Tuesday

SUDDEN DEATH RECORDS

V/A – Vancouver Complication (1979 – 2005) – Sudden Death Records
Há compilações e compilações. Esta é uma daquelas que fez todo o sentido na altura em que foi lançada, que representava uma cena local, numa determinada época. Era válida na altura do seu lançamento e ainda o é hoje em dia, embora em contextos diferentes. Este é o tipo de compilações que sobrevive ao tempo e, a cada segundo que passa, à medida que os anos passam, o seu valor documental aumenta. “Vancouver Complication” representa o Punk e a New Wave de finais da década de 70 em Vancouver (uma das bandas é “outsider”). E aqui não é só o valor documental da colectânea, das bandas e das faixas incluídas que está a ser avaliado, pois a música continua a soar fresca após 28 anos. As bandas aqui incluídas são: Pointed Sticks, Exxotone, D.O.A., Active Dog, Wasted Lives, Subhumans, U-J3RK5, No Fun, The Dishrags, BIZ, K-Tels (pre-The Young Canadians), The Shades, Tim Ray & A.V., Private School, { e }. Além das faixas originais, incluem-se 5 bónus de Tim Ray & The Druts, The Dishrags e Rude Norton, todas da altura. No livrete temos as imagens originais do livrete do vinil, assim como informações sobre as faixas e um texto escrito por Phil Smith (vocalista dos Wasted Lives) relatando todas as venturas e desventuras da feitura desta peça de história musical. Fez-se ainda uma actualização da capa, do branco/preto do original passa a vermelho/preto (explicações no livrete). Indispensável! 100%

D.O.A. – Punk Rock Singles 1978-99 (2007) – Sudden Death Records
Nova compilação para os Canadianos D.O.A. Esta inclui diversos singles de 7 polegadas editados desde 1978 até 1999. Ao todo são 26 temas em cerca de 68 minutos. No booklet incluem-se notas do próprio Joe “Shithead” Keithley acerca de cada um dos lançamentos aqui contemplados, assim como as respectivas capas. A capa é uma adaptação da original do 7” de 1981 “Positively D.O.A.”. Pena é que não contenha mesmo todos os 7”s da banda. A apresentação da edição está feita. A música? Quem já conhece, não necessita de introduções. Quem ainda não conhece (deviam ter vergonha!), esta é uma boa maneira de ficar a conhecer esta mítica banda Punk do Canadá. Para fãs da banda, coleccionadores, Punks no geral e meros curiosos. Indispensável! 95%

Joe Shithead Keithley And His Band Of Rebels (2007) – Sudden Death RecordsNovo trabalho a solo para o vocalista / guitarrista dos D.O.A. Aqui Joe troca o Punk Rock da sua banda de origem para fazer uma incursão no Rock ‘N’ Roll mais tradicional, simples e directo, mas sempre com um carácter contestatário e de intervenção, como convém. Influências de Ska, Punk e Rockabilly não são estranhas ao som desta Band Of Rebels, a qual é constituída por 14 amigos de Joe. Ao tradicional trio guitarra / baixo / bateria alia-se em algumas faixas instrumentos como saxofone, contrabaixo, teclas e violino. Além dos 12 temas originais (todos compostos por Joe Keithley) temos duas versões, uma de “Born To Be Wild” dos Steppenwolf e “Goodnight Irene” dos Leadbelly. A música aqui contida não é nada de novo ou original, nem é nada de transcendental, por isso mesmo não é tão cedo que irão ouvir algum destes temas na rádio ou TV. No entanto, transpira garra, atitude, espírito, energia, diversão e muito “amor à camisola”, que é o que faz falta a muita da música de hoje em dia. Um divertido álbum de Rock ‘N’ Roll para ouvir com amigos, num Sábado à noite, a beber umas cervejas, a jogar uma partida de bilhar. Nada mais que isso. 65%


Outros lançamentos da Sudden Death:

D.O.A. – War And Peace: D.O.A. 25th Anniversary Anthology (2003) – Sudden Death Records: Como o título indica, uma antologia comemorativa dos 25 anos de existência desta lenda do Punk Rock Canadiano. Abrange toda a carreira da banda, desde 1978 a 2001. Livrete com letras, fotografias, discografia e árvore de genealógica. Um “must-have”! 100%
D.O.A. – Bloodied But Unbowed: The Damage To Date 1978-83 (2006) – Sudden Death Records: Re-edição remisturada do original de 1983, lançado na altura pela Alternative Tentacles. Como o título indica, uma colectânea dos 5 primeiros anos de vida. Para quem ainda não tem este item, uma boa oportunidade de o adquirir. 90%
D.O.A. – War On 45: March To The End (2005) – Sudden Death Records: Mais uma re-edição. Este foi originalmente editado em vinil de 12” pela Faulty Recs. Além dos temas originais, há aqui a adição de faixas na mesma temática (letras anti-guerra) pertencentes a discos lançados após o EP original, perfazendo 18 malhas. 90%
D.O.A. – Live Free Or Die (2004) – Sudden Death Records: O último de originais destes Canadianos. A linha musical é sempre a mesma, Punk Rock com garra, furioso, de intervenção, algum Ska e Reggae a apimentar a coisa. As habituais covers também não faltam. Mais um capítulo na longa carreira dos D.O.A. 80%
Pointed Sticks – Perfect Youth (2005) – Sudden Death Records:
Re-edição do original de 1980. 4 temas como bónus. New Wave / Punk / Post-Punk Canadiano. Gosto muito deste disco. Ainda hoje em dia se ouve com gosto. 85%
Young Canadians – No Escape (2005) – Sudden Death Records: Disco que reúne a discografia completa destes Punks Canadianos (1979-1980). A faixa da colectânea “Vancouver Complication” (quando ainda se chamavam The K-Tels), os EPs “Automan”, “Hawaii” e “This Is Your Life”, além de temas ao vivo nunca antes editados. O livrete inclui biografia, discografia, informações dos temas e fotografias. Indispensável! 100%
The Modernettes – Get It Straight (2005) – Sudden Death Records: Mais Punk Canadiano. Disco que reúne o EP “Teen City”, o EP “View From The Bottom” remisturado, algumas faixas do LP “Gone But Not Forgotten” e diversas raridades ao vivo, incluindo temas do último concerto da banda em 83. Material desde 80 a 83. Edição original de 1995, re-editada 10 anos mais tarde com 5 faixas extras. Indispensável! 100%
Schulz – What Apology (2006) – Sudden Death Records:
Nova aventura de Guenter Schulz (ex-KMFDM, guitarra, baixo, programação) com a companhia de Jeff Borden (voz e letras). Rock Industrial de inspiração KMFDM, Ministry, Lard, Young Gods, Stabbing Westward e Nine Inch Nails. 75%

Sudden Death Records:
http://www.suddendeath.com/

Friday

The Roxx – Unleash Your Demon (2007) – Rockville Music / Point Music / GerMusica

Os veteranos Germânicos The Roxx formaram-se em 1984 e desde então já invadiram a cena Hard ‘N’ Heavy com diversos discos de originais e ao vivo. Podem-se contar três fases distintas na carreira da banda, sendo esta a terceira. Este é o novo trabalho de estúdio e intitula-se “Unleash Your Demon”. 10 temas em pouco mais de 46 minutos de Hard Rock com toques de Heavy Metal dos 80 e algum Glam Rock à mistura, é o que estes The Roxx nos oferecem. Não é bem o meu estilo mas há aqui algumas ideias muito boas, embora seja tudo feito com um tipo de humor que não é bem o meu. Não só a nível de apresentação e letras mas também, e pior, a nível musical. A capa e apresentação geral do disco poderiam estar melhor mas, lá está, talvez não seja o meu tipo de humor e eu não aprecie a coisa no seu todo. Parece-me muito aligeirado e pouco sério. É claro que o Rock ‘N’ Roll deve ser, acima de tudo, diversão mas, mesmo assim... Tirando tudo isso ficavam com um disco do caraças! Para quem gosta de Hard Rock retro via 80s mas com um som moderno, de uma atitude aligeirada e divertida em relação ao Hard Rock e de nomes como Mötley Crüe, Ratt, Judas Priest, Twisted Sister, Gwar, Wasp (na sua vertente mais Glam), Alice Cooper (inícios dos 90s), entre outros. Os outros afastem-se porque vão detestar. 70% http://www.theroxx.info/ / www.myspace.com/therwalroxx / http://www.rockville-music.com/

Inhumate – At War With… (DVD 2007) – Grind Your Soul

O som? Os Inhumate são Franceses e tocam um Grindcore perfeitamente primitivo e influenciado pelos dois primeiros discos de Napalm Death (até parte do logótipo da banda e reminiscente desses tempos). Lembro-me de ouvir o disco de estreia destes tipos (devo ter isso por aí em K7 com capa fotocopiada) e, ao que parece, não evoluíram nada. A nível musical, nada de relevante. O DVD? Este retrata um concerto dado pela banda a 15 de Outubro de 2005, em Strasbourg, o qual serviu para comemorar os 15 anos da banda. A apresentação está muito boa e há uma boa qualidade de vídeo (5 câmaras, a edição está muito boa) e áudio (o som está potente). O concerto? Quanto ao concerto em si, o vocalista parece exagerar todos os seus movimentos e atitudes, faz cara de mau, bate com o microfone na cabeça repetidamente, tudo como se isso aumentasse a agressividade e intensidade da música. Apenas o faz parecer um perfeito lunático! Passados 10 minutos de iniciar a actuação há uma invasão de palco e toda aquela gente fica por lá até ao final da actuação, apenas a abanar a cabeça e a fazer monte. Se não fossem as 5 câmaras instaladas para a gravação vídeo, nem se viam os músicos durante toda a actuação. Parece-me tudo demasiado exagerado, apenas para ficar no DVDzito comemorativo! E nem falo na minha aversão a ouvir a língua Francesa! Mas isso já tem a ver comigo, não tem nada a ver com o DVD e a banda. Em resumo? A captação áudio / vídeo está perfeita. A apresentação está muito boa. A música da banda, bem, há algumas faixas bem conseguidas, mas há outras propostas bem mais interessantes por esse mundo fora, a fazer este tipo de Grind old-school. O concerto, como já disse, parece-me tudo muito exagerado, e então o público que assentou arraiais no palco dá-lhe um ar mais de paródia do que de concerto brutal. Além dos 48 minutos desta actuação, temos como bónus 5 temas ao vivo de diversas fases da banda, com imagem e som sofrível em todos os casos. Há bootlegs e bootlegs, e estes são dos maus. Para os fãs da banda e maníacos do Grindcore apenas. 60% http://www.inhumate.com/ / www.myspace.com/inhumate

V/A – Adriano, Aqui E Agora, O Tributo (CD+DVD 2007) – Movieplay

Assim que recebi o e-mail a promover este disco, fiquei logo entusiasmado e com vontade de ouvir o tributo. Solicitei um promocional e eis que aqui estou eu a ouvir o dito. Infelizmente, fiquei profundamente desiludido! A escolha dos músicos envolvidos não foi a melhor (responsabilidade de Henrique Amaro da Antena 3) e as próprias versões ficaram muito aquém do que se poderia fazer com a música de Adriano Correia de Oliveira. As rendições são maioritariamente de cariz electrónica e os originais perdem muito neste formato, tanto em espírito como em ambiente geral.
As faixas aceitáveis são “Tejo que levas as águas” pela voz de Tim dos Xutos & Pontapés, “Trova do vento que passa” pelos Dead Combo com a voz de Ana Deus dos Três Tristes Tigres, “Cantar para um pastor” por Raquel Tavares, “Fala do homem nascido” por Nuno Prata (ex-Ornatos Violeta) ou “Balada da esperança” por Shahryar Mazgani. A voz de Margarida Pinto dos Coldfinger é fantástica mas a versão de “Charamba” fica muito abaixo da média. Não me falem sequer aberrações como “E alegre se fez triste” por Cindy Kat, “O sol préguntou à lua” por Micro Áudio Waves, “Menina dos olhos tristes” por Valete ou “Rosa de sangue” por Pedro Laginha (o homem até pode ser bom actor, mas para cantar… lá está, a escolha das pessoas envolvidas). O tributo feito há uns anos atrás a José Afonso resultou muito melhor a todos os níveis. Até mesmo o tributo a Variações, não sendo perfeito, está uns furos acima deste.
Além do CD, inclui-se aqui um DVD com dois vídeos. O primeiro contém uma série de entrevistas à família, Manuel Alegre, e outros amigos do falecido músico, no qual se fala da vida e obra de Adriano, em cerca de 35 minutos. Poderia estar melhor mas tem apontamentos interessantes que valem a pena e um certo cuidado a nível visual que me agradou imenso. Um documentário completo, com estas entrevistas incluídas e um pouco mais de trabalho seria mais interessante. Mesmo assim, tem o seu certo interesse. O outro vídeo contém pequenas entrevistas aos músicos envolvidos no disco de tributo. Um complemento à biografia e ao CD, apenas isso. Para ver uam vez e já está.
Diz-se na nota de imprensa que “a voz de Adriano estava, até agora, abafada […] agora não devido à censura, mas por obra e graça de uma ingratidão manifestada num Alzheimer colectivo”. Pois, mas é difícil recordar a obra de Adriano através dos velhos vinis já gastos, ou num gira-discos que já não funciona, ou até mesmo através de reedições em CDs que, ou são de tiragens limitadas, ou não se encontram à venda em lado algum. Além disso é difícil recordar este e outros nomes da década de 70, da música de cariz interventivo do pré-25 de Abril, quando apenas se fala à boca cheia de José Afonso (a ele todo o seu mérito!), parecendo que nunca chegou a existir outro músico intervencionista em Portugal!
Ai Portugal, que falta de cultura, que falta de respeito pelo passado. Boa música, pergunte-se ao Zé Povinho, são os artistas “pimba”, é o Quim Barreiros, é o Emanuel, é o Toy, são os Anjos ou os Santamaria. Cultura? “Reality shows” repletos de gente sem o mínimo sinal de inteligência, “talk shows” com temas absurdos e com qualquer “palhaço” que lá queira ir demonstrar as suas habilidades (ou a falta delas!), os “Malucos do Riso” que riso nenhum me provocam, muito pelo contrário, isso é a ordem do dia no Portugal de hoje! Mas nem me vou esticar por aqui senão não paro de escrever!
Adriano faleceu a 16 de Outubro de 1982, tinha 40 anos de idade. 25 anos passaram desde então e que se fez? Este tributo muito abaixo da mediania, com versões que parecem ter sido feitos à pressa, para despachar e partir para outra. A reedição da obra original, completa, devidamente remasterizada, isso sim, era um tributo! 40% http://www.adrianocorreideoliveira.com/

Fall Of Serenity – The Crossfire (2007) – Lifeforce Records

Novo trabalho para os Alemães Fall Of Serenity. Algumas mudanças de formação ocorreram nos últimos tempos, passando o baixista a vocalista, o guitarrista a baixista e admitindo um novo guitarrista para o lugar vago. A sonoridade não mudou muito em comparação com o anterior “Bloodred Salvation” de 2006 (também através da Lifeforce), Thrash Metal com toques de Death e Hardcore. O disco foi produzido e gravado por Ralf Müller (Maroon, Heaven Shall Burn, Impending Doom, etc) no Rape Of Harmonies Studio, à semelhança do anterior disco, e foi misturado e masterizado por Dan Swanö (Edge Of Sanity, etc) nos seus Unisound. Depois de terem tido como convidado Leif Jensen dos Dew-Scented no disco anterior, neste novo capítulo os Germânicos contam com a participação de Sabina Classen dos veteranos Holy Moses. Algures entre o Thrash Metal da Bay Area e o Germânico, o Death Metal e uma sonoridade mais moderna, os 10 temas de “The Crossfire“ não dão descanso aos ouvidos mais incautos. Não é dos melhores álbuns do género mas está muito acima da média e está pontos acima do que já fizeram antes. Para colocar na estante ao lado de discos de Dew-Scented, Darkane, Hatesphere, Holy Moses, Heaven Shall Burn, The Haunted, Misery Index, etc. 75% http://www.fallofserenity.com/ / www.myspace.com/fallofserenity / http://www.lifeforcerecords.com/

ANGEL AIR RECORDS

Stackridge – Something For The weekend (2007) – Angel Air Records
Depois de ter aqui escrito umas linhas sobre as reedições remasterizadas dos discos dos 70s destes britânicos Stackridge, tenho a oportunidade de “fechar o ciclo” com este “Something For The Weekend”. Trata-se do disco gravado aquando da reunião na segunda metade da década de 90. Além da edição original de 1998, incluem-se aqui 4 temas extra, num total de 18 em pouco mais de 1 hora de música. O estilo não mudou muito daquele que tinham nos 70s, o que pode ser bom ou mau, dependendo do ponto de vista. No entanto, os poucos toques progressivos e sinfónicos que tinham são aqui deixados de lado para apostar numa sonoridade tipicamente Pop Britânico. A marca característica dos Stackridge está lá, o seu estilo de composição, o seu sentido de canção Pop simples mas com estilo, ambiência e humor Britânicos. 1998 não seria talvez o melhor ano (ou década até) para editar algo do género. Nos 80s isto teria sido muito melhor aceite. No entanto, os fãs da banda agradeceram essa mesma reunião e este álbum. Apesar de não ser o melhor dos seus trabalhos, este disco é superior a muitas das coisas que se fizeram na Pop do Reino Unido nos últimos anos, incluindo a tal banda com os dois irmãos que andam sempre ás turras (não me vou rebaixar a usar o nome aqui). Além da música temos direito a um booklet com as letras e um texto sobre a reunião e respectivo disco. Para fãs de Stackridge, Beatles e Pop Britânico clássico em geral. 80% http://www.stackridge.net/ / http://www.angelair.co.uk/

Carmen – The Gypsies / Widescreen (2CD, 2007) – Angel Air Records
Os Carmen surgiram na década de 70 com a sua peculiar fusão de Rock, Progressivo e Flamenco. Editaram 3 discos, abriram para nomes como ELO, Golden Earring, Blue Osyter Cult ou Santana e chegaram a fazer uma digressão em 1974, pelos USA, como banda de suporte dos míticos Jethro Tull. Esta é uma reedição remasterizada do terceiro e último trabalho, “The Gypsies”. Além dos 9 temas originais temos direito a dois bónus, “Flamenco fever” o segundo single da banda e “Only Talking To Myself”, um tributo a John Glascock (o baixista da banda que faleceu em 1979, depois de ter saído dos Carmen tocou com os Jethro Tull até falecer vítima de cancro). Este “canto do cisne” dos Carmen contém fantásticos temas como “Daybreak”, “High Time”, “Joy” ou o bombástico tema título “The Gypsies”. Além deste disco, inclui-se aqui o álbum “Widescreen” de David Allen, vocalista e guitarrista da banda. Allen começou a compor este material em meados da década de 90, trabalho que lhe levou 10 anos a completar e só agora vê edição oficial. “Widescreen” inclui 11 temas de fusão de Flamenco com electrónica e Jazz. Nada que possa agradar ao fã “diehard” de Rock, mas com alguma abertura de mente, é até um disco a ouvir com alguma atenção. Respectivamente: 80% & 70% http://www.angelair.co.uk/

Stone The Crows – In Concert, Beat Worshop, Germany, 1973 (DVD 2007) – Angel Air
Maggie Bell And Midnight Flyer – Live Montreux July 1981 (DVD 2007) – Angel Air

Os Stone The Crows eram Escoceses e tocavam um Rock dos 70s com voz feminina com uma forte componente Blues, Soul, Rock clássico e toques de Hard Rock. Antes de terem esta denominação chamavam-se Power, conseguiram que o manager dos Led Zeppelin, Peter Grant, fosse até à Escócia vê-los actuar, este decidiu assinar um contrato com eles mas com a condição de mudarem o nome para Stone The Crows. Esta gravação foi feita na Alemanha e é datada de 1973, mas só agora vê edição oficial neste DVD através da Angel Air. Além dos 7 temas registados ao vivo (cerca de 41 minutos), inclui-se aqui uma entrevista actual de 35 minutos com a vocalista Maggie Bell e o baterista Colin Allen, assim como uma biografia da banda.
No segundo DVD em revisão temos Maggie Bell numa carreira solo pós Stone The Crows, aqui acompanhada pela banda Midnight Flyer. Gravação ao vivo datada de 1981, em Montreux. São 13 temas em cerca de 70 minutos nos quais o estilo não muda nada em relação à sua banda de origem. A adicionar ao concerto, temos uma entrevista actual de 19 minutos com Bell e a biografia dos Midnight Flyer.
Não sou grande admirador de Blues, mesmo nesta vertente roqueira, e o estilo “cowgirl” da vocalista não ajuda mesmo nada. Fãs de Blues Rock e Rock setentista irão gostar, isto se não tiverem menos de 35 anos! 70% http://www.angelair.co.uk/

Diesel Park West – Damned Anthems (DVD 2007) – Angel Air
Este DVD inclui mais de duas horas de material dos Ingleses Diesel Park West, concentrado nos seus dois primeiros discos e na fase 89-92. Gravações ao vivo na Alemanha em Fevereiro de 1992, na Suiça em Abril do mesmo ano e na Dinamarca no festival Roskilde a Julho de 1989. Além dessas gravações profissionais incluem-se ainda bootlegs captados pelos fãs de 1988, 1993 e 2004, no total de 22 minutos. Como bónus temos ainda o promo-clip de “Six Days At Ju Ju”, 3 faixas áudio (com galeria de fotos como fundo visual) e biografia. Os Diesel Park West tocam Pop / Rock de final dos 80s e inícios dos 90s, na linha de nomes como U2, INXS, etc. A música da banda não é má de todo, embora seja muito simples e lugar comum, mas tem uma melodia cativante e aquele “feeling” do final dos 80s. De qualquer modo, fãs do Pop / Rock dos 80s / 90s, algures entre os 35 e os 40 anos, este poderá ser um agradável regresso a esses tempos. 70% http://www.dieselparkwest.com/ / http://www.angelair.co.uk/

Yoshida Tatsuya / Satoko Fujii – Erans (2004) – Tzadik

É altura de passar em revista na Fénix mais um trabalho que inclui a pianista Japonesa Satoko Fujii, aqui lado a lado com o baterista dos míticos Ruins, Yoshida Tatsuya. No total são 6 composições da responsabilidade de Yoshida, 5 de Fujii e 2 compartidas. Doze temas são instrumentais, sendo o último uma versão vocalizada do tema de abertura “Feirsttix”. O disco foi gravado por Joe Marciano a 12 de Julho de 2003, misturado e pré-masterizado por Yoshida, produzido pelos dois músicos e com produção executiva de John Zorn. A edição como já deu para ver pelo cabeçalho, é da responsabilidade da Tzadik de Zorn, incluído na sua série “New Japan”. Estes dois virtuosos Japoneses oferecem-nos cerca de 1 hora de fusão Jazz, Avantgarde, Experimental e Progressivo. Tudo isto apenas com piano e bateria. Este é um dos meus discos favoritos da inteira discografia dos dois músicos Japoneses. Para fãs de Satoko Fujii, Yoshida Tatsuya, Ruins, John Zorn, Masada, Naftule’s Dream, Soft Machine, Mahavishnu Orchestra, Ornette Coleman, Ahleuchatistas, Dysrhythmia, etc. 95%

Tzadik: http://www.tzadik.com/
Satoko Fujii / Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/
Yoshida Tatsuya / Ruins: http://www5e.biglobe.ne.jp/~ruins/ / http://www.skingraftrecords.com/bandhtmlpages/ruinspg.html

Irídio – Endless Way (2007) – Standing Stones / Focusion

Este é o segundo disco para o duo Italiano Irídio, depois do bem recebido “Waves Of Life” de 2004. Valentina Buroni (voz) e Franz Zambon (piano, engenheiro de som) fazem-se acompanhar por 15 músicos de várias nacionalidades e proveniências musicais. Nos 11 temas originais faz-se a fusão de diversos elementos de música celta, étnica, folk e clássica com ideias dark / goth e passagens ambientais. A componente lírica narra a viagem feita por uma jovem no final do século XV. Esta segue o seu pai, um mercador rico, na sua viagem de negócios através da Europa e até ao Médio Oriente, descobrindo assim novos mundos e emoções. Esta viagem é feita ao ritmo de uma música de carácter étnico e espiritual, para a qual contribuem diversos instrumentos tradicionais a clássicos como piano, flauta, bandolim, violino, percussões, saxofone turco, gaita-de-foles, etc. Recomenda-se vivamente a fãs de ethereal / dark / goth, world music, música celta e folk, música medieval, etc. 85% http://www.iridiomusic.com/ / www.myspace.com/iridiomusic / http://www.focusion.de/

AETERNITAS TENEBRARUM MUSIC FOUNDATION (ATMF)

Locus Mortis – Voust (2007) – ATMF
Segundo disco para os Italianos Locus Mortis. Black Metal intenso, rápido, agressivo, ambiente negro e carregado, tudo condimentado com letras ocultistas. Eu não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre este tipo de sonoridades, Black Metal no geral e este tipo de extremo em particular. Eu sou apreciador de música extrema, nas mais diversas vertentes, mas o Black Metal e as suas orientações líricas, no geral, não são a minha predilecção, no entanto este disco chamou-me a atenção. A parte instrumental está irrepreensível, boas ideias, ambientes negros bem conseguidos, uma intensidade brutal e, claro está, uma gravação excelente! E digo isto porque a grande maioria destas edições têm um som execrável (vejam a crítica abaixo p.ex.), ou para lhe dar um ar underground ou trve, ou apenas para encobrir a falta de ideias e técnica instrumental da banda. Pois não é o que acontece aqui em “Voust”, o som está fantástico, a banda sabe tocar, tem boas ideias e, acima de tudo, soa verdadeiro e tem pleno espírito undergorund. Não é uma obra-prima do género, mas é um bom disco de Black extremo e old-school. Apenas para apreciadores de Occult Black Metal extremo. 85% http://www.atmf.net/

Janvs – Fvlgvres (2007) – ATMF
Mais uma banda Italiana de Black Metal. Os Janvs apresentam em “Fvlgvres” o seu segundo disco, o primeiro através da compatriota Aeternitas Tenebrarum. Este começou por ser um projecto a solo de Vinctor (guitarra, voz) e assim foi gravada a estreia. Este novo trabalho já foi gravado por uma banda “a sério”, incluindo B. Malphas no baixo e F. La Rosa na bateria. Na nota de imprensa é apresentado como Spiritual Black Metal. Parece que hoje em dia toda a gente pretende ser “pioneira” num estilo inventado por si. Pois o que aqui encontramos são 7 temas do mais puro e simples Black Metal, ora rápido ora a meio tempo, com alguma melodia, passagens acústicas e ambientais. O conceito lírico versa as condições e limitações da raça humana, e da sua temporária conquista de momentos de realização e contacto com picos de transcendência, ou qualquer coisa do género... Ora, aí está a tal faceta “espiritual” da banda! Há ainda a participação de Argento dos Spite Extreme Wing, segundo parece um dos pioneiros do Black Metal Italiano, e que contribui com letra e voz em “Vrsa Major”. Há aqui algumas ideias a aproveitar, principalmente nas passagens acústicas e ambientais, também a nível das guitarras, mas no geral é algo muito simples, mediano e lugar-comum. 70% http://www.atfm.net/

Forgotten Woods – Race Of Cain (2007) – ATMF
Ora, já me é difícil escrever algumas linhas sobre um disco de Black Metal tipicamente Norueguês, quanto mais sobre um que não tem nada de minimamente audível. Que som de gravação é este? Nunca ouvi tal merda (usem-se as palavras correctas!). Parece a gravação de um ensaio, som completamente abafado, a bateria parece que está lá ao fundo e nem tem um único micro ligado, baixo que é dele, guitarra arranhada, e voz parece que foi gravada numa cassete que ficou anos a apanhar pó e quando se vai ouvir de novo, anda mais devagar e enrola. Até muitas das maquetes gravadas em ensaios, na década de 80, soam melhor que isto. E ideias? Pois sim! Que é delas? E esta é supostamente uma banda de culto, de “true norwegian black metal”, pioneiros da cena. Na nota de imprensa fala-se em “rawness”, “obscurity”, “underground appeal”, “another step forward compared to the already great previous album”. Foda-se que bela merda que aqui está! O único que se aproveita é o booklet que está fabuloso, revertendo mais rapidamente para uma banda de Punk ou Hardcore intervencionista, activa e consciente politicamente do que de uma de Black Metal Norueguês. Acho que nunca dei uma nota tão baixa numa das minhas críticas! Nem vou perder mais tempo com isto! Próximo! 5% (apenas pelo excelente booklet) http://www.atfm.net/

Trimonium – Son Of A Blizzard (2007) – Einheit Produktionen

Terceiro disco para estes Germânicos. O disco é composto por 8 temas e tem uma duração de 44 minutos e meio. Pagan Metal bem melódico e épico com toques de Heavy tradicional, Black Metal e algum Thrash. O som está poderoso e limpo o suficiente mas sem perder aquele toque áspero e crueza necessárias ao estilo. O único senão é mesmo o livrete, não se consegue ler nada! O fundo está a azul escuro e as letras estão todas a azul claro. Apenas a capa / contracapa e o pequeno catálogo da editora aqui incluídos se safam. Numa reedição esse pequeno problema poderia ser corrigido. Tirando esse senão, este é um excelente trabalho de Pagan Metal que recomendo a todos os amantes do género e não só. 80% http://www.trimonium.net/ / http://www.einheit-produktionen.de/ / http://www.archetype-promotion.de/

Deathcult – Cult Of The Dragon (2007) – Dark Essence Records

Este é um projecto de Herr Ekkel, guitarrista ao vivo de Taake. Como poderão depreender, estamos perante Black Metal Norueguês. Simples, cru, necro, agressivo, bem ao estilo dos inícios da década de 90, aquilo que hoje em dia se pode apelidar de Trve Black Metal. O Black Metal já não é o meu estilo de preferência e, sinceramente, este tipo de sonoridades necro ou trve não me dizem absolutamente nada, fazendo até algum incómodo ao ouvir. E se falarmos na orientação lírica / política de algumas bandas… Neste disco em particular lê-se coisas como “Anti-Life” ou “Anti-Human”. Nem vou entrar por aí senão acabava por discorrer sobre o tema e esta tornava-se uma crítica bem longa! Outro assunto que me incomoda é o “fechado” ou elitista que é este tipo de cena. Mais uma vez, nem me vou esticar no assunto! Apenas para quem gosta do seu Black Metal bem simples, brutal e old-school. Eu cá prefiro ficar de fora do referido circuito elitista. 30% www.myspace.com/cruelcelestialspirits / http://www.karismarecords.no/ / http://www.darkessencerecords.no/

Vulture Industries – The Dystopia Journals (2007) – Dark Essence Records

Os Vulture Industries são Noruegueses e este é o seu disco de estreia (depois de duas maquetes em 2004 e 2005). A banda é composta por 5 membros já com alguma experiência proveniente de bandas como Sulphur, Black Hole Generator, Malice In Wonderland, Syrach, Enslaved (sessão) e Taake (sessão). A sonoridade assenta num Metal de teor sinfónico, experimental, progressivo e doomy. As comparações mais óbvias serão a Arcturus, Solefald ou Winds, mas estes Vulture Industries têm algumas ideias e uma maneira próprias de fazer este tipo de sonoridade e, acredito que, num segundo disco terão já a sua identidade bem demarcada. O disco foi produzido pelo vocalista e produtor Bjornar E. Nielsen (produtor de bandas como Helheim, Sulphur, Dead To This World, etc) nos seus Conclave & Earshot Studios, com a assistência de Herbrand Larsen e Arve Isdal (Enslaved). Para a capa do disco conseguiram a participação do conceituado actor Norueguês Helge Jordal. Uma boa aposta para quem gosta de Metal sinfónico, progressivo e das bandas acima citadas. 90% http://www.vulture-industries.net/ / www.myspace.com/vulture-industries / http://www.karismarecords.no/ / http://www.darkessencerecords.no/

Von Branden – Scherben (2007) – GreyFall / Grau

Disco de estreia depois de 2 maquetes. Mais Gothic Metal vindo da Alemanha. Este é mais inclinado para a vertente Dark / Doom do Metal. Ao todo são 9 temas em cerca de 51 minutos. Além do habitual trio guitarra / baixo / bateria temos ainda a inclusão de acordeão, violoncelo, saxofone e piano, os quais dão um tom mais melancólico e até mesmo místico à música. Lento, depressivo, melancólico, carregado, nem belo nem feio, nem negro nem branco, apresentado sempre em tons de cinzento numa espécie de fusão entre a bela e o monstro. Pelo meio há tempo para algum experimentalismo, se bem que pouco, no instrumental “Bitte Lies In Pure Dismay”. Fecha-se o disco com uma versão de “Winter” de Tori Amos. Eu chamaria à música dos Von Branden: Vintage Melancholic Gothic Dark Doom. Confusos? Imaginem uma banda formada por membros de My Dying Bride, Lacrimosa e Winds em meados do século XIX. 80% http://www.grau.cd/

Mandrake – Mary Celeste (2007) – GreyFall / Grau

Terceiro disco para os Alemães Mandrake. São 13 temas de Gothic Metal do mais lugar-comum possível. Riffs metaleiros mas com melodia de guitarra omnipresente, secção rítmica groovy, forte e pesada, voz feminina entre o roqueira e o angelical, teclas a dar o toque sinfónico. Sentimento constante de melodramatismo e teatralidade acentuados. É tudo do mais ordinário possível. Não há nada de novo ou original por aqui, mas está tudo bem feito. Será que apenas isso chega neste estilo já tão saturado? Talvez. Eu gosto disto, mas há tantas outras bandas iguais e que têm alguns elementos que as diferenciam do grupo. Mas, mesmo assim, e volto a repetir, isto está bem feito e tem algumas ideias boas que chamam a atenção. Gosto mesmo é da capa e da apresentação geral, em tons de sépia, a dar a todo o pacote um tom vintage bem vincado. Apenas para fanáticos do estilo, pois esses irão gostar com certeza. Os que procuram algo de diferente ou inovador, passem ao lado, senão ficam desiludidos. Apesar de tudo, uma opção muito melhor, mais verdadeira e com mais espírito do que os rockstars Evanescence e a sua vocalista pseudo-gótica tornada diva (bluargh!). 70% http://www.grau.cd/

Lento – Earthen (2007) – Supernaturalcat

Este é o disco de estreia dos Italianos Lent0, uma banda composta por 5 elementos (3 guitarras, 1 baixo e 1 bateria). Depois do split MCD com os Ufomammut, lançado na mesma editora, apresentam-nos em “Earthen” 7 temas instrumentais em cerca de 41 minutos de duração. A música dos Lent0 é uma fusão de Ambient, Post-Rock, Avant-Rock, Hardcore, Psychedelia, Drone, Industrial, sempre com uma orientação bem doomy e sludgy, com influência directa de nomes como Neurosis, Earth, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, Pelican ou Isis. As duas primeiras faixas são bem carregadas e intensas (“Hadrons”, “Need”), segue-se “Subterrestrial” com pouco mais de 3 minutos de teor ambiental para depois voltarmos a ser invadidos com o peso e intensidade arrastados, depressivos e melancólicos de “Currents”. Em “Emersion Of The Islands” voltamos ao material ambiental, desta feita com quase 7 minutos de duração. “Earth” volta ao domínio da música pesada, acabando o disco com quase 10 minutos de puro ambiental em “Leave”. Os riffs mantêm-se imutáveis, com um sentido de continuidade e repetição que apenas logram em aumentar a intensidade e carácter depressivo, sufocante e irrespirável da música dos Lent0. Uma experiência perturbadora para quem não está habituado a este tipo de sonoridades, mas uma bem recompensadora para que gosta das bandas acima mencionadas. 85% http://www.lent0.com/ / www.myspace.com/lent0 / http://www.supernaturalcat.com/ / www.myspace.com/supernaturalcat

Tuesday

Satoko Fujii & Natsuki Tamura

Depois de aqui ter revisto 6 discos de Jazz Avantgarde vindos do Japão, da Libra Records, eis que me chegam às mãos mais algumas das gravações de Satoko Fujii e do seu marido Natsuki Tamura. Mais uma vez o digo, eu não sou nenhum connaiseur do estilo, nem sou músico para discutir aspectos técnicos, sou apenas um ávido fã e coleccionador de música. Sem restrições de estilos. É boa ou má música (tendo em conta os tons de cinzento, não apenas os brancos e pretos), apenas isso. É, portanto, nessa perspectiva, que passo então a descrever esses discos e o seu conteúdo, por ordem cronológica.

Natsuki Tamura – A Song For Jyaki (1998) – Leo Lab Records
Apenas um músico, o próprio Tamura. Um único instrumento musical, o trompete. São 12 temas, composições ou experiências sonoras no dito instrumento. Ultrapassa os 55 minutos de duração. Pode ser algo monótono, aborrecido ou até mesmo enervante, isto se não forem, ou trompetistas, ou fãs de Jazz em todas as suas vertentes ou fãs de música experimental. Algumas faixas resultam melhor que outras. É daqueles discos que devem ter dado mais gozo ao músico de tocar e gravar do que o resultado final dará ao ouvinte. De qualquer modo, como já disse, há algumas faixas que até resultam bem. Ouçam, tirem as vossas conclusões, escolham os vossos temas preferidos. É necessário mente aberta, acima de tudo, para encarar este disco. 65% Leo Lab Records: www.atlas.co.uk/leorecords/

Natsuki Tamura – White & Blue (1999) – Buzz Records
Tamura (trompete) alia-se a Jim Black (bateria, percussão, faixas 1 a 5) e Aaron Alexander (bateria, percussão, faixas 6 a 10). São 10 temas, todos com o mesmo título, “White & Blue”, apenas diferindo na numeração que segue o título. Muito experimental, ligeiro, e com algo que eu não gosto muito no Jazz, e até na música clássica, e que me faz fugir a sete pés, que é, muitos espaços em “branco” (leia-se: silêncio ou quase silêncio). Mais um daqueles discos que devem ter dado mais gozo aos intervenientes do que o que o resultado final dará ao ouvinte. Saliento algumas faixas que me agradam mais como 5, 6, 7 e 9. 50% Challenge / Buzz Records: http://www.challenge.nl/

Natsuki Tamura Quartet – Hada Hada (2003) – Libra Records
O Natsuki Tamura Quartet é 100% Japonês e é composto pelo próprio Tamura no trompete, Takayuki Kato na guitarra, Satoko Fujii no sintetizador e Takaaki Masuko na bateria. O estilo anda numa linha de Jazz Rock algo experimental e psicadélico com toques exotica, lounge e ainda de bandas sonoras de filmes de terror / suspense / thriller / film noir. São 8 composições de Tamura em cerca de 51 minutos de duração. De referir que a masterização foi feita por Tatsuya Yoshida, baterista dos Japoneses Ruins. Gostei do que ouvi. Até agora o disco que mais gostei deste pacote promocional. Para fãs dos estilos acima descritos e, porque não, também de Industrial. 85% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Satoko Fujii feat. Paul Bley – Something About Water (2004) – Libra Records
Discos a solo de músicos de Jazz incomodam-me logo à partida. Ora, aí vem algo extremamente monótono, pleno de exercícios masturbatórios que vão dar um gozo enorme ao músico e a ninguém mais, penso logo. Ora, neste “Something About Water” ficamos a meio caminho. A senhora tem formação superior em conservatório, e isso pode ser mau ou bom. Por um lado, sabe o que está a fazer, tanto em termos de composição como de execução, mas o resultado final pode soar muito mecânico e desprovido de emoção, peça fundamental em todo o tipo de arte. Não é o que acontece aqui, e isto não soa de todo frio e calculista, pelo contrário, nota-se alguma alma. Se és fã ou músico, estas composições ao piano irão agradar-te, senão, foge a sete pés. Não é que eu não goste, isto até está muito bem feito, e há aqui algumas passagens bem agradáveis ao ouvido, mas não é a minha predilecção. De qualquer modo, tenho de dar o crédito à senhora e dar-lhe alguns pontos extra. Falta ainda referir que em 8 dos 11 temas Satoko Fujii é acompanhada por Paul Bley e que as gravações são de 1994/1995. 75% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Tamura + Sharp + Kato + Fujii – In The Tank (2005) – Libra Records
Quarteto que engloba Natsuki Tamura no trompete, Elliot Sharp no saxofone soprano e guitarra, Takayuki Kato na guitarra e Satoko Fujii no piano. A gravação foi feita ao vivo no Sakura-mate em Kumagaya, no Japão, a 20 de Março de 2001. São 4 faixas puramente experimentais, que perfazem 68 minutos de som. Este pode ser arquivado lado a lado com o anterior, “Hada Hada” do Natsuki Tamura Quartet, sem qualquer problema. A parte gráfica ficou a cargo do artista Japonês Shikikatsu Nakamura, o qual se baseou nas gravações para criar uma instalação de arte, incorporando anamorfose. Tudo o que seja nesta linha experimental é sempre bem-vindo da minha parte. 80% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/ / Shikikatsu Nakamura: www.d3.dion.ne.jp/~shiki

Satoko Fujii Quartet – Angelorn (2005) – Libra Records
Quarteto 100 Japonês ldierado por Satoko Fujii (piano) e que inclui o seu marido Natsuki Tamura (trompete), Takeharu Hayakawa (baixo) e Tatsuya Yoshida (baterista dos Japoneses Ruins). Aqui segue-se um formato mais Jazz Rock com toques progressivos. Este é mesmo o meu disco favorito de todo este pacote. Todas as faixas são fantásticas! Recomendo vivamente a fãs de Jazz Avantgarde, Jazz Rock, Rock Progressivo, música de fusão e experimental, e de nomes como Ruins, Miriodor, Univers Zero, Soft Machine, Hamster Theatre, Ornette Coleman, etc. 95% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Satoko Fujii Orchestra NY – Undulation (2006) – P.J.L.
Mais um daqueles que eu gosto. Jazz bem mexido, com toques de fusão, Jazz Rock e Progressivo. A Satoko Fujii Orchestra NY inclui no seu alinhamento os seguintes músicos: Oscar Norriega e Briggan Krauss no alto sax, Ellery Eskelin e Tony Malaby no tenor sax, Andy Laster no baritone sax, Natsuki Tamura, Herb Robertson, Steven Bernstein e Dave Ballou no trompete, Curtis Hasselbring, Joey Sellers e Joe Fiedler no trombone, Satoko Fujii no piano, Stomu Takeishi no baixo e Aaron Alexander na bateria. Desculpem-me os termos em Inglês mas não sei como se chamam os instrumentos em Português. As composições são todas de Satoko Fujii mas foram feitas a pensar nos músicos. Passo a explicar. Em cada um dos temas há dois solistas, e todos os músicos têm a sua oportunidade de improvisar sobre o trabalho de Fujii. Ao longo de 8 temas em pouco mais de 1 hora temos a oportunidade de desfrutar das capacidades de cada um dos músicos envolvidos. Gosto das composições, gosto dos solos, gosto de todo o conceito. E o que gosto mais, não só neste disco, mas em todos os anteriores, é que é tudo gravado em apenas um dia de sessão. Nada mais! O que sai na altura é o mais puro, natural, directo e espontâneo. Recomendo vivamente. 90% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/

Double Duo – Crossword Puzzle (2007) – Libra Records
Ufa! Finalmente o último disco a revisar! Este Double Duo foi um projecto de ocasião única, de improviso ao vivo e que estava composto por dois duos (daí a designação) de piano / trompete. Os músicos intervenientes foram Angelo Verploegen (trompete, idealizou o projecto), Misha Mengelberg (paino), Natsuki Tamura (trompete) e Satoko Fujii (piano). São dois temas improvisados ao vivo no Bimhuis em Amsterdão, na Holanda, que foram transmitidos e gravados pela rádio VPRO, a 22 de Setembro de 2005. A duração atinge os 43 minutos e meio. Como qualquer sessão de improviso, tem os seus pontos altos e baixos. Há certas passagens que funcionam melhor, outras que nem por isso. Serve sobretudo como testemunho do que foi aquela noite, com estes 4 fantásticos músicos, e das suas capacidades como intérpretes, compositores e as suas capacidades de improvisar sob pressão (leia-se: ao vivo). 75% Libra Records: http://www2s.biglobe.ne.jp/~Libra/
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RDS