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V/A – Adriano, Aqui E Agora, O Tributo (CD+DVD 2007) – Movieplay

Assim que recebi o e-mail a promover este disco, fiquei logo entusiasmado e com vontade de ouvir o tributo. Solicitei um promocional e eis que aqui estou eu a ouvir o dito. Infelizmente, fiquei profundamente desiludido! A escolha dos músicos envolvidos não foi a melhor (responsabilidade de Henrique Amaro da Antena 3) e as próprias versões ficaram muito aquém do que se poderia fazer com a música de Adriano Correia de Oliveira. As rendições são maioritariamente de cariz electrónica e os originais perdem muito neste formato, tanto em espírito como em ambiente geral.
As faixas aceitáveis são “Tejo que levas as águas” pela voz de Tim dos Xutos & Pontapés, “Trova do vento que passa” pelos Dead Combo com a voz de Ana Deus dos Três Tristes Tigres, “Cantar para um pastor” por Raquel Tavares, “Fala do homem nascido” por Nuno Prata (ex-Ornatos Violeta) ou “Balada da esperança” por Shahryar Mazgani. A voz de Margarida Pinto dos Coldfinger é fantástica mas a versão de “Charamba” fica muito abaixo da média. Não me falem sequer aberrações como “E alegre se fez triste” por Cindy Kat, “O sol préguntou à lua” por Micro Áudio Waves, “Menina dos olhos tristes” por Valete ou “Rosa de sangue” por Pedro Laginha (o homem até pode ser bom actor, mas para cantar… lá está, a escolha das pessoas envolvidas). O tributo feito há uns anos atrás a José Afonso resultou muito melhor a todos os níveis. Até mesmo o tributo a Variações, não sendo perfeito, está uns furos acima deste.
Além do CD, inclui-se aqui um DVD com dois vídeos. O primeiro contém uma série de entrevistas à família, Manuel Alegre, e outros amigos do falecido músico, no qual se fala da vida e obra de Adriano, em cerca de 35 minutos. Poderia estar melhor mas tem apontamentos interessantes que valem a pena e um certo cuidado a nível visual que me agradou imenso. Um documentário completo, com estas entrevistas incluídas e um pouco mais de trabalho seria mais interessante. Mesmo assim, tem o seu certo interesse. O outro vídeo contém pequenas entrevistas aos músicos envolvidos no disco de tributo. Um complemento à biografia e ao CD, apenas isso. Para ver uam vez e já está.
Diz-se na nota de imprensa que “a voz de Adriano estava, até agora, abafada […] agora não devido à censura, mas por obra e graça de uma ingratidão manifestada num Alzheimer colectivo”. Pois, mas é difícil recordar a obra de Adriano através dos velhos vinis já gastos, ou num gira-discos que já não funciona, ou até mesmo através de reedições em CDs que, ou são de tiragens limitadas, ou não se encontram à venda em lado algum. Além disso é difícil recordar este e outros nomes da década de 70, da música de cariz interventivo do pré-25 de Abril, quando apenas se fala à boca cheia de José Afonso (a ele todo o seu mérito!), parecendo que nunca chegou a existir outro músico intervencionista em Portugal!
Ai Portugal, que falta de cultura, que falta de respeito pelo passado. Boa música, pergunte-se ao Zé Povinho, são os artistas “pimba”, é o Quim Barreiros, é o Emanuel, é o Toy, são os Anjos ou os Santamaria. Cultura? “Reality shows” repletos de gente sem o mínimo sinal de inteligência, “talk shows” com temas absurdos e com qualquer “palhaço” que lá queira ir demonstrar as suas habilidades (ou a falta delas!), os “Malucos do Riso” que riso nenhum me provocam, muito pelo contrário, isso é a ordem do dia no Portugal de hoje! Mas nem me vou esticar por aqui senão não paro de escrever!
Adriano faleceu a 16 de Outubro de 1982, tinha 40 anos de idade. 25 anos passaram desde então e que se fez? Este tributo muito abaixo da mediania, com versões que parecem ter sido feitos à pressa, para despachar e partir para outra. A reedição da obra original, completa, devidamente remasterizada, isso sim, era um tributo! 40% http://www.adrianocorreideoliveira.com/

Fall Of Serenity – The Crossfire (2007) – Lifeforce Records

Novo trabalho para os Alemães Fall Of Serenity. Algumas mudanças de formação ocorreram nos últimos tempos, passando o baixista a vocalista, o guitarrista a baixista e admitindo um novo guitarrista para o lugar vago. A sonoridade não mudou muito em comparação com o anterior “Bloodred Salvation” de 2006 (também através da Lifeforce), Thrash Metal com toques de Death e Hardcore. O disco foi produzido e gravado por Ralf Müller (Maroon, Heaven Shall Burn, Impending Doom, etc) no Rape Of Harmonies Studio, à semelhança do anterior disco, e foi misturado e masterizado por Dan Swanö (Edge Of Sanity, etc) nos seus Unisound. Depois de terem tido como convidado Leif Jensen dos Dew-Scented no disco anterior, neste novo capítulo os Germânicos contam com a participação de Sabina Classen dos veteranos Holy Moses. Algures entre o Thrash Metal da Bay Area e o Germânico, o Death Metal e uma sonoridade mais moderna, os 10 temas de “The Crossfire“ não dão descanso aos ouvidos mais incautos. Não é dos melhores álbuns do género mas está muito acima da média e está pontos acima do que já fizeram antes. Para colocar na estante ao lado de discos de Dew-Scented, Darkane, Hatesphere, Holy Moses, Heaven Shall Burn, The Haunted, Misery Index, etc. 75% http://www.fallofserenity.com/ / www.myspace.com/fallofserenity / http://www.lifeforcerecords.com/

ANGEL AIR RECORDS

Stackridge – Something For The weekend (2007) – Angel Air Records
Depois de ter aqui escrito umas linhas sobre as reedições remasterizadas dos discos dos 70s destes britânicos Stackridge, tenho a oportunidade de “fechar o ciclo” com este “Something For The Weekend”. Trata-se do disco gravado aquando da reunião na segunda metade da década de 90. Além da edição original de 1998, incluem-se aqui 4 temas extra, num total de 18 em pouco mais de 1 hora de música. O estilo não mudou muito daquele que tinham nos 70s, o que pode ser bom ou mau, dependendo do ponto de vista. No entanto, os poucos toques progressivos e sinfónicos que tinham são aqui deixados de lado para apostar numa sonoridade tipicamente Pop Britânico. A marca característica dos Stackridge está lá, o seu estilo de composição, o seu sentido de canção Pop simples mas com estilo, ambiência e humor Britânicos. 1998 não seria talvez o melhor ano (ou década até) para editar algo do género. Nos 80s isto teria sido muito melhor aceite. No entanto, os fãs da banda agradeceram essa mesma reunião e este álbum. Apesar de não ser o melhor dos seus trabalhos, este disco é superior a muitas das coisas que se fizeram na Pop do Reino Unido nos últimos anos, incluindo a tal banda com os dois irmãos que andam sempre ás turras (não me vou rebaixar a usar o nome aqui). Além da música temos direito a um booklet com as letras e um texto sobre a reunião e respectivo disco. Para fãs de Stackridge, Beatles e Pop Britânico clássico em geral. 80% http://www.stackridge.net/ / http://www.angelair.co.uk/

Carmen – The Gypsies / Widescreen (2CD, 2007) – Angel Air Records
Os Carmen surgiram na década de 70 com a sua peculiar fusão de Rock, Progressivo e Flamenco. Editaram 3 discos, abriram para nomes como ELO, Golden Earring, Blue Osyter Cult ou Santana e chegaram a fazer uma digressão em 1974, pelos USA, como banda de suporte dos míticos Jethro Tull. Esta é uma reedição remasterizada do terceiro e último trabalho, “The Gypsies”. Além dos 9 temas originais temos direito a dois bónus, “Flamenco fever” o segundo single da banda e “Only Talking To Myself”, um tributo a John Glascock (o baixista da banda que faleceu em 1979, depois de ter saído dos Carmen tocou com os Jethro Tull até falecer vítima de cancro). Este “canto do cisne” dos Carmen contém fantásticos temas como “Daybreak”, “High Time”, “Joy” ou o bombástico tema título “The Gypsies”. Além deste disco, inclui-se aqui o álbum “Widescreen” de David Allen, vocalista e guitarrista da banda. Allen começou a compor este material em meados da década de 90, trabalho que lhe levou 10 anos a completar e só agora vê edição oficial. “Widescreen” inclui 11 temas de fusão de Flamenco com electrónica e Jazz. Nada que possa agradar ao fã “diehard” de Rock, mas com alguma abertura de mente, é até um disco a ouvir com alguma atenção. Respectivamente: 80% & 70% http://www.angelair.co.uk/

Stone The Crows – In Concert, Beat Worshop, Germany, 1973 (DVD 2007) – Angel Air
Maggie Bell And Midnight Flyer – Live Montreux July 1981 (DVD 2007) – Angel Air

Os Stone The Crows eram Escoceses e tocavam um Rock dos 70s com voz feminina com uma forte componente Blues, Soul, Rock clássico e toques de Hard Rock. Antes de terem esta denominação chamavam-se Power, conseguiram que o manager dos Led Zeppelin, Peter Grant, fosse até à Escócia vê-los actuar, este decidiu assinar um contrato com eles mas com a condição de mudarem o nome para Stone The Crows. Esta gravação foi feita na Alemanha e é datada de 1973, mas só agora vê edição oficial neste DVD através da Angel Air. Além dos 7 temas registados ao vivo (cerca de 41 minutos), inclui-se aqui uma entrevista actual de 35 minutos com a vocalista Maggie Bell e o baterista Colin Allen, assim como uma biografia da banda.
No segundo DVD em revisão temos Maggie Bell numa carreira solo pós Stone The Crows, aqui acompanhada pela banda Midnight Flyer. Gravação ao vivo datada de 1981, em Montreux. São 13 temas em cerca de 70 minutos nos quais o estilo não muda nada em relação à sua banda de origem. A adicionar ao concerto, temos uma entrevista actual de 19 minutos com Bell e a biografia dos Midnight Flyer.
Não sou grande admirador de Blues, mesmo nesta vertente roqueira, e o estilo “cowgirl” da vocalista não ajuda mesmo nada. Fãs de Blues Rock e Rock setentista irão gostar, isto se não tiverem menos de 35 anos! 70% http://www.angelair.co.uk/

Diesel Park West – Damned Anthems (DVD 2007) – Angel Air
Este DVD inclui mais de duas horas de material dos Ingleses Diesel Park West, concentrado nos seus dois primeiros discos e na fase 89-92. Gravações ao vivo na Alemanha em Fevereiro de 1992, na Suiça em Abril do mesmo ano e na Dinamarca no festival Roskilde a Julho de 1989. Além dessas gravações profissionais incluem-se ainda bootlegs captados pelos fãs de 1988, 1993 e 2004, no total de 22 minutos. Como bónus temos ainda o promo-clip de “Six Days At Ju Ju”, 3 faixas áudio (com galeria de fotos como fundo visual) e biografia. Os Diesel Park West tocam Pop / Rock de final dos 80s e inícios dos 90s, na linha de nomes como U2, INXS, etc. A música da banda não é má de todo, embora seja muito simples e lugar comum, mas tem uma melodia cativante e aquele “feeling” do final dos 80s. De qualquer modo, fãs do Pop / Rock dos 80s / 90s, algures entre os 35 e os 40 anos, este poderá ser um agradável regresso a esses tempos. 70% http://www.dieselparkwest.com/ / http://www.angelair.co.uk/

Yoshida Tatsuya / Satoko Fujii – Erans (2004) – Tzadik

É altura de passar em revista na Fénix mais um trabalho que inclui a pianista Japonesa Satoko Fujii, aqui lado a lado com o baterista dos míticos Ruins, Yoshida Tatsuya. No total são 6 composições da responsabilidade de Yoshida, 5 de Fujii e 2 compartidas. Doze temas são instrumentais, sendo o último uma versão vocalizada do tema de abertura “Feirsttix”. O disco foi gravado por Joe Marciano a 12 de Julho de 2003, misturado e pré-masterizado por Yoshida, produzido pelos dois músicos e com produção executiva de John Zorn. A edição como já deu para ver pelo cabeçalho, é da responsabilidade da Tzadik de Zorn, incluído na sua série “New Japan”. Estes dois virtuosos Japoneses oferecem-nos cerca de 1 hora de fusão Jazz, Avantgarde, Experimental e Progressivo. Tudo isto apenas com piano e bateria. Este é um dos meus discos favoritos da inteira discografia dos dois músicos Japoneses. Para fãs de Satoko Fujii, Yoshida Tatsuya, Ruins, John Zorn, Masada, Naftule’s Dream, Soft Machine, Mahavishnu Orchestra, Ornette Coleman, Ahleuchatistas, Dysrhythmia, etc. 95%

Tzadik: http://www.tzadik.com/
Satoko Fujii / Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/
Yoshida Tatsuya / Ruins: http://www5e.biglobe.ne.jp/~ruins/ / http://www.skingraftrecords.com/bandhtmlpages/ruinspg.html

Irídio – Endless Way (2007) – Standing Stones / Focusion

Este é o segundo disco para o duo Italiano Irídio, depois do bem recebido “Waves Of Life” de 2004. Valentina Buroni (voz) e Franz Zambon (piano, engenheiro de som) fazem-se acompanhar por 15 músicos de várias nacionalidades e proveniências musicais. Nos 11 temas originais faz-se a fusão de diversos elementos de música celta, étnica, folk e clássica com ideias dark / goth e passagens ambientais. A componente lírica narra a viagem feita por uma jovem no final do século XV. Esta segue o seu pai, um mercador rico, na sua viagem de negócios através da Europa e até ao Médio Oriente, descobrindo assim novos mundos e emoções. Esta viagem é feita ao ritmo de uma música de carácter étnico e espiritual, para a qual contribuem diversos instrumentos tradicionais a clássicos como piano, flauta, bandolim, violino, percussões, saxofone turco, gaita-de-foles, etc. Recomenda-se vivamente a fãs de ethereal / dark / goth, world music, música celta e folk, música medieval, etc. 85% http://www.iridiomusic.com/ / www.myspace.com/iridiomusic / http://www.focusion.de/

AETERNITAS TENEBRARUM MUSIC FOUNDATION (ATMF)

Locus Mortis – Voust (2007) – ATMF
Segundo disco para os Italianos Locus Mortis. Black Metal intenso, rápido, agressivo, ambiente negro e carregado, tudo condimentado com letras ocultistas. Eu não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre este tipo de sonoridades, Black Metal no geral e este tipo de extremo em particular. Eu sou apreciador de música extrema, nas mais diversas vertentes, mas o Black Metal e as suas orientações líricas, no geral, não são a minha predilecção, no entanto este disco chamou-me a atenção. A parte instrumental está irrepreensível, boas ideias, ambientes negros bem conseguidos, uma intensidade brutal e, claro está, uma gravação excelente! E digo isto porque a grande maioria destas edições têm um som execrável (vejam a crítica abaixo p.ex.), ou para lhe dar um ar underground ou trve, ou apenas para encobrir a falta de ideias e técnica instrumental da banda. Pois não é o que acontece aqui em “Voust”, o som está fantástico, a banda sabe tocar, tem boas ideias e, acima de tudo, soa verdadeiro e tem pleno espírito undergorund. Não é uma obra-prima do género, mas é um bom disco de Black extremo e old-school. Apenas para apreciadores de Occult Black Metal extremo. 85% http://www.atmf.net/

Janvs – Fvlgvres (2007) – ATMF
Mais uma banda Italiana de Black Metal. Os Janvs apresentam em “Fvlgvres” o seu segundo disco, o primeiro através da compatriota Aeternitas Tenebrarum. Este começou por ser um projecto a solo de Vinctor (guitarra, voz) e assim foi gravada a estreia. Este novo trabalho já foi gravado por uma banda “a sério”, incluindo B. Malphas no baixo e F. La Rosa na bateria. Na nota de imprensa é apresentado como Spiritual Black Metal. Parece que hoje em dia toda a gente pretende ser “pioneira” num estilo inventado por si. Pois o que aqui encontramos são 7 temas do mais puro e simples Black Metal, ora rápido ora a meio tempo, com alguma melodia, passagens acústicas e ambientais. O conceito lírico versa as condições e limitações da raça humana, e da sua temporária conquista de momentos de realização e contacto com picos de transcendência, ou qualquer coisa do género... Ora, aí está a tal faceta “espiritual” da banda! Há ainda a participação de Argento dos Spite Extreme Wing, segundo parece um dos pioneiros do Black Metal Italiano, e que contribui com letra e voz em “Vrsa Major”. Há aqui algumas ideias a aproveitar, principalmente nas passagens acústicas e ambientais, também a nível das guitarras, mas no geral é algo muito simples, mediano e lugar-comum. 70% http://www.atfm.net/

Forgotten Woods – Race Of Cain (2007) – ATMF
Ora, já me é difícil escrever algumas linhas sobre um disco de Black Metal tipicamente Norueguês, quanto mais sobre um que não tem nada de minimamente audível. Que som de gravação é este? Nunca ouvi tal merda (usem-se as palavras correctas!). Parece a gravação de um ensaio, som completamente abafado, a bateria parece que está lá ao fundo e nem tem um único micro ligado, baixo que é dele, guitarra arranhada, e voz parece que foi gravada numa cassete que ficou anos a apanhar pó e quando se vai ouvir de novo, anda mais devagar e enrola. Até muitas das maquetes gravadas em ensaios, na década de 80, soam melhor que isto. E ideias? Pois sim! Que é delas? E esta é supostamente uma banda de culto, de “true norwegian black metal”, pioneiros da cena. Na nota de imprensa fala-se em “rawness”, “obscurity”, “underground appeal”, “another step forward compared to the already great previous album”. Foda-se que bela merda que aqui está! O único que se aproveita é o booklet que está fabuloso, revertendo mais rapidamente para uma banda de Punk ou Hardcore intervencionista, activa e consciente politicamente do que de uma de Black Metal Norueguês. Acho que nunca dei uma nota tão baixa numa das minhas críticas! Nem vou perder mais tempo com isto! Próximo! 5% (apenas pelo excelente booklet) http://www.atfm.net/

Trimonium – Son Of A Blizzard (2007) – Einheit Produktionen

Terceiro disco para estes Germânicos. O disco é composto por 8 temas e tem uma duração de 44 minutos e meio. Pagan Metal bem melódico e épico com toques de Heavy tradicional, Black Metal e algum Thrash. O som está poderoso e limpo o suficiente mas sem perder aquele toque áspero e crueza necessárias ao estilo. O único senão é mesmo o livrete, não se consegue ler nada! O fundo está a azul escuro e as letras estão todas a azul claro. Apenas a capa / contracapa e o pequeno catálogo da editora aqui incluídos se safam. Numa reedição esse pequeno problema poderia ser corrigido. Tirando esse senão, este é um excelente trabalho de Pagan Metal que recomendo a todos os amantes do género e não só. 80% http://www.trimonium.net/ / http://www.einheit-produktionen.de/ / http://www.archetype-promotion.de/

Deathcult – Cult Of The Dragon (2007) – Dark Essence Records

Este é um projecto de Herr Ekkel, guitarrista ao vivo de Taake. Como poderão depreender, estamos perante Black Metal Norueguês. Simples, cru, necro, agressivo, bem ao estilo dos inícios da década de 90, aquilo que hoje em dia se pode apelidar de Trve Black Metal. O Black Metal já não é o meu estilo de preferência e, sinceramente, este tipo de sonoridades necro ou trve não me dizem absolutamente nada, fazendo até algum incómodo ao ouvir. E se falarmos na orientação lírica / política de algumas bandas… Neste disco em particular lê-se coisas como “Anti-Life” ou “Anti-Human”. Nem vou entrar por aí senão acabava por discorrer sobre o tema e esta tornava-se uma crítica bem longa! Outro assunto que me incomoda é o “fechado” ou elitista que é este tipo de cena. Mais uma vez, nem me vou esticar no assunto! Apenas para quem gosta do seu Black Metal bem simples, brutal e old-school. Eu cá prefiro ficar de fora do referido circuito elitista. 30% www.myspace.com/cruelcelestialspirits / http://www.karismarecords.no/ / http://www.darkessencerecords.no/

Vulture Industries – The Dystopia Journals (2007) – Dark Essence Records

Os Vulture Industries são Noruegueses e este é o seu disco de estreia (depois de duas maquetes em 2004 e 2005). A banda é composta por 5 membros já com alguma experiência proveniente de bandas como Sulphur, Black Hole Generator, Malice In Wonderland, Syrach, Enslaved (sessão) e Taake (sessão). A sonoridade assenta num Metal de teor sinfónico, experimental, progressivo e doomy. As comparações mais óbvias serão a Arcturus, Solefald ou Winds, mas estes Vulture Industries têm algumas ideias e uma maneira próprias de fazer este tipo de sonoridade e, acredito que, num segundo disco terão já a sua identidade bem demarcada. O disco foi produzido pelo vocalista e produtor Bjornar E. Nielsen (produtor de bandas como Helheim, Sulphur, Dead To This World, etc) nos seus Conclave & Earshot Studios, com a assistência de Herbrand Larsen e Arve Isdal (Enslaved). Para a capa do disco conseguiram a participação do conceituado actor Norueguês Helge Jordal. Uma boa aposta para quem gosta de Metal sinfónico, progressivo e das bandas acima citadas. 90% http://www.vulture-industries.net/ / www.myspace.com/vulture-industries / http://www.karismarecords.no/ / http://www.darkessencerecords.no/

Von Branden – Scherben (2007) – GreyFall / Grau

Disco de estreia depois de 2 maquetes. Mais Gothic Metal vindo da Alemanha. Este é mais inclinado para a vertente Dark / Doom do Metal. Ao todo são 9 temas em cerca de 51 minutos. Além do habitual trio guitarra / baixo / bateria temos ainda a inclusão de acordeão, violoncelo, saxofone e piano, os quais dão um tom mais melancólico e até mesmo místico à música. Lento, depressivo, melancólico, carregado, nem belo nem feio, nem negro nem branco, apresentado sempre em tons de cinzento numa espécie de fusão entre a bela e o monstro. Pelo meio há tempo para algum experimentalismo, se bem que pouco, no instrumental “Bitte Lies In Pure Dismay”. Fecha-se o disco com uma versão de “Winter” de Tori Amos. Eu chamaria à música dos Von Branden: Vintage Melancholic Gothic Dark Doom. Confusos? Imaginem uma banda formada por membros de My Dying Bride, Lacrimosa e Winds em meados do século XIX. 80% http://www.grau.cd/

Mandrake – Mary Celeste (2007) – GreyFall / Grau

Terceiro disco para os Alemães Mandrake. São 13 temas de Gothic Metal do mais lugar-comum possível. Riffs metaleiros mas com melodia de guitarra omnipresente, secção rítmica groovy, forte e pesada, voz feminina entre o roqueira e o angelical, teclas a dar o toque sinfónico. Sentimento constante de melodramatismo e teatralidade acentuados. É tudo do mais ordinário possível. Não há nada de novo ou original por aqui, mas está tudo bem feito. Será que apenas isso chega neste estilo já tão saturado? Talvez. Eu gosto disto, mas há tantas outras bandas iguais e que têm alguns elementos que as diferenciam do grupo. Mas, mesmo assim, e volto a repetir, isto está bem feito e tem algumas ideias boas que chamam a atenção. Gosto mesmo é da capa e da apresentação geral, em tons de sépia, a dar a todo o pacote um tom vintage bem vincado. Apenas para fanáticos do estilo, pois esses irão gostar com certeza. Os que procuram algo de diferente ou inovador, passem ao lado, senão ficam desiludidos. Apesar de tudo, uma opção muito melhor, mais verdadeira e com mais espírito do que os rockstars Evanescence e a sua vocalista pseudo-gótica tornada diva (bluargh!). 70% http://www.grau.cd/

Lento – Earthen (2007) – Supernaturalcat

Este é o disco de estreia dos Italianos Lent0, uma banda composta por 5 elementos (3 guitarras, 1 baixo e 1 bateria). Depois do split MCD com os Ufomammut, lançado na mesma editora, apresentam-nos em “Earthen” 7 temas instrumentais em cerca de 41 minutos de duração. A música dos Lent0 é uma fusão de Ambient, Post-Rock, Avant-Rock, Hardcore, Psychedelia, Drone, Industrial, sempre com uma orientação bem doomy e sludgy, com influência directa de nomes como Neurosis, Earth, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, Pelican ou Isis. As duas primeiras faixas são bem carregadas e intensas (“Hadrons”, “Need”), segue-se “Subterrestrial” com pouco mais de 3 minutos de teor ambiental para depois voltarmos a ser invadidos com o peso e intensidade arrastados, depressivos e melancólicos de “Currents”. Em “Emersion Of The Islands” voltamos ao material ambiental, desta feita com quase 7 minutos de duração. “Earth” volta ao domínio da música pesada, acabando o disco com quase 10 minutos de puro ambiental em “Leave”. Os riffs mantêm-se imutáveis, com um sentido de continuidade e repetição que apenas logram em aumentar a intensidade e carácter depressivo, sufocante e irrespirável da música dos Lent0. Uma experiência perturbadora para quem não está habituado a este tipo de sonoridades, mas uma bem recompensadora para que gosta das bandas acima mencionadas. 85% http://www.lent0.com/ / www.myspace.com/lent0 / http://www.supernaturalcat.com/ / www.myspace.com/supernaturalcat

Tuesday

Satoko Fujii & Natsuki Tamura

Depois de aqui ter revisto 6 discos de Jazz Avantgarde vindos do Japão, da Libra Records, eis que me chegam às mãos mais algumas das gravações de Satoko Fujii e do seu marido Natsuki Tamura. Mais uma vez o digo, eu não sou nenhum connaiseur do estilo, nem sou músico para discutir aspectos técnicos, sou apenas um ávido fã e coleccionador de música. Sem restrições de estilos. É boa ou má música (tendo em conta os tons de cinzento, não apenas os brancos e pretos), apenas isso. É, portanto, nessa perspectiva, que passo então a descrever esses discos e o seu conteúdo, por ordem cronológica.

Natsuki Tamura – A Song For Jyaki (1998) – Leo Lab Records
Apenas um músico, o próprio Tamura. Um único instrumento musical, o trompete. São 12 temas, composições ou experiências sonoras no dito instrumento. Ultrapassa os 55 minutos de duração. Pode ser algo monótono, aborrecido ou até mesmo enervante, isto se não forem, ou trompetistas, ou fãs de Jazz em todas as suas vertentes ou fãs de música experimental. Algumas faixas resultam melhor que outras. É daqueles discos que devem ter dado mais gozo ao músico de tocar e gravar do que o resultado final dará ao ouvinte. De qualquer modo, como já disse, há algumas faixas que até resultam bem. Ouçam, tirem as vossas conclusões, escolham os vossos temas preferidos. É necessário mente aberta, acima de tudo, para encarar este disco. 65% Leo Lab Records: www.atlas.co.uk/leorecords/

Natsuki Tamura – White & Blue (1999) – Buzz Records
Tamura (trompete) alia-se a Jim Black (bateria, percussão, faixas 1 a 5) e Aaron Alexander (bateria, percussão, faixas 6 a 10). São 10 temas, todos com o mesmo título, “White & Blue”, apenas diferindo na numeração que segue o título. Muito experimental, ligeiro, e com algo que eu não gosto muito no Jazz, e até na música clássica, e que me faz fugir a sete pés, que é, muitos espaços em “branco” (leia-se: silêncio ou quase silêncio). Mais um daqueles discos que devem ter dado mais gozo aos intervenientes do que o que o resultado final dará ao ouvinte. Saliento algumas faixas que me agradam mais como 5, 6, 7 e 9. 50% Challenge / Buzz Records: http://www.challenge.nl/

Natsuki Tamura Quartet – Hada Hada (2003) – Libra Records
O Natsuki Tamura Quartet é 100% Japonês e é composto pelo próprio Tamura no trompete, Takayuki Kato na guitarra, Satoko Fujii no sintetizador e Takaaki Masuko na bateria. O estilo anda numa linha de Jazz Rock algo experimental e psicadélico com toques exotica, lounge e ainda de bandas sonoras de filmes de terror / suspense / thriller / film noir. São 8 composições de Tamura em cerca de 51 minutos de duração. De referir que a masterização foi feita por Tatsuya Yoshida, baterista dos Japoneses Ruins. Gostei do que ouvi. Até agora o disco que mais gostei deste pacote promocional. Para fãs dos estilos acima descritos e, porque não, também de Industrial. 85% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Satoko Fujii feat. Paul Bley – Something About Water (2004) – Libra Records
Discos a solo de músicos de Jazz incomodam-me logo à partida. Ora, aí vem algo extremamente monótono, pleno de exercícios masturbatórios que vão dar um gozo enorme ao músico e a ninguém mais, penso logo. Ora, neste “Something About Water” ficamos a meio caminho. A senhora tem formação superior em conservatório, e isso pode ser mau ou bom. Por um lado, sabe o que está a fazer, tanto em termos de composição como de execução, mas o resultado final pode soar muito mecânico e desprovido de emoção, peça fundamental em todo o tipo de arte. Não é o que acontece aqui, e isto não soa de todo frio e calculista, pelo contrário, nota-se alguma alma. Se és fã ou músico, estas composições ao piano irão agradar-te, senão, foge a sete pés. Não é que eu não goste, isto até está muito bem feito, e há aqui algumas passagens bem agradáveis ao ouvido, mas não é a minha predilecção. De qualquer modo, tenho de dar o crédito à senhora e dar-lhe alguns pontos extra. Falta ainda referir que em 8 dos 11 temas Satoko Fujii é acompanhada por Paul Bley e que as gravações são de 1994/1995. 75% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Tamura + Sharp + Kato + Fujii – In The Tank (2005) – Libra Records
Quarteto que engloba Natsuki Tamura no trompete, Elliot Sharp no saxofone soprano e guitarra, Takayuki Kato na guitarra e Satoko Fujii no piano. A gravação foi feita ao vivo no Sakura-mate em Kumagaya, no Japão, a 20 de Março de 2001. São 4 faixas puramente experimentais, que perfazem 68 minutos de som. Este pode ser arquivado lado a lado com o anterior, “Hada Hada” do Natsuki Tamura Quartet, sem qualquer problema. A parte gráfica ficou a cargo do artista Japonês Shikikatsu Nakamura, o qual se baseou nas gravações para criar uma instalação de arte, incorporando anamorfose. Tudo o que seja nesta linha experimental é sempre bem-vindo da minha parte. 80% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/ / Shikikatsu Nakamura: www.d3.dion.ne.jp/~shiki

Satoko Fujii Quartet – Angelorn (2005) – Libra Records
Quarteto 100 Japonês ldierado por Satoko Fujii (piano) e que inclui o seu marido Natsuki Tamura (trompete), Takeharu Hayakawa (baixo) e Tatsuya Yoshida (baterista dos Japoneses Ruins). Aqui segue-se um formato mais Jazz Rock com toques progressivos. Este é mesmo o meu disco favorito de todo este pacote. Todas as faixas são fantásticas! Recomendo vivamente a fãs de Jazz Avantgarde, Jazz Rock, Rock Progressivo, música de fusão e experimental, e de nomes como Ruins, Miriodor, Univers Zero, Soft Machine, Hamster Theatre, Ornette Coleman, etc. 95% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Satoko Fujii Orchestra NY – Undulation (2006) – P.J.L.
Mais um daqueles que eu gosto. Jazz bem mexido, com toques de fusão, Jazz Rock e Progressivo. A Satoko Fujii Orchestra NY inclui no seu alinhamento os seguintes músicos: Oscar Norriega e Briggan Krauss no alto sax, Ellery Eskelin e Tony Malaby no tenor sax, Andy Laster no baritone sax, Natsuki Tamura, Herb Robertson, Steven Bernstein e Dave Ballou no trompete, Curtis Hasselbring, Joey Sellers e Joe Fiedler no trombone, Satoko Fujii no piano, Stomu Takeishi no baixo e Aaron Alexander na bateria. Desculpem-me os termos em Inglês mas não sei como se chamam os instrumentos em Português. As composições são todas de Satoko Fujii mas foram feitas a pensar nos músicos. Passo a explicar. Em cada um dos temas há dois solistas, e todos os músicos têm a sua oportunidade de improvisar sobre o trabalho de Fujii. Ao longo de 8 temas em pouco mais de 1 hora temos a oportunidade de desfrutar das capacidades de cada um dos músicos envolvidos. Gosto das composições, gosto dos solos, gosto de todo o conceito. E o que gosto mais, não só neste disco, mas em todos os anteriores, é que é tudo gravado em apenas um dia de sessão. Nada mais! O que sai na altura é o mais puro, natural, directo e espontâneo. Recomendo vivamente. 90% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Double Duo – Crossword Puzzle (2007) – Libra Records
Ufa! Finalmente o último disco a revisar! Este Double Duo foi um projecto de ocasião única, de improviso ao vivo e que estava composto por dois duos (daí a designação) de piano / trompete. Os músicos intervenientes foram Angelo Verploegen (trompete, idealizou o projecto), Misha Mengelberg (paino), Natsuki Tamura (trompete) e Satoko Fujii (piano). São dois temas improvisados ao vivo no Bimhuis em Amsterdão, na Holanda, que foram transmitidos e gravados pela rádio VPRO, a 22 de Setembro de 2005. A duração atinge os 43 minutos e meio. Como qualquer sessão de improviso, tem os seus pontos altos e baixos. Há certas passagens que funcionam melhor, outras que nem por isso. Serve sobretudo como testemunho do que foi aquela noite, com estes 4 fantásticos músicos, e das suas capacidades como intérpretes, compositores e as suas capacidades de improvisar sob pressão (leia-se: ao vivo). 75% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/
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RDS

V/A – Gallaecian Metal Compilation 2CD (2007) – Falcatruada

Duplo CD vindo da Galiza e que engloba 26 bandas / temas das mais variadas facetas do mundo do Metal: Hard Rock, Heavy, Thrash, Death, Black, Doom, Crossover, Progressivo, Gothic Metal, etc. Esta é uma edição que pretende promover e divulgar a cena Underground actual da Galiza, no que ao Metal diz respeito.
A iniciativa é de louvar e o mesmo devia ser feito em Portugal. Já houve em tempos essa preocupação mas deixou-se morrer. O pouco que se faz hoje em dia ou não tem a máxima qualidade, faltando-lhe algum trabalho extra para tornar a edição num objecto essencial e de culto, ou então são as habituais colectâneas on-line gratuitas, que não têm o mesmo factor de sedução que o CD, LP ou K7 nas nossas próprias mãos. Alguém ainda se lembra da mítica colectânea em duplo LP “The Birth Of A Tragedy”? Eu tenho um exemplar, he, he! Saudosismos à parte, continuo com a crítica a este lançamento.
O som é extremamente heterogéneo, o que é normal num lançamento deste género, mas isso não é o pior, o pior é mesmo o som de gravação de algumas bandas ser mesmo muito mau! Algum do material provém de discos e outro de maquetes. Ora, algumas das maquetes parecem mesmo ser ter sido gravadas no local de ensaio. Hoje me dia não há desculpa para esse tipo de som péssimo! Isso era nos bons velhos tempos em que ainda se tinha que lutar para fazer algo minimamente decente! Hoje até no quarto, no próprio computador se grava material com boa qualidade! Pessoalmente, gosto mais de algumas bandas que de outras, mas aqui isso não interessa, o que interessa mesmo é a divulgação da cena Galega de Metal. Cada um que compre, ouça, e escolha as suas preferências. Depois é só seguir as pisadas dessas bandas.
O livrete inclui um pequeno texto introdutório, fotografias das bandas, assim como informações básicas das mesmas (morada, website, discografia e line-up). Nem precisa de mais nada, está bom assim mesmo! As bandas envolvidas são (por alinhamento nos CDs): Trashnos, Codename, Tevra, Orfos, The Mirage, Sister Moon, Freedom Xlave, Ardegan, Talesien, Estrella Negra, The Fishfuckers, Icewind, In-Verno, Shroud Of Tears, Fallen Sentinel, Kathaarsis, Karnak, Descent, Skydancer, Unreal Overflows, Esenia, V-Zero, To Nowhere, Brokenflow, FaZE, Neira.
Uma colectânea para a Galiza, Espanha, Portugal e o mundo. 80%

RDS

AZTEC MUSIC

A Aztec Music é uma editora Australiana direccionada, maioritariamente, para re-redições de clássicos Australianos da década de 70 / inícios dos 80s, nas linhas do Hard, Heavy, Progressive e Classic Rock. Tenho em mãos 9 dessas re-edições, as quais passo a apresentar.

Buffalo – Volcanic Rock (1973, Re-release 2005) – Aztec Music
Uma das maiores bandas da cena Heavy Rock dos 70s na Austrália. Este é o segundo disco e, na minha modesta opinião, a obra-prima destes “aussies”. O disco foi devidamente remasterizado a partir dos masters originais e inclui um livrete de 24 páginas repleto de material interessante. Além dos temas da versão original, incluem-se aqui 2 bónus, uma versão single de “Sunrise (Come My Way)” em mono, e uma versão ao vivo de 73 de “Shylock” de 1973. Heavy Psych Rock com muito groove, uma toada doomy em certos momentos e riffs geniais. Todos os temas são fantásticos mas os meus favoritos são o tema de abertura “Sunrise” e o explosivo “Shylock”. 90%

Buffalo – Mother’s Choice (1976, Re-release 2006) – Aztec Music
Quarto disco para os Buffalo. À semelhança do anterior, este disco também foi remasterizado e inclui um livrete de 20 páginas com muita informação, fotografias, entrevistas, etc. Neste álbum mudam um pouco o seu estilo, deixando para trás algum do Hard Rock setentista que os caracterizava e abrangendo um som mais Southern Rock, com alguns toques de Rock ‘N’ Roll dos 60s. Não é sonoridade que me agrade muito mas há aqui alguns bons temas como “Long Time Gone”, “Honey Babe”, “Lucky” ou a versão de “Sweet Little Sixteen” do mestre do Rock ‘N’ Roll Chuck Berry (há ainda outra versão deste senhor no disco, “Little Queenie”). Uma nova fase dos Buffalo, apenas para os apreciadores do género ou fãs die-hard dos Buffalo. Os temas bónus são “The Girl Can’t Help It” (B-Side de “Little Queenie”) e “On My Way” (B-Side de “Lucky”). 70%

Buffalo – Average Rock ‘N’ Roller (1977, Re-release 2006 – Aztec Music
Quinto e último trabalho antes da dissolução da banda. Este já não conta com a participação do baixista Pete Wells, o qual, insatisfeito com a direcção musical, saiu para formar os míticos Rose Tattoo, trocando as 4 pelas 6 cordas. A reedição segue os mesmos padrões das anteriores com os temas remasterizados, bónus e livrete com 20 páginas repletas de informação e fotografias. O som deste último capítulo na discografia dos Buffalo é muito mais orientado para o Rock ‘N’ Roll dos 60s mencionado atrás. Houve uma tentativa conscienciosa de fazer um disco mais comercial. Mais uma vez, não é o tipo de música a que os fãs de Buffalo estavam habituados, daí os dois últimos discos não serem, mesmo hoje em dia, tão aclamados como os 3 primeiros. De qualquer modo, temas como “You Say”, “Average Rock ‘N’ Roller” ou “Bad News” são boas faixas de Rock clássico. O fantástico semi-épico “Heroe Suite” encerra o disco, e até metaforicamente a carreira dos Buffalo, em grande. Como bónus temos dois temas pertencentes a um single a solo do vocalista David Tice, datado de 1976. São duas versões, “I Don’t Want To Spoil The Party” dos Beatles e “Sweet Little Rock ‘N’ Roller” de Chuck Berry. Apenas para fãs dab nada e completistas. 70%

Rainbow Theatre – The Armada (1975, Re-release 2006) – Aztec Music
Reedição do fantástico disco de estreia dos Rainbow Theatre, devidamente remasterizado, com livrete de 20 páginas plenas de informação e fotografias, além de um tema extra. Ao todo são 5 temas (mais o bónus faz 6) em que se faz uma fusão de Rock Progressivo com Jazz Rock e música clássica, sempre com uma toada teatral e de ópera rock. As influências passam por nomes tão diversos como Stravinsky, Wagner, King Crimson, Mahavishnu Orchestra, entre outros. Épicos temas que rondam os 14 e 15 minutos de duração alternam como interlúdios de minuto e meio naquela que é uma obra-prima da cena progressiva, de Austrália em particular e dos 70s em geral. A fechar este CD temos o épico “Icarus (From Symphony No.8)”, composto por Julian Browning, guitarrista da banda, e gravado em 1996, não pela banda, mas pela Melbourne Grammar Symphony Orchestra, conduzida por Martin Rutherford. Recomendo vivamente! 100%

Kahvas Jute – Wide Open (1971, Re-release 2006) – Aztec Music
Mais uma reedição que segue os parâmetros habituais da Aztec Music, ou seja, tudo muito bem feito, remasterizado, livrete completo, bónus. Os Kahvas Jute têm em “Wide Open” um colosso de proporções épicas de Psychedelic Hard Rock mas, como o título do álbum indica, livre de incluir outros géneros como Progressive, Blues, Jazz e Acid Folk. São 9 temas do registo original e 5 bónus ao vivo (entre estes uma versão de “Politician” dos Cream), os quais foram gravados numa reunião de 2005 (futuramente disponível em DVD). Até hoje um dos álbuns mais procurados da cena progressiva Australiana, vê finalmente uma edição digna. Recomendo vivamente aos fãs de Progressive / Psychedelic / Jazz Rock. Para quem não sabe, desta mesma banda saiu o senhor Bob Daisley, o qual tocou o baixo para nomes como Rainbow, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Gary Moore, Uriah Heep, etc. 95%

Cybotron – Implosion (1980, Re-release 2006) – Aztec Music
Terceiro disco, e último, para os Australianos Cybotron, datado de 1980. São 6 fantásticos temas de fusão Prog e Krautrock aqui devidamente remasterizados, com 20 páginas repletas de informação, entrevistas, fotografias, acompanhados de 6 temas extra, cindo deles do incompleto e nunca editado álbum de 1981, “Abbey Moor”, e o outro uma curiosa versão de “Peter Gunn Theme“ de Henry Mancini. Estes temas do álbum não editado foram deliberadamente compostos com base numa aproximação mais comercial da música dos Cybotron. Não me agrada tanto o resultado final como o do disco principal, mas é interessante a versão de guitarra de “Eureka”. “Implosion”, esse sim, é um disco fabuloso que eu recomendo a todos os apreciadores de nomes como Pink Floyd, Tangerine Dream, Can, Neu, Faust, Kraftwerk, Amon Düül II, Goblin e Zombi. 95%

Coloured Balls – Ball Power (1973, Re-release 2006) – Aztec Music
Colored Balls – Heavy Metal Kid (1974, Re-release 2006) – Aztec Music
Lobby Loyde – Obsecration (1976, Re-release 2006) – Aztec Music
Banda Australiana de Hard Rock / Rock ‘N’ Roll / Proto-Punk que lançou estes dois discos e uma série de singles. A denominação da banda era, originalmente, Coloured Balls, mas na altura do segundo álbum deixaram cair o “U”, devido a um erro por parte do desenhador da capa. Entre os dois discos temos toda a discografia da banda, desde 1972 a 1975, os dois álbuns, os singles, um single nunca antes editado e ainda um tema ao vivo. 38 temas ao todo. A juntar à música, o habitual livrete completíssimo, em ambos discos. Uma banda incompreendida no seu tempo, diversas pressões que a levaram a acabar, tornou-se um marco na história do Rock Australiano.
Além da reedição de todo o material dos Coloured Balls, a Aztec Music também reeditou o disco a solo de Lobby Loyde (vocalista / guitarrista), “Obsecration” (segundo parece, apenas gravaram em noites de lua cheia, ao longo de 3 meses). Além do álbum inclui-se como bónus um single a solo de 1975, assim como o EP nunca antes editado “Too Poor To Die”, sob a designação Lobby Loyde & Southern Electric. No álbum principal a sonoridade é mais experimental, psicadélica e dark, enquanto que no single é mais 60s Rock e no EP é mais Hard / Psych Rock dos 70s.
Indispensável para coleccionadores. 80%
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Nemo - x4

Nemo – Immersion Publique – Live (2005) – Quadrifonic
Nemo – Si Partie 1 (2006) – Quadrifonic
Nemo – Si Partie II: L´Homme Idéal (2007) – Quadrifonic
Nemo – Les Enfants Rois (CDS 2007) – Quadrifonic

Os Nemo são Franceses e tocam Progressive Rock / Metal com influências jazzísticas, de fusão e alguns toques sinfónicos, totalmente vocalizado em Francês. Pelas capas dos discos anteriores suponho que o nome da banda venha de algum fascínio pela obra de Jules Verne, e em especial de “As 20.000 léguas submarinas” (onde aparece o personagem mais famoso de Jules Verne, o enigmático Capitão Nemo).
Em 2005 lançaram o seu disco ao vivo “Immersion Publique” (75%), o qual contém 8 temas em cerca de 58 minutos. O som não é dos melhores mas também não é mau, pelo contrário, soa como um verdadeiro álbum ao vivo e não soa plástico (leia-se: sobre-produzido posteriormente em estúdio). O público é que, ou era pouco, ou pouco entusiasta, porque quase não se ouve. Gostei do que ouvi, mas não posso adiantar muito mais porque não conheço os temas de estúdio. Os discos ao vivo nunca são a melhor maneira de uma pessoa se introduzir à música de uma banda, daí eu passar à frente, aos discos de estúdio novos, até porque este já é datado de 2005.
Segue “Si”, um trabalho conceptual, dividido em duas partes, baseado numa história fictícia sobre manipulação genética. A primeira parte, “Si Partie I” (80%) é lançada em 2006, contém 5 temas que atingem os 58 minutos de duração. A abertura com “Douce Morte” (2 partes) faz-se em tons sinfónicos e depois prossegue na linha Progressiva. “Ici, Maintenant” é mais lento e introspectivo, tendo apenas um pequeno acesso de “fúria” mais para o final, para acabar novamente de modo semi-acústico. A dualidade introspecção / “fúria” (a recair mais nesta última) regressa em “Miroirs”, tema ligado ao anterior, linha progressiva / sinfónica. “Si”, o tema título, ronda os 8 minutos, inicia lento e mais calmo, dualidade que a banda explora muito neste trabalho, sendo a segunda metade mais apoiada nas guitarras. Fecha-se em grande com “Apprentis Sorciers” de 20 minutos e dividido em 5 partes ou capítulos. É o tema mais heterogéneo, experimental e ousado deste disco. O meu favorito.
“Si Partie II” (85%) é lançada no ano seguinte, 2007, contém 10 temas em 56 minutos e meio, e é mais baseado no formato de canção que o seu predecessor. Pode ser ouvido faixa a faixa ou como um todo (as faixas estão ligadas entre si). O estilo não muda muito, mas aqui adoptam uma atitude mais roqueira e directa, em contraste com a inclinação sinfónica da 1ª parte. Em certas alturas é também mais experimental e ousado que o anterior, o qual segue uma orientação mais linear e clássica do estilo. A produção também sofreu um acréscimo de qualidade. O complemento perfeito para a 1ª parte.
Para finalizar, o single “Les Enfants Rois” (85%), o qual foi lançada pouco antes da 2º parte de “Si”. Além do tema título retirado do álbum, inclui-se uma fantástica versão sinfónica de “Diary Of A Madman” de Ozzy Osbourne e um instrumental inédito para o single. O tema título é o mais roqueiro da banda até hoje, uma nova faceta dos Nemo. Um pequeno complemento para a dupla acima descrita.

http://www.nemo-world.com/ / www.myspace.com/prognemo / http://www.quadrifonic.com/ / http://www.jplouveton.com/

RDS