Os Brasileiros King Bird tocam um Hard Rock
com claras influências setentistas e Bluesy. Este CD reúne o álbum de 2008 “Sunshine”
e as 4 faixas do single de 2005 “The God’s Train”. Não faz muito o meu género
mas não nego a qualidade do trabalho aqui apresentado. Os músicos são mais que
competentes, e o vocalista é perfeito. Vários convidados fazem a sua
contribuição, mas talvez o mais conhecido da população geral seja Andreas Kisser
(Sepultura) que faz o solo de guitarra em “I’ve Been Looking”. Silvio Golfetti
e Heros Trench dos Korzus também fazem a sua aparição com solos em “Whazzup
Jack?”. Temas maioritariamente a meio tempo, alguns mais lentos e Bluesy, e letras
em inglês. As faixas mais roqueiras são agradáveis de ouvir, mas no final não
fica nenhuma malha no ouvido. É esse o maior problema dos King Bird. A falta de
canções, no verdadeiro sentido da palavra. Entradas, riffs, melodias, refrões
que fiquem na cabeça ao acabar o CD. Não há, infelizmente. Para fãs de bandas
tão díspares como Deep Purple, Cheap Trick, Aerosmith, Uriah Heep, Soundgarden,
Mr Big, Extreme ou Pearl Jam, por exemplo. RDS
70%
Terceiro disco de estúdio para os Brasileiros
Uganga que contêm no seu line-up com um ex-baterista de Sarcofago. Thrash da velha
escolha com toques de Hardcore / Crossover, ocasionais passagens Dub e Hip Hop
(bem dissimuladas, não se preocupem os puristas), e letras em Português é o que
nos
oferecem nestes 13 temas. Nota-se um certo cuidado em diversificar a base
Thrash / Hardcore com outras sonoridades, e para isso vários músicos convidados
ajudam com o seu contributo, tal como o guitarrista Fábio Jhasko (ex-Sarcófago)
a tocar violino, o rapper X (ex-Câmbio Negro), o guitarrista Johny Murata da
banda de jazz Lumina a tocar cítara na intro do disco, o grupo de rap 3DFato,
etc. Passagens de spoken word, interlúdios rádio, entre outras ideias, ajudam a
dar uma continuidade ao disco. Não estamos a ouvir faixas soltas, mas um disco
inteiro. Funciona muito bem. Nas letras também há um certo cuidado, indo além
das típicas histórias de ficção negra no Metal, e enveredando pela crítica sociopolítica.
Além da componente áudio, o CD tem uma faixa multimédia com um vídeo making of
/ documentário de cerca de 26m e algumas fotografias. Aconselho vivamente. RDS 90%
Novo álbum de 2009 para os Salário Mínimo e como
bónus o LP de 1987 “Beijo Fatal”. O novo trabalho é Hard Rock melódico e radio
friendly. Não é nada acima da média mas, para quem gosta de coisas mais
melódicas mas roqueiras, ouve-se bem. Já o disco de 1987 é puro Heavy Metal
oitentista. Solos, ritmos, voz, produção, tudo remete para a aproximação tradicional
ao género. Em ambos as vocalizações são em português. Já devem ter percebido
que a minha orientação vai para o material mais antigo, mas o disco de 2009
também tem os seus pontos de interesse. Parecem duas bandas distintas, mas isso
já vai do gosto pessoal. Mais uma recuperação digna de registo, através da
Metal Soldiers, para uma banda Brasileira. 75%
RDS
A mais antiga banda de Heavy Metal do Brasil,
formada em 1977. Em 1982 lançam o primeiro disco do género naquele país. Os
Stress reivindicam também o estatuto de primeira banda de Thrash Metal do
mundo, pois a sua estreia foi lançada um ano antes do “Kill ‘Em All” de
Metallica. Polémicas à parte vamos à revisão de este CD. Gravação ao vivo em
2005 e que marcou o regresso da banda aos palcos. São 11 faixas, entre as quais
a abertura “Heavy Metal”, tema que vem dos Metal Pesado, pois as bandas têm um
ponto de contacto a certa altura. Como bónus temos direito a 4 raridades demo
de 1986, altura em que a banda estava a enveredar por uma sonoridade e visual
Glam Rock (fez-me lembrar os Portugueses Ibéria na mesma altura). A fechar o CD
uma versão demo da faixa “Coração de Metal”, habitual nos concertos, e que não
tinha até à data edição oficial. Não será talvez o melhor ponto de partida para
desconhecedores da banda, tal como eu, mas talvez vos faça ficar curiosos por
ouvir os discos de estúdio. Eu fiquei. RDS
80%
Outra banda de Metal oitentista já extinta, oriunda
do Brasil. Os temas são antigos, e variam de 80 a 84, mas o que encontramos
aqui são regravações feitas pelos antigos membros da banda. Não se trata de uma
reunião, mas apenas uma ideia que surgiu pelo ainda gozo enorme que estes
músicos têm pelo Heavy Metal. O som parece saído da década de 80 e este disco poderia
passar despercebido como sendo gravações originais. As vocalizações são em
Português e as letras são as típicas do NWOBHM sobre Heavy Metal, o sobrenatural,
misticismo, idade média, etc. Poderia dizer que preferia as gravações originais,
mas estas também estão muito boas. O espírito está lá intacto. Aliás, como
bónus temos direito a 5 faixas da altura (um promo de rádio 83 + 2 live 83/84 +
2 demos 83), por isso não nos podemos queixar. Muito bom. RDS 90%
Banda Espanhola no activo desde finais de 1977. Este
disco data de 2001 e é editado 10 anos depois pela Metal Soldiers, devidamente
remasterizado e com 6 temas inéditos como bónus. As vocalizações são em espanhol,
tal como habitual nas bandas do país vizinho. A produção é a típica espanhola para
o Hard ‘N’ Heavy e, sinceramente, nunca me cativou muito. A sonoridade da banda
varia entre um Hard Rock e um Heavy Metal mais tradicional. O disco ouve-se bem
e é curtido, mas o som é muito genérico e não traz nada de atractivo que faça
sobressair os Zarpa do resto da manada. Ainda tentam incluir aqui e ali ideias
diferentes, tal como música Celta ou Neoclássico, mas com resultados que não
ultrapassa a média. Para fãs de nomes como Saxon, Deep Purple, Obus, Baron Rojo
ou até Medina Azahara. 65% RDS
Thrash melódico, com passagens mais agressivas e
alguns apontamentos mais Core. É o típico Thrash Brasileiro com influências de Metallica
antigo, Sepultura antigo, The Mist, Soufly, os Australianos Mortification na
sua fase Thrash ou até os Tourniquet. Ouve-se bem mas falta-lhe alguma
originalidade e ao fim de algumas faixas torna-se algo monótono. As
vocalizações em Português ajudam muito. As cinco faixas bónus ao vivo têm um
som algo abafado, não muito bom, mas servem o seu propósito de bónus. Não vai
salvar o género mas fãs de um Thrash mais cru e directo poderão gostar. RDS 60%
Álbum de 2010 para os Brasileiros Inquisição. Hard
Rock melódico com aproximações Heavy Metal e vocalizações em inglês é o que nos
oferecem nestes 11 temas. O som produção está meio abafado mas ouve-se bem. Além
dos novos temas, temos direito a mais 6 sub-intitulados “The 1985-1987 Demo
Tapes Revisited”. O título explica tudo. As demos dos 80s re-gravadas em regime
live no estúdio. Estes têm letras em Português e têm um som de produção mais
fixe, na minha modesta opinião. A sonoridade é mais 80s Heavy Metal. Gosto mais
destes bónus, embora todo o disco tenha os seus pontos positivos. Interessante
teria sido incluírem também as versões originais das demos. RDS 75%
Mais uma banda Brasileira já extinta e que a Metal
Soldiers reedita. Catorze são os temas reunidos neste CD, e vão desde 1984 a
1988, entre demos e lives. Além disso temos direito a um bónus gravado já em
2008, “Sadie” uma versão dos Beatles, que foi registada de propósito para um
tributo Brasileiro à referida banda britânica. 80s Heavy Metal com fortes
influências NWOBHM é o que temos. Típica produção oitentista, crua, potente,
mas perfeita para o estilo. O som varia de faixa para faixa, mas isso é perfeitamente
normal numa compilação do género, e apenas as duas faixas ao vivo têm um som
mais sofrível, mas mesmo assim audível. Muito bom todo o disco. A versão de
2008 de Beatles “Sadie” é que destoa um pouco junto dos outros temas, mas serve
o seu propósito. Mais uma pérola para os amantes do Metal tradicional. RDS 85%
Este compacto reúne dois álbuns, devidamente
remasterizados, da já extinta banda Brasileira Alta Tensão. O “Metalmorfose” de
1985 é mais 80s Heavy Metal, tem melhor som de produção (típica sonoridade crua
do Metal oitentista) e vocalizações em português com as habituais letras do
género. É mais a meu gosto, vou ser sincero. Já o segundo disco aqui incluído,
“Nigéria” de 1990, assenta num Heavy com toques Thrash; o som de produção já
não é tão bom, está algo abafado e retira-lhe poder; e em termos de composição
não está tão bem conseguido. Aqui as vocalizações já são em inglês, o que lhe
retira algum do encanto, a meu ver. A normal tentativa de internacionalização
de qualquer banda, percebe-se. Há ainda tempo para uma cover de “Fireball” dos Deep
Purple. O CD vale pelas 7 faixas de “Metalmorfose”. RDS. 80%