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Saturday

Flash Reviews: RISE ABOVE RECORDS

Admiral Sir Cloudesley Shovell “Keep it Greasy!” (Rise Above Records, 2016)
Terceiro de originais dos Britânicos. Retro Hard Rock setentista de inspirações Pentagram, Hawkwind, Budgie, Blue Cheer, Sir Lord Baltimore, Buffalo ou Bang, para nomear alguns. São 8 novos temas espalhados por 45 minutos que em nada deixam a desejar ao que se fez na década de 70. No meio de tanta banda retro que saltou para a onda nos últimos anos, é bom ouvir alguém que o faz da maneira certa. 80% RDS

Antisect “The Rising of the Lights” (Rise Above Records, 2017)
Saídos da cena Anarco Punk Britânico dos inícios dos 80, os Antisect separaram-se em 1987 deixando para trás um punhado de edições, em particular a pérola do Punk Anarca “In Darkness There is No Choice“ de 1983. Reuniram-se em 2011 para alguns concertos e têm estado minimamente activos. Este ano de 2017 vê a edição do seu primeiro trabalho de estúdio em 32 anos. São 9 temas em 50 minutos do mais puro e honesto Anarcho Punk / Crust / Metal que ouvi em alguns anos. Altamente aconselhável! Para fãs de Conflict, Crass, Killing Joke, Neurosis, High On Fire. 90% RDS

Galley Beggar “Heathen Hymns” (Rise Above Records, 2017)
Folk Rock vindo do Reino Unido, descendente directo de bandas como Fairport Convention, Steeleye Span, Trees, Fotheringay ou Comus. A música dos Galley Beggar tem tanto de Folk tradicional como de rock psicadélico dos finais dos 60s. “Heathen Hymns” é já o 4º disco de originais, mas apenas o 2º para a Rise Above (os dois primeiros foram edições de autor). Aos 6 novos temas originais juntam-se 2 versões bem próprias dos tradicionais “Let No Man Steal Your Thyme” (com a participação de Celia Drummond dos Trees) e “The Girl I Left Behind Me”. São 42 minutos que irão com certeza agradar a ouvintes de Acid Folk, Folk Rock, 70s Progressive ou 60s Psychedelia. Recomendado. 90% RDS

Ides Of Gemini “Women” (Rise Above Records, 2017)
Já no seu 4º disco de originais (contando com EP de estreia), os Ides Of Gemini trazem 43 minutos de vocalização feminina que fundem Goth Rock dos 80s com o peso do Doom Metal tradicional. No entanto, esta caracterização é algo redutora para a sonoridade dos Norte-Americanos, pois também há elementos q.b. de Post-Punk ou 70s Hard Rock, mesclados numa personalidade muito própria. Já tinha ouvido o anterior “Old World New Wave” e achei interessante, mas ficou apenas a curiosidade. Este novo trabalho está uns pontos acima e vai-me obrigar, sem dúvida, a revisitar a discografia anterior. Não confundir com o punhado de bandas retro com voz feminina, pois os Ides Of Gemini estão a outro nível. 85% RDS

Naevus “Sun Meditation” (Reissue) (Rise Above Records, 2017)
Os Naevus são oriundos da Alemanha e tocam um Doom Metal tradicional bem balançado, melódico e roqueiro. A banda esteve activa durante toda a década de 90, dando por encerrada a sua curta carreira em 1999. Para trás ficou este “Sun Meditation” de 1998, o qual vê agora reedição por parte da mesma editora, Rise Above, mas desta feita nos formatos vinil e digital. De salientar que a banda se reformou em 2012, para fazer a primeira parte dos Saint Vitus, e decidiu continuar no activo. Em 2016 lançaram o novo trabalho “Heavy Burden”. Em 2017 surge esta reedição. Uma banda a ter em conta se gostam de Saint Vitus, Trouble, Spirit Caravan ou Cathedral. 80% RDS

With the Dead “Love From With the Dead” (Rise Above Records, 2017)
Segundo álbum de estúdio para os Britânicos With The Dead, banda que conta nas suas fileiras com músicos ilustres como Lee Dorian (ex-Cathedral, ex-Napalm Death), Leo Smee (ex-Cathedral, ex-Firebird, Chrome Hoof), Tim Bagshaw (ex-Electricx Wizard, ex-Ramesses) e Alex Thomas (ex-Bolt Thrower). Doom lento, pesado, opressivo, apocalíptico é o que nos apresentam neste mais recente projecto. Depois da estreia homónima em 2015, voltam à carga com mais do mesmo em 7 temas que perfazem 66 minutos (estava lá quase o outro 6). Por cima dos riffs monolíticos pesados e da cadência arrastada, as letras niilistas são acentuadas pela voz grave de Lee Dorian. Se dúvidas havia em relação a isto ser apenas mais um projecto paralelo, estão dissipadas com “Love From With The Dead”. 85% RDS

Fénix #1030 – 14 / April / 2013 – 100% Lusitano - Playlist

·         Fluid - Wretched Tide Part II - A Shimmering Glimpse (Edição De Autor, 2000)
·         More Republica Masonica - Mad River - Blow Your Mind (Numérica, 1995)
·         Dr Frankenstein - Nightmare In Elche + Electro III – The Psychotic Sounds Of… (Zona, 2002)
·         Lesma - Love's Too Deep Monique - Wearing Blue Pijamas (Heaven Sound, 1993)
·         Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre - Go West Celine - Ep 91 (Zounds, 2004)
·         Kassefazem - The Cold Wind Of Past - Pay Back Time (Heaven Sound, 1993)
·         Émasfoi-Se - Coca Cola Billy [Live] - Umas Fitas Perdidas Dos (Lux, 2005)
·         Émasfoi-Se - Umas Fitas Perdidas Dos - É (RRV) - Umas Fitas Perdidas Dos (Lux, 2005)
·         Fallacy – Anorah – Martírios (Demo, 2000)
·         Sarcastic – Chameleon – Inside(Plutonium, 1998)
·         Isiphilon - Circle Of Gold – Essence (Symbiose, 1997)
·         Haus En Factor - Early Fear – Ignition (Banzé / Zona, 2000)
·         Icon And The Black Roses - Crucify Your Love - Icon And The Black Roses (Dark Wings, 2004)
·         The No-Counts D.O.M - Fuck You Very Much - 7''ep (Sleazey, 2002)
·         Dawnrider - Walking Blind + Poison So Mean (Number 13) - Split 7'’ep (Blood & Iron, 2005)
·         Bizarra Locomotiva - Adormecida Pelo Éter – S/T (Symbiose, 1994)
·         Bizarra Locomotiva - O Cavalo Alado – Bestiário (Symbiose, 1998)
·         Mata Ratos - Sementes Do Ódio (Hate Breeders) - Portuguese Nightmare A Tribute To The Misfits (Raging Planet, 2005)
·         Sick Sick Six - Será Que Vou Ter Que Matar Para Viver - No Circo Da Vida Real! (Anti-Corpos DIY, 2001)
·         Albert Fish – Apathy - Strongly Recommended (Anti-Corpos DIY / Zerowork, 2002)
·         Nosferatus - V.P.C - From Here To Nowhere Comp. (In-Édita, 1994)
·         Cruel Hate - Self Introspection - From Here To Nowhere Comp. (In-Édita, 1994)
·         Exomortis - Through The Looking Glass - From Here To Nowhere Comp. (In-Édita, 1994)
·         Sacred Sin - A Monastery In Darkness - Darkside + Live Ep (Música Alternativa, 1994)
·         Sacred Sin - The Shades Behind - Darkside + Live Ep (Música Alternativa, 1994)
·         Genocide - Twisted Corpses – Genocide (Música Alternativa, 1994)

Fénix #1026 – 10 / March / 2013 - Playlist

·         Sacred Gate – Burning Wings – When Eternity Ends (Metal on Metal, 2012)
·         Heathendoom – Alternate Sickness – The Symbolist (Metal on Metal, 2010)
·         Wishdoom – Zeus The Thunderer – Helepolis (Metal on Metal, 2011)
·         Heretic – Child Of War – A Time Of Crisis (Metal on Metal, 2012)
·         Trail Of Murder – Nightmares I Stole – Shades Of Art (Metal Heaven, 2012)
·         Mortalicum – Devil’s Hand – The Endtime Prophecy (Metal on Metal, 2012)
·         Inquisição – Burn You Down – Reborn (Metal Soldiers, 2010)
·         M.Ill.Ion – Hell’s Gate – Sane And Insanity (Metal Heaven, 2011)
·         Alta Tensão – Rock Batalha – Metalmorfose (1985 / Metal Soldiers, 2011)
·         Slippery – Two Young Heart – First Blow (Self Released, 2012)
·         Metal Pesado – Invasores – Metal Pesado (Metal Soldiers, 2011)
·         White Widdow – Strangers In The Night – Serenade (AOR Heaven, 2011)
·         Stress – Não Desista – Flor Atômica (1985 / Metal Soldiers, 2010)
·         Vertigo Steps – Zeppelin On Fire – Surface / Light (Ethereal Sound Works, 2012)
·         Thee Orakle – Winter Threat – Smooth Comforts False (Ethereal Sound Works, 2012)
·         Mangrove – Time Of Sorrow – Endless Skies (Transubstans, 2009)
·         Abramis Brama – Vägskäl – Smakar Söndag (Transubstans, 2009)
·         Samsara Blues Experiment – Army Of Ignorance – Long Distance Trip (World In Sound, 2010)
·         (Highlight) Seamount – Just For Fantasy – Earthmother (The Church Within, 2012)
·         Moonless – Devil’s Tool – Calling All Demons (Doomentia, 2012)
·         Family – The Wonder Years – Portrait (Pelagic, 2012)
·         Khoma – Winter Came Up – All Erodes (Pelagic, 2012)
·         Earthship – Catharsis – Iron Chest (Pelagic, 2012)
·         Abraham – The Great Dismemberment – The Serpent, The Prophet & The Whore (Pelagic, 2012)
·         Horn Of The Rhino – Awaken Horror Of Tuur – Grengus (Doomentia, 2012)
·         Collision – Dose Of Death – A Healthy Dose Of Death (Hammerheart, 2012)
·         Gorerotted – Mutilated In Minutes, Severed In Seconds – Mutilated In Minutes (2000 / Hammerheart, 2012)
·         Phobia – Atrocious Atrocity – Remnants Of Filth (Willowtip / Hammerheart, 2012)
·         (Highlight) Lord Of The Grave – 00/15 – Green Vapour (The Church Within, 2012)
·         Vile – Prophetical Betrayal – Metamorphosis (Willowtip / Hammerheart, 2012)

Thursday

Mortalicum - Interview October 2012


1.         The new album “The Endtime Prophecy” was just released. Tell us a little bit about the whole process (composing, recording, production).

- It actually started in 2010 when I had written the first two songs for the second album which were The Endtime Prophecy and My Dying Soul. From there it went really smoothly with Henrik also bringing in great music to the band. In the end we even had songs that we saved for a bonus release (released by the band, not the label). We wanted to keep the album around 45 min. and it’s also great to have something extra to make available for the fans. We began recording in our own studio in April 2011. We first tracked the drums while the rest of us played along for reference. We don’t use click-tracks, we don’t cut and paste, we just record our music the way it sounds. After that we tracked bass, guitars, leads and vocals. No magic really. Then in October I began the mixing and mastering process and in November we handed over the complete album to the label. It was released in April this year (2012).

2.         This is the second release through Metal On Metal. How did the collaboration with this Italian independent take place and how is it going so far?

- It was back in late 2009 when we had recorded all songs for the Progress of Doom album when I contacted the label. I used the song Into the Night to get their attention and after they heard the whole album we signed the deal. The collaboration is going very well and they are really dedicated to the old-school metal and travel to practically every festival that exists. I must praise their passion for metal!

3.         Your sound is not chained to a particular style but you blend several influences, ranging from 80s Traditional Metal to 70s Hard Rock going through some Heavy Doom. Which are your main influences?

- Black Sabbath for sure is our biggest influence and inspiration, but also Deep Purple, Thin Lizzy, Rainbow and all those classic bands that made great music back in the 70’s and 80’s. Even though we play quite heavy music the classic rock legacy must not be forgotten since it’s a big part of our sound and style. We like to get the grooves and melodies in our music as well.

4.         The lyrics are always an important part of Heavy Metal. Would you like to highlight and explain some of the lyrics on “The Endtime Prophecy”?

- Some songs share a conceptual theme about the endtime prophecies and some questions and views on that theme. The songs The Endtime Prophecy, Devil’s Hand, Embracing Our Doom and The End are all linked together lyrically. The other lyrics in general are about life and death and the struggles and questions surrounding that.

5.         Playing this type of old school Hard Rock / Metal, which is not trendy or commercial, what are your thoughts on the current Hard ‘N’ Heavy scene? Are there any new bands that you like or you just stay faithful to the old school stuff?

- I have to admit I mostly stay faithful to the old stuff. I think some new bands try too hard to sound like something from the 70’s or so. But still, who can blame them? The sound was great back then!

6.         Is there a tour already aligned to promote this record?

- No, there is no tour planned unfortunately.

7.         What are your plans for the nearest future?

- We are flying to Malta in early November to participate in the Malta Doom Metal festival. It will be great to meet with friends and play at the festival which is getting stronger every year. It’s their fourth edition already!

8.         Thanks a lot for your time. Do you want to leave a final message to the Portuguese Metal fans?

- Thank you Ricardo for this interview! It is much appreciated! The final message is: Support the underground bands and buy their albums! They are the true metal heads who play music for the pure love of it. They hardly ever get the money they’ve spent back, so every dime that finds its way back to the bands is worth gold. And remember... Stay Metal!!!


Interview by: Ricardo dSdS
Answers by: Patrick Backlund (bass)

http://www.myspace.com/mortalicum / http://www.facebook.com/mortalicum / http://metal-on-metal.com/bands/mortalicum/

Wednesday

Paradise Lost - Interview with Greg Mackintosh

 
1. Although this new record seems to be a blend of everything you did in the past, it is certainly a companionship to records such as “Gothic”, “Icon” or “Draconian Times”. When it comes to writing new songs, do you deliberately take a turn towards the type of album you want, or does it just come naturally?

Generally when I come to write a new album, I look at it from the point of view that we are a brand new band,have no history or releases and what do we want to hear right now.
I find that is the only way to have any enthusiasm for what we write.
If we thought too much about our past releases it would hinder the writing process in my opinion.

2. This is the first album with Adrian Erlandsson as a drummer, although he’s been playing with you for quite some time. What kind of input did he have in the record?

Well it was nice to be able to send tracks to him as and when they were written for him to mess around with and get used to.
Like you say,he has been with the band a while and apart from feeling very comfortable as part of PL now,he really wanted to make an impression as it was his first PL album,and I think he did that.

3. “Tragic Idol” was produced by Jens Bogren. It is not the first Paradise Lost album he’s involved in so, he’s quite familiar with your sound. The record sounds pretty much… Paradise Lost. Do you think it is important having a producer that actually knows the band (and the musical style at some extent), instead of a big name that will just impose his/her style into the music and, ultimately, ruin the record?

I think it is important that the producer listens to and understands the band,and then takes their sound and enhance it.
Too many "big name" producers at the moment don't have any interest in the band they are producing and just give them the "signature" production,which is bullshit as well as lazy.

 
4. There’s a promo video for the song “Honesty In Death” which shows some artistic work and care, instead of a regular “band in playback” kind of video. Tell me something about the production and shooting of this video.

Well I had worked with the director before on my other project Vallenfyre. So we saw his skill and vision on that. With PL we also had a bigger budget so we knew he would be able to do something special.
None of us are very into the usual metal performance video as it's just boring and overdone.
We like miniature movies. Especially miserable ones.
There was quite a big crew on the shoot which happened over 2/3 days in and around the area where we were formed.
I think the cinematography is beautiful and the acting is great.
It is probably my favourite PL video and I would love to work with Matt Green again sometime in the future.

5. Having such a long career, you experienced a little bit of everything in the music industry. From the tape-trading era to this mp3 file-sharing; from the traditional labels to the digital labels; from good will people to the malicious bastards… How do you see the evolution of music industry and the future for it?

Personally I think it has deteriorated significantly over the last decade. People generally don't buy music,know the names of songs,care about artwork or packaging etc.
When we started out our scene felt like a family. Now it seems very splintered and everyone is just into self promotion instead of helping each other out.
I just sound like a dinosaur moaning about the good old days.

6. There is a tour already aligned to promote this record. How is it going so far?

Earlier this year we did the first leg of a European tour,which was very successful but we had to then concentrate on summer festivals for a while. At the moment we are touring the states and as soon as we return we continue on the 2nd leg of the European tour which strangely enough begins with 2 shows in Portugal.

7. What are your plans for the future?

I try not to think too far ahead. I find it fruitless and depressing.

8. Do you want to leave a final message to the Portuguese fans?

See you on tour soon. Keep it fucking grim!!
 
 
PARADISE LOST - HONESTY IN DEATH (OFFICIAL PROMOCLIP)

Saturday

Miss Lava “Blues For The Dangerous Miles” (Raging Planet, 2010)

Não sei porquê, mas fiquei com a sensação de que os Miss Lava eram uma banda instrumental de Post-qualquer-coisa. Devia estar a confundir com outra banda. São tantas hoje em dia! É por isso que levei com uma bela surpresa ao colocar esta rodela no leitor e carregar play. Chamem-lhe o que quiserem. Stoner, 70s Heavy Rock, Psychedelic Rock, Rock ‘n’ Roll, Metal, Heavy Doom, Post-Metal, etc. É tudo isso e muito mais. São 11 temas em pouco mais de 50 minutos e meio de muita intensidade, energia, peso, atitude, groove, riffs contagiantes, melodias, ritmos apetecíveis, suor, bater de pé, air guitars e headbanging. É isso mesmo. Um disco que em nada fica a dever ao que se faz no género por esse mundo fora. Pensei que tão cedo não iria voltar a ouvir um registo tão bom neste tipo de sonoridade. Estava enganado, e ainda bem. E não vem de uma banda Sueca, Norueguesa, britânica ou Norte-Americana. Os Miss Lava são Portugueses. Uma estreia em grande. www.myspace.com/misslavarock / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal / www.ragingplanet.pt
90%
RDS

Friday

19º Mangualde HardMetalfest - Cartaz já completo!

‎19º MANGUALDE HARDMETALFEST

12 JANEIRO 2013

MASTER (USA) - CONTRADICTION (ALE) - CRISE TOTAL - RECENSURADOS (com elementos censurados) - PROCESS OF GUILT - SIMBIOSE - DAWNRIDER - ANGRIFF - SHADOWSPHERE - EQUALEFT - REVTEND
 
Bilhetes: 10/13



Tuesday

Gargamel – Descending (2009) – Transubstans

Os Noruegueses Gargamel regressam com o segundo de estúdio, “Descending”. Os 4 temas (cerca de 47 minutos) vagueiam algures entre o Rock progressivo Nórdico dos 70s, o Post-Rock, o Doom Rock, com algumas pitadas de Psychedelic e Folk. “Descending” revela uns Gargamel mais obscuros, introspectivos, depressivos, melancólicos. Ao tradicional trio guitarra/baixo/bateria aliam-se pontuais passagens de inúmeros outros instrumentos que dão uma cor adicional ao som Gargamel. Creio que poderá agradar a fãs de material tão díspar como King Crimson, Van Der Graaf Generator, Katatonia, Isis, Anekdoten, Kaipa, Tool, Pendragon ou Opeth, por exemplo. Gostei muito do que ouvi. 90% www.gargamel.no / www.myspace.com/gargamelprog / www.recordheaven.net / www.transubstans.com / www.myspace.com/transubstans
RDS

Thursday

Dawnrider – Two (2009) – Raging Planet Records

Desde o 7” de estreia que ando atento a estes Dawnrider. O disco de estreia, “Alpha Chapter” (Raging Planet, 2007), foi um portento de Heavy Rock de contornos retro. Neste novo trabalho afastam-se um pouco do 70s Heavy Rock dessa estreia e abraçam uma sonoridade mais Doom à la Sabbath / Pentagram / Saint Vitus com elementos de Space Rock / Psychedelic de inspiração Hawkwind e até algum 1969s Psychedelic Rock. Abre com a psicadélica “Scared Of Light”; “Evil Deeds” e “Redemption” puxam à costela Sabbath; “Irinia” ultrapassa os 12 minutos e é lento, arrastado, hipnótico, minimalista, com letra simples e curta (em português) levada à exaustão, tem ainda uns elementos de Folk mais para o final; “Queen Of The Mountain” e “The Hallow Path” voltam ao Heavy Doom dos 70s; “Walking Blind” do 7” é aqui regravada, mais Doom lento, agreste, pesado; fecha-se com chave de ouro com o instrumental “Maelstrom” numa toada Epic / Viking (?!uma faceta a explorar no futuro?!). Cerca de 51 minutos fazem “Two”, um disco que, particularmente, não me agrada tanto como “Alpha Chapter”, mas que não lhe fica muito atrás em termos de qualidade. Mais um tiro em cheio. 80% http://www.dawnrider.com/ / www.myspace.com/dawnriderdoom / http://www.ragingplanet.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal
RDS

Monday

Nocte Obducta – Sequenzen Einer Wanderung (2008) – Supreme Chaos Records

Dois temas apenas fazem este disco. “Teil 1” tem 23m06s e “Teil 2” tem 20m53s. Metal vanguardista é o que nos apresenta esta banda Germânica no activo desde 1995. Infelizmente, este é o “canto do cisne” pois a banda separou-se oficialmente durante o ano de 2008. Mas, antes de morrer, o cisne canta por uma última vez, e esse é o mais belo de todos os seus cantos. Nestes 44 minutos de arte no seu estado mais puro, os Nocte Obducta levam-nos numa viagem inesquecível. Atmosférica, psicadélica, hipnótica, melódica, depressiva, intensa, experimental. É assim a música do extinto sexteto teutónico. Uma verdadeira obra-prima! Para os amantes de cenas Avantgarde, Post-Rock e Progressivas. 95% http://www.nocte-obducta.de/ / www.myspace.com/nocteobducta / http://www.s-c-r.de/
RDS

Saturday

Blindead – Autoscopia: Murder In Phazes (2008) – Foreshadow

Eu adoro notas de imprensa. São tão presunçosas! Esta que acompanha “Autoscopia: Murder In Phazes”, o segundo disco dos Polacos Blindead, é inacreditável. Com afirmações do género “um disco de grandiosas proporções, paralelo a Panopticon ou The Eye Of Every Storm”, “Cult Of Luna… poderia pensar-se que o trono do Post-Metal já estava conquistado, mas os Suecos vão ter de partilhar os louros com os Blindead” ou ainda “predestinado a tornar-se um dos mais importantes álbuns da história do Post-Metal”, como é que se pode levar a sério uma banda ou um disco? Isto, claro, numa rápida análise do que me chegou às mãos, antes de ouvir o disco propriamente dito. Este é, como já referi, o segundo trabalho em longa duração dos Polacos, mas é o meu primeiro contacto com a sua música. E a banda satisfaz as expectativas? Sem dúvida alguma! O disco é intenso, sufocante, brutal, negro. Os Blindead fazem o balanço perfeito entre o lado mais lo-fi, cru, obscuro, denso, pesado e o mais melódico, suave, aberto, iluminado. À vertente Post-Metal de inspiração Neurosis, Isis ou Cult Of Luna aliam-se ainda toques industriais que me fazem lembrar bandas como Godflesh, Fudge Tunnel ou Head Of David, assim como umas pitadas de Doom, Psychedelic, Prog e até Viking. Uma hora dividida em 7 temas (apelidadas de “Phaze”, de I a IV) que me agradaram imenso e que recomendo a fãs, como é óbvio, de todas as bandas anteriormente mencionadas neste texto. 85% http://www.foreshadow.pl/ / http://blindead.net/ / www.myspace.com/blindead
RDS
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Blindead - Phaze I: Abyss (Live in Warsaw 18.06.2008)

Sunday

Stonefuze – Stonefuze (2008) – CM Sweden / Rivel Records

Desde 1989 até hoje, estes Suecos Stonefuze passaram por diversas mudanças a nível de denominação (Cornerstone, Cornerstone SWE, Stonefuze) e de sonoridade (desde os inícios Southern Rock com algum material acústico, passando por um Blues Rock, até ao som Heavy / Hard Rock de hoje em dia). Este é o primeiro disco sob esta denominação Stonefuze e o mais pesado da banda. Hard Rock com tomates, pesadão, duro, com muita melodia, atitude e alma é o que podemos ouvir nestes 11 temas (40 minutos de duração). As influências do seu passado notam-se muito bem, desde o Southern ao Blues Rock, passando pelo Heavy Rock dos 70s. Há até alguns toques de Heavy / Doom clássico que me agradam muito. Gostei muito do que ouvi. Para fãs de AC/DC, Thin Lizzy, Black Sabbath, Deep Purple, Saxon, Rose Tattoo, Tygers Of Pan Tang, Trouble, Candlemass, Witchfinder General, Saint Vitus, Iron Maiden (inícios), Judas Priest (inícios), Godsmack, etc. 85% http://www.stonefuze.com/ / www.myspace.com/stonefuze / http://www.cmsweden.com/ / http://www.rivelrecords.com/ / http://www.germusica.com/
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Saturday

Faith – Blessed? (2008) – Transubstans Records

Os Faith são Suecos e, apesar de vários hiatos, existem desde 1984. Além de um 7” em 1986, não editaram mais nada até 2003, altura em que primeiro disco viu a luz do dia (ou as trevas da noite!). Este é já o terceiro, “Blessed?”, e o primeiro através da Transubstans. Ao todo são 9 temas em pouco mais de 50 minutos de Doom Rock bem negro, depressivo, melancólico, épico, ora arrastado ora mais groovy, com toques Folk (muito) e de psicadelismo (algum). Gosto muito deste tipo de Doom com fortes influências de 70s Heavy Rock e com voz limpa e épica. A vertente Folk também ajuda muito ao ambiente místico, denso, cru e orgânico do disco. Ao núcleo duro de guitarra / baixo / bateria junta-se ainda um violino e um nyckelharpa (um instrumento tradicional Sueco). Para não variar nas edições desta editora, mais uma pérola que me chega às mãos. Aconselho vivamente a fãs de Heavy Doom Rock Metal e de nomes como Black Sabbath, Pentagram, Saint Vitus, Trouble, Candlemass, Black Widow, Leaf Hound ou Sir Lord Baltimore. 90% http://www.faitharmy.com/ / www.myspace.com/faith2ya / http://www.recordheaven.net/ / www.myspace.com/transubstans
RDS

Monday

Dawnrider – Alpha Chapter (2007) – Raging Planet Records

Há já imenso tempo que estava à espera do disco de estreia destes Dawnrider. Já tinha gostado muito do split EP com os War Injun, mas apenas dois temas sabiam a pouco. Na altura pensei: “ok, mais uma excelente banda que vai desaparecer sem deixar rasto, por falta de apoios de público, editoras, media, etc”. É a situação típica em Portugal. Ainda bem que me enganei, e aqui ficam os dois polegares no ar para os Dawnrider pela perseverança e ao Daniel da Raging Planet pela aposta. Quanto ao disco, “Alpha Chapter”, parece que fui o último interessado a ouvir esta preciosidade. Já toda a gente anda a comentar isto na internet. Mas também não vem tarde! E agora não vai sair do leitor tão cedo! São 9 temas, dois deles versões, “I.C.B.M.” dos Amebix e “Shylock” dos Buffalo (por coincidência, o meu tema favorito de toda a discografia dos Buffalo; tem um quê de “Paranoid” não é?). A escolha das versões pode, por vezes, não ser a mais acertada ou, pior ainda, ter como intenção vender mais um par de discos à pala do nome versionado. Aqui, as bandas escolhidas fazem todo o sentido no universo Dawnrider e os temas encaixam na perfeição no conteúdo global. Hard Rock setentista com inclinações Doom Rock é o que nos é apresentado em cerca de 43 minutos de boa música. Influências directas de Black Sabbath, Buffalo, Sir Lord Baltimore, Leaf Hound, Pentagram, Saint Vitus, Witchfinder General, Amebix, Candlemass, Cathedral, e outros que tais. Grandes riffs e melodias sacados às 6 cordas, baixo com som cheio, bateria poderosa, voz arranhada bem puxada lá das entranhas. Ora mais rápido, ora mais doomy e arrastado, mas sempre bem equilibrado. É daqueles discos que nos faz abanar a cabeça de início ao fim e de vez em quando damos por nós com os “horns up” ou a sacar da nossa “air guitar” e a começar a riffar! A fornada de discos de Metal / Punk / Hardcore em Portugal em 2007 (e 2008 prevê-se um bom ano também) foi muito boa, e podem destacar-se muitos discos, mas este fica bem lá no cimo. Só não leva 100% porque isso fica reservado para clássicos mas, daqui a uns anos, “Alpha Chapter” fica destinado a ser um disco de referência no panorama musical nacional. 95% http://www.dawnrider.com/ / www.myspace.com/dawnriderdoom / http://www.ragingplanet.web.pt/ / www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal
RDS

Wednesday

Dawnrider - Entrevista

1 – Fala-me um pouco da história dos Dawnrider desde a sua concepção até à data.
FJ – Em 2004 eu vim com a ideia de formar um projecto novo com o Libe (João Barrelas). Ambos tínhamos terminado as nossas funções nos Subcaos, mais uma vez a banda iria hibernar. Como necessitávamos de um line-up diferente dos Subcaos eu propus ao Conim, que fosse experimentar guitarra ritmo e ver como se entendia com o Libe. Por sua vez o Libe trouxe o Samuel dum projecto que tinham em conjunto. Ainda tinha os No-Counts a decorrer, lembrei-me logo de propor ao Victor o lugar na bateria para este tal projecto de Metal. Já no tempo dos No-Counts eu e o Vítor queríamos tocar Metal, no tempo dos Subcaos o Libe partilhava da mesma ambição comigo, então o passo óbvio seria formar uma banda de Metal. Depois de vários concertos e de um split Ep editado na Blood & Iron, Samuel sai e entra outro ex-No-Counts, o Carlos “Sven”. Como o Samuel saiu a meio das gravações e não podíamos perder mesmo mais tempo, no álbum, quem gravou o baixo foi o Conim. Espero que esta formação se mantenha por muito tempo, para além de serem grandes amigos, são músicos muito criativos com um enorme coração.

2 – Descreve os processos de composição e gravação deste disco de estreia “Alpha Chapter”.
FJ –
Os temas foram compostos essencialmente pelo Libe, mas temos também alguns pelo Samuel e pelo Conim. Os arranjos são feitos um pouco por todos na banda. As letras até agora têm sido feitas todas por mim. O modo como gravámos este álbum foi errante, houveram muitos problemas, as misturas eram para serem feitas em casa com um produtor mas os planos falharam, aconteceram uma data de imprevistos da parte do nosso antigo baixista e tivemos de continuar o trabalho no estúdio onde fizemos a captação, passados uma data de meses. O álbum foi feito aos bochechos e na fase final teve de ser apressado. Para um primeiro álbum acho que está bom, mas da próxima já temos um plano delineado onde vamos gravar os temas dois a dois em meses seguidos e depois sim, as misturas serão feitas de seguida.Assim é tudo feito em um terço do tempo, gastamos metade do dinheiro que gastámos e depois deste verão, temos o disco todo gravado e misturado. Desde que registámos a bateria até que o álbum estivesse masterizado, passou-se um ano. Muitos meses queimados esperando podermos gravar guitarras e baixo em casa e no fim não foi possível.

3 – Sobre que assuntos incidem as letras contidas neste disco?
FJ –
Variam um pouco, não há um conceito neste primeiro álbum. As letras são directas e fáceis de entender. Lidam muito com o conceito de liberdade, não numa perspectiva de reclamar por exemplo libertinagem, mas sim a liberdade do indivíduo cada vez mais condicionada de formas camufladas que o sistema usa para eliminar as nossas defesas. Os sistemas modernos já não usam a repressão policial, ditaduras militares ou coisas do género…preferem usar a economia para chegar aos seus objectivos.Por outro lado, falam de batalhas espirituais, letras pessoais de mágoa, dor e paixão e até uma que é um tributo a uma banda Portuguesa dos anos 70 que são os Beatniks.

4 – A capa do disco é uma fotografia da banda, mas esta foi tratada de modo a ter um ar de portada de disco dos 70s. Era esta a vossa intenção, suponho? Quem é que foi responsável pela capa?
FJ – A foto na capa, bem como a contracapa e a foto do interior são da autoria de um fotógrafo que descobri num fórum de Metal cá, muito talentoso por sinal, que é o José Ramos. Apaixonei-me pelo trabalho dele e contactei-o fazendo a proposta para trabalhar conosco neste álbum e que levaria a banda até alguns sítios de Sintra que ele fotografou para experimentar com a banda e assim foi. No disco apenas estão duas fotos da banda mas temos mais umas três diferentes de uma sessão de mais de 500 para introduzir como fotos promocionais para magazines, webzines, o que for necessário. Se olhando para a capa dá a imagem de recriar um ambiente “seventies”, então a missão foi cumprida.

5 – Quais são as vossas influências musicais, assim como outro tipo de influências?
FJ – São bandas de várias épocas e estilos mas que se encaixam bem umas nas outras, pelo menos para nós. Do final de 60’s e anos 70 somos influenciados por nomes de peso como os óbvios Sabbath e Pentagram, mas também por Bang, Sir Lord Baltimore, Dust, Buffalo, Judas Priest dos primeiros tempos, Captain Beyond, Blue Cheer, High Tide, etc. Dos 80’s retiramos influencias no Doom Metal, Crust original e Heavy Metal tradicional, como Trouble, Saint Vitus, Obsessed, Penance, Amebix, Antisect, Deviated Instinct, Angel Witch, Diamond Head, Witchfinder General, Mercyful Fate e Manilla Road. Outras influencias podem ser a Bíblia Sagrada, William Blake, o terrível sistema em que vivemos, a nova ordem mundial, o sonho hippie e a utopia libertária.

6 – O disco é lançado pela Raging Planet Records. Como é que surgiu esta colaboração? Porque é que a banda optou por esta editora em particular?
FJ – Eu já conheço o Daniel Makosch da Raging há algum tempo. Inclusive, cheguei a escrever sobre algum Metal na Rock Sound quando ele editava cá a versão Portuguesa da revista. Quando terminámos a gravação foi o primeiro a quem mostrei por ter boas relações com ele. Como ele quis editar o disco, eu nem mostrei a mais ninguém. Agrada-nos o facto de ser alguém que nós conhecemos a editar o disco. Embora a editora não tenha nenhuma banda na nossa área, gosto como ele promove os trabalhos.

7 – Como é que estamos de concertos de promoção ao disco? E em relação a outro tipo de promoção, tais como entrevistas, rodagem em rádios, etc?
FJ – Embora o disco tenha saído em Novembro, apenas foi para as lojas independentes em Dezembro e só chegará ás grandes superfícies em Janeiro. Já fizemos 3 datas entre Novembro e Dezembro de promoção do disco, 2 delas com mais bandas, a primeira, de lançamento do álbum foi com os Alabama Thunder Pussy e os Firebird. Em Fevereiro e Março temos mais concertos, vamos tocar em Barroselas este ano e como não somos uma banda que toque muito ao vivo para nós já é bom. Vamos em Fevereiro gravar um vídeo-clip de promoção ao álbum, provavelmente será o tema “Predator” um tema muito “in-your-face” bom para passar na televisão. Neste mês de Janeiro sei que pelo menos uns 30 programas de rádio receberam o promo do álbum, agora é ver o que vai acontecer. As entrevistas começaram agora, penso que a tua é a primeira desta fase de promoção do álbum.

8 – O que é que aconteceu à tua editora Sleazey Records? Porque é que “fechou as portas”? Que lançamentos e outro tipo de actividades efectuaste com a mesma?
FJ – A Sleazey foi criada enquanto estava nos No-Counts para não só editar a minha própria banda, bem como as dos nossos amigos (Brainwashed by Amália e We were Wolves). A maioria dos lançamentos são splits pois assim também lançava bandas de amigos e correspondentes lá de fora. Como as bandas eram todas mais ou menos do mesmo universo, estava-se a criar uma cena gira com os Sleazey Fests e tudo, os Adam West de Washington que chegaram a tocar cá, não só entraram num split conosco em Cd, bem como lhes fiz um Ep com uma capa exclusiva assinada pelo Mauamor, o meu ilustrador Português favorito do Rock underground. Eu era um grande fan dos Adam West, eles são uma grande banda e orgulha-me ter trabalhado com eles durante o ano de 2003.Como acabei por perder algum dinheiro com a editora (alguns lançamentos falharam) e fiquei sem dinheiro para reinvestir, decidi findar o projecto.

9 – Agora tens outra editora, a Blood & Iron Records. A linha musical é um pouco diferente da Sleazey, não é? Que edições tens feito até agora e quais é que tens programadas para o futuro próximo?
FJ – Sim, eu e o Conim somos a Blood & Iron. Também distribuímos ás vezes outras editoras pequenas mas com lançamentos muito interessantes. Editámos um single para os Blacksunrise, editámos o nosso split Ep com os War Injun que era um projecto com elementos dos Earthride (2 álbums na Southern Lord), um deles o mítico Dave Sherman ex-Wretched e ex-Spirit Caravan, no baixo.Editámos um 10” EP aos Place of Skulls que contam como líder da banda, o ex-Pentagram Victor Griffin.Em Fevereiro sai agora um CD reedição com o primeiro EP dos Life Beyond mais bónus, esta banda conta com um actual membro dos Iron Man, outra banda de Doom de Maryland de culto.Também em Fevereiro sai uma colecção de demos com o single ultra-raro incluído dos Blind Legion, uma banda de culto do underground metaleiro americano dos anos 80. Em Março ou Abril sai finalmente ao fim de um ano de espera por todos os temas, o tributo aos Australianos Buffalo, com muitas bandas boas do underground Doom e Heavy Rock internacional. Os Dawnrider entram com “Shylock” que aparece também no álbum de estreia.

10 – O que é que aconteceu às tuas bandas anteriores, The No-Counts D.O.M., Subcaos e Savage City Outlaws (esta apenas uma pequena brincadeira)?
FJ – Os No-Counts acabaram, pena foi não termos deixado um álbum. Agora vejo aí bandas com metade da qualidade e da fúria dos No-Counts a quererem singrar cá. A minha mensagem é: “os Portugueses não gostam de Hard Rock com colhões!” - S.C.O. são isso mesmo, uma brincadeira. Fui convidado para cantar nos eps nada mais, foi uma boa gargalhada ver aquilo tudo editado. Subcaos…bom, vê o myspace da banda, lá diz tudo numa frase: “We the undead, we never sleep!”.

11 – Essas bandas tiveram alguns lançamentos antes de encerrarem as suas actividades. Pensas reeditar isso num futuro próximo? Talvez um CD com o material que foi lançado em vinil.
FJ – Para já não, não quero editar nada de Subcaos mas procuramos uma editora para o fazer: queremos editar finalmente a colecção de demos raras que ninguém praticamente teve acesso juntamente com o Mini LP inédito de 1996 e queremos fazer um Ep novo.Se alguma vez reeditar os No-Counts será daqui a 10 anos, ou se alguém o quiser fazer, eu não me importo.

12 – Além de bandas e editoras tens também andado ocupado com a tua loja de música. Isso ainda está a andar?
FJ – Fechou há um ano atrás, o negócio na net e a edição de discos são agora o meu objectivo.

13 – Sentes na tua loja que o negócio está fraco por causa de toda a cena do “download” na “internet”, pirataria, gravações caseiras, etc? Já agora o que é que pensas desse assunto? Não será isso apenas mais uma forma actualizada do antigo “tape trading”? Afinal de contas, sempre se gravaram os vinis dos amigos lá em casa, nas velhinhas cassetes.
FJ –
A minha opinião é que realmente fazer um download é como gravar uma cassete ou ainda pior pois o som não é tão bom. Não há nada como o som da fita e do vinil. Mas há bons trabalhos hoje em dia de remasterização que aprecio, não tanto em música dos anos 70 que perde a sujidade e fica despersonalizado, mas no Metal, tenho visto bons trabalhos de remasterização e remistura.O como alguém pode achar que ter um cd-r com uma capa de fotocopia ou gigas no computador substitui o objecto é que eu não compreendo. Esta gente que se diz apoiante do underground, está-se a contradizer. Cada um tem as suas prioridades na vida, eu tenho a casa cheia de música, revistas, zines, memorabilia…o mundo do Rock pesado e underground vive disto, virtualizar as coisas é matar a nossa cultura. Já basta uma pessoa trabalhar em frente a um computador!

14 – Tens já alguns anitos no Underground nacional. Já estiveste envolvido em diversas bandas como Subcaos, Crise Total, No-Counts D.O.M., Dawnrider, etc, já formaste editoras independentes (Sleazey e Blood & Iron), tens uma loja de música, etc. Como vês a evolução da cena Underground nacional desde que começaste a fazer parte da mesma até hoje? Que bandas, editoras, promotores de concertos, revistas e outros da cena musical podes realçar?
FJ – Agora as coisas são mais facilitadas, mais fúteis por vezes, anda tudo muito virtual. Eu também vivo muito na net devido ao meu trabalho, mas quero a rua como campo de batalha e os concertos como manifesto. Quero a minha cerveja gelada, e relações cara-a-cara. Queria ter mais contacto com a natureza como já tive para assim conseguir mais facilmente paz de espírito e alienar-me das coisas más da selva de pedra. A minha menção honrosa vai para todos aqueles que organizam concertos, esses são uns verdadeiros heróis, musica ao vivo é vital e eu sei que dá trabalho e por vezes perde-se dinheiro. Desde o pessoal de Barroselas até aos punks de 20 anitos que organizam concertos para 40 pessoas, passando pela Spear, para mim todos contribuem de maneira positiva para o underground nacional. Não sair de casa e ficar na Internet armado em palhaço num fórum qualquer é uma atitude merdosa de cobarde que nada tem a ver com Rock & Roll! A acção é na rua! Devo também salientar o trabalho da Underworld, já são muitos anos a fazer um magazine grátis que não lambe o cú a ninguém, pena ter poucas páginas pois é aquela postura no jornalismo musical que faz falta em Portugal.

15 – Tens agora espaço para deixar uma última mensagem aos leitores da Fénix.
FJ – Obrigado pelo interesse nos Dawnrider. Apoiem o underground e pensem por vós próprios. Não se deixem enganar pelas mentiras de um sistema cada vez mais corrupto e do seu plano maléfico para nos controlar e rotular. Fuck the 666!

Questões: RDS
Respostas: Francisco Dias


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