Thursday

Psychobilly / Horrorpunk / Garage Rock



Neste artigo irei apresentar 9 CDs, de 4 editoras diferentes, nas linhas do Psychobilly, Horrorpunk e do Garage. Começo com uma re-edição de uma banda Britânica, The Batfinks “Wazzed N’ Blasted” (85%), disco que foi lançado originalmente em 1989 pela extinta Link Records e que tem re-edição em 2007 pela Anagram / Cherry Red na sua “Psychobilly Collectors Series”. Além dos 14 temas originais temos como bónus mais dois temas ao vivo do mesmo ano (ambos também no alinhamento de estúdio). Psychobilly do que eu mais gosto, bem rápido, potente e sinistro, com letras sobre monstros, vampiros, sangue, inferno, etc. É difícil destacar temas mas posso referir “Brain damage”, “Gonna kill my baby” e “Dracula’s castle” como meus preferidos, assim como os temas ao vivo que soam bem potentes e rápidos. Segue-se mais uma re-edição, esta vinda do USA, The A-Bones “I was a teenage mummy” (70%), originalmente lançado em 1992, banda sonora para o filme independente do mesmo título (edição da Limb Ghost Films). Nesta edição de 2005, além do disco original temos 14 temas extra de 1985, 1988 e outros nunca antes editados. Garage Rock bem trashy e com toques de 60s e Blues. Não me chamou muito a atenção por ter uma orientação muito Blues Rock mas até há aqui algumas ideias engraçadas. A edição é da Norton Records. Seguem-se 3 edições da Norteamericana Poptown Records. Os primeiros são os The Scared Stiffs com “Autopsy Turvy” (75%) de 2005, Horrorpunk com uma toada bem Rock ‘N’ Roll a mid-tempo, 15 temas e um vídeo. Não é nada de excepcional mas é bem feito e com muita garra e atitude. “My mother the carnivore” faz lembrar Ramones (excepto na letra), “Zombified” é o tema que tem direito ao videoclip (vídeo fantástico sem dúvida, numa linha gore mas divertido qb), “Voodoo girl” é grande malha Rock ‘N’ Roll, “Pale grey eyes” é mais melódica. Ouve-se bem mas no final do CD não temos a vontade de voltar a carregar no play. Uma maior definição no som ajudava mais, não sem nem verdadeiro Horrorpunk nem puro Rock ‘N’ Roll. She Wolves apresentam “Mach one” (80%). Trata-se de uma banda que reúne a guitarrista / vocalista Donna She Wolf (ex- Cycle Slut From Hell) e o baterista Tony Mann (ex-G.G. Allin / ex-Dee Dee Ramone). 12 temas linha Rock ‘N’ Roll / Punk / Hard Rock com som cru e áspero, material mais duro que na banda anterior. Há aqui colaborações de Sylvain Sylvains (New York Dolls, na cover de “Sheena is a punk rocker” dos Ramones), Jayne County (em “Razor clam” e na cover de “Califórnia uber alles” dos Dead Kennedys) e Deb O’Nair (Fuzztones, em “Heathen set”). Mais uma vez, bom material, com muita atitude mas, no final tiramos o CD do leitor e voltamos a coloca-lo na prateleira. A última edição Poptown é uma colectânea de 2006 intitulada “Ghouls gone wild” (85%). São 17 bandas com mesmo número de temas, com gravações que vão desde 1992 até 2006. Umas bandas mais conhecidas (Electric Frankenstein, Rezurex, The Groovie Ghoulies, etc), outras mais Underground (Calabrese, Thee Merry Widows, Frankenstein, etc) e, claro, bandas do catálogo da própria editora (The Scared Stiffs, She Wolves, etc). O estilo varia entre o Rock ‘N’ Roll mas old school, Horrorpunk, Gothpunk, Psychobilly e algum Surf Rock. O disco vem apresentado num belo digipack com cartoons bem horríficos a condizer com a música e uma grande capa! A destacar os Calabrese com “Phantasmagoria” (grande malha, grande refrão, a minha preferida no CD), Electric Frankenstein (sempre em forma), os Rezurex com “Devil woman from outer space” (numa toada mais Rockabilly), The Groovie Ghoulies com “The beast with five hands” (60s’ / Trash / Garage), The Other com “Hyde inside” (Gothpunk bem sinistro e com um belo refrão), Krissteen com “Luv the one ya whip”, Thee Merry Widows com “Aileen” (Psychobilly feito por mulheres), mas as outras bandas também estão bem. Seguem 3 edições de 2006 (e uma colectânea de 2005) da Norteamericana Kaiser Records, uma independente na linha do Psychobilly. The Memphis Morticians apresentam “Play primitve trashman… and 13 other love songs” (80%). São 14 temas de Psychobilly bem trashy / lo-fi. É mesmo difícil destacar temas, é tudo bom. “Devil’s raid”, “Downer party boogie”, “Corpse grindin’ baby” e “Electric hair” são mais rápidos, “Linda Lee” é mais lento e sinistro, gosto da melodia de guitarra de “Hearse drivin’ man” e “Primitive trashman” é mais Rockabilly. The Nightstalkers apresentam em “Toxic Cesspool” (85%) um estilo que eu aprecio mais, como já disse antes, material mais rápido, potente e com aquela aura sinistra tanto a nível musical como lírico. 12 temas dos quais destaco: “Tombstone hop”, “Road race”, “Cheap thrills”, “Grave robbin’ bandit”, a grande malha “The Witch (é uma cover, não sei de quem) e a final “Toxic cesspool”. Seguem os Lonesome Kings e “Legendary suffering” (85%). Estes conseguem acelerar mais que os anteriores. 13 temas a rasgar do início ao fim, para quem gosta de Psychobilly bem enérgico e rápido. A fechar a revisão da Kaiser Records e este artigo, a colectânea “Soundtrack to oblivion” (70%) de 2005. 21 novas bandas Psychobilly vindas do Underground com 21 temas, na sua maioria nunca antes editados ou disponíveis em CD. A destacar os Lonesome Kings, Tombstones, Nightstalkers, Evil Devil, Batmobile, Asmodeus. Serve para conhecer as novas bandas emergentes da cena Psychobilly, mas não passa disso mesmo, uma colectânea Underground com diversas bandas e faixas com diferenças de som. Mas mesmo assim, este tipo de iniciativas são sempre bemvindas, e sempre dá para descobrir uma ou outra preciosidade. RDS

Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk
Norton Records: www.nortonrecords.com
Ghost Limb Films: www.ghostlimbfilms.com
Poptown Records: www.poptownrecords.com
Kaiser Records: www.kaiserrecords.com
The Memphis Morticians: www.memphismorticians.net
The Nighstalkers: www.nightstalkers.ca
Lonesome Kings:www.lonesomekings.com

Wendy O. Williams – Bump ‘N’ Grind: Live (2006) – Cherry Red

A controversa Wendy O. Williams foi a líder dos Punk Rockers Norteamericanos Plasmatics nos finais da década de 70. Após a dissolução dos Plasmatics ela seguiu uma carreira a solo na década de 80 numa linha mais Hard ‘N’ Heavy. Gravou diversos albums sob nome próprio (incluindo um single com o Lemmy dos Motörhead) e em 1989 deu-se uma reunião dos Plasmatics e o álbum conceptual “Maggots: The Record” foi gravado. Após isso Wendy O. Williams retirou-se do mundo da música. As suas actuações ao vivo incluiam despedaçar carros, destruir aparelhos de TV com marretas e cortar guitarras ao meio com motoserras; “vestia-se” usualmente com pouco mais do que creme ou fita-cola isoladora; os problemas com a polícia eram usuais devido às atitudes obscenas dentro e fora do palco; pousou nua para diversas revistas masculinas e os Plasmatics foram até banidos em Londres. Apesar da sua reputação esta foi nomeada para um Grammy na categoria de “Best Female Rock Vocal” em 1985. A 8 de Abril de 1998 cometeu suicídio, tinha então 48 anos de idade.A actuação contida neste DVD foi gravada no Camden Palace Theatre em London a 1 de Outubro de 1985. Encontram-se aqui grandes temas como “Goin’ Wild”, “No Class”, “Party”, “Live To Rock”, e até uma versão de “Jail Bait” dos Motörhead com a participação dos próprios Lemmy e Wurzel. Há aqui o aparelho de TV destruído com a marreta, a guitarra cortada em dois com uma motoserra, o bikini de cabedal, um seio fora do bikini a certa altura, a atitude anárquica bem rock ’n’ roll e muito e bom 80’s Hard Rock bem alto e rápido. Não sou grande fã da sua voz áspera mas a música agrada-me, sendo fã dessse tipo de Hard Rock dos 80s, e esta actuação em particular está cheia de energia e poder. A Cherry Red Films está a fazer um bom trabalho a recuperar estas gravações dos 70s e 80s em DVD mas é uma pena que apenas possamos ver 55 minutos de performance ao vivo a nada de extras. Talvez um par de videoclips ou uma curta entrevista ajudassem a complementar o material ao vivo. De qualquer maneira, esta é uma bela peça da história do Rock ‘N’ Roll e um testemunho de uma das mais controversas Punk Rockers nos USA, e TU deves adquirir isto o mais rápido possível! RDS
85%
Cherry Red Films: www.cherryred.co.uk

Tagada Jones – Le Feu Aus Poudres (2006) – Enrage Production

A primeira vez que ouvi os Franceses Tagada Jones fiquei logo fã, era o álbum “Manipulé” de 2001. O som na altura era muito mais Hardcore e fazia-me lembrar os The Exploited fase “Beat The Bastardas”. Nunca pensei que a língua francesa se adaptasse tão bem a este tipo de sonoridades, seja Metal, seja Hardcore, ou outra qualquer. O que tinha ouvido vocalizado em francês antes não me tinha convencido, mas aqui o francês parece até dar outra dimensão à música. Depois seguiu-se mais uma bomba, o álbum “L’Envers Du Décor” em 2003, já com outras influências como o Metal ou algumas sonoridades mais alternativas (por exemplo, a última faixa é uma versão Dub de um dos temas do disco). O peso e a atitude continuavam por lá, apenas tinham feito um upgrade ao seu som. Este novo trabalho mantém o estilo dos Tagada Jones e continua a dar esse passo em frente. Além de 12 novos temas da edição normal, há ainda uma edição limitada em digipack que contém 5 bónus que demonstram precisamente essa abertura de mente da banda, duas remisturas feitas por Shane Cough (com uma fantástica remistura pesadona de “Le Drapeau”, um tema do álbum) e Bionik Dread (não vou muito nisto das remisturas mas está até está bem feita, assim como a anterior), uma colaboração com os La Phaze (com uma orientação electrónica e vocalizações Reggae a acompanhar as vozes raivosas), uma colaboração acústica com os Guizmo e ainda um tema escondido sobre o qual não tenho informações (como habitual nestes hidden bonus track). A fusão de Hardcore, Metal, Punk e alguns apontamentos electrónicos tornam este disco bem ecléctico, sem no entanto parecer uma manta de retalhos. O tema título evidencia bem esse eclectismo parecendo uma faixa perdida dos Ministry da fase “Psalm 69”. Muito peso, muita raiva, alguma melodia, alguma velocidade (não muita, apenas a necessária para manter a música dinâmica), riffs bem sacados, ideias originais e muita atitude. A produção também é fabulosa, o som está pesado quanto baste e consegue-se ouvir tudo muito bem, o que convém pois por vezes passam-se muitas coisas ao mesmo tempo. O único senão deste álbum é que é o mais “ligeiro” de todos, o anterior era muito mais pesado. Mas isso não lhe retira a sua potencialidade!Parece que já são até uma banda de alto calibre na França, já têm 13 anos de existência, 5 álbuns, 2 EPs, mais de 40 participações em compilações, mais de 50000 discos vendidos em França (11000 dos quais do anterior álbum), 19 países visitados em digressão e mais de 850 concertos, além de licenciamentos em países como Bélgica, Suiça, Holanda, Canadá e até mesmo no Japão. Para quem tem mente aberta e não se limita às bandas de expressão anglo-saxónica, esta é uma excelente proposta. Os álbuns mais antigos ainda não os conheço muito bem para falar deles, mas recomendo também os álbuns já mencionados (que eu gosto até muito mais do que deste novo!). RDS
90%
Enrage Production: www.enrageprod.com
Tagada Jones: www.tagadajones.com

T.A.O. - The Abnormal Observations (2006) - Unicorn Digital

Este é o álbum de estreia desta banda Polaca T.A.O. O álbum já teve uma edição de autor em 2005, e nas acções de promoção do mesmo por parte da banda, um dos exemplares foi parar aos escritórios da Canadiana Unicorn Digital. O que aqui estou a apresentar-vos é uma re-edição desse mesmo álbum de estreia. As influências destes T.A.O. variam desde Pain Of Salvation (bem evidente), Planet X, Tower Of Power, projectos de Mike Patton (influências patentes nas vocalizações e em algumas passagens mais experimentais) e algum Jazz Rock linha John Zorn (na sua faceta mais Rock). Aqui não se encontra o habitual formato de canção, mas sim peças experimentais com partes mais progressivas, e algumas até mais apoiadas na guitarra Rock / Metal, alternadas com passagens mais calmas ou jazzísticas e até Funk. Ou até um blastbeat (“Se ma nei”) que me deixou um bocado confuso e depois mais atento à música. É, talvez, uma daquelas bandas que, ou se gosta à primeira ou se detesta. Eu diria mais que é um gosto adquirido, é necessário ouvir 2 ou 3 vezes para se começar a perceber e apreciar. A música pode agradar tanto aos habituais ouvintes de Rock Progressivo mais tradicional como aos apreciadores de bandas mais vanguardistas como os já referidos Pain Of Salvation (a colagem descarada a estes retira-lhes algum crédito) ou projectos de Mike Patton ou John Zorn. De qualquer modo uma boa banda e um bom álbum de Progressivo mais vanguardista, mas falta uma certa identidade e alguma rodagem que talvez um segundo álbum já tenha. É esperar para ver (ou ouvir), e para já ouvimos “The abnormal observation” com algum gozo. RDS
80%
Unicorn Digital: www.unicorndigital.com

Cinemuerte - Entrevista

1 – O vosso nome é intrigante. O que é que significa “Cinemuerte”?
Cinemuerte dá nome a um festival internacional de cinema de terror. Achámos simplesmente piada ao conceito.

2 – Este é já o vosso álbum de estreia mas a banda é relativamente recente. Podes falar um pouco da história da banda desde o anterior projecto Nua até à data, referindo os pontos mais importantes?
O João e eu reencarnámos neste novo projecto, oriundo de NUA, banda de rock underground dos anos 90. Os NUA deram-nos 9 anos, 9 vidas de loucura, insensatez, desgraça. Os NUA permitiram-nos apreender as “regras do jogo”. Sim, a música é um jogo, como tudo na vida. Quem é nega, é tonto. A banda encerrou-se como tudo encerra em capítulos na vida.

3 – Cinemuerte é um basicamente um duo. Explica-me um pouco este conceito da banda.
Bem, dos NUA, sobrámos nós: as nossas ideias, a nossa vontade, a nossa paixão,....não desistir embora todos queiram-te de joelhos, dobrado, derrotado, humilhado. E nem sabes bem porque estás determinado a sofrer, mas há uma paixão intrínseca que não te larga. Estávamos de facto cientes das nossas capacidades e limitações....mas há que encarar toda a limitação como um desafio, uma oportunidade única para te desafiares, crescer, construir. Saberes até que ponto és capaz.. Requer alguma dose de loucura como referi há pouco. No fundo, se pensássemos muito, o João e eu teríamos talvez ficado pelo caminho, mas acho que essa despreocupação é comum aos dois.... Act! Do not think too much about it! Em relação ao conceito de banda a dois, claro, o trabalho quadriplicou, acrescentando curiosamente em paralelo produtividade. Sabíamos também que havia muito entendimento. Somos open-minded. Gostamos um pouco de tudo. Não somos nada limitados quanto a influências musicais. Se te dissesse que encaro a composição da música como a concepção da nossa personalidade: repara. Se viajares muito, passares pelos países mais comuns como pelos países mais estranhos deste mundo, isso trar-te-á uma riqueza estrondosa que irá definir-te enquanto pessoa. E nesta linha de pensamento, penso que o João e eu trazemos essa riqueza. Ouvimos tudo.

4 – A sonoridade dos Cinemuerte é muito ecléctica tem um pouco de Rock, Pop, Metal, Gótico e até electrónica. De onde provêm as inspirações para a sonoridade da banda?
Tal como te referi na resposta à questão colocada anteriormente, as inspirações vêm de todos os recantos sonoros. Mas devo acrescentar que a sonoridade, muito nasce também dos impactos visuais que vamos absorvendo diariamente, quer num filme, quer num episódio pessoal e que se consegue transmutar em som.

5 – Fala-me um pouco das letras deste disco e dos assuntos abordados nas mesmas.
Este disco irá amadurecer com o próximo. É de uma criança que se depara com um mundo estranhamente normal. Fala de Amor, ódio, o oxigénio que nos alimenta dia após dia. É de uma criança que não percebe. O trabalho foi escrito atendendo aos meus últimos quatro anos de vida.

6 – Como é que surge aqui a versão de “Entre dos tierras” dos Espanhóis Heroes Del Silencio, porque esta banda e porque este tema? É uma versão muito diferente do original, como é que surge esta recriação muito peculiar?
Estávamos no intervalo de um ensaio. Uma qualquer estação de rádio passava o tema. Achámos que uma versão em espanhol, seria um desafio. Geralmente, as pessoas são “chamadas” a versões de bandas anglo-saxónicas. Uma versão se não for um tanto diferente do original, é uma cópia, um plágio. Um desperdício de tempo, e uma facada nas costas de quem estás a querer prestar tributo.

7 – O disco foi gravado com o Armando Teixeira. Porque é o escolheram para esse trabalho e o que é que ele trouxe de mais valia para o disco?
Fizemos pesquisa. Analisámos trabalhos anteriores, e verificámos a compatibilidade entre os dois pontos. Procedemos à intersecção. O Armando Teixeira é um excelente produtor, para além de um excelente músico. De um vasto espírito criativo, conseguimos coordenar a viagem.

8 – A capa do disco é um pouco diferente daquilo que se poderia esperar pela música que vem na rodela prateada. Esperar-se-ia uma capa bem mais sombria, de tons negros e cinzentos. Como surge esta capa toda colorida e de orientação “cartoon”? Quem é que foi responsável pelo aspecto gráfico do disco?
O Pedro Zamith é o autor das ilustrações da capa. Quero frisar que, à excepção da capa que foi concebida propositadamente para este album, se tratam de excertos de quadros gigantes deste artista. Seguimos o seu percurso profissional há algum tempo. Como te dissemos, estamos atentos a tudo, aos referidos impactos visuais que se vão atravessando pelo caminho. Quanto às cores, se as temos, porque não abraçá-las? Num vermelho, tens a intensidade do calor. No azul, tens a frieza da vida. As cores são o nosso retrato.

9 – Como é que tem sido a aceitação ao disco, tanto a nível de imprensa como de público?
Desculpa, mas vou ter de abolir a palavra “aceitação”.... Um disco não nasce para um fim. É simplesmente expressão. Seria cruel quer para nós quer para o público dependermos de um objectivo. Uma criança nasce: é uma expressão da natureza. Apenas isso. Tudo o que daí advém é pura ilusão, maquinação do espírito.

10 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades de apresentar esta nova edição? Como é que têm corrido esses concertos?
Os concertos têm permitido dar vida à expressão. Curiosamente, até à data, os nortenhos são imbatíveis na sua frontalidade, humanidade, entrega. São os mais fiéis. Seguem tudo. Sabem tudo. Estão atentos. Em Lisboa, penso que dada a excessiva oferta de concertos, um concerto é mais um. Um concerto na Capital não toma a preciosidade como noutros cantos do país. Adoro pisar terra virgem. Os concertos têm sido substancialmente surpreendentes nas palavras de quem nos escreve: posso frisar que a abertura para HIM foi um marco. Estava com 42 graus de febre, e delirei em palco. Deliramos com o público espantado. Penso que o que mais caracteriza quem nos vê é o espanto. A abertura para o concerto de Paatos foi igualmente uma conquista de um novo público. De uma forma geral, os concertos quer em ponto grande quer em ponto pequeno, permitiram-nos ganhar uma capacidade de encaixe, adaptabilidade mui sui generis. É fantástico ter a oportunidade de sentir a dualidade.

11 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
O futuro já é presente: começámos a compor aquele que será o próximo capítulo. Temos alguns segredos que pretendemos matar muito em breve pelo que vos peço para nos acompanhar.

12 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
Hum...tenho seguido de perto. O metal começa a ressurgir. Mas o que mais tem sobressaltado à vista, é a conquista do Punk Hardcore que virou moda nas camadas mais jovens. A música sempre teve muito a ver com um estilo, com uma atitude. Aliás é atitude... expressão. Pessoalmente gosto de todos estes géneros. Acho que toda a música é válida desde que sentida.

13 – Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Bem o que quero mesmo é dizer-vos que queremos estar perto de quem nos lê, de quem nos ouve, de quem nos quer. Mas por vivermos debaixo de fogo, precisamos da vossa intervenção. Os Cinemuerte, não somos só nós, a banda. Somos um todo, o emissor e o receptor. Quero que entendam que somos só um. E que a vossa intervenção também nos faz bater o coração. Para palavras mais cruas mas necessárias, precisamos que intervenham junto das organizações, promotores de espectáculo, media, rádios, televisões. Respirarmos é existirmos actuando, e para tal peço-vos que ajam, intervenham para que possamos estar presentes. Exijam. Vivam.
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Entrevistador: RDS
Entrevistada: Sofia Vieira (Voz)
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Cinemuerte: www.cinemuerte.net
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt

Wednesday

Raintime – Flies & Lies (2007) – Lifeforce Records

Os Raintime são Italianos e “Flies & Lies” é o seu segundo disco e o primeiro para a Lifeforce Records. Depois de terem passado por uma fase inicial de Metal Progressivo com fortes influências de Dream Theater, estes Italianos sofreram uma mudança de sonoridade e hoje em dia enveredam por um estilo mais agressivo com orientações para a nova cena do Metal e a sua fusão de Thrash, Death melódico, algum Hardcore / Metalcore, alguns riffs mais melódicos e apoiados no Heavy Metal mais tradicional e apontamentos electrónicos / samplers. Mas não esqueceram de todo os seus primórdios porque os refrões fazem lembrar imenso a banda atrás mencionada. O som dos Raintime é pesado quanto baste mas sempre com muita melodia e os samplers electrónicos estão bem encaixados e dão outra cor a “Flies & Lies”. A complementar os 10 temas originais temos também um versão bem peculiar de "Beat It" (1982) de Michael Jackson, muito bem conseguida, e participações especiais de Jacob Bredahl (Hatepshere) e Lars F. Larsen (Manticora). Pensei que iria ouvir mais um daqueles discos da nova cena de Metal contemporâneo, e os Raintime até se podem encaixar nessa cena, mas vão muito além e apresentam as coisas de uma outra roupagem e com um cunho pessoal acentuado. Aguarda-se o terceiro trabalho que os irá confirmar como uma certeza na cena do Metal moderno ou os irá deixar ficar para trás junto com tantos outros. Para já, estão a marcar pontos! Para fãs de Dream Theater, Soilwork, In Flames, Children Of Bodom, entre outros. RDS
85%
Lifeforce Records: www.lifeforcerecords.com
Raintime: www.raintime.com

Underworld: Entulho Informativo #22 / #23 + Entulho Sonoro #1 / #2 CD

A revista Underworld – Entulho Informativo tem mais dois exemplares na rua, trata-se dos números 22 (Fevereiro 07, só agora é me chegou às mãos mais ainda vem a tempo!) e 23 (Maio 07). Desta feita a revista traz um atractivo, um CD intitulado “Entulho Sonoro”, o qual será agora uma constante, vindo a fazer parte das futuras edições da revista. Quanto aos números que tenho em mãos, e seus respectivos CDs, passo a apresentar o seu conteúdo. No #22 temos Born A Lion, Hills Have Eyes, Tara Perdida, The Evens / Fugazi, Converge, Isis, Opeth, Íon, The Texabilly Rockets, [F.e.v.e.r.], Rose Tattoo, Orange Goblin, The Angelic Process, um artigo / entrevista sobre a editora de livros Saída de Emergência, outro sobre o Necronomicon, além do material habitual numa publicação deste género. No “Entulho Sonoro #1” temos, na grande maioria, bandas Portuguesas e temas inéditos ou “advance” para o próximo trabalho da banda. Alinhamento: Mão Morta (com uma regravação de um tema dos primórdios da mítica banda Bracarense), [F.e.v.e.r.], Ho-Chi-Minh, Jazz Iguanas, Born A Lion, Spincity, MQN, Phazer, The Ladder, Namek, Twentyinchburial, July 13, Albert Fish, Target 35, Equaleft, Cinemuerte, Men Eater, Process Of Guilt, Budhi, Íon, Euthymia & Kenji Siratori.
No novo número #23 temos Capitão Fantasma, Neurosis, Apse, Mad Caddies, The Hidden Hand, Porcupine Tree, Scarve, Celtic Frost, The Real McKenzies, Men Eater, Clutch, Machine Head, uma entrevista com Francisco (Atomic Tattoos), um especial Fantasporto, além das habituais rubricas. No “Entulho Sonoro #2”, mais uma vez privilegia-se a música feita em Portugal, e o alinhamento é o seguinte: Moonspell (com o tema exclusivo para a edição Portuguesa do seu último álbum), Apse, Capitão Fantasma, The Poppers, Murdering Tripping Blues, Moléstia, Wako, Damien’s Trail Of Blood, Blacksunrise, Fiona At Forty, Larkin, Waste Disposal Machine, Kronos, Dr. Salazar, Hyubris, Clockwork Boys, Ervas Daninhas, Barafunda Total, Partisan Kane.
Para passar a receber a Underworld e respectivo CD (limitado a 2000 exemplares) confortavelmente em casa, basta apenas fazer a devida assinatura, pela módica quantia de 5€ (para 4 revistas e 4 CDs!). Para mais informações visitem o website. E venham muito mais edições! RDS

Underworld Magazine: www.underworldmag.org

Monday

Círculo De Fogo #1 Ataque (2007)

Deixo-vos mais uma sugestão de uma compilação online gratuita, esta com um sabor extra, pois trata-se de uma compilação nacional! O meu caro amigo e companheiro de armas Luis Filipe Neves do Circulo De Fogo levou a cabo esta inicitiva de onde resultou uma compilação que reúne 18 bandas Portuguesas das mais diversas vertentes do Metal, Punk, Hardcore, Gótico e Progressivo. Baixem este primeiro "ataque" para ficar a conhecer melhor a cena Undergorund nacional. Vão também ficando atentos porque o segundo volume, que desta feita será um "ritual", ainda vai ser lançado este ano. Tudo gratuito, tudo autorizado pelas bandas e editoras.
Venham muitos mais volumes!
Para mais informações e fazer o download: www.circulodefogo.com
RDS

Xtreme Music Sampler

O meu caro amigo Justin Sanvicens, da XtremeMusic da Nova Zelândia, lançou uma compilação online gratuita, a qual conta com diversos nomes do cenário Rock mais avantgarde, alternativo e experimental.
Vale a pena baixar esta compilação para descobrir outro tipo de sonoridades que se vão fazendo por esse mundo fora, por gente que não se rege pelas habituais regras do Rock, querendo ir sempre mais longe nas suas criações artísticas. Para mentes abertas!
Outro atractivo da compilação é que esta é recheada com temas novos, raridades ou temas nunca antes editados. Material sempre apelativo para os coleccionadores.
O download pode ser feito aqui:
E este é o website principal: www.xtrememusic.org
RDS

Friday

Hell Within – Shadows Of Vanity (2007) – Lifeforce Records

Os Hell Within são dos USA (Massachusetts) e este é o seu 3º disco “Shadows Of Vanity”. Este é um trabalho mais versátil que os anteriores, no qual a banda faz na perfeição a sua fusão de Thrash Metal (tanto a vertente mais old-school como a mais moderna), algum Death Metal e algum Hardcore Norteamericano. Este novo disco é muito mais melódico que o anterior, tanto nas melodias de guitarra como na própria voz que é agora limpa (algures entre Metallica e Anthrax), estando as vocalizações guturais destinadas apenas a complementar. Imaginem uma fusão de Metallica (fase “Master Of Puppets”), Anthrax (fase John Bush), In Flames, Trivium, Pennywise e Agnostic Front (fase crossover dos 90s). Muito peso, melodia, riffs Thrash, vocalizações a alternar o limpo e o gutural / gritado, secção rítmica pesada quanto baste, balanço entre groove e velocidade. É bom ver que desta actual fusão de Thrash / Death e Hardcore ainda saem coisas boas, apesar de o subgénero já estar mais que moribundo. RDS
80%
Lifeforce Records: www.lifeforcerecords.com
Hell Within: www.hellwithin.com

Civilization One – Revolution Rising (2007) – Metal Heaven

Civilization One é um super projecto com músicos do Sri Lanka, Itália, França e Brasil, a saber: Chitral “Chity” Somapala (Avalon, Firewind, Faro, Red Circuit) na voz, Aldo Lanobile (Secret Sphere) na guitarra, Luca Cartasegna (Secret Sphere), Pierre-Emmanuel Pélisson (Heavenly) no baixo e Jesper Stotz nas teclas. Quando se fala nestes super projectos ou óperas rock, muito em voga hoje em dia, as coisas podem soar muito excitantes à primeira, mas a simples junção de vários músicos conhecidos pode não resultar muito bem, por muito bons que estes sejam. Cada músico tem a sua maneira de tocar, experiência, influências, maneira de compor e, na maioria das vezes, os estilos (e personalidades) de cada um entram em conflito e o resultado final não é muito satisfatório. Este não é o caso felizmente! Em “Revolution Rising” encontram-se 10 faixas (em 41 minutos e meio) de Heavy / Power / Progressive Metal de orientação claramente Europeia, ou seja, muito peso, muita melodia, alguma velocidade e alguns toques sinfónicos e de Hard Rock / AOR dos 80s. Há por aqui muito boas ideias, bem executadas, excelentes riffs de guitarra, melodias fantásticas, passagens sinfónicas com coros épicos, tudo isto com produção, mistura e masterização intocáveis cortesia de Markus Teske (Vanden Plas, Symphony X, etc). Para complementar o conteúdo musical temos ainda direito a uma capa fantástica. Gosto de quase todo o disco (a balada “Dream On” é um bocado frouxa) mas, se tiver que realçar temas, estes podem ser “Legends Of The Past (Carry On)”, Welcome To Paradise” e “Time Will Tell” (umas guitarras a lembrar Iron Maiden). Para apreciadores de Heavy Metal moderno e contemporâneo. RDS
85%
Metal Heaven: www.metalheaven.net
Civilization One: www.civilization-one.com

Chris Caffery – Pins And Needles (2007) – Metal Heaven

“Pins And Needles” é o terceiro álbum a solo de Chris Caffery, guitarrista de Savatage e Trans-Siberian Orchestra. Caffery faz-se acompanhar por Nick Douglas (Doro) no baixo, Paul Morris (Rainbow) nas teclas e Yael (Fireball Ministry, My Ruin) na bateria, além de diversos convidados no violoncelo, violino, piano, saxofone, vozes, etc. Este novo disco vem na mesma linha dos anteriores Faces” (2004) e “W.A.R.P.E.D.” (2005), e o que temos aqui são mais 13 temas (e um bónus na edição digipack) de um Heavy Metal bem pesado com toques progressivos / sinfónicos e muito experimental. Para quem gosta do seu Heavy Metal mais tradicional certamente não irá gostar de todo o experimentalismo que Caffery introduz na sua música mas para quem gosta de ouvir este tipo de inovações, este é um prato bem cheio, acreditem! Muitos solos, riffs, passagens de ritmos, vozes, orquestrações, instrumentos “clássicos”, etc. Quem já conhece os anteriores discos, tem aqui mais do mesmo e, para quem não conhece, imaginem uma fusão entre Savatage, Franka Zappa, Alice Cooper dos 70s, Danny Elfman e System Of A Down. Na verdade, se Frank Zappa tivesse nascido alguns anos mais tarde e formasse uma banda de Heavy Metal, com Alice Cooper (era 70’s) na voz e Danny Elfman nas teclas / sintetizador, por certo soaria assim! Soa um bocado estranho, mas depois de ouvir o disco vão dar-me razão! Não é um disco para qualquer pessoa e não é um disco para qualquer altura do dia! As devidas condições têm que se reunir para poder apreciar “Pins And Needles” na sua plenitude! Para fãs de Savatage, Trans-Siberian Orchestra, Frank Zappa, Danny Elfman, Dream Theater e Heavy / Power Norteamericano dos 80s/90s. RDS
80%
Metal Heaven: www.metalheaven.net
Chris Caffery: www.chriscaffery.com

Dead To Me – Cuban Ballerina (2006) – Fat Wreck Chords

Os Dead To Me de São Francisco são Jack e Bradon (ambos ex-One Man Army), Chicken (Western Addiction, empregado da Fat Wreck) e o seu primo Ian. “Cuban Ballerina” é o disco de estreia editado pela já mencionada Fat Wreck. São 11 temas de Punk Rock melódico com influências do Punk Rock Californiano e de Pop-Punk da década de 90 que não chegam a atingir a marca dos 26 minutos. Isto está tudo muito bem tocado e tem muita melodia, a produção de Alex Newport (improvável a colaboração não é?) está, como sempre, impecável, mas está limpinho e certinho de mais para o meu gosto. De qualquer maneira, é bem melhor do que o que muitas outras bandas do género andam a fazer ou fizeram no passado. Isto sem querer mencionar nomes, basta ver os “tops” e a merda que lá aparece rotulada como Punk! Pelo menos estes Dead To Me parecem revelar uma atitude verdadeira e sincera. Isto ouve-se bem numa festa de verão, ao pé da praia, com cerveja, mulheres em bikini, amigos, mas passados os 26 minutos, não apetece voltar a carregar no play. E pior, não fica nenhum tema em específico na cabeça, assim que acaba o CD, esquecemo-nos dos Dead To Me. De qualquer maneira, uma boa aposta para quem gosta de bandas como Descendents, Lagwagon, Green Day (antigo), Screaching Weasel, Snuff, etc. RDS
70%
Fat Wreck Chords: www.fatwreck.com / www.fatwreck.de
Dead To Me: www.deadtome.com

Six Feet Under – Commandment (2007) – Metal Blade Records

Mais um trabalho para Chris Barnes e companhia. Já li um par de críticas menos favoráveis a este novo disco e por isso fiquei de pé atrás ao ouvir o CD, até porque os últimos álbuns da banda me tinham desiludido um pouco. Há sempre 3 ou 4 temas bons e o resto é para encher. Neste caso até posso dizer que me surpreenderam. “Commandment” traz de volta os Six Feet Under dos inícios, dos dois primeiros álbuns, mas mantendo aqui e ali algumas das ideias de álbuns posteriores. Pode-se dizer que “Commandment” é um resumo daquilo que os SFU fizeram em toda a sua carreira mas com um travo bem old-school, mais pesado, mais rápido (este deve ser o disco com mais temas rápidos que a banda já gravou) e com a experiência acumulada ao longo de todos estes anos, não só em SFU mas em todas as bandas pelas quais já passaram os seus membros. Afinal de contas, já são muitos anos ao serviço do Death Metal! Este não será certamente o álbum que vai salvar o género mas irá com certeza revitalizar os SFU. 34 minutos e meio de groove, peso, velocidade e selvajaria! Para quando SFU em Portugal?! RDS
80%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Six Feet Under: www.sfu420.co

Autumn – My New Time (2007) – Metal Blade Records

Autumn é um sexteto Holandês que toca um Rock Gótico bem musculado, com groove e muita melodia. “My New Time” é o novo trabalho (3º) e o primeiro através da Metal Blade. A música dos Autumn difere do resto das outras bandas de Rock / Metal Gótico com vocalizações femininas pois não se insere propriamente na linha mais sinfónica, não se encaixa de maneira alguma na vertente mais pesada e obscura e não se pode integrar na vertente mais doomy, depressiva e melancólica. Tem um pouco de tudo atrás mencionado, influências de Rock mais tradicional, Metal, Pop, samplers electrónicos e inclusive alguns apontamentos progressivos. “My New Time” tem grandes riffs de guitarra, refrões, melodias, boas ideias bem executadas, uma excelente voz, secção rítmica forte e coesa, linhas de teclados bem encaixadas. O nome da banda retrata na perfeição a música pois nem é propriamente fria e cinzenta (Inverno), nem é propriamente solarenga e de temperatura amena (Primavera), tem um pouco de ambos, fica a meio caminho, tem algo de belo mas também tem algo de decadência, uma espécie de dicotomia vida / morte, uma transição entre ambos, o ciclo da vida (nascimento – vida - morte), logo, Outono será uma óptima estação para retratar “My New Time”. Uma boa aposta para quem gosta de bandas como Lacuna Coil ou The Gathering mas não quer mais um clone e sim uma banda com identidade. RDS
85%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Autumn: www.autumn-band.com

Tuesday

Man Must Die – The Human Condition (2007) – Relapse Records

Segundo álbum para os Escoceses Man Must Die e a sua estreia na Relapse Records. Os MMD tocam Death / Grind / Thrash brutal, rápido, com algum balanço a meio-tempo e alguma melodia, com influências de bandas como Dying Fetus, Cephalic Carnage, Napalm Death, Kataklysm, Origin e Slayer, entre outras. As estruturas são tipicamente Death Metal mas adicionam à sua música uma componente Grindcore bem forte e muitos riffs de Thrash old-school, sempre com um bom balanço entre todas as vertentes. Uma aproximação mais moderna à música extrema contemporânea mas que não descuida o legado da mesma, indo beber um pouco a cada uma das fontes. A produção é imaculada, responsabilidade de JF Dagenais (Kataklysm, etc), tendo o disco um som poderoso mas límpido. Gostei também do pormenor do disco iniciar como o “estalido” do vinil, fechando da mesma maneira. O álbum peca apenas por ser muito longo, pelo menos para este tipo de registos, e 43 minutos e meio é muita selvajaria para se aguentar de uma rajada. Com a não inclusão de 1 ou 2 temas o álbum seria mais fácil de assimilar. É sempre preferível o ouvinte ficar com a vontade de voltar a carregar no play no final da audição do que ter vontade de carregar stop a meio e ouvir o resto depois. Mesmo assim, o que está é bom, muito acima da média e de muitas outras bandas do género que vão surgindo hoje em dia, fazendo de “The Human Condition” uma boa descarga de Death / Thrash vinda da Escócia que promete voos mais altos para os seus autores. RDS
80%
Relapse Records: www.relapse.com
Man Must Die: www.manmustdie.net

V/A – In Goth Daze CD/DVD (2007) – Cherry Red

Esta é uma reedição que reúne os dois formatos já existentes previamente sob o mesmo título, mas em edições separadas. Não há adição de material novo, apenas o que já se encontrava no CD e no DVD originais. São 18 temas no CD, 22 vídeos no DVD e um livrete de 8 páginas com um pequeno resumo da história da cena Gótica e da sua essência primária, escrito por Richard J King. Esta não é mais uma das inúmeras compilações que apresentam bandas de garagem como essenciais no género, ou seja, o tipo de colectâneas que as editoras lançam para promover as suas bandas. Também não se trata de uma compilação do tipo “The best goth album…” em que se incluem apenas os grandes nomes que extravasaram para o “mainstream” junto de outros que nem têm nada a ver com o estilo. As bandas aqui incluídas são, maioritariamente, fenómenos Underground da década de 80 que se tornaram objecto de culto, e são, a saber: Specimen, Nico, Alien Sex Fiend, 39 Clocks, Bone Orchard, Zero Le Creche, In Excelsis, Play Dead, Red Lorry Yellow Lorry, Ritual, Screaming Dead, Skeletal Family, Furyo, Bauhaus (a única aqui incluída das mais “mainstream” que eu referi antes), Danse Society, Inca Babies, Ligotage, Hagar The Womb, Flesh For Lulu, Creaming Jesus, Rubella Ballet, Andi Sexgang, Virgin Prunes, The Marionettes, Malaria e Ghost Dance.
Uma excelente compilação para quem quer conhecer e compreender a cena Gótica pois inclui bandas essenciais, além de ter a vantagem de incluir tanto a componente áudio como vídeo, logo não se ouve apenas a música como também nos é apresentado o lado estético e visual, integrante essencial do cenário gótico. É claro que não estão cá todas as bandas essenciais, isso é difícil em qualquer colectânea deste tipo, até mesmo por questões de direitos. Só não leva os 100% porque falta alguma informação sobre as bandas aqui retratadas que, por pouca que fosse, ajudava a conhecer melhor as mesmas. De qualquer maneira: Essencial! RDS
95%

Cherry Red Records: www.cherryred.co.uk

Xandria – Salomé: The Seventh Veil (2007) – Drakkar Records

Novo trabalho para os Germânicos Xandria. São cerca de 49 minutos divididos por 12 temas. O estilo é o mesmo de sempre da banda, Gothic Rock / Metal com uma abordagem Pop às músicas (no sentido de canção), elementos electrónicos / samplers e as habituais ambiências orientais, exóticas e de misticismo. A uma primeira audição soa “normal” ou mediano, igual a tantas outras bandas do género que hoje em dia pululam por esse mundo fora, mas a cada nova audição vamos descobrindo novos pontos de interesse e entrando aos poucos no espírito da música. A nível instrumental é muito bom, tem apontamentos interessantes, temas mais orquestrais (poucos, e bem menos intensos que outras bandas, mas mesmo assim a marcar a sua presença), temas com um aroma mais exótico, outras de orientação mais Pop / EuroPop, baladas semi-góticas (seja lá o que isto quer dizer!), há um pouco de tudo por aqui. Há ainda duas faixas que contam com um convidado especial, Mika Tauriainen dos goth-rockers Finlandeses Entwine. Temas a destacar? São muitos, quase todos os temas do álbum são potenciais singles, conforme o público-alvo que se pretende atingir, “Sisters Of The Light” é um fantástico tema que pode muito bem ser um hit, “Vampire” (mais um refrão apelativo), “Beware”, “Salomé” (mais calma com um forte toque oriental), “Firestorm” (mais roqueira, com toques góticos), “A New Age”, “Sleeping Dogs Lie” (outra roqueira), etc.
Sem estar a comparar, até porque os Xandria têm o seu próprio estilo e imagem, mas apenas para dar uma linha de orientação aos que não conhecem, podemos inserir os Xandria na mesma categoria de nomes como Nightwish, Within Temptation, Sirenia, Leaves’ Eyes, Epica, After Forever, etc. RDS
85%
Drakkar Records: www.drakkar.de
Xandria: www.xandria.de
Focusion: www.focusion.de

Cephalic Carnage - Xenosapiens (2007) - Relapse Records

“Xenosapiens” é o 4º disco dos Norteamericanos Cephalic Carnage. Em cerca de 44 minutos, divididos em 12 temas, a banda de Denver, Colorado, faz uma fusão heterogénea de Death Metal brutal linha Norteamericana, Grindcore e inclusivé algum Hardcore. O disco inicia com Death / Grind brutal com “Endless Cycle Of Violence”; “Divination & Volition” tem certos apontamentos Grind / Jazz / Core linha Dillinger Escape Plan, em “Molting” e “Touched By An Angel” aparecem alguns apontamentos mais técnicos que fazem lembrar os míticos Death; ao sétimo tema “G.obal O.verhaul D.evice” temos um “descanso” com uma faixa lenta, arrastada e Doomy mas a seguir “Let Them Hate So Long As They Fear” contrasta com Grindcore que em pouco passa do minuto de duração; “The Omega Point” tem um interessante spoken word; segue mais brutalidade com “Megacosm”; “Ov Vicissitude” é um tema extremamente heterogéneo com diversas passagens por vários estilos; fecha com o 12º tema que não está listado (pelo menos no meu promocional), é um tema Doom / Industrial de cerca de 7 minutos na linha dos temas mais Industriais / Swan-escos dos Napalm Death. Costuma-se dizer que depois da tempestade vem a bonança, pois aqui depois da tempestade vem o desespero!
Há por aqui imensas ideias interessantes mas o disco é apresentado de uma maneira tão heterogénea que só se prejudica. O disco é pesado, rápido, técnico quanto baste mas passa por várias fases distintas, num momento estamos saturados mas depois há qualquer coisa que nos chama atenção e voltamos a ficar atentos, mas passado um bocado já estamos fartos novamente. Com cerca de 3/4 dos temas / duração, o disco ficaria bem mais fácil de digerir e mais apelativo. De qualquer maneira, para quem gosta de Death / Grind mais experimental e com fusões de outros géneros, este disco pode ser a vossa opção. Além das bandas já referidas, pode-se falar também em Cannibal Corpse, Black Dahlia Murder, Napalm Death, Strapping Young Lad, Nile, etc. RDS
75%
Relapse Records: www.relapse.com
Cephalic Carnage: www.cephaliccarnage.net

Ataraxia - Kremasta Nera (2007) - Ark Records

Novo álbum para os mestres Italianos do Medieval / Neoclassical. No que diz respeito à parte musical, o estilo de Ataraxia mantém-se o mesmo de sempre, com a sua fusão de elementos acústicos e electrónicos, ambientes medievais e orientais, com presença de cordas, percussões e outros instrumentos de origem oriental.
Na parte lírica, este é um trabalho conceptual inspirado no ancestral culto da Deusa na ilha Grega de Samotrácia, onde o culto da deidade tripla dedicada à Terra, Noite e ao Ciclo da Natureza era dominante, sendo todos aqueles que queriam ser iniciados nos seus mistérios sujeitos a nove rituais: Criação, Domínio, Amor, Nascimento, Sacrifício, Ablução, Memória e Coroação. O último não tinha nome pois o nono ritual não podia ser revelado. O fascínio dos Ataraxia pela ilha e os seus mistérios, o equilíbrio entre o masculino e o feminino e a sua forte ligação à Natureza, levou-os a criar um fundo sonoro que tenta recriar essa mesma civilização antiga.
Estes senhores já não têm nada a provar a ninguém, e este novo disco é uma boa prova para suster a minha afirmação. Não é o melhor disco de sempre do agrupamento Italiano, mas eles também não sabem fazer álbuns medianos, são todos acima da média. Quem conhece já sabe o que esperar, ou seja, mais do mesmo, mas mais do melhor!
As primeiras 2000 cópias vêm num belo digipack e fazem-se acompanhar de um livrete de 16 páginas. Infelizmente o meu promocional não traz nada disso, apenas um invólucro de cartão. Mas tenho acesso à música, e isso já é muito! RDS
85%
Ark Records: www.arkrecords.net
Ataraxia: www.ataraxia.net