Tuesday

The Ocean – Precambrian (Proterozoic) (2007) – Metal Blade

“Precambrian” é o sucessor do disco de 2005 “Aeolian”. Este novo trabalho é duplo, contendo um MCD de cerca de 22 minutos sub-intitulado “Hadean / Archaean” e um segundo disco de 62 minutos sub-intitulado “Proterozoic”. Infelizmente, apenas tenho acesso ao segundo disco, pois os promocionais enviados pela Metal Blade apenas incluem esta “segunda parte” do álbum.
O colectivo Alemão continua a explorar a sua característica visão artística da música. Além de todos os músicos envolvidos no projecto, há ainda espaço para participações especiais de elementos de bandas como Converge, Old Man Gloom, Cave In, Integrity, Breach, Textures, etc, e ainda membros da Berlin Philharmonic Orchestra, num total de 26 músicos! Guitarra, baixo, bateria, percussões, vozes, violino, violoncelo, saxofone, piano e outros instrumentos marcam a sua presença. Uma faixa como “Rhyacian / Untimely Meditations" chega a ter 84 pistas diferentes na mistura! Além disso, ao vivo apresentam também um arrojado conceito visual a acompanhar a performance musical.
O estilo continua o mesmo dos álbuns anteriores, fusão de Metal, Hardcore, Sludge, Doom e ambientes cinemáticos. Depois da dupla “Fluxion” / “Aeolian”, estes surgem com um duplo disco baseado no período Precâmbrico e nas suas distintas fases, estando as faixas divididas em 5 eras, com os períodos subordinados a serem encarnados pelas diversas faixas do disco. Em termos líricos o disco foi influenciado pelo autor Franco-Brasileiro Proto-Surrealista Lautréamont e a sua obra “Cantos de Maldoror”.
O “artwork” é, mais uma vez, obra de Martin Kvamme, conhecido pelo seu trabalho com os trabalhos dos projectos de Mike Patton (Fântomas, Tomahawk, Patton/Kaada) e do anterior “Aeolian”.
Mais uma obra do colectivo The Ocean que conjuga inúmeros elementos e que tem de ser absorvida como um todo: música, letras, capa, imagens, passagens literárias, etc. Tenho de adquirir o trabalho na sua globalidade (como já referi, o promocional apenas inclui o 2º disco e nada de capa e livrete) para o poder apreciar na sua plenitude. Para já, esta “amostra” já me deixou a salivar pelo resto! Mais uma etapa que irá agradar aos seus fãs e apreciadores de nomes como Isis, Neurosis, Cave In, Cult Of Luna, Botch, Old Man Gloom, Coalesce e até David Lynch. 85% http://www.metalblade.de/ / www.theoceancollective.com

RDS

Rosemary – Tracks For A Lifetime (EP 2006) – Minimal Chords

Os Rosemary são Franceses e este é o seu novo trabalho de estúdio, depois de outros 7 registos (entre demos, gravações ao vivo, etc). Ao todo são 8 temas que não chegam aos 25 minutos de duração. Até parece que estou de novo nos inícios da década de 90 e no liceu. A minha camisa de flanela atada à cintura, as calças de ganga apertadas e já todas gastas, as primeiras bebedeiras, as festas, os primeiros concertos. Porquê esta sensação? Os Rosemary fazem lembrar uma única banda e, para restringir ainda mais, apenas uma fase da sua carreira. Os Nirvana! Mas não os de “Nevermind” ou “In Utero” mas sim os Nirvana mais apunkalhados da fase “Bleach” e “Incesticide”. E isso é mau? Se fosse lançada na altura, esta maquete até nem seria levada a sério no meio de tantas outras bandas iguais. Ainda se lembram da inundação de bandas, maquetes e discos de Grunge que se deu em todo o mundo? Pois hoje até soa muito bem, com um certo tom de melancolia, é certo, mas até nem soa datada mas sim fresca e cheia de força e vigor! A gravação foi feita no seu local de ensaio mas está com bom som e mantém até aquela aspereza típica do género. Soa forte, descomprometido, com um ambiente de diversão. Depois de tantos registos de demonstração, falta o disco de estreia! Para os saudosistas e rockers em geral. 85% http://www.minimalchords.org/ / www.myspace.com/myfavoriteonerosemary
RDS

Supreme Soul – Love And Shadows EP (2007) – Edição De Autor

Os Supreme Soul são de Lisboa e este é o seu segundo trabalho de estúdio. Nesta rodela prateada apresentam-nos 6 temas em meia hora de duração. Depois de iniciarem as suas actividades numa sonoridade mais direccionada para as pistas de dança, operam uma mudança para um estilo mais Pop / Rock, mas sem esquecer de todo a vertente electrónica. O resultado final reverte, numa primeira audição, para uns Depeche Mode mais electrónicos. Numa análise mais cuidada encontram-se rastos de outras influências como New Order, Joy Division, Kraftwerk, Apoptygma Berzerk, ambientes e melodias muito próximas do Electrogoth, inspirações Electropop dos 80s ou até mesmo alguns toques de Darkwave e Electroclash. Mesmo antes de ouvir o disco, depois de ter conhecimento do seu passado mais “dançável”, assustei-me um pouco e pensei que iria ouvir algo muito comercial, direccionado para as tabelas e pistas de dança. Felizmente enganei-me e deparei-me com 6 faixas de Electropop de qualidade acima da média. Estas faixas em nada ficam a dever ao que fazem nomes bem mais conhecidos do género. Gosto em particular da vertente 80s e do ambiente mais negro com inclinações góticas. Da minha parte, se eles mantiverem estas vertentes e não fugirem para territórios mais, direi “vulgares” e lugar-comum, da electrónica, ficarei atento ao que a banda fará no futuro. Aguardo então o disco de estreia com ansiedade! Uma boa aposta para apreciadores dos projectos e estilos acima enunciados. 80% http://www.supremesoul.com/ / www.myspace.com/supremesoul
RDS

Oblique Rain - Entrevista + "Isohyet"

1 – Oblique Rain (curta biografia, pontos altos, discografia, etc):
O projecto Oblique Rain nasceu no início do ano 2004 pelas mãos de Flávio Silva e César Teixeira, mas só no final de 2005 começou a ganhar os contornos que apresenta actualmente. Até essa altura tínhamos feito diversas tentativas de constituir “a banda”, mas todos os músicos se revelaram de alguma forma desajustados. Com todas essas experiências negativas acabamos por nos dedicar à composição, esquecendo por algum tempo a formação do “line-up”.
Já em meados de 2006 com quase todo o material pronto para dar início às gravações de “Isohyet”, surgiram os parceiros que viriam a partilhar dos nossos devaneios musicais e desta forma assumir o projecto como banda. O Daniel Botelho (Baixo) e o André Ribeiro (Guitarra) juntaram-se a nós e a empatia que se criou entre todos foi pura magia.

2 – “Isohyet” (processos de composição e gravação):
O “Isohyet” começou a nascer em Dezembro de 2005 com o tema “Sights”. Foi este que deu o mote para a composição do álbum. Foi como se finalmente, passados quase dois anos do início do projecto, tivéssemos encontrado o rumo que tanto procurávamos. Em pouco mais de 6 meses concluímos a fase de composição de todo o álbum, à excepção de um tema que foi concluído já no início de 2007.
Em Maio de 2007 dá-se a entrada nos Estúdios USS (Ultra Sound Studios), produzido e misturado por Daniel Cardoso (Head Control System / Ex.Sirius).
Na falta de um baterista, Daniel Cardoso assumiu também as tarefas de gravação das baterias e tem tocado connosco ao vivo.

3 – Letras (influências, temas, mensagens):
As letras de Oblique Rain são baseadas em vivências pessoais de experiências próprias e/ou observadas. O conceito de “Isohyet” roda em torno da auto-exclusão, isolamento e rejeição em relação ao estado decadente, a quase todos os níveis, da realidade que nos rodeia, mas aborda também outros temas de índole mais pessoal e aí teria de ser o Flávio a pronunciar-se porque todas as letras foram escritas por ele, à excepção da “Nothing’s Silence”, que teve a colaboração do nosso amigo Miguel Barbosa.

4 – Capa do disco (quem, porquê, significado, …):
Criado por Marina Soares, o “artwork” de “Isohyet” remete para a ideia do isolamento e rejeição explicadas na questão anterior. Repare-se no indivíduo de costas voltadas e no reforço do seu isolamento com a faixa vertical mais iluminada, que ao mesmo tempo significa um isolamento “especial”. “Isohyet” por si só significa, num mapa meteorológico, “uma linha que une dois pontos de igual precipitação”, o que significa que isola ou destaca um determinado espaço.

5 – Influências musicais e outras:
Opeth, Porcupine Tree, Katatonia, Pink Floyd, Dream Theater, musica clássica, musica celta, entre muitas outras.
Fernando Pessoa.

6 – Independent Records:
A Independent Records serviu apenas de veículo para a edição do disco, dado que se tratou de uma edição de autor em toda a linha. É possível que venham a fazer alguma promoção do disco, mas num âmbito muito limitado.
Por essa razão e porque pretendemos encetar uma parceria real com uma editora, estamos já em fase avançada de negociação com outra editora com vista à edição do nosso segundo álbum.

7 – Concertos de promoção ao disco:
Hellmeirim Rock – Almeirim (27 de Agosto de 2007)
Velha Guarda Metalfest – Porto (29 de Setembro)
Timeout Bar – Ovar (12 de Outubro de 2007)
Cine-Teatro - Corroios (21 de Dezembro de 2007)
Indycat Piano Bar – Medas Gondomar (29 de Dezembro de 2007)

8 – Mensagem final:
Gostaríamos de agradecer a todos os que nos têm apoiado neste arranque do nosso projecto. Esperamos continuar a surpreendê-los no futuro. Obrigado à Fénix Webzine pelo apoio na divulgação do nosso trabalho.

Entrevistador: RDS
Entrevistado: César Teixeira (Guitarra)
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Oblique Rain – Isohyet (2007) – Edição De Autor / Independent Records
Este é o trabalho de estreia dos Portugueses Oblique Rain. Trata-se de um disco auto-financiado que inclui 7 temas em cerca de 47 minutos. Metal Progressivo é a orientação musical da banda. As influências mais notórias são Porcupine Tree, Katatonia (material mais recente) e Opeth (na sua faceta mais ligeira). Boa técnica musical, tal como se requer no estilo, melodias cativantes, voz melódica e segura (com ocasional passagem por um registo gutural), ambiências fortes. O ambiente geral é muito emotivo e melódico mas a banda não esquece a componente metaleira, marcando presença alguns riffs mais fortes e uma secção rítmica poderosa. Até mesmo a produção, habitualmente algo “frouxa” no Metal em Portugal, é acima da média (cortesia de Daniel Cardoso dos Head Control System / ex-Sirius, o qual, aliás, gravou as partes de bateria). Apesar das influências bem demarcadas, a banda consegue um trabalho bem interessante. Acredito que num segundo registo a banda conseguirá assimilar melhor as suas influências e gravar um disco ainda melhor do que este, pois potencialidades não lhes faltam. No geral, gostei muito deste disco. Há já algum tempo que não ouvia um disco de Progressive Metal com esta qualidade, feito em Portugal. Um trabalho que irá agradar a fãs dos nomes já citados ou outros como Marillion, Ayreon, Tool, Three, Dream Theater e até mesmo Audioslave. 85%
RDS
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V/A – Metal Assault 2007 Vol.1 (DVD 2007) – Nuclear Blast

Começo esta pequena crítica por informar de que este não é um DVD de venda directa mas sim uma edição promocional. O DVD inclui um vídeo de cerca de 20 minutos com promoções aos lançamentos da Nuclear Blast no intervalo de Janeiro a Junho de 2007, assim como 7 videoclips do mesmo número de bandas. Muito rapidamente faço uma pequena apreciação destes mesmos promoclips, sendo as pontuações atribuídas à parte vídeo e não ao áudio!
Os Dinamarqueses Mnemic e o tema “Meaningless” iniciam a sequência. Novo disco, novo vocalista, o mesmo estilo de sempre. O clip segue a mesma linha dos anteriores da banda, com imagem futurista e com pequenas “falhas” a dar ideia de filmagem antiga. Não é nada de transcendental mas cumpre a sua função. É muito melhor do que os habituais clips de bandas a tocar na garagem ou num estúdio fechado ou das filmagens ao vivo. 70%
Os Norteamericanos Chimaira e “Resurrection” trazem o habitual vídeo das bandas dos USA, pose de machão saído do ginásio, mulheres com fartos seios, pancadaria, só falta mesmo o carrão de marca. É pena o clip porque a música é até acima da média da nova vaga do NWOAHM. 50%
O Finlandês Marco Hietala (também dos Nightwish) e os seus Tarot apresentam “Ashes To The Stars”. Música fabulosa, refrão memorável, vídeo com imaginário futurista intercalado com filmagens da banda a tocar. Acima da média. Gostei. 70%
Os Noruegueses Sirenia têm em “My Mind’s Eye” o melhor vídeo deste conjunto. E, na minha modesta opinião, também a melhor faixa. O refrão não é memorável, mas sim todo o tema, de início ao fim! O clip também é fabuloso, típico cenário Metal / Rock Gótico. 90%
Os Mendeed e “The Dead Live By Love” aproximam-nos do fim. A banda está a tocar numa floresta e está a nevar. Uma rapariga de branco jaz no chão. O seu espírito ou alam ergue-se do corpo e vagueia pela floresta. Encontra-se com um homem. Isto deve ter alguma ligação à letra da música. Não é mau mas também não é nada de transcendental. 70%
Os Canadianos Kataklysm e “To Reign Again” continuam na sequência. O habitual clip de que falava há pouco com filmagens ao vivo e tema de estúdio por cima. Mais uma forma de promover o novo álbum do propriamente fazer um clip com alguma qualidade e valor artístico. 40%
Para finalizar, a boa disposição dos Knorkator e “Alter Mann”. Vídeo animado. Já havia visto outro clip da banda e era uma curtição. É pena eu não falar alemão, as letras parecem ser hilariantes. E os vídeos seguem as mesmas. Fica o vídeo e a nossa imaginação a correr! 80%
RDS

Nuclear Blast: http://www.nuclearblast.de/

NB distribuída em Portugal por Compact Records: http://www.compactrecords.com/

Nightwish – Dark Passion Play (2007) – Nuclear Blast

Está finalmente disponível o novo trabalho de estúdio dos Finlandeses Nightwish. “Dark Passion Play” inicia uma nova fase na carreira daquela que é uma das mais bem sucedidas bandas de Metal sinfónico com voz feminina. Depois da demissão, em 2005, da anterior vocalista Tarja Turunen, facto que fez correr tanta tinta na imprensa mundial e que gerou uma diversidade de opiniões por parte dos fãs, a banda foi invadida por demos de vocalistas de todos os cantos do mundo. Após uma exaustiva audição a escolha recaiu sobre a Sueca Anette Olzon (ex-Alyson Avenue). A voz de Anette é diferente da de Tarja o que, na minha modesta opinião, foi a melhor escolha a fazer por parte da banda. Escolher uma “copycat” de Tarja seria um enorme erro e ainda daria mais motivo de conversa aos detractores da banda.
Quanto ao novo trabalho em si, este inicia de uma forma inesperada com um tema de cerca de 14 minutos, “The Poet And The Pendulum”, no qual a banda consegue inserir quase todas as suas facetas. A partir daí ouvimos mais 12 temas que passam por todas as facetas da banda, desde a balada com voz angelical (“Eva”, “For The Heart I Once Had”, “Meadows Of Heaven”), passando pelo tema tipicamente Heavy / Power com as vocalizações de Marco Hietala a predominarem (“Master Passion Greed”), o tema de inspiração celta (“The Islander”, “Last Of The Wilds”) e até mesmo os samplers electrónicos à semelhança de “I Wish I Had An Angel” (“Bye Bye Beautiful”) ou o tema épico / orquestral (“Amaranth”, “7 Days To The Wolves”). Há um pouco de tudo para agradar a gregos e troianos, sem ser um álbum heterogéneo tipo manta de retalhos.
A voz de Anette consegue ser angelical ou agressiva, melódica ou mais áspera e roqueira, negra e intensa ou doce e ligeira, conforme a faixas ou partes das mesmas assim o exigem. Além disso tem uma capacidade de alcance fantástica, atingindo notas que seriam difíceis de atingir por outras vocalistas. Na maior parte das vezes faz lembrar vocalistas da década de 80 como Kate Bush, Kim Wilde, Bonnie Tyler, Laura Branigan, Ankie Bagger ou até mesmo as duas vocalistas dos Suecos Abba (Annete fez parte de uma banda de versões dos mesmos). Está aprovada! Agora quero ver a banda ao vivo para poder ouvir como soam os temas antigos na sua voz.
Sendo eu fã da banda desde “Wishmaster”, confesso, já estava a ficar um pouco saturado das vocalizações eruditas de Tarja. Esta nova voz traz uma outra dimensão à música da banda e um novo sopro de vida.
Em termos instrumentais a banda poderia facilmente cair na asneira de criar temas mais comerciais e conseguir o sucesso de uma banda como Evanescence, a qual não tem metade da qualidade musical ou lírica de Nightwish (ou Within Temptation até), e tudo apenas baseado nas polémicas criadas em torno da banda. Não foi o que aconteceu aqui, estando Tuomas Holopainen de parabéns pela sua capacidade de composição (já demonstrada nos álbuns anteriores, aliás), criando temas bem metaleiros / roqueiros mas com identidade e refrões e melodias memoráveis. A orientação geral do disco é bem mais roqueira que a dos anteriores, o que é até uma mais valia para os Nightwish.
Em jeito de finalização, os Nightwish conseguem em “Dark Passion Play”, sem dúvida, um dos seus melhores discos de sempre! São 75 minutos e 45 segundos que não têm um único segundo monótono e, apesar de ser um disco longo, ouve-se muito bem de início ao fim.
Não posso deixar de referir, extra crítica ao disco, que estar a ouvir um tipo a dizer “este é o novo álbum… blah… blah… e este tema intitula-se…” seis ou sete vezes num tema não facilita nada a tarefa do crítico. Assim que possível, vou comprar o meu exemplar original!
95%
http://www.nightwish.com/ / http://www.nuclearblast.de/

Distribuído em Portugal por Compact Records: http://www.compactrecords.com/

Biomechanical – Cannibalised (2007) – Earache

Terceiro trabalho de originais para os Londrinos Biomechanical. São 10 faixas de Metal ultra-técnico com tendências Cyber (linha Fear Factory, Mnemic, Strapping Young Lad), progressivas e de “film music”. Pesado, potente, rápido, brutal. A voz está a meio caminho entre Ron Halford fase “Painkiller” e Devin Townsend nos seus SYL, com um toque de Phil Anselmo era Pantera. Aliás, a banda não se fica por aqui na “ligação” aos Judas Priest, tendo sido este disco misturado por Chris Tsangarides (o qual co-produziu com a banda o referido disco de 1990). Às já referidas bandas pode-se ainda aliar nomes como Nevermore (na técnica e saturação de pormenores) ou King Diamond (vozes e alguns ambientes). Isto é tão intenso e rápido, com tantas coisas a acontecer ao mesmo tempo (leia-se: muito boas ideias e assimilação de influências) que acaba por se tornar um pouco saturador. Apesar de ser muito bom., é algo cansativo de ouvir. Além disso, os “blips” deste promocional que tenho em mãos não ajudam nada! Apenas para os ouvidos mais “calejados”. De qualquer maneira, fãs dos nomes já referidos irão gostar deste disco. 70% http://www.earache.com/

Distribuído em Portugal por Compact Records: http://www.compactrecords.com/

Nora – Save Yourself (2007) – Trustkill

Este é o terceiro e novo trabalho para os Norteamericanos Nora. Depois da banda ter passado por diversos problemas, após o lançamento de “Dreamers And Deadmen” de 2003, e do vocalista Carl Severson se ter mantido ocupado com a sua Ferret Records, eis que surge este novo “Save Yourself”. São 10 temas de típico Hardcore Norteamericano, algures entre o peso e agressividade do NYHC e as influências do Thrash da velha escola, com alguma influência Sludge aqui e ali. Faz-me lembrar a fúria das bandas dos inícios da Victory Records (antes de passar a editar Emo) conjugada com a imediatez dos riffs Thrash. Metalcore estão vocês a pensar? Não é bem o estilo dessas bandas hoje em voga. Aqui utilizaria mais o termo Crossover (lembram-se dos inícios da década de 90?). Não é o melhor álbum do género mas é uma boa aposta para os fãs de bandas como Slayer, Sick Of It All, Earth Crisis, At The Drive-In, All Out War, Most Precious Blood, Hatebreed, Shutdown ou Converge. 80% http://www.norarockmachine.com/ / http://www.trustkill.com/

Distribuído em Portugal por Compact Records: http://www.compactrecords.com/

FullMoonChild - Concurso Muralhas Rock II


HallowFest 07


Infected Records DIY

A Infected Records DIY vai iniciar uma nova série de lançamentos.
Estamos em busca de boas bandas de todo o mundo, com o objectivo de lançar em formato CD-R, edições limitadas a 77 cópias, numeradas á mão, sem fins lucrativos e a baixo preço, completamente DIY (do it yourself) e com boa música.
Metade dos lucros das vendas de cada um destes lançamentos vão reverter para algumas instituições que lutem e defendam direitos humanos e/ou animais.
Já existem algumas confirmações.
Para as vendas dos primeiros lançamentos desta série já existe uma instituição para a qual vão reverter metade das vendas.
A União Zoófila de Lisboa, uma instituição sem fins lucrativos e não governamental, fundada em 1951, que alberga e acolhe cães e gatos abandonados e mal tratados, tendo neste momento nas suas instalações cerca de 800 animais (sendo na sua maioria cães). Enfrentando problemas e necessidades básicas, como por exemplo, reserva de comida para os animais a terminar, a UZ precisa de ajuda. Podem ver mais sobre esta instituição em www.uniazoofila.org.
A nível de bandas contactadas, estão já confirmados 3 lançamentos.
*MONIKERS, de Orlando, Estados Unidos. www.myspace.com/monikers
*ALBERT FISH, de Lisboa, Portugal. www.myspace.com/albertfish77
*AZIA, de Barcelos, Portugal. www.myspace.com/aziapunkbcl
Mais noticias e novidades acerca destes lançamentos, capas, alinhamentos e preços em breve. Mantenham-se atentos. Interessados em reservar algum destes lançamentos desde já, e ajudar a União Zoófila dessa forma, podem fazê-lo através do e-mail infected_records@yahoo.com ou em www.myspace.com/infectedrecordsdiy . Mantenham a chama viva. Mantenham este movimento útil e saudável. Até breve, J.
INFECTED RECORDS DIY - distro & label & promoter from Portugal - www.myspace.com/infectedrecordsdiy

Vulture Industries - Entrevista

1 – Vulture Industries (origin and meaning of the band’s name, short bio with highlights, discography, etc):
The origin of the name VI one of two alternatives we came up with before the fist concert with this lineup. There was really no other reason for picking up that name other than we considered it cool and fit our music.
VI emerged from the remains of the gothic metal band Dead Rose Garden, after changing close to all of the members VI first appeared March 2004 at Piggtrådfestivalen, The Barb Wire Festival, in Bergen. Since then the EPs “The Enemy Within” 2004 and “The Benevolent Pawn” 2005 were released before the recording of The Dystopia Journals started. By that time VI was independent, no signing had yet been done, so the whole recording process was run by our vocalist and programmer, Bjørnar E. Nilsen.

2 – “The Dystopia Journals” (writing & recording process):
Some of the songs on TDJ are from the EPs, so the material dates back at least 3 years, but the newest songs are written and arranged during the recording process. The writing process usually starts out as sketches on Bjørnar or Øyvind’s computers, these are handed round to the other members for fine tuning and testing out. The next phase is the rehearsals room, trying out the different parts, fitting new and removing parts that don’t fit. We normally use a lot of time on this, so when we came to recording the last 3 songs they were not finished yet. So we spent a lot of time in studio trying the new stuff out and adjusting the sounds to fit the other recordes songs. The fist songs were recorded 2 and 3, starting out early august 2006, finishing the last songs close to summer 2007.

3 – Lyrics (influences, themes, messages…):
The lyrics is Bjørnar’s work, he has a huge interest in classic poets, especially those with the darkest or perhaps clearest views upon life I think, not that he is a gloomy guy himself, he is like the rest of us happy campers. But he has a vivid imagination, and comes up with the strangest thoughts. His ideas for the lyrics for TDJ came up by chance he says, there was this “I” person that showed up, turning the process into a kind of a concept-album. But that was never intended when he started out. I think the lyrics speak for themselves, but themes are struggle with inner demons and wish for individuality, the themes are complex but the messages are not hidden. One might interpret them individually, Bjørnar always says that people should think for themselves, and that is perhaps part of the message?

4 – Helge Jordal and the album frontcover:
When we were discussing what the album cover should look like, a lot of ideas were tossed around in the band, many of the ones we didn’t use were really good too, maybe we can use them on the future albums. Anyway, Bjørnar and Maja (who designed the album cover and booklet) came up with the idea of picturing a man so full of inner struggle that he ends up strangling himself.
It was Bjørnar’s idea to contacting Helge Jordal, who is an acclaimed actor here in Norway. He had both the face and skills to show the contrasts between the furious and anxious sides of the same man. I think he did an excellent job, and he was a very cool guy as well. I guess the song “Path of infamy” is the inspiration behind this whole concept.

5 – Musical and other kind of influences:
We all have different musical influences in the band; I for one have taken the standard road of a norwegian metalhead: started listen to Metallica, Megadeth and Sepultura at the age of 13, then moved over to more extreme metal, Satyricon, Dissection etc., then maybe eased up a bit when I got a bit older, really listening to everything from Mötley Crüe to Shooter Jennings.
Øyvind and Bjørnar writes most of the music on the album; I tend to think that Øyvind is a bit more into the death and black metal-scene, while Bjørnar is a bit more into the industrial/ horror/ weirdo-scene.. hehe. They both are prog heads though.

Many have compared us to Arcturus, mainly because of Bjørnar’s vocals and the experimental nature of the music. While I can understand that someone can think so, and myself and other members of VI likes Arcturus, I can assure you that this is not intentional. I don’t think we sound very similar, and Bjørnar can’t really sing any other way, the poor bastard J

6 – Dark Essence Records:
Dark Essence resides in our hometown of Bergen, and we know the guys running it, so this makes it easier to have a good contact with the label. They have really done a good job for us so far. I know that Bjørnar also has started cooperation with them, so this is positive for VI as well.

7 – Tour to promote the record:
We have played a number of concerts here in Norway after the album hit the shops. Bergen, Haugesund, Tromsø and Sandnes. We are also going to Oslo early next year. As that is about all the cities we have in Norway (hehe), we are doing a tour around Europe in March.. a total of 17 gigs I think, from Italy to the UK. That will be a blast!

8 – Final Message:
Thanx for giving us this interview! Hope you guys reading will check out our music, buy our album and go apeshit with us in concert! Check out our website (www.vulture-industries.net) for info about future concerts! Cheers!


Entrevistador: RDS
Entrevistados: Kyrre Teigen (bass) q. 1-3, Tor Helge Gjengedal (drums) q. 4-8.

Supreme Soul - Entrevista

1 – Supreme Soul (curta biografia, pontos altos, discografia, etc):
Os Supreme Soul são um grupo de pop/rock electrónico de Lisboa. Depois de alguns anos a produzirmos temas mais direccionados para as pistas de dança, decidimos o ano passado repensar a nossa sonoridade. Sentimos que era necessário caminhar em termos musicais para outras direcções. Surge então o Ep “Vision”, um marco muito importante para a banda, pois quando ouvimos o resultado final, especialmente nas rádios, sentimos que tínhamos atingido os nossos objectivos: um som mais pop/rock, sempre com a electrónica como pano de fundo.
Penso que “Love and shadows” é a consolidação do “Vision”, e representa igualmente o início de uma nova fase: os espectáculos ao vivo.

2 – “Love And Shadows” (processos de composição e gravação):
Relativamente ao processo de composição, os temas foram feitos com base em melodias vocais. Os arranjos e os ambientes sonoros eram criados de acordo com essa melodia (s) vocal e a carga metafórica que as letras transmitem.
A gravação dos temas é feita em tempo real tendo por base uma programação de ritmos, sendo utilizados variados instrumentos, tais como guitarra, piano e sintetizadores.

3 – Letras (influências, temas, mensagens):
“Love and shadows” representa os dois pólos extremos da vida: o amor e a sombra. O amor representa a extravagância, a pureza, o positivo, o expoente máximo da expressão humana. A sombra simboliza o obscuro, as nossas fraquezas e tentações, ou seja, o expoente máximo da fragilidade humana. Penso que as letras do Tiago vão de encontro a essa ideia: relações de amor, sentimentos de perda, etc.

4 – Capa do EP (quem, porquê, significado, …):
A capa do Ep foi elaborada pelo João. Achámos logo que era uma representação muito fiel ao conceito e à mensagem implícita nos temas. Os feixes de luz principais e as suas intersecções representam o amor. Os feixes de luz em segundo plano representam as sombras.

5 – Influências musicais e outras:
De uma maneira geral, sendo arte ou não tudo o que nos sensibiliza, influencia a música que fazemos.
De influências musicais “mais orgânicas” temos: joy division, new order, U2, nick cave and the bad seeds, sétima legião, heróis do mar, the cure, sonic youth, arcade fire, neil young, patti smith, pj harvey , The B`52s, rufus wainright...
De um espectro mais electrónico: depeche mode, kraftwerk, underworld, lcd soundsystem, fisherspooner, entre outros.
O Fado é também uma influência.

6 – Concertos de promoção ao EP:
Estamos a contactar alguns espaços musicais, e já estamos a trabalhar com uma promotora. Muito brevemente já teremos datas confirmadas.

7 – Mensagem final:
“Only love can save you from your own shadow”.

Entrevistador: RDS
Entrevistado: Susana Mogueira (guitarra, piano, voz)

Friday

Fall Of Serenity - Entrevista

1 – Fall Of Serenity (origin and meaning of the band’s name, short bio with highlights, discography, etc):
Eddy (guitar): Basically the name means what we see every day. Dead people. For example in school, at work. People who just live for a system they maybe never voted for. Just like machines. They try to work like machines till they get replaced by real ones. Thats something everybody should think about, cause life is to short to waste time.
We´re existing since 98, released 4 full length cd´s (GREY MAN´S REQUIEM, ROYAL KILLING, BLOODRED SALVATION, THE CROSSFIRE), a split with HEAVEN SHALL BURN and an EP called SMOLDERING DOOM which was actually our first release. We toured in almost every european country with bands like DISMEMBER, HEAVEN SHALL BURN, BY NIGHT, HATE ETERNAL, ANATA and so on.

2 – “The Crossfire” (writing & recording process):
Eddy: This went really fast this time. We wrote the songs for the album in less than half a year. Our hearts decided what is cool and sounds great for the songs and the album. So we tried to think not to much about our music....so we basically just played it haha. And have to say that this was great for the album, cause it sounds like FALL OF SERENITY. And thats how it should be for a band.
We recorded 12 days/ 12-14 hours a day. So that was hard but also very fun and worth it.

3 – Ralf Müller / Rape Of Harmonies Studio:
Eddy: Our producer. Very cool and talented with an incredible good ear and good skills concerning motivation. We recorded the first time just with him as a producer. He was the 6th member for almost 1 year, checking out the songs in the writing process till everything was recorded. Many thanx to him. He was very important for the new album.

4 – Dan Swanö / Unisound:
Eddy: We are very proud that he mixed and mastered our album. We´re all a big fan of EDGE OF SANITY and his work as a producer. And he did a great job. He gave us exactly the sound we wanted. No overproduced shit but with lots of power and real metal-balls...hehe. By the way, he told us that it´s the best mix he ever did so far. So give it an ear!

5 – Sabina Classen (Holy Moses / Temple Of The Absurd):
John: Yeah – German metal icon with a real great voice. She joined us to put some guestvocals on the new record. It worked pretty well. Hopefully we’ll perform live together in future.

6 – Album frontcover / artwork (who, why, meaning, …):
Eddy: Just a fucking tank. Not more, not less. There is no specific meaning, but it reflects how the album sounds. The artwork was done by a company called DARKMOUTH. We like this piece of art very much.

7 – Lyrics (influences, themes, messages):
John: The lyrics are written in a multi-understandable way. Most of lyrics deal with war against inner conflicts. We put the meaning into dark words and and provocative phrases. Everyone should be able to identify himself/herself with one or two songs.

8 – Musical and other kind of influences:
Eddy: Actually to much to mention. Sorry...but of course SLAYER...haha!!!
John: SLAYER !!!!

9 – Lifeforce Records:
Eddy: Our label. Stefan and his team doing a great job for us. We are really happy with how all works out. We have and had allways lots of support from LIFEFORCE RECORDS. Thats really important for a band and we have to thank very much.

10 – Tour to promote the record:
John:. Doing much interviews as possible haha...and of course we’ll continue to play live as often as we can. In 2008 we will hit the road with Dismember again to support their European tour. After the tour we’ll try to play as much festivals as possible. I guess the best way to promote a record is on stage...that’s what we’ll do...

11 – Final Message:
John: Don’t hesitate to check our new album “The Crossfire” – visit us at myspace and get in touch...we love to talk! THANX FOR THE INTERVIEW !!!
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The DILLINGER ESCAPE PLAN TV Spot

Cartas-Manifesto Pt. 3/3: 2ª Carta

2ª CARTA – JORNAL DE NOTÍCIAS / SEPULTURA (VILAR DE MOUROS 2003):

O assunto que me levou a dirigir-lhe estas palavras foi uma reportagem incluída no Jornal de Notícias Nº330, ano 116, de 20 de Julho deste mesmo ano de 2003. Trata-se de uma reportagem do primeiro dia do festival de Vilar de Mouros, da responsabilidade do Sr. Emanuel Carneiro, incluída na secção “Cultura”, na página 44 da referida edição do jornal.
O que realmente me deixou perplexo foi que, um jornal da vossa dimensão e qualidade, atribua a reportagem de um festival de verão / concerto a uma pessoa que pouco ou nada percebe de música; ou pelo menos é o que deduzo do que li. O que mais me indignou foi o último parágrafo desta reportagem, parágrafo direccionado aos Brasileiros Sepultura, o qual passo a transcrever: “Os Sepultura conseguiram a duvidosa façanha de dar um concerto com a mesma faixa repetida até à exaustão. Não se apanha uma sílaba do que o cantor Derrick Green rosna. “Bullet in the blue sky”, dos U2, foi cilindrado à... bala”.
Comento agora o que este senhor escreveu:
- “... a mesma faixa repetida até à exaustão”? Caso o senhor não saiba, quem é conhecedor da história e discografia da banda, estes conseguiram encaixar temas de toda a sua discografia em cerca de uma hora e quinze minutos em que estiveram em palco. Por lá passaram temas emblemáticos como “Refuse / Resist”, “Roots Bloody Roots”, “Territory”, “Troops Of Doom”, “Arise”, “Beneath The Remains”, entre muitos outros temas de relevo (aliás, diria eu tendenciosamente, todos!).
- “... duvidosa façanha...” ? O que é que o senhor quer dizer com isto? Não percebi muito bem esta parte!
- “Não se apanha uma sílaba do que o cantor Derrick Green rosna.”. Pois bem, eu percebi tudo! Não só por conhecer as letras mas também porque estas são em inglês, e eu falo inglês, um pouco mal, mas falo e percebo alguma coisa. Não se apercebeu disso o senhor? Que era em inglês? Além disso, o senhor Derrick Green rosna? Esta foi a gota de água.
- “ “Bullet in the blue sky”, dos U2, foi cilindrado à... bala.”. Bom, pelo menos o senhor conseguiu reconhecer esta versão de um tema dos U2 (que se calhar é das poucas bandas que conhece!). Mas o tema não se intitula “Bullet in the blue sky” mas sim “Bullet the blue sky” (do célebre álbum “The Joshua Tree” de 1987). Cilindrado? Isso até soa a elogio, mas com certeza não o é. Eu gosto do original e da versão, mas isto porque sou uma pessoa de mente aberta.

Além do texto transcrito, o senhor Emanuel Carneiro adiciona ainda um quadro com pontos positivos e negativos do festival. Nos pontos negativos, com o título “Rock é pedregulho?” refere que “O rock do primeiro serão deve mais ao pedregulho do que à capacidade criativa” e que “... refugia-se apenas nos disparos de adrenalina.”.
Caso não saiba, estes senhores são responsáveis por álbuns importantes não só na cena do Heavy Metal, mas no Rock e música em geral, como “Arise”, “Chaos AD” e “Roots” (este que despoletou o surgimento de bandas como Korn, Deftones, Ill Niño e afins, influenciado-os ao máximo), e não se limitam a viver à custa de glórias passadas, sempre souberam actualizar a sua sonoridade, mantendo-se no topo, mesmo após saída do seu emblemático líder Max Cavalera, e mudança de vocalista, sempre a imagem de marca de uma banda!
Refere ainda neste ponto negativo que a música “... antiga de muitos anos, a música dos Guano Apes, Him, Sepultura e Planet Hemp...”. A única banda “antiga” é Sepultura, pois todas as outras bandas são mais ou menos recentes, tendo no máximo 6 ou 7 anos, enquanto que os Sepultura têm uma carreira de cerca de 20 anos, e essas sim pode-se dizer que não devem nada à criatividade, não trazendo nada de novo à música, sendo apenas fenómenos de “mainstream”.
Além de não conhecer o trabalho dos Sepultura, ainda comete o erro de comparar os alemães Guano Apes aos Red Hot Chili Peppers e ainda os Planet Hemp aos Rage Against The Machine e, ultraje dos ultrajes, sacrilégio diria até, aos Dead Kennedys de “Plastic Surgery Disasters”. Por favor não achincalhe o nome dos Dead Kennedys, os membros da extinta banda fazem-no, e muito bem, sem a sua ajuda. Nem uma nem outra comparação tem cabimento na cabeça de qualquer pessoa que tenha o mínimo de conhecimento de música.
Pode ainda dizer que tem anos de jornalismo ou até mesmo anos de música, mas não acredito nisso. Ouvir apenas bandas das tabelas de vendas ou ouvir apenas bandas consagradas não é gostar de música, é ouvi-la apenas como um entretenimento e apenas o que os media nos “dão a comer”. Isto não para o criticar, pois nem todos podem ter a mesma “doença” em relação à música que eu tenho, mas se não estava à altura de realizar esta reportagem não o fazia, por respeito aos leitores do jornal. Pois trata-se aqui de jornalismo com falta de rigor e profissionalismo.

A sua crítica, senhor Emanuel Carneiro, nada tem de construtiva, pelo contrário, até é destrutiva! Quem lê a sua reportagem e não viu o concerto em questão, ou não conhece a banda, ou conhece mas não esteve lá, gera uma ideia errada e talvez preconceituosa da banda. Preconceito! É isso mesmo o único que o senhor consegue realmente transmitir com as suas palavras!
Todo o seu discurso é preconceituoso (sim, repito mais uma e outra vez!!!) para com o estilo em si, ignorante, repugnante, e acima de tudo arrogante!!! Pensa que as suas opiniões, gostos, ideais são a "lei de ordem"?
Cultura para o senhor devem ser recitais, exposições de pintura, fado, e outros afins. Sim. É cultura, é verdade. Mas isto também o é, embora não reconhecida como tal.
Vê-se mesmo que o senhor não percebe do que falou, pois nem sequer o título de um tema apontou! Onde é que está o jornalista com conhecimento de causa para comentar dignamente este concerto? Assim é que deveria ser: "cada macaco no seu galho", como o povo costuma dizer!!!

Em jeito de despedida convido-o a visitar o sítio dos Sepultura em www.sepultura.com.br ou o sítio do clube de fãs em www.sepultribe.com para se informar melhor, visto que o senhor antes do festival ou mesmo antes de escrever a sua reportagem não fez nenhum “trabalho de casa”.


1ª RESPOSTA (JORNALISTA):

À atenção de Ricardo Santos

Ponto 1 – Deduziu que pouco ou nada percebo de música. Ainda que não me conheça de lado algum, deduza o que quiser. Os eventuais erros são seus.
Ponto 2 – Fica-lhe bem reconhecer que é tendencioso.
Ponto 3 – Não percebe muito bem português, fala mal inglês e escreve português manco. Paciência.
Ponto 4 – Já ouviu falar em metáforas? O “rosna” tem a ver com isso
Ponto 5 – De facto, o tema dos U2 assassinado pelos Sepultura chama-se “Bullet the blue sky”.
Ponto 6 – “Cilindrado” não era, realmente, um elogio.
Ponto 7 – Cuidado com a mente aberta. Com este sol...
Ponto 8 – Na frase em causa, não deve escrever-se “despoletou”, mas sim “espoletou”
Ponto 9 – A música das bandas que refere é muito antiga porque houve quem a fizesse há muitos anos e muito melhor
Ponto 10 – “Erro”, “ultraje dos ultrajes” e “sacrilégio”. A seguir, diz que os Dead Kennedys estão extintos. Tocaram em Portugal no ano passado e estiveram agendados para um festival deste Verão, ainda que sem o Biafra.
Ponto 11 – Acredite no que quiser. Quem falou em doença foi o senhor. Não o vou contrariar.
Ponto 12 – A minha crítica é, de facto, destrutiva. Pela simples razão de a música ser péssima.
Ponto 13 – Se as minhas opiniões, gostos ou ideais fossem lei de ordem, o mundo parecer-me-ia mais justo. Mas não são.
Ponto 14 – “Nem sequer o título de um tema apontou”. Há tendência para esquecer as coisas más.
Ponto 15 – “Cada macaco no seu galho”. Concordo. Por isso, não se aventure na escrita.
Ponto 16 – Vive em minha casa? Então, como sabe se fiz ou não “trabalho de casa”?

Emanuel Carneiro; desde Rua Gonçalo Cristovão, Porto


1ª CONTRA-RESPOSTA (EU):

Caro Emanuel Carneiro:

Antes de mais quero agradecer o facto de ter respondido à minha mensagem anterior.
Serve esta nova mensagem apenas para esclarecer alguns mal entendidos, tanto da sua parte como da minha, e não para iniciar uma corrente de cartas / mensagens de ataque bilateral constante.
Não pretendia ofendê-lo nem pôr em causa o seu trabalho como jornalista, mas sim dar-lhe a conhecer o meu ponto de vista acerca do concerto, banda, música, e desta sua reportagem especificamente.
Peço desculpa se o ofendí, pois parece que o fiz, pelo menos pela maneira como respondeu.
Se quiser responder a esta nova carta, esteja à vontade, mas não pretendo continuar a escrever e responder indefinidamente. Espero que com esta carta e a sua eventual resposta fique tudo esclarecido.
Sem mais de momento, despeço-me cordialmente;

Ricardo dos Santos

Ponto 1 – A minha carta salientava "deduzi", eu não disse que o senhor era ignorante ou que nunca tinha tido um contacto mais aprofundado com música. Pelo menos na área do Hard Rock / Heavy Metal não tem conhecimento. Inúmeras pessoas pelo mundo fora que compram os álbuns e vão aos concertos, e jornalistas de vários jornais e revistas da especialidade, não podem estar errados.

Ponto 2 – Não o sou nem nunca o serei, eu ouço todo o tipo de música. Enquadre a palavra no devido contexto.

Ponto 3 – Eu disse que não percebia português? Voltei a ler a carta que escreví e não ví isso em lado algum. Falo mal inglês, sim, não sou fluente na língua mas se tivesse que ir viver neste momento para um país onde se fale inglês, não "morreria à fome", como costuma dizer o povo. Além disso estava a ser sarcástico caso não tenha percebido. Escrevo português manco. Em primeiro lugar, não sou português, e posso até gabar-me de falar melhor a vossa língua materna do que a maioria dos portugueses. Eu noto isso mesmo na faculdade, o que até é mais grave! Em segundo lugar, pode-se falar do ensino em Portugal. No secundário, como é que sendo eu aluno da área das ciências, na disciplina de português tenho que estudar poesia trovadoresca em português arcaico? Mas isto já não tem nada a ver com o nosso tema. Isso são outras conversas.

Ponto 4 – Eu percebí. Não sou ignorante como o senhor me pretende "pintar" (Oh! Uma metáfora!)

Ponto 5 – Certo.

Ponto 6 – Também tinha percebido esta. Também estava ser sarcástico.

Ponto 7 – Não percebeu? Esta sua piada foi a melhor que ouví na última década. Hoje em dia todos são humoristas.

Ponto 8 – Não posso saber o dicionário todo. Todos os dias aprendo uma palavra nova. Obrigado pela correcção.

Ponto 9 – Neste ponto estamos completamente de acordo. Até mesmo os Sepultura com vinte anos de carreira têm as suas influências, então de Guano Apes e Him nem se fala.

Ponto 10 – Eu sei que alguns dos membros da banda se reuniram, com excepção de Biafra, mas isso já não é Dead Kennedys, e não sou o único a afirmar isso. Esta reunião está, meramente, com olhos postos nos cifrões.

Ponto 11 – As aspas, "doença", servem por vezes para marcar uma metáfora (lá está ela de novo). Eu não vejo a música como algo de mal, muito pelo contrário.

Ponto 12 – Agora é o senhor que está a ser tendencioso e preconceituoso em relação ao estilo de música em questão. A música não é péssima, muito pelo contrário; o senhor é que não gosta. Aceitaria um "não gosto" em vez do seu "a música é péssima".

Ponto 13 – Esta nem vou comentar! Nem sequer acredito que o senhor acredite no que escreveu.

Ponto 14 – A mesma resposta que para o ponto 12. Não é mau, o senhor é que não gosta.

Ponto 15 – Eu não me aventurei na escrita. Eu não estava a tentar escrever um romance ou uma peça de teatro! Apenas escreví uma carta com o intuito de fazer ver o meu ponto de vista em relação ao assunto e manifestar a minha indignação para com o artigo em questão, o qual é, volto a repetir, tendencioso e preconceituoso, não só para com a banda em questão, Sepultura, mas para com todo o cenário Hard Rock / Heavy Metal e todas as pessoas que ouvem este género de música em todo o mundo.
Neste caso, o senhor quer dizer que uma pessoa sem estudos não podería escrever uma carta deste género, como a que eu escreví?

Ponto 16 – Se o fez não o deu a entender, de qualquer maneira peço desculpa se o ofendí.


2ª CONTRA-RESPOSTA (JORNALISTA):

Ponto 1 – Insiste em afirmar coisas sem me conhecer. Esteja à vontade. As unanimidades são perigosíssimas, basta olhar para a história.
Ponto 2 – É tendencioso.
Ponto 3 – Não percebe muito bem português. Por favor, não se aventure pelas tentativas de sarcasmo.
Ponto 4 – A recomendação para o sarcasmo serve para as metáforas.
Ponto 7 – Não tem ouvido muitas piadas nos últimos dez anos, pois não?
Ponto 10 – A banda chama-se Dead Kennedys. Pense pela sua cabeça.
Ponto 12 – A música é péssima.
Ponto 13 – Recorra à primeira parte do ponto 3.
Ponto 15 – Se houve coisa que não me passou pela cabeça quando escrevi sobre os Sepultura foram as pessoas que ouvem hard rock/heavy metal. Portanto, como poderia ser preconceituoso em relação a elas?

Game over.

Emanuel Carneiro


EM JEITO DE FINALIZAÇÃO:
Esta do “game over” deixou-me fodido! Era qualquer coisa do género “a minha opinião é final e universal e ficamos por aqui”. Mas eu já não me preocupei em voltar a responder a este senhor, senão nunca mais acabava isto. Além disso, dá para ver que este senhor é intransigente e arrogante e que esta troca de opiniões não ia parar a lado algum. Decidi esquecer o assunto e este senhor e o seu “profissionalismo” e “ética” (ou falta dos mesmos). Fim da história. The End (isto para não usar a mesma frase em inglês usada por ele).

Cartas-Manifesto Pt. 2/3: 1º Carta

1º CARTA – BLITZ / NAPALM DEATH (CARVIÇAIS ROCK 2001):

Caros amigos do Blitz: […]
No dia 19 de Agosto enviei-vos um e-mail com o texto que segue nesta carta. O mesmo é para uma inclusão na vossa secção VOZ DO POVO. Já foram lançados 3 números após isso e ainda nada! […] Gostaria de saber se ainda resta algum respeito pelos leitores, em especial por alguém que o é à cerca de 10 anos!!!
Estou a escrever para mostrar a minha indignação para com o senhor Luís Guerra e a sua reportagem acerca do Festival Carviçais Rock 2001, mais precisamente a propósito da actuação dos britânicos Napalm Death. Sou leitor do Blitz há cerca de 10 anos e é a primeira vez que escrevo para o mesmo, é pena que seja para contestar uma das suas reportagens! Aliás não o Blitz mas sim um dos seus jornalistas. O grande problema de tudo isto é simplesmente, colocarem senhores a trabalhar numa área com a qual nada têm a ver. Aliás o mesmo até diz: "... não morro de amores pelo género (ok, abomino-o)...". A sua crítica, senhor Luís Guerra, nada tem de construtiva, pelo contrário, é até destrutiva! Quem lê a sua reportagem e não viu o concerto em questão, ou não conhece a banda, ou conhece mas não esteve lá, gera uma ideia errada e talvez preconceituosa da banda. Preconceito! É isso mesmo o único que o senhor consegue realmente transmitir com as suas palavras! Aliás, começa logo a parte da sua reportagem destinada aos Napalm Death com "Confirmando a tendência para a um bom concerto se seguir um motivo de menor interesse, ...". Motivo de menor interesse? Para quem? Só mesmo para si! De início já demonstra o seu preconceito para com o estilo musical em geral e esta banda em particular, a qual leva com a sua (des)crítica! E o que é que pretende dizer com: "... continuam vivos e é bem capaz de residir aí o seu principal problema". Pretende afirmar que já deveriam ter "arrumado as botas"? Que já cá não deviam andar? Utilizando mais uma vez as suas palavras: "De registar que esta veterana banda de grindcore reuniu à sua frente a plateia mais numerosa de todo o festival, centenas de jovens... que vieram de propósito de todos os quadrantes do norte do país para assistir ao concerto (que, confesso, não percebí) dos Napalm Death...". Caso não saiba, estes senhores são responsáveis por todo um género, apelidado de Grindcore, e não se limitam a viver à custa de glórias passadas, sempre souberam actualizar a sua sonoridade, mantendo-se no topo! Já percebe o porquê de tanto público a assistir? Ah, já agora não era só pessoal do norte! Eu vivo a cerca de 17km de Aveiro (descendo mais ainda no mapa!) e também lá fui de propósito assistir ao concerto! Pouco mais de 3 horas de viagem para lá e outras tantas para cá, no meio da serra, com todo o calor que se fazia sentir, com todos os contratempos sempre aliados a este tipo de actividades! Valeu a pena, sim senhor!!!

Desde os 13 anos que assisto aos mais variados espectáculos, das mais variadas bandas, dos mais variados estilos musicais. Bandas "grandes", de garagem, portuguesas, norteamericanas, finlandesas, etc, etc. Desdes os 10 anos (benditos Iron Maiden!) que vivo e respiro música. Há 7 anos que faço rádio. Pelos meus olhos e ouvidos já passaram Slayer, Megadeth, Smashing Pumkins, Clawfinger, Guano Apes, Metallica, Ratos de Porão, Iron Maiden, Aerosmith, Apocalyptica, Sepultura, entre muitos outros. Isto para dizer o quê? Que considero este o melhor concerto a que assisti em toda a minha vida! 2 pontos em 10 atribui o senhor? Foram 2 pontos para si mas 10 para mim e muito mais gente que lá estava! Diz o senhor Luís Guerra que "parece um mero repositório de electricidade e ruído ensurdecedor, temperado por ritmos que ultrapassam em muito a violência tribal. Vocalizações indistintas, cuspidas em desespero e angústia...". […] Quase que não aguento ao tentar avaliar estas suas palavras. Todo o seu discurso é preconceituoso (sim, repito mais uma e outra vez!!!) para com estilo em si, ignorante, repugnante, e acima de tudo arrogante!!! Pensa que as suas opiniões, gostos, ideais são a "lei de ordem"?

Vê-se mesmo que o senhor não percebe do que falou, pois nem sequer o título de um tema apontou! Apenas no final o título do novo álbum, mas essa informação deve-lhe ter sido fornecida pelo próprio vocalista da banda durante a sua actuação! Onde é que estava o senhor José Rodrigues, o jornalista do Blitz ligado à área do Metal, para comentar dignamente este concerto? Assim é que deveria ser: "cada macaco no seu galho", como o povo costuma dizer!!!


RESPOSTA A ESTA MISSIVA? SE EU AINDA ESTIVESSE À ESPERA DA MESMA…