional faz o que faz bem e com muita garra. Vale a pena tentar. RDS
85%
Elektrohasch Records: www.elektrohasch.de
Phased: www.phased.ch

Thursday

Kronos – Symbolon (Demo 2005) – Edição De Autor

Não sei muito sobre esta nova banda Portuguesa, Kronos, apenas me chegou às mãos esta Demo-CD (com algum atraso, visto ser já de 2005), sem biografia a acompanhar, por isso, vou limitar-me a analisar as 5 faixas que compõem esta rodela prateada. Li numa outra crítica que a banda inclui ex-membros de Über Mannikins, e agora que estou a ouvir “Symbolon”, as semelhanças são até algumas. Ainda me lembro bem da excelente maquete que eles lançaram, a qual tenho assinada pelos membros da banda, aquando da sua actuação como banda convidada num concurso de música moderna aqui da zona onde vivo. A música dos Kronos é apoiada na parte electrónica, com tons muito frios e crus. Aliás, falei um pouco atrás em prateado, e essa é mesmo a tonalidade que pode descrever a música da banda. Os dois primeiros temas, “Untergang” e “A Blink Of An Eye” são mais calmos, a fazer lembrar o Pop electrónico de tendências Góticas vindo da Alemanha. “Deconstruction” já é mais dançável mas as influências vêm na mesma da Alemanha e de nomes como De/Vision, pelo lado mais Electropop, e Das Ich, pelo lado mais Industrial. “So Sick” é mais experimental e tem uma vertente Industrial mais acentuada. “Il Faut Être Absolement Moderne” fecha na mesma linha, faz lembrar Bizarra Locomotiva dos inícios e, mais uma vez, os germânicos Das Ich. As letras, em todas as faixas, são um misto de inglês e passagens faladas em português. Não é nada de novo ou original e a produção não é das melhores. Há algumas ideias que até indiciam que a banda vai no bom caminho, mas falta mais trabalho de composição e, especialmente, arranjos finais mais cuidados. Parece tudo um pouco feito à pressa. No entanto, é uma das poucas bandas a praticar este tipo de sonoridade em Portugal por isso, é bem-vinda. Pode ser que uma segunda Demo venha mais interessante mas, para já, fica mesmo pela curiosidade. RDS
65%

Deadlock – Wolves (2007) – Lifeforce Records

“Wolves” é o novo trabalho para os Deadlock, após o fabuloso “Earth.Revolt” de 2005. A sonoridade mantém-se igual com a fusão de Thrash, Death e Metalcore. As influências do novo Metal Sueco são evidentes, assim como alguns toques góticos que dão um ar mais obscuro à música, apontamentos electrónicos, dualidade voz masculina gutural e voz feminina angelical (muito mais presente que no anterior trabalho), e inclusive algumas passagens acústicas e ambientais. Há de tudo um pouco, aqui em doses mais balançadas que anteriormente. Estes 10 temas (mais intro) estão plenos de muito peso, intensidade, velocidade, groove e melodia constante. Para quem conhece os anteriores registos da banda, isto é uma continuação, mas um passo em frente, sem demonstrar estagnação, falta de ideias ou sinais de se ter esgotado a fórmula. Para quem não conhece, pensem numa fusão entre Dark Tranquillity, In Flames, Darkane, Sirenia e Leaves’ Eyes e terão uma certa ideia. Temas a destacar, “Code Of Honor” (a voz feminina a destacar-se, com interessantes samplers electrónicos), “Losers’ Ballet” (entrada fantástica, ao género banda sonora de filme de terror gótico, segue numa linha bem dark e intensa), “End Begins” (com samplers electrónicos bem encaixados e uma passagem experimental a meio linha European Electro / EBM), mas todas as faixas têm o seu atractivo. Para quem gosta do seu Metal bem pesado mas com melodia constante. RDS
85%
Lifeforce Records: www.lifeforcerecords.com

Antimatter – Leaving Eden (2007) – Prophecy

Este é já o quarto trabalho dos Antimatter, projecto de Mick Moss, agora sem a participação de Duncan Patterson que deixou a banda e partiu para outras aventuras. Este novo trabalho conta com a participação de Danny Cavanagh dos Anathema como músico de sessão, além de Ste Hughes, Chris Phillips, Rachel Brewster e Gavin Attard. “Leaving Eden” continua numa linha semelhantes aos discos anteriores, com material muito intimista, melancólico, com passagens atmosféricas e ambientais, mas está mais virado para o Rock, com uma evidência maior para a guitarra eléctrica. São 9 novos temas o que Mick Moss e os seus Antimatter nos apresentam nesta nova proposta através da Germânica Prophecy. Nunca fui grande fã de Antimatter, mas este disco está a agradar-me imenso, e está a ficar cada vez melhor com as sucessivas audições. Para fãs da banda, Anathema (fase pós-Doom), e inclusive apreciadores de Dark Folk, Gótico, Neoclássico e songwriters irão apreciar alguns momentos deste belo disco. RDS
90%
Prophecy: www.prophecy.cd
Antimatter: www.antimatter.tk

Elend – A World In Their Screams (2007) – Prophecy

“A World In Their Screams” marca o regresso do agrupamento Franco-Austríaco Elend e o fechar do ciclo “Winds” iniciado em 2003 com o disco “Winds Devouring Men” e com continuação no ano seguinte em “Sunwar The Dead”. Mais de 30 músicos e vocalistas contribuíram para este novo trabalho que demorou 3 anos a ser desenvolvido. Classical, Avantgarde, Martial, Industrial, Dark e Filmscore são estilos ou denominações que se poderão utilizar para descrever os 11 temas que compõem este disco. Ambientes obscuros, extremos, sufocantes, violentos, inquietantes, depressivos e com um grande sentido épico, mas apesar de tudo belos, é o que podem esperar. “A World In Their Screams” é uma experiência inquietante mas recompensadora se conseguirmos apreciar o lado obscuro da música, do som, da mente e dos sentimentos e natureza humana. Para ouvir bem alto, com as luzes apagadas, os olhos fechados e confortavelmente (ou não!) instalado no sofá ou cama. Uma obra-prima! Não aconselhado a espíritos fracos. RDS
100%

The Mahavishnu Project – Return To The Emerald Beyond (2CD 2007) – Cuneiform Records

The Mahavishnu Project foi formado em 2001 pelo baterista e compositor Gregg Bendian com o propósito de reviver o Jazz Rock da década de 70 e em especial a música da Mahavishnu Orchestra. Este novo registo sonoro intitula-se “Return To The Emerald Beyond” e trata-se de uma revisão actualizada do disco “Visions Of The Emerald Beyond”, editado em 1975 pela extinta banda atrás referida. Os dois discos aqui incluídos foram gravados ao vivo no verão de 2006 em diversas datas da digressão, com uma banda constituída por 11 músicos. Para quem conhece o trabalho da Mahavishnu Orchestra, isto funciona como uma espécie de revivalismo desse material, principalmente ao vivo, pois nem toda a gente teve a oportunidade de os ver em concerto na altura. Mas desengane-se quem pensa que aqui estão reproduções fiéis do referido disco de 1975! Os músicos envolvidos seguem a linha principal do tema, mas depois improvisam nos solos, recriando assim o carácter de improviso e a intensidade ao vivo que fazia parte da MO. Aviso desde já que isto se poderá tornar um pouco aborrecido para quem não está habituado a este tipo de sonoridades. São 2 CDs cheios de temas longos, solos que parecem nunca mais acabar e muito improviso. O próprio John McLaughlin já pôs os seus dois polegares no ar! Apenas para fãs de Mahavishnu Orchestra, Jazz Rock dos 70s, Jazz Avantgarde e Progressivo de fusão. RDS
80%
Cuneiform Records: www.cuneiformrecords.com
The Mahavishnu Project: www.mahavishnuproject.com

Bloodbound – Book Of The Dead (2007) – Metal Heaven

Na digressão de suporte ao disco de estreia, “Nosferatu” (2006), houve diversas mudanças de formação, saindo inclusive, o vocalista de serviço, entre outros membros. Eu já tinha gostado imenso do disco de estreia destes Suecos Bloodbound, por isso, assim que me chegou este novo trabalho às mãos, com alguma ansiedade, coloquei-o no leitor de CDs. Será que está na mesma? Será que está melhor? Pior? As mudanças de formação podem alterar uma banda completamente, e então a saída de um vocalista, e posterior entrada de uma nova voz, pode alterar em muito a música da banda. Felizmente, ainda estão presentes os dois membros fundadores, Tomas Olsson (guitarra) e Fredrik Bergh (baixo, teclas), e o som dos Bloodbound mantém-se o mesmo de “Nosferatu”. Os novos membros encaixaram bem e cumprem o seu papel. São eles Henrik Olsson (guitarra, irmão mais novo de Tomas), Pelle Akerlind (baterista, Morgana Lefay) e a nova voz, Michael Bormann (ex-Jaded Heart, Bonfire) que tem um tom mais agreste e arranhado, talvez mais Glam / Hard Rock, mas que assenta bem nos Bloodbound. Como disse anteriormente, a sonoridade da banda continua na mesma, e isso é bom, muito bom! Heavy Metal com certas nuances Power e épicas, influências dos 80s e bandas como Iron Maiden, Manowar, Helstar, Metal Church, etc. Grandes malhas, algumas a meio tempo, outras mais rápidas, riffs potentes, solos fabulosos, belas melodias, coros épicos, refrões memoráveis. Destacar um tema? Não consigo, TODOS os temas são fabulosos (bem, a balada “Black Heart” é um bocadito frouxa, mas até passa bem no meio do poder do resto do disco)! Um bom disco de Heavy Metal com o espírito da década de 80 mas com um pé bem assente no século XXI. RDS
90%
Metal Heaven: www.metalheaven.net
Bloodbound: www.bloodbound.se

The Senseless – In The Realm Of The Senseless (2007) – Anticulture

The Senseless é um projecto de Sam Bean, baixista dos The Berzerker. Este disco e as 12 faixas que o compõem representam o culminar de 10 anos de composição e 2 anos de gravação. Se conhecem o trabalho de The Berzerker, então não irão estranhar este disco à primeira audição. A sonoridade não foge muito da praticada pela banda principal de Bean, embora aqui o som não seja tão extremo e seja mais variado, mas também não é assim tão fácil de assimilar. Podemos encontrar aqui um pouco de tudo, desde riffs Thrash, passando por algumas influências de Metal Industrial da década de 90 (Fudge Tunnel, Godflesh ou Misey Loves Co.), passando obviamente por Death Metal e Gindcore, chegando até aos limites da música electrónica mais extrema (Gabba, Hardcore e até algum Trance). Segundo o comunicado de imprensa, cada tema levou elementos que tornam impossível a recriação do mesmo ao vivo, desde temas a 550bpm, seis camadas de guitarra, ritmos de bateria invertidos, entre outros. Não sou grande fã do trabalho dos The Berzerker mas, isto aqui tem diversas influências e, apesar de ter uma vertente bem experimental, tem um certo toque de old school (80s e 90s) que me chamaram a atenção. O disco não se torna de modo algum monótono pois há muita coisa a passar-se ao mesmo tempo e, em cada audição encontram-se novos pormenores que mantêm o ouvinte atento. O engenheiro de som para as guitarras foi Matt Wilcock (Akercocke, The Berzerker), a mistura ficou a cargo de Luke “The Berzerker” Kenny e a masterização foi feita por Russ Russell (Napalm Death, Dimmu Borgir, etc). Matt Wilcock dá ainda uma contribuição a nível instrumental em “Trash”, assim como Ol Drake (Evile) providencia o segundo solo de guitarra em “Promise”, tema que tem uma letra escrita pelo autor James DaCosta. Música extrema apenas para mentes abertas! RDS
90%
Anticulture Records: www.anticulture.co.uk
The Senseless: www.thesenseless.com

Leftöver Crack & Citizen Fish – Deadline (2007) – Fat Wreck Chords

Este é um split CD entre os Britânicos Citizen Fish e os Norteamericanos Leftöver Crack. As duas bandas já se tinham juntado para um split 7” há bem pouco tempo, ao qual segue este CD longa duração (a versão em LP sai via Alternative Tentacles). Três dos quatro elementos de Citizen Fish fazem também parte de Subhumans e apresentam-nos aqui 7 temas de Ska / Punk, entre os quais 5 novos, uma versão de “Clear channel (fuck off!)” dos Leftöver Crack e outra de “Money” dos Choking Victim (antiga banda dos membros de L.C.). Não sou grande fã deste estilo de Skacore mas os Citizen Fish fazem-no bem, com um som bem cru e com raízes bem Punk (afinal de contas os tipos são veteranos da cena Anarcho Punk Britânica!), e a pronúncia Britânica soa bem no estilo. Aliás, pensem nos já referidos Subhumans e adicionem-lhes uma boa dose de Ska e um ambiente mais festivo e dançável. Este é o “lado” que mais me agrada do split. A seguir os Novaiorquinos Leftöver Crack apresentam 8 temas, entre os quais uma intro, 5 originais, uma versão de “The super-market song” dos Citizen Fish e outra dos Subhumans, “Reason for existence”. A música dos L.C. é uma fusão heterogénea (até demais para o seu próprio bem) de Punk, Ska, Crust, Hardcore e até algum Thrash / Death Metal. É esta mistura que me deixa confuso na banda. Temos a sensação de estar a ouvir, não uma, mas várias bandas diferentes ou, pelo menos, projectos paralelos com os mesmos músicos. No entanto, estes temas do split até estão bem potentes. Para os fãs de Citizen Fish, Leftöver Crack e Ska / Punk mais crú. RDS
85% (C.F.) / 70% (L.C.)
Fat Wreck Chords: www.fatwreck.de / www.fatwreck.com
Citizen Fish: www.citizenfish.com
Leftöver Crack: www.leftovercrack.org

Skeletal Family – Promised Land Live 1983-84 (2007) – Cherry Red

Este primeiro DVD dos Britânicos Skeletal Family inclui gravações ao vivo entre 1983 e 1984, além de um tema bónus em 2005 com a nova re-encarnação da banda, com uma nova vocalista. Uma curta entrevista também de 2005 e 5 vídeos promocionais completam a edição. Tanto a imagem como o som não são dos melhores, funcionando estas gravações apenas como meras curiosidades para os completistas e fãs da banda do que propriamente como introdução à música da banda. Digo isto porque eu próprio nunca tinha ouvido nada da banda até à data e, este DVD não me ajudou muito a entrar no seu mundo. Tive primeiro que procurar as gravações áudio originais para depois conseguir perceber melhor a banda. Rock Gótico de origem Punk da década de 80 é o que os Skeletal Family nos oferecem. Há aqui temas interessantes e parece-me que os Skeletal Family tiveram o seu impacto na altura, chamaram a atenção do falecido John Peel, fizeram a primeira parte de uma digressão dos Sister Of Mercy (a pedido dos próprio Andrew Eldridge), além de terem um par de singles nas tabelas alternativas do Reino Unido. Como já disse anteriormente, este DVD poderá apenas ter o seu interesse para os completistas e para os fãs da banda. Para ficar a conhecer a banda, façam como eu, procurem primeiro os discos oficiais de estúdio. A Cherry Red também tem um par de re-edições e “best of”s interessantes. RDS
75%
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk
Skeletal Family: www.skeletalfamily.com

V/A – Psychobilly: Behind The Music (2006) / V/A – Revenge Of The Psycho Cats (2007) – Cherry Red

Dois DVDs perfeitos para retratar a cena Psychobilly, funcionando como uma peça de coleccionador para os aficionados do género e de introdução aos novatos ou meros curiosos. No primeiro DVD temos uma espécie de documentário cujo nome já diz tudo, “Behind The Music” inclui diversas entrevistas com lendas vivas do género, entre as quais Nigel Lewis (ex-Meteors), Chuck Harvey (Frantic Flintstones), Alan Wilson (The Sharks), Mark Harman (Restless), Steve Whitehouse (Frenzy), Humungus (Coffin Nails), Eric e Jeroen Haamers (Batmobile) entre outros. Há aqui muitas histórias engraçadas e outras mais sérias sobre a vida na estrada, uso e abuso de drogas, gravações em estúdio, etc. Além deste documentário principal e das entrevistas, temos também direito a alguns vídeos promocionais e temas ao vivo nuca antes editados. São cerca de 90 minutos que resumem parte da história deste filho bastardo do Rockabilly e do Punk, contados na primeira pessoa, por aqueles que o ajudaram a criar. Em “Revenge Of The Psycho Cats” temos cerca de 94 minutos de vídeos promocionais e temas ao vivo da maior parte das grandes bandas do género, entre as quais Meteors, Demented Are Go, Frenzy, Batmobile, Guana Batz, Sharks, King Kurt, Frantic Flintstones, Mad Sin, Hagmen, etc, num total de 32 faixas. Esta é já a segunda edição do género, existindo já “Psycho Cats” de 2003 e, segundo parece, a editora tem muito mais material para fazer um 3º volume. Tanto a imagem como o som de ambos os DVDs são perfeitas, os dois complementam-se na perfeição fazendo destas edições aquisições obrigatórias! RDS
90%
Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk

Wuthering Heights – The Shadow Cabinet (2007) – Locomotive Records

Desenganem-se os que, pelo rótulo musical mencionado, já estão a pensar coisas do género “ok, mais uma banda mediana a aproveitar-se do actual sucesso do Metal mais sinfónico”. Estes Wuthering Heights vão muito além, incorporando na sua música desde o Heavy mais tradicional, passando pelo Power Metal, Metal Progressivo e até algumas influências de música clássica e oriental. Temos velocidade quanto baste para quem, como eu, gosta do Heavy Metal mais rápido mas, também temos algumas partes mais “midtempo”. Temos muito peso aliado a uma constante melodia, toques Progressivos, Folk, medievais e uma tonalidade muito épica. A voz não é a típica voz ultra melódica do Power, sendo mais grave que o habitual, o que fica bem no estilo da banda, acentuando até o carácter épico da música. As faixas têm muitas mudanças de ritmo, melodias e riffs, o que torna o álbum extremamente interessante e longe de ser aborrecido pois, está sempre a acontecer algo de novo que nos prende a atenção. A maior parte dos refrões são extremamente “catchy” e ficam no ouvido facilmente, daquele tipo de temas que têm identidade própria, tal como a abertura “Demon Desire”, “Beautifool” ou “I Shall Not Yield”. Há temas mais longos como “Faith – Apathy Divine Part I” que inicia com uma melodia Folk / Medieval e que continua numa toada épica / progressiva. Há ainda tempo para um tema mais calmo, “Sleep”, com a vertente épica / medieval a prevalecer. O alinhamento original do disco fecha com “Carpe Noctem – Seize The Night”, um tema com uma orientação mais Progressiva e uns toques de Folk lá pelo meio. O meu CD ainda tem a faixa bónus Europeia “Midnight Song”, uma balada engraçada mas “normal” e que cumpre a sua função, de ser uma faixa bónus. Eu gosto de todo o disco mas os meus temas favoritos são “Demon Desire”, “Faith – Apathy Divine Part I”, “I Shall Not Yield”. Resta ainda referir que o disco foi produzido por Tommy Hansen (Helloween, Pretty Maids, Victory, etc). Um dos melhores álbuns do género que ouvi nos últimos anos! RDS
95%
Locomotive Records: www.locomotiverecords.com
Wuthering Heights: www.wuthering-heights.dk

Vomitory – Terrorize Brutalize Sodomize (2007) – Metal Blade Records

Desde há um bom tempo atrás que sigo a carreira destes Suecos. Sempre gostei do death Metal brutal destes tipos, rápido, potente, com laivos de Thrash Metal, a dose certa de blastbeats, sem muitos abusos nesse campo (não sou grande fã de blasbeats, para ser sincero), com ritmos mais orientados para o Thrash dos 80s. Este novo trabalho é o mais brutal, mais rápido e mais potente que a banda já gravou. O disco inicia de forma brutal com “Eternal Trail Of Corpses”, segue “Scavenging The Slaughtered” com mais velocidade e um solo bem “gritado” a lembrar os Slayer dos 80s, pelo meio ainda tempo para abrandar com uma melodia a dar outra dimensão à faixa. O tema-título abranda um pouco a velocidade e aumenta a intensidade, mas só por uns instantes, para depois nos voltar a “massacrar”. Em “The Burning Black” as raízes Thrash old school voltam a vir ao de cimo, assim como em “Defiled And Inferior” que inicia com um blastbeat brutal mas deppois nos dá riffs bem thrashados. Continua na mesma linha em “March Into Oblivion”. “Whispers From The Dead” é mais lenta e tem um ambiente geral muito sinistro com um excelente riff de guitarra a ajudar nesse sentido. Mais uma abertura em blastbeat para depois seguir num ritmo rápido em “Heresy” e “Flesh Passion” (com um riff a meio e um solo “gritado” bem Slayer). Fecha como iniciou, de forma brutal, com “Cremation Ceremony”. 18 anos de Death Metal é muita coisa e estes Vomitory têm sabido manter-se vivos numa cena que foi passando por alguns momentos melhores e outros piores, mutações, modas, declínios, etc. Um álbum a adquirir urgentemente por parte de amantes de Death Metal e de até de Thrash Metal com uma orientação mais rápida e pesada. RDS
90%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Vomitory: www.vomitory.net

Powerwolf – Lupus Dei (2007) – Metal Blade Records

Já tenho em mãos o novo trabalho dos germânicos Powerwolf. Estava ansioso por ouvir este disco pois a banda já me tinha surpreendido com a estreia “Return In Bloodred” de 2005. O novo “Lupus Dei” continua na mesma linha e, ao ouvir “We take it from the living”, sabe-se logo que são os Powerwolf. No entanto, este novo trabalho está mais direccionado para o Heavy Metal mais clássico do que o anterior, com riffs de guitarra mais melódicos, mais coros nos refrões, uma toada mais épica com a maior predominância de órgão, temas mais rápidos e uma ambiência geralmente mais positiva do que a de “Return In Bloodred”, que tinha uma orientação mais obscura e densa. No entanto, as letras continuam a ser obscuras e a buscar influência em temas como o vampirismo, espiritismo e agora, licantropia. Exemplo desta nova orientação são temas como “Prayer in the dark”, “Behind The Leathermask”, “Vampires Don’t Die” ou “Mother Mary Is A Bird Of Prey”. O inicio de “Saturday Satan” faz lembrar “We came to take you souls” do disco anterior, mas depois entra numa linha bem melódica e de Heavy clássico. Em “In Blood We trust” os coros voltam a chamar a atenção, tendo a banda neste caso trabalhado com um grupo coral clássico composto por 30 pessoas, sendo até este um dos temas mais pesados, com uma secção rítmica bem demolidora. “When The Moon Shines Red” é um dos meus favoritos, um tema bem “dark” que poderia estar na estreia de 2005. “Tiger Of Sabrod” é mais lento e mais apoiado no peso, mas sem esquecer a melodia. O álbum fecha com “Lupus Dei” numa toada mais épica, naquele que é sem dúvida um dos melhores temas do disco, e outro dos dois temas com a participação do grupo coral atrás referido. Segundo parece, algumas partes do disco foram até gravadas numa capela do século XII, para manter o “feeling” espiritual e épico dos temas. Grandes riffs, refrões memoráveis, daqueles que ficam na nossa cabeça muito tempo depois de ter ouvido o disco, secção rítmica poderosa, melodia quanto baste. Um grande disco de Heavy Metal do século XXI mas com as devidas influências da década de 80, com letras apoiadas na fantasia e em criaturas míticas, como manda a tradição do género. Aconselhável a todos os apreciadores de Heavy Metal da velha escola mas que gostam de manter uma certa actualidade e renovação no som eterno. RDS
90%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Powerwolf: www.powerwolf.net

Symphorce – Become Death (2007) – Metal Blade Records

Os Germânicos Symphorce estão de volta com seu sexto álbum intitulado “Become Death”. Após um disco morno como foi “Godspeed”, é bom saber que a banda voltou à boa forma com este que é, sem dúvida, o melhor álbum da sua carreira. Este é o trabalho mais heterogéneo que gravaram até hoje mas não parece de todo uma manta de retalhos, mas sim um disco de uma única banda. A identidade Symphorce está aqui patente, mas experimentam em diversos temas novas abordagens à sua fusão de Heavy e Thrash, do lado mais pesado do Metal com o lado mais melódico. Logo à primeira faixa somos confrontados com um dos temas mais pesados que a formação Alemã gravou até hoje, “Darkness fills the sky”, com certos laivos de Nevermore, mas com um refrão forte bem ao estilo de Symphorce, o que volta a acontecer em “Death has come”, mais peso com refrão melódico. Em “Condemned” temos o habitual tema Symphorce mas com alguns samplers electrónicos a adornar e mais uma vez, um memorável refrão, a provar que a banda sabe escrever, acima de tudo, grandes temas daqueles que ficam na nossa cabeça muito depois de ter ouvido o CD. “In the hopes of a dream” e Inside the cast” introduzem uma novidade na sonoridade da banda, uma aproximação ao Metal Gótico de origem Finlandesa, com o segundo tema a aproximar-se perigosamente a The 69 Eyes e com a inclusão de teclados, instrumento pouco habitual na banda. Mais uma vez., experimentaram coisas novas e o resultado final foi mais que satisfatório. Em “No final words to say” temos mais influências góticas, um tema lento, com toques ambientais e bem depressivo, a fazer lembrar em certas partes Type O Negative. “Towards the light” e “Ancient Prophecies” seguem a linha habitual. “Lost but found” volta a dar-nos mais peso, trazendo à tona, mais uma vez, as influências de Nevermore. Fecham o disco com “Lies”, um tema extremamente experimental, com toques de Rock sinfónico e apontamentos electrónicos. Um dos grandes temas do disco.
Este é sem dúvida o álbum mais heterogéneo, mais arrojado, mais negro, e mais experimental que a banda gravou mas a aposta foi ganha, este é também o melhor disco de sempre de Symphorce. Um disco que pode agradar tanto aos fãs do lado mais pesado do Metal como do mais melódico e tradicional. RDS
95%
Metal Blade: www.metalblade.de
Symphorce: www.symphorce.net

Hipnótica - New Communities For Better Days (2007) - Metropolitana / Som Livre

Depois da retrospectiva em CD e livro “Breves histórias sobre o efeito de hipnótica 1994-2004” eis que surge mais um disco de originais para os Hipnótica. “New communities for better days” segue na mesma linha de sempre, aliando o formato clássico do Pop / Rock, guitarra / baixo / bateria, à música de cariz electrónico, com apontamentos Jazz e Trip Hop. Tudo sempre com um grande sentido Pop, tanto na forma de apresentar os temas, no que diz respeito ao formato tradicional de canção Pop, como na própria roupagem a nível instrumental. Há aqui e alí outros instrumentos a complementar a música, tal como piano, saxofone, flauta, harpa, etc, o que dá outra dimensão às faixas em questão. Há também diversos convidados especiais a contribuir com os seus instrumentos, a saber, Riz Maslen (Neotropic), Hidekazu Wakabayashi, Abdul Moimême, Nanar Vorperian e Francisco Rebelo (Cool Hipnoise).
Nunca acompanhei muito de perto a carreira dos Hipnótica, mas conheço-os desde os inícios e já ouví os discos anteriores. Em comparação com esses trabalhos, como já disse antes, o estilo é o mesmo, embora aqui esteja refinado, a experiência conta, mas não só, a originalidade e a vontade de experimentar coisas novas também, e essas também estão aqui presentes.
Apesar das diversas críticas favoráveis na imprensa às suas edições e actuações ao vivo, os Hipnótica têm-se mantido a um nível quase Underground, dir-se-ia quase, de elite, sem conseguir o grande salto para o “mainstream” e para uma maior exposição, tal como outros projectos do género têm. Talvez em Portugal as pessoas não estejam ainda preparadas para um projecto tão artístico como o é Hipnótica, e prefiram continuar a consumir o que a TV e a rádio lhes dá, música de plástico pronta a consumir. Pensar não está nos planos da pessoa comum. É pena, eles é que perdem, e nós que ouvimos Hipnótica, é que ganhamos. RDS
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