Friday

Job For A Cowboy – Genesis (2007) – Metal Blade Records

A primeira coisa que salta logo à vista é o nome da banda: Job For A Cowboy! Quem é que se iria lembrar desta? Muito aclamados pela sua editora (é o seu trabalho, pois claro!) mas também pela imprensa em geral eis que, após muito trabalho a nível Underground e de Internet (a ferramenta de divulgação máxima hoje em dia!), estes Norte-Americanos vêm o seu álbum de estreia ser editado (após um EP em 2005, “Doom”). Death Metal a meio-tempo muito brutal mas muito colado a Cannibal Corpse para o seu próprio bem. Mas não são propriamente uns clones! Há aqui algumas ideias interessantes que dão outra dimensão à música dos JFAC. Destaco o excelente tema “The Divine Falsehood”, lento e com uma ambiência bem obscura. Um par de “intermezzos” ambientais dão o ar de sua graça pelo meio da brutalidade que é este disco. Além disso ouvi algo que já não ouvia há imenso tempo: fade-in em alguns dos temas! Já ninguém faz isso! De qualquer modo, gostei do disco, bons instrumentistas, som poderoso e uma fantástica capa, isto tudo aliado ao já referido nome peculiar. Uma boa banda de Death Metal? Sim, sem dúvida. A promessa do Death Metal como têm vindo a ser anunciados? Hum…, também não sei se será assim tanto! RDS
80%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Job For A Cowboy: www.myspace.com/jobforacowboy

[F.e.v.e.r.] - Bipolar [-] (Raging Planet 2006)

The Chelsea Smiles - Heart Attack (People Like You 2006)

Cinemuerte - Stuck In A Moment (Raging Planet 2006)

The Generators – Welcome To The End (2007) – People Like You Records

A primeira vez que ouvi estes The Generators fiquei logo fã. Isso aconteceu com o álbum “Excess, betrayal… and our dearly departed” de 2003. Com o disco seguinte “The winter of discontent” de 2005 mantiveram o nível. Este disco que aqui apresento não é o novo, é sim o disco de estreia que vê agora re-edição via People Like You, a editora da banda desde há algum tempo para cá. O disco foi originalmente editado em 1997, celebra-se portanto o seu décimo aniversário. A nova edição contém os 11 temas originais e mais 3 bónus (entre os quais uma versão de “No Feelings” dos Sex Pistols), além de uma capa nova. Para quem ainda não conhece a banda (o quê?! já a correr comprar a discografia toda!) estes Californianos tocam um Rock ‘N’ Roll bem old school com toques de Punk melódico. Este disco de estreia é bem ecléctico (Rock, Punk, Ska, etc), a contrariar um pouco a discografia actual da banda, e não é o meu favoritom, mas mesmo assim encaixa bem no todo e, acima de tudo, foi o álbum que deu o tiro de saída. Muita energia, muita atitude, grandes malhas com refrões inesquecíveis! Sex Pistols, Stooges, Ramones, Vibrators, Buzzcocks ou MC5 podem ser os culpados desta bomba de Rock no seu estado mais puro! Estejam atentos porque eles estão a preparar um novo disco de estúdio e vão entrar em digressão Europeia. RDS
75%
People Like You: www.peoplelikeyou.de
The Generators: www.the-generators.com

Deep Eynde – Bad Blood (2007) – People Like You Records

São de Hollywood mas não têm o glamour típico desse local que é a meca do cinema mundial, muito pelo contrário, são uma banda bem obscura. Os Deep Eynde apresentam-nos 13(!) temas de Rock ‘N’ Roll com toques de Horrorpunk e Psychobilly, influenciados por bandas como The Damned, Misfits, Samhain, Ramones, Stooges, entre outros. A grande maioria dos temas tem uma temática lírica direccionada para os maus relacionamentos pessoais e amorosos (“Kiss of violence”, “Date from hell”, “Casualty of love”, “Sik of you”, etc) mas desenganem-se os que já estão a pensar em romantismo ou emotividade, aqui trata-se do lado mais negro do Homem nessas situações, a raiva, o ódio, a vingança. Temas na sua maioria meio-tempo e uptempo que variam entre o Rock ‘N’ Roll, Psychobilly, Hardcore e Horrorpunk, refrões sing-a-long, riffs bem roqueiros, melodia constante mas sempre com um ambiente geral negro. Para os fãs das bandas acima mencionadas e todo o rock’n’roller old school que se preze. RDS
80%
People Like You: www.peoplelikeyou.de
Deep Eynde: www.deepeynde.com

Whiskey Rebels – Create Or Die (2007) – People Like You Records

Terceiro trabalho para os Whiskey Rebels e o primeiro através da germânica People Like You. Fusão de Hardcore old-school com Streetpunk e pinceladas de Oi! Ao todo são 12 temas distribuídos por pouco mais de 32 minutos. O som é cru o suficiente neste tipo de sonoridades mas com poder e com tudo bem perceptível. Muita energia, muita atitude, refrões sing-a-long, riffs bem sacados, voz crua mas com tonalidades mais melódicas. Gostei disto e recomendo! Para fãs de Roger Miret & The Disasters, Rancid, Dropkick Murphys, etc. RDS
80%
People Like You: www.peoplelikeyou.de
Whiskey Rebels: www.whiskeyrebels.com

Twentyinchburial – Radiovenom (2006) – Raging Planet Records

Os Twentyinchburial fazem uma pequena adaptação da sua sonoridade neste novo “Radiovenom”. Ao anterior estilo Screamo / Hardcore passam a introduzir alguns riffs mais Thrash e umas aproximações ao Metalcore, hoje tão em voga. É certo, a mudança de sonoridade não foi assim tão radical, apenas fizeram uns ajustes para ficar mais “actual”, mas mesmo assim fica a sensação de que estão a tentar apanhar o comboio. Também tenho que ser sincero, este tipo de vocalizações Screamo nunca me agradaram, prefiro as vocalizações de Hardcore mais old-school. A este tipo de vocalizações ainda adicionam uns toques mais Emo. Alguns riffs bem sacados às 6 cordas, algumas ideias giras, mas não passa disso. As letras essas, são do mais simples e banal (a letra de “Amo-te” é simplesmente… falta-me o termo). Com tantas gravações e concertos às costas, numa tão curta carreira, deviam saber fazer melhor. A meio do disco já estava farto, sinceramente. A produção, essa está imaculada! Cortesia do senhor Tue Madsen (que também contribui com guitarras e teclados), o nome obrigatório hoje em dia neste tipo de sonoridades. Além disso há aqui colaborações de Jacob Bredahl (Hatesphere) e Sofie Christensen. Mas nem isso safa o disco. Para quem gosta da onda, isto deve ser um petisco, para mim, não! O que é, é bem feito, mas não é nada de soberbo e está longe de ser uma obra-prima da música. O EP de estreia “The Sand Crystal”, isso sim, estava potente e brutal! Mas já lá vai esse tempo. RDS
65%
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt
20IB: www.twentyinchburial.com

Thursday

Six Feet Under - Ghosts Of The Undead ("Commandment" Metal Blade 07)

www.metalblade.de

Amon Amarth - Cry Of The Black Birds ("With Oden On Our Side" Metal Blade 06)

www.metalblade.de

Video de apresentação de "Maldoror" dos Mão Morta

More Than A Thousand – Volume II The Hollow (2006) – Raging Planet Records

Os MT1000 (agora radicados na Inglaterra) já não se encontram na linha anterior do Hardcore / Screamo / Emocore que os viu surgir. Actualmente, e este álbum é prova disso, estão numa linha bem mais melódica de orientação Emo e Rock alternativo, embora as vocalizações mais “gritadas” (leia-se: screamo) surjam de vez em quando para “apimentar” as coisas. Os MT1000 já tinham esta faceta, mas era apenas uma parte integrante da sua sonoridade global, e aqui e agora ela é a regra absoluta. Os temas são melódicos e introspectivos mas mesmo assim roqueiros. Há aqui boas ideias, bons riffs de guitarra, melodias, passagens mais calmas alternadas com outras mais intensas. Mais temas uptempo (mesmo que melódicos) como “Everyone, Everywhere, Everything Ends” ou “From Hell…” davam outra dinâmica ao disco.Para quem gosta de coisas mais “levezinhas” mas que, ainda assim, gosta de ouvir as suas guitarradas e ataques de fúria de vez em quando. Não é disco que eu ouça todos os dias, mas gosto ou, pelo menos, percebo até certo ponto o que estão a tentar fazer. É daqueles discos que é preciso estar no espírito certo para o ouvir. Muitos pontos acima de muitas outras bandas do género que vêm do outro lado do Atlântico, ou até mesmo aqui da Europa. RDS
75%
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt
MT1000: www.morethanathousand.com

Cinemuerte – Born From Ashes (2006) – Raging Planet Records

Cinemuerte é um duo que surge das cinzas dos Nua que nem Fénix renascida (tinha mesmo que usar a brincadeira!). Fusão de Rock, Pop, Gótico, Metal e alguma electrónica. Influências, é difícil dizer pois estão bem assimiladas e dissimuladas. São cerca de 49 minutos divididos em 12 temas, entre os quais uma particular versão de “Entre Dos Tierras” dos extintos rockers Espanhóis Heroes Del Silencio. É este o único ponto fraco do disco, pois o tema esta irreconhecível. Claro, as versões têm que ter sempre o cunho da banda que a faz, mas aqui, só mesmo a letra é do original, não se vislumbra nem uma pequena réstia da melodia original. É um tema dos Cinemuerte com a letra do referido tema dos Heroes Del Silencio. Podia ter ficado para outra edição, single, compilação ou até mesmo como faixa escondida. Há ainda uma parte multimédia a mencionar mas apenas tem umas fotografias, podia estar mais completa, as fotos podiam vir no livrete do CD, faltava era um video ou dois. Tirando esta versão e a faixa multimédia, todo o disco está soberbo! Os Cinemuerte abordam a sua música como a arte que é, logo no formato da banda (um duo) isso é notório, também o é nas letras, na apresentação do disco, assim como em todo o conceito e pequenos pormenores que rodeiam a banda no geral. Um disco de músicos / artistas / performers que pode agradar tanto a mentes mais abertas a este tipo de liberdades e conceitos artísticos como também ao comum ouvinte, pois todos os temas têm uma abordagem muito Pop e de formato de canção com melodias e refrões orelhudos. Dá gosto ver que ainda há gente que se preocupa com o lado artístico da música e tenta criar algo de si e não uma mera cópia pálida do que os outros fazem ou fizeram. Uma excelente surpresa e uma pedrada no charco do marasmo musical e cultural do qual padece Portugal actualmente. RDS
90%
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt
Cinemuerte: www.cinemuerte.net / www.myspace.com/cinemuerte

Men Eater – Hellstone (2007) – Raging Planet Records

Todas as críticas que li, até ao momento, acerca desta estreia dos Men Eater, são positivas. Toda a gente fala maravilhas deste disco. À primeira audição “Hellstone” não me chamou minimamente a atenção, por isso mesmo fiquei reticente sobre o que escrever acerca do disco. Hoje fiz um esforço e sentei-me a ouvir o disco do início até ao fim, para ver se encontrava “aquilo” que chamou a atenção a gente. Para situar os mais desatentos, estes Men Eater incluem na sua formação (ex)membros de bandas como For The Glory e Blacksunrise e tocam uma fusão de Stoner / Sludge e Post-Rock com pinceladas de Doom, onde influências de nomes como Mastodon, Isis, Pelican e Kyuss são bem notórias, entre outras menos óbvias como Saint Vitus, High On Fire, Unsane ou Godflesh. Há aqui boas ideias (algumas mesmo boas!), mas também há outras que nem tanto ou que são repetidas até ao limite, tornando-se assim um álbum de altos e baixos. É este o grande disco de que todos falam? Não. Por vezes vão uns atrás dos outros e se alguém “mais entendido” na matéria diz que sim, todos acenam como a cabeça de cima para baixo e de baixo para cima. É sim um bom disco de estreia que promete altos voos. Um segundo disco é que poderá vir confirmar a banda. Acredito que sim. Ponho um polegar no ar como que a dizer “fixoide!”, isso sim, mas não ponho os dois no ar, complementados por um sorriso tipo criança com brinquedo novo, isso não. Temas a destacar (e aqui leia-se: “mesmo grandes malhas”): “Drive Dead”, “Lisboa” e “You Mean The Trash To Me”. RDS
75%
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt
Men Eater: www.myspace.com/meneaterdoom

King Kurt – Destination Zululand: Live (2006) – Cherry Red

Este deve ser o concerto mais sujo de sempre! Farinha, ovos, papel higiénico, feijões (?) e muitos outros produtos de mercearia que se possam imaginar. O vocalista está completamente sujo da cabeça aos pés e o chão palco está uma autêntica porcaria, assim como a própria audiência! Mas de certeza absoluta que todos tiveram uma grande dose de diversão. Quem me dera ter lá estado também a dançar, a atirar farinha e papel higiénico pelo ar, e a divertir-me imenso. Fartei-me de rir às gargalhadas ao visionar este DVD. A música não é das mais originais mas tem um certo feeling de diversão inerente que é inquestionável. Muitos temas dos King Kurt como o top single “Destination Zululand”, “Mack The Knife” e “Banana Banana” (esta deve ser a canção mais estúpida de sempre!) e o top ten hit “Zulu Land”, as dançáveis “Wreck A Party” e “Do The Rat” (com um toque de 50s Twist), assim como velhinhas como o clássico “Lonesome Train” (será que há algum raio duma banda de Rockabilly, Psychobilly, Rock ‘N’ Roll que não tenha tocado este tema ao vivo, pelo menos uma vez?). Esta é a primeira actuação ao vivo da banda editada em DVD. A gravação foi feita no lendário Marquee Club em London, Inglaterra, a 30 de Dezembro de 1983. Montes de Rockabilly, dança, uma grande sujeirada e muita diversão! Mais uma vez, obrigado à Cherry Red Films por esta edição mas, mais uma vez, um par de extras também seria interessante. A semi-entrevista de abertura é engraçada mas sabe a pouco. RDS
90%
Cherry Red Films: www.cherryred.co.uk

Roger Miret & The Disasters – My Riot (2006) – People Like You

Este é já o terceiro álbum para este projecto de Roger Miret, líder dos Agnostic Front. O estilo é o mesmo dos discos anteriores, Streetpunk com certas influências Oi! e uma ou outra guinada ao Hardcore mais old school (“Fxxx You”, “TV News”), mas aqui vão um pouco mais longe, experimentando com Reggae (mas pouco!, “Janie And Johnny”), algum Rock’N’Roll cru e directo (“Ramones”) e inclusive algumas passagens acústicas (“Everything I Do”) que dão ao disco um outro colorido. Eu já tinha gostado muito do anterior trabalho “1984” (Hellcat / Epitaph, 2005) e este continua no mesmo alto nível. São pouco mais de 33 minutos sempre a dar, com um espírito de rua bem vincado e uma atitude verdadeira e sincera que falta em muitas das bandas novas que se auto-intitulam de “Punk”. 15 novos temas (mais um Reggae Remix de um dos temas do álbum que poderia ter ficado de fora!) que vão fazer as delícias de quem gosta de Streetpunk e bandas como Bombshell Rocks, Bouncing Souls, Dropkick Murphys, Agnostic Front na sua fase mais Streetpunk, Rancid, Lars Frederiksen & The Bastards, etc.Falta ainda referir que o produto final vai ter como bónus o vídeo para o tema “My Riot”, que infelizmente o meu CD promocional não tem. Mas de qualquer maneira o vídeo está disponível no website da PLY e já o saquei. RDS
90%
People Like You Records: www.peoplelikeyourecords.com
Roger Miret & The Disasters: www.thedisasters.com

If Hope Dies – Life In Ruin (2006) – Ironclad / Metal Blade

Mais uma banda de Metalcore a editar pela Metal Blade (licenciado da Ironclad Recordings). Parece que o filão ainda não esgotou! Pelo menos é isso que a Metal Blade parece pensar. O que é que se pode dizer de mais uma banda do estilo que não se tenha dito noutras críticas, acerca de inúmeras outras bandas e álbuns? Bom, se calhar é melhor dar umas pequenas informações acerca dos If Hope Dies em primeiro lugar. São de Nova Iorque (USA) e este é o seu terceiro disco de originais. Este novo álbum foi produzido, gravado e masterizado por Jason Suecof (Trivium, God Forbid, Roadrunner Allstars) nos estúdios Audiohammer em Orlando, Florida. Aqui os riffs parecem ser bem mais old school que os dos seus pares. Riffs de influência Thrash Metal bem acutilantes e acompanhados de alguma melodia, embora também haja aqui alguma influência Sueca (“Fear Will Keep Them In Line”). Parece que este tipo de visualização é popular nas críticas hoje em dia por isso vou fazê-lo também: imaginem os Arch Enemy na sala de ensaio dos Lamb Of God a fazer versões de Hatebreed e têm uma certa ideia do que é o som If Hope Dies. Ou qualquer coisa assim! Apenas quis incluir este tipo de observação numa das minhas críticas! Nada de novo, nada de original, apenas mais do mesmo, bem tocado é verdade, com boas ideias aqui e ali, mas nada mais. Não há identidade nos temas, ouve-se um e já se ouviram todos. A meio do álbum já estamos fartos. Quando esta onda morrer, apenas as boas bandas vão ficar, e mesmo algumas dessas bandas vão enveredar ou pelo lado mais Hardcore ou pelo lado mais Metal. Entretanto, aqui têm mais um disco para aqueles que ainda não se fartaram de ouvir Metalcore. RDS
70%
Metal Blade Records: www.metalblade.de
Ironclad Recordings: www.ironcladrecordings.com
If Hope Dies: www.ifhopedies.com

Cretin – Freakery (2006) – Relapse Records

Esta é a estreia dos Cretin, uma banda que inclui membros e ex-membros de bandas como Repulsion, Exhumed e Citizen e tem a participação especial de Matt Olivo guitarrista dos Repulsion. “Freakery” apresenta-nos meia hora (16 temas) de Grindcore bem old-school, sujo e lo-fi, bem ao estilo dos finais da década de 80 / início de 90 com influências de Napalm Death, Terrorizer ou os já mencionados Repulsion ou Exhumed, além de algum Crust à mistura. A produção está soberba, tendo o disco um som bem sujo e arranhado mas potente e bem definido.As letras, tal como o título pode indicar, retratam pessoas com características físicas e mentais diferentes e que poderiam fazer parte de algum circo de aberrações.Não é certamente o disco mais original de sempre, o que aqui se encontra já foi feito inúmeras vezes, mas os Cretin fazem-no bem e para quem gosta de Grindcore old-school, esta é uma boa aposta. RDS
80%
Relapse Records: www.relapse.com
Cretin: www.cretanic.com

Twentyinchburial - Entrevista

1 – Este novo trabalho foi gravado nos estúdios Antfarm na Dinamarca. Como é que surgiu essa oportunidade de gravar nestes estúdios com o Tue Madsen?
Nós andavamos à procura de um bom produtor, surgiu a oportunidade de entrar-mos em contacto com o Tue, ele gostou e quis entrar no processo do Radiovenom.

2 – Neste disco a vossa sonoridade teve uma mutação do Hardcore / Screamo que tinham antes para uma sonoridade mais Thrashada com influências da nova escola Sueca. Esta mudança foi deliberada ou surgiu naturalmente na composição dos temas?
Não creio que tenha havido qualquer mudança a nível sonoro, a banda de facto reinventou-se, mas isso é um processo de desenvolvimento, faz parte da evolução da banda, mas continuamos a fazer o mesmo que faziamos em 2000.

3 – Fala-me um pouco das letras deste disco e dos assuntos abordados nas mesmas.
As letras neste disco, são menos complexas, mais directas e simples, de forma às pessoas captarem a mensagem mais rapidamente, no geral, fala no fundo sobre as coisas que são ditas nos media etc... que por vezes são grandes mentiras e que são levadas a sério pela maioria do publico! Dai o nome Radiovenom.

4 – No disco encontram-se como convidados o próprio produtor Tue Madsen, Jacob Bredahl dos Hatespere, Palle Schultz e Sofie Christensen. Como é que estas participações surgiram e de que maneira é que o seu contributo traz algo de novo ás músicas em que participam (e quais são elas, pois no CD não vem isso referido)?
Surgiram de uma forma natural, eram amigos do Tue, e o Jacob já o conheciamos de termos tocado com os Hatesphere em Portugal, o Tue achou que fazia sentido de facto dar um outro ambiente a determinadas canções, e acabou de facto por fazer todo o sentido.

5 – Como é que tem sido a aceitação ao disco, tanto a nível de imprensa como de público?
Está muito bem aceite.

6 – E em relação às actuações ao vivo, têm surgido muitas oportunidades de apresentar esta nova edição? Como é que têm corrido esses concertos?
Tocamos mais lá fora do que aqui em Portugal, tb se calhar pelo facto, de estarmos na GSR agora.

7 – Quais são os vossos projectos para um futuro próximo?
Continuar a trabalhar com a mesma humildade desde 2000.

8 – Como vês a cena musical actual, Rock, Punk, Hard ‘N’ Heavy, etc, no geral e em particular em Portugal? Que novas bandas e/ou tendências te têm despertado mais interesse?
Gosto dos Fiona At Forty, mas tenho a certeza de que existem muitas outras bandas fantásticas em Portugal.

9 – Em jeito de despedida, queres deixar uma última mensagem ou ideia ou algum assunto importante que tenha ficado por referir?
Muito importante, não haver preconceitos em relação à musica pesada em Portugal, nem haver rótulos completamente absurdos! Caso contrário, nunca iremos evoluir para lado nenhum, e em vez de 20 anos atrasados vamos ficar 50! Por isso, o preconceito mata a evolução da música, e não confundam esta resposta com gosto musical.
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Entrevistador: RDS
Entrevistado: Ricardo da Rocha Correia - Guitarra
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Twentyinchburial: www.myspace.com/twentyinchburial
Raging Planet Records: www.ragingplanet.web.pt

Stackridge – Re-Releases 2007 – Angel Air Records



A Angel Air Records está a re-editar aos poucos os álbuns dos Britânicos Stackridge neste ano de 2007. Tenho em mãos 4 dessas re-edições, “Friendliness” de 1972, “The man in the bowler hat” de 1973, “Extravaganza” de 1974 e “Mr. Mick” de 1976. O som dos Stackridge assenta num Pop dos 70s com tendências Folk e Progressivas. As influências vão desde The Beatles ou Supertramp, na vertente mais Pop, passando pelo Prog / Folk dos Jethro Tull, Fairport Convention na orientação Folk e até mesmo algum Genesis dos inícios.O primeiro disco a ser revisto é o segundo disco da banda, “Friendliness” (70%) de 1972, o único com temas extra (4). Abre com “Lummy days”, um instrumental de 70s Prog / Folk; “Syracuse the elephant” segue uma via mais Pop mas com os elementos Progressivos aqui e ali e com alguns sons orientais, um dos melhores temas do disco; segue na mesma onda Pop / Folk / Prog, sempre muito levezinho; acaba com o tema-título “Friendliness” (pouco mais de 1 minuto) e acaba o alinhamento original com “Teatime”, Folk / Prog linha Jethro Tull mas com toques sinfónicos; nos temas extra destaco “Purple spaceships over yatton”, um dos temas mais “pesados”, bem roqueiro. O álbum “The man in the bowler hat” (80%) abre com “Fundamentally yours” numa linha mas Beatles / Pop Britânico dos 70s; segue com “Pinafore days” numa toada Folk com certos toques de musical da Broadway; segue um dos melhores temas do disco, “The last plimsoll” com o Progressivo a começar a dar o ar de sua graça, mas sem perder a orientação Folk, a lembrar Jethro Tull; “The road to Venezuela” faz lembrar Fairport Convention; em “The galloping gaucho” voltamos ao Progressivo com mais um grande tema, aqui com um certo ambiente circense; fecha com “God speed the plough”, mais uma grande música, com violino, orquestral, quase cinematográfica, e com mais Folk / Prog via Jethro Tull a vir à memória. Este é o meu disco favorito dos três. Segue “Extravaganza” (70%) de 1974. Inicia com “Spin round the room” numa toada mais Funky (que se volta a ouvir em “Rufus T Firefly”), não é bem o meu estilo. O estilo não foge muito dos álbuns anteriores. É mais do mesmo. Em “No ones more important than the earthhwom” é um dos destaques com uma linha mais 70s Prog de contornos sinfónicos. O tema seguinte “Pocket billiards” também se pode destacar, mais um bom tema de Progressivo da década que marcou o estilo. Voltam mais uma vez a fechar com um tema mais orquestral, “Who’s that up there with Bill Stokes?”.Fecha-se este artigo com “Mr. Mick” (85%), um álbum originário de 1976. Aqui temos um duplo CD e passo a explicar. O álbum original era baseado num poema (sobre a lenta decadência de um idoso pensionista) e tinha diversos diálogos. A editora não gostou do disco e mandou cortar a maior parte das partes faladas. A banda não gostou muito de ver a sua obra retalhada mas lá teve que aceder. O alinhamento ficou diferente, com trocas de temas e sem os diálogos, perdendo grande parte das suas características artísticas. O que temos nesta re-edição é o álbum que saiu para o mercado e o álbum original remasterizado, disponível pela primeira vez em 31 anos. O estilo não varia muito do habitual, mas aqui trata-se de um álbum conceptual e com toques mais Progressivos e com algum experimentalismo à mistura. Aqui vem à memória Genesis era “The lamb…” e algum Van Der Graaf Generator e ELP, mas aqui sempre com um sentido mais Pop, de fácil absorção por parte do ouvinte. Não é do melhor que ouvi no género mas é um álbum acima da média, com alguns apontamentos interessantes e que tem de se ouvir várias vezes para se começar a perceber e gostar. Além disso tem de se ouvir na íntegra, tal como qualquer outro disco conceptual, até porque as faixas estão todas interligadas (no alinhamento original, o alinhamento da edição de 76 era “normal”, com as faixas separadas), dando uma continuidade musical que se encontra também no conceito lírico. O “canto do cisne” dos Stackridge? É ouvir e tirar conclusões. Esta edição vale acima de tudo pela recuperação do alinhamento original. RDS
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Angel Air Records: www.angelair.co.uk